sexta-feira, 2 de abril de 2021

Mas a ciência não tornou impossível a crença em Deus? - [Parte 3]



Por David Gooding e John Lennox


A Outra Falácia


Tomemos por exemplo a história do Novo Testamento de que Jesus nasceu de uma virgem sem um pai humano. Dizer que os primeiros Cristãos acreditaram nesse milagre porque não entendiam as leis da natureza que governavam a concepção e o nascimento dos filhos é francamente absurdo. Eles sabiam tudo sobre as leis fixas da natureza, segundo as quais as crianças nascem. Se eles não conhecessem essas leis, poderiam muito bem imaginar que as crianças poderiam nascer sem pai ou sem mãe, mas, nesse caso, eles não teriam considerado a história do nascimento de Jesus de uma virgem como um milagre. O próprio fato de relatarem isso como um milagre mostra que entendiam perfeitamente as leis normais que regem o parto. De fato, a menos que alguém tenha entendido que existem leis que normalmente governam os eventos, como alguém poderia concluir que um milagre aconteceu?

Agora veja outro incidente: Lucas, que era um médico formado na ciência médica de sua época, começa sua biografia de Cristo levantando exatamente este assunto (Lucas 1: 5–25). Ele conta a história de um homem chamado Zacarias e de sua esposa Isabel que por muitos anos oraram por um filho porque ela era estéril. Quando, em sua velhice, um anjo apareceu a ele e[39] disse-lhe que suas orações anteriores estavam para ser atendidas e que sua esposa conceberia e teria um filho, ele muito educadamente, mas firmemente recusou-se a acreditar. A razão que ele deu foi que agora ele já estava velho e o corpo de sua esposa decrépito. Para ele e sua esposa, terem um filho neste estágio iria contra tudo o que ele conhecia das leis da natureza. O interessante dele é o seguinte: não era ateu, era um sacerdote que acreditava em Deus e na existência dos anjos e no valor da oração. Mas se o cumprimento prometido de sua oração envolveria uma reversão das leis da natureza, ele não estava preparado para acreditar.

A história diz que o anjo o deixou mudo por sua pura falta de lógica em sua descrença; mas esse relato pelo menos mostra isso: os primeiros Cristãos não eram um bando de crédulos ingênuos, inconscientes das leis da natureza e, portanto, preparados para acreditar em qualquer história milagrosa, por mais absurda que fosse. Eles sentiram dificuldade em acreditar na história de tal milagre, como qualquer outra pessoa. Se no final eles acreditaram, foi porque foram forçados pelo peso da evidência diante de seus próprios olhos de que um milagre havia acontecido.

Da mesma forma, em seu relato da ascensão do Cristianismo (os Atos dos Apóstolos), Lucas nos mostra que a primeira oposição à mensagem Cristã da ressurreição de Jesus Cristo não veio de ateus, mas dos sumos sacerdotes Saduceus do Judaísmo. Eles eram homens altamente religiosos. Eles acreditavam em Deus. Eles oravam. Mas isso não significa que na primeira vez que ouviram a afirmação de que Jesus havia ressuscitado, eles acreditaram. Eles não acreditaram, pois haviam abraçado uma cosmovisão que não permitia a possibilidade de um milagre como a ressurreição corporal de Jesus Cristo (Atos 23: 8).[40]

Supor então que o Cristianismo nasceu em um mundo crédulo pré-científico é simplesmente falso quanto aos fatos. O mundo antigo conhecia tão bem quanto nós o fato de que as leis da natureza não permitem que os cadáveres saiam dos túmulos. O Cristianismo conquistou seu crescimento devido ao peso absoluto das evidências de que um homem realmente ressuscitou dos mortos, apesar das leis da natureza.

Algumas pessoas hoje em dia, é verdade, que possuem uma visão de mundo semelhante aos antigos Saduceus, erroneamente tentaram tornar a mensagem Cristã mais crível para a mente científica, eliminando o elemento miraculoso completamente do Novo Testamento e apresentando apenas o ensino ético de Jesus. Mas esta tática não funcionará. Pois, em primeiro lugar, o próprio Novo Testamento declara que a ressurreição de Cristo não é uma decoração superficial e não essencial na mensagem Cristã: a ressurreição constitui o coração da mensagem do evangelho e do Cristianismo. Exclua o coração e você destruirá a mensagem. E quando o próprio Novo Testamento declara ser esse o caso, é inútil para as pessoas, dois mil anos depois, argumentar que você pode eliminar o elemento miraculoso, sobrenatural e ainda ficar com um Cristianismo viável (1 Co 15).

Em segundo lugar, toda essa tentativa é mal orquestrada. Pois nosso progresso na compreensão científica das leis da natureza tornou mais fácil e não mais difícil acreditar na ressurreição de Cristo.


Continua...


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Fonte: 


GOODING, David; LENNOX, John. Christianity: Opium or Truth? Coleraine, N Ireland: Myrtlefield Trust, 2014


Tradução Walson Sales


Traduzindo trechos e buscando editoras interessadas nas publicações. “Examinai tudo. Retende o bem.” I TS 5:21.

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