Nos primeiros dias do Cristianismo Inglês, a única Bíblia conhecida era a Vulgata latina, feita por Jerônimo entre 383 e 405 d.C. Essa versão podia ser lida pelo clero e pelos monges, os únicos familiarizados com o idioma. No período medieval, entretanto, houve algumas tentativas de produzir traduções para o inglês de partes da Bíblia.
Esforços iniciais. Em 670, Caedmon, um monge de Whitby, produziu em inglês antigo uma versão métrica de algumas das narrativas mais interessantes do AT. A primeira tradução direta de qualquer parte da Bíblia para a língua do povo foi o Saltério, feito em cerca de 700 por Aldhelm, o primeiro bispo de Sherborne em Dorset. Algumas partes do NT foram traduzidas para o inglês por Bede, o erudito monge de Jarrow, autor da famosa Ecclesiastical History of the English Nation [História Eclesiástica da Nação Inglesa]. De acordo com uma carta de seu discípulo Cuthbert, Bede ainda estava empenhado em traduzir o Evangelho de João para o inglês em seu leito de morte. Não é certo se ele o completou, mas, infelizmente, sua tradução não sobreviveu.
Rei Alfred (871-901) produziu durante seu reinado versões em inglês de partes do Antigo e do Novo Testamento, incluindo uma parte do Saltério. Alguns evangelhos latinos que sobreviveram a esse período tinham uma tradução palavra por palavra do texto para o inglês escritos nas entrelinhas, sem levar em conta o idioma e o uso do vernáculo. Do mesmo período, vêm os chamados Evangelhos de Wessex, a primeira versão independente em inglês antigo dos Evangelhos. No final do século X, Aelfric, arcebispo de Canterbury, traduziu partes dos primeiros sete livros do AT, bem como partes de outros livros do AT.
Por quase três séculos após a Conquista Normanda em 1066, as condições incertas da língua impediram qualquer progresso literário real, mas alguns MSS de traduções de partes da Bíblia para o Francês Anglo-Normando sobreviveram. Por volta do início do século XIII, um monge Agostiniano chamado Orm (Ormin) produziu uma versão poética dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos chamada Ormulum. Desde a primeira metade do século XIV, sobreviveram duas traduções em prosa do Saltério, traduzidas em dois dialetos diferentes; e a partir do final do século XIV, uma versão das cartas principais do NT, aparentemente feita, entretanto, não para o uso do povo comum, mas para monges e freiras. Não se pensava ainda em fornecer aos leigos comuns a Bíblia em sua própria língua. Foi Wycliffe quem primeiro teve essa ideia revolucionária.
Fonte:
DOUGLAS, J. D.; TENNEY, Merrill C. (revised by Moisés Silva); Zondervan Illustrated Biblie Dictionary: The Most Accurate and Comprehensive One-Volume Bible Dictionary Available. 2nd Edition. Grand Rapids: Michigan: 2011
Tradução Walson Sales
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