sexta-feira, 2 de abril de 2021

Mas a ciência não tornou impossível a crença em Deus? [Parte 5]


Por David Gooding e John Lennox


A natureza dos milagres de Cristo


A resposta é que há muitas considerações que podemos fazer no registro desses milagres com o propósito de avaliar sua credibilidade. Para começar, podemos notar a diferença entre os milagres que o Novo Testamento diz que Jesus fez e as histórias tolas de milagres inventadas por pessoas crédulas em séculos degenerados posteriores da Cristandade. Nessas histórias posteriores, imagens de pedra choram lágrimas de sangue, lobos se transformam em humanos e pássaros surgem de pedaços de argila. Não há nada remotamente parecido com isso nas histórias de milagres do Novo Testamento. Os milagres de Cristo eram congruentes com o funcionamento normal da natureza. Quando Jesus produziu vinho milagrosamente, ele não fez o vinho surgir em um passe de mágica: ele pediu água e transformou essa água em vinho. Isso é o que a natureza faz todos os anos, usando meios intermediários como a videira, o solo, sol e chuva. Se Cristo tivesse produzido vinho do nada de maneira incongruente, poderíamos supor que ali estava algum poder mágico estranho, sem respeito pela natureza e suas leis. Os milagres de Cristo mostram respeito pela natureza, como se poderia esperar do Criador da natureza. Ao mesmo tempo, os milagres revelam Jesus como, compreensivelmente, superior à natureza.

Podemos também considerar a qualidade moral de seus milagres. Nada foi feito para prejudicar ninguém, nem mesmo para destruir seus inimigos.

Também são instrutivos os termos que o Novo Testamento usa para os milagres de Jesus. Às vezes são chamados por[43] uma palavra que denota um ato de poder. Em outras ocasiões, eles são referidos por uma palavra que significa uma maravilha ou um prodígio. Juntas, essas palavras indicam que Cristo deliberadamente realizou atos de poder sobrenaturais a fim de canalizar a atenção sobre si mesmo. Mas, além disso, esses milagres deveriam funcionar como sinais que apontam para aqueles grandes recursos espirituais que Cristo pode colocar à disposição de todas as pessoas, em todos os tempos e lugares.

Este é um aspecto dos milagres de Cristo que é particularmente enfatizado pelo escritor do Quarto Evangelho, cuja palavra normal para milagre é 'sinal' (embora isso infelizmente seja obscurecido em muitas traduções pelo uso da palavra 'milagre' em vez de 'sinal') Assim, por exemplo, João nos diz que quando Cristo multiplicou milagrosamente os pães, ele o fez, não apenas para alimentar o estômago das pessoas, mas para chamar a atenção para o fato de que ele mesmo é o Pão da Vida que pode satisfazer a fome espiritual de homens e mulheres de todas as idades, que pela fé crêem nele e o recebem como Salvador e Senhor (João 6). E, neste nível, está aberto a cada um de nós provar em nossa experiência pessoal se isso é verdade ou não.


Continua...


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Fonte: 


GOODING, David; LENNOX, John. Christianity: Opium or Truth? Coleraine, N Ireland: Myrtlefield Trust, 2014


Tradução Walson Sales


Traduzindo trechos e buscando editoras interessadas nas publicações. “Examinai tudo. Retende o bem.” I TS 5:21.

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