Por James Hannam
Sir Francis Bacon (1561-1626) foi o lorde chanceler durante o reinado de Jaime I da Inglaterra, antes de ser demitido por corrupção. Ele escreveu prolificamente sobre filosofia e política. Embora seus métodos científicos tenham pouco valor prático, ele gozou de considerável reputação como fundador da tradição empírica da ciência.
Vida
Bacon nasceu de pais abastados em Londres e estudou para ser advogado. Sob o reinado de Elizabeth I, ele não teve sucesso em suas ambições de conseguir alto cargo, mas tornou-se favorito do sucessor da rainha, James I, que o fez visconde de St. Alban em 1621. No entanto, apesar de ele finalmente se tornar lorde chanceler, a riqueza de Bacon nunca correspondeu ao seu estilo de vida. Em 1621, ele foi condenado por aceitar subornos para completar sua renda nos casos em que ele era juiz. Isso o levou a perder o cargo. Posteriormente, ele se dedicou a escrever sobre filosofia e estava muito endividado quando morreu em 1626. É provável que ele tenha morrido de pneumonia, embora a história de que ele contraíra a doença de um experimento que intencionava descobrir se a neve poderia preservar uma galinha seja apócrifa (Henry, 2008, p. 41).
Obras
A obra mais famosa de Bacon foi Nova Atlântida, pertencente a um gênero de escrita utópica que traçou os mecanismos de uma sociedade perfeita. A “Nova Atlântida” deveria ser uma sociedade baseada na razão e na ciência empírica, mas, como muitas dessas ideias, seria decididamente autoritária na prática. Seu método científico consistiu-se em reunir uma grande quantidade de dados a partir dos quais os princípios gerais deveriam ser destilados. No entanto, suas próprias investigações tendiam a ser desfocadas e sua metodologia não tem influência como meio de gerar novos conhecimentos. No entanto, sua insistência em que a ciência deve basear-se em investigação empírica e não apenas teorização estéril fez com que ele fosse celebrado pelos primeiros membros da Real Sociedade de Londres. Foi essa celebrização pela geração de Newton, Boyle e Hook que preservou o próprio renome de Bacon até o presente. Ele também foi um dos primeiros a reconhecer que a ciência poderia produzir benefícios materiais consideráveis, embora ele vivesse em uma época cujas aplicações práticas eram escassas.
O Novum Organum [Novo método] de Bacon pretendia ser um programa completo para a investigação científica do mundo. Foi escrito em oposição deliberada ao racionalismo das obras lógicas de Aristóteles (coletivamente chamado Organum) e forneceu uma alternativa empírica. A obra constituiu parte de um manifesto científico muito maior, chamado de Grande instauração, que ficou inacabado com a morte de Bacon.
Como muitos de seus contemporâneos, Bacon encontrou ampla evidência para a obra de Deus na natureza. Ele era um crítico vigoroso do ateísmo, observando que “um pouco de filosofia inclina a mente do homem para o ateísmo; mas a profundidade em filosofia traz as mentes dos homens à religião” (Bacon, 2008, p. 371). Ele também criticou o catolicismo e cria que uma das razões pelas quais a ciência era um servo útil para o cristianismo era porque podia desmistificar a “superstição papista”. Nesta linha, Bacon desprezou a Idade Média e foi um dos primeiros defensores do mito de que a igreja medieval ensinou que a terra é plana.
_________
Fonte:
HANNAM, James. Francis Bacon. Em COPAN, Paul [et all] (organizadores). Dicionário de cristianismo e ciência: obra de referência definitiva para a interseção entre fé cristã e ciência contemporânea. (tradução Paulo Sartor Jr). 1. ed. - Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018, pp. 60
Via Walson Sales
_________
REFERÊNCIAS E LEITURAS RECOMENDADAS
Bacon, Francis. The Major Works. Oxford: Oxford University Press, 2008.
Henry, John. Knowledge Is Power: How Magic, the Government and an Apocalyptic Vision Helped Francis Bacon to Create Modern Science. London: Icon, 2008.
Peltonen, Markku (Ed.). The Cambridge Companion to Bacon. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.
Nenhum comentário:
Postar um comentário