domingo, 23 de maio de 2021

A APOSTA DE PASCAL


Por Bradley Sickler 


Um polímata que deu importantes contribuições para física, matemática e filosofia, Blaise Pascal talvez seja mais conhecido por sua famosa “aposta” sobre Deus. O pano de fundo para sua aposta era um conjunto de argumentos ou provas que se desenvolveram para a existência de Deus, como o argumento ontológico de Anselmo, as Cinco Vias de Aquino, o argumento causal de Descartes, entre outros (ver Teologia natural). Esses argumentos deveriam ser tão intelectualmente convincentes que a existência de Deus só poderia ser negada sob pena de irracionalidade. Embora muitos cristãos ainda afirmem que os argumentos da natureza são fortes o suficiente para provar a existência de Deus para qualquer um que considerar as evidências objetivamente, Pascal disse o seguinte: “A evidência de Deus na natureza não é desse tipo.” Deus não declara inequivocamente sua existência; em vez disso, a evidência é de um Deus que se esconde de quem não o procura de todo o coração. Pascal diz: “Desejando parecer abertamente àqueles que o procuram de todo o coração e escondido daqueles que o evitam com todo o coração, ele qualificou nosso conhecimento dele dando sinais que podem ser vistos por aqueles que o procuram, e não por aqueles que não o fazem. “A questão da crença em Deus não se trata de se ter provas suficientes ou provas científicas; Pascal achava que Deus nunca quis que fosse (ver Reducionismo; Cientificismo). Em vez dos argumentos tradicionais, Pascal ofereceu uma razão pragmática para acreditar em Deus na forma de uma aposta. Ele disse: “Eu deveria ter muito mais medo de ser confundido e então descobrir que o cristianismo é verdadeiro do que estar errado em acreditar que é verdade”. Essa é a essência da aposta. Enquanto Pascal estava ciente de outras religiões, ele pensava que o cumprimento das profecias do Antigo Testamento na vida de Jesus, bem como o testemunho do cristianismo sobre a nossa natureza humana caída, fez dela a única opção religiosa que merece ser considerada seriamente. A aposta afirma que, se o cristianismo é falso, não fará muita diferença, quer aceitemos ou não. Podemos ganhar algumas coisas acreditando nela, como conforto e paz durante o sofrimento, mas também nos será negado certos prazeres por causa das exigências morais do cristianismo. Ao todo, Pascal considerou os ganhos e perdas quase equilibrados. Em contrapartida, se rejeitarmos a Cristo, poderemos perder a esperança oferecida pela fé, mas compensaremos parte desse terreno perdido com a liberdade que teríamos para buscar o prazer. Assim, no geral, não temos a chance de ganhar ou perder muito de qualquer maneira se o cristianismo é falso. No entanto, se é verdade e nós o rejeitamos, sofremos perdas incomensuráveis porque rejeitamos os únicos meios possíveis oferecidos a nós por Deus para a felicidade eterna. Por outro lado, se o cristianismo é verdadeiro e nós o aceitamos, então ganhamos a vida eterna e a alegria infinita como nossa recompensa. Assim, o jogador prudente, quando confrontado com esses resultados possíveis, deve apostar em favor da existência de Deus, pois há um ganho potencialmente infinito se apostarmos em Deus e vencermos, e potencialmente uma perda infinita se apostarmos contra Deus e perdermos. Mesmo que isso represente algo muito menor do que a certeza ou a prova, Pascal achou que as razões eram compelidoras o suficiente para fazer com que apostar em Deus fosse a única escolha sábia e prática. 

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Fonte: 


SICKLER, Bradley. APOSTA DE PASCAL. Em COPAN, Paul [et all] (organizadores). Dicionário de cristianismo e ciência: obra de referência definitiva para a interseção entre fé cristã e ciência contemporânea. (tradução Paulo Sartor Jr). 1. ed. - Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018, pp. 42, 43


Via Walson Sales


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REFERÊNCIAS E LEITURAS RECOMENDADAS

Brown, Geoffrey, 1984. “A Defence of Pascal’s Wager.” Religious Studies 20:465-79. 

Groothuis, Douglas, 2001. “Are All Bets Off? A Defense of Pascal’s Wager.” Philosophia Christi 3 (2): 517-23. 

Hájek, Alan, 2012. “Blaise and Bayes”, em Probability in the Philosophy of Religion, ed. Jake Chandler and Victoria S. Harrison, 167-86. Oxford: Oxford University Press. 

Jordan, Jeff, ed. 1994. Gambling on God: Essays on Pascal’s Wager. Lanham, MD: Rowman & Littlefield. 

Kreeft, Peter, 1993. Christianity for Modern Pagans: Pascal’s Pensées. San Francisco: Ignatius. 

Monton, Bradley, 2011. “Mixed Strategies Can’t Evade Pascal’s Wager.” Analysis 71:642-45.

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