Esta declaração oficial sobre a segurança do crente foi adotada em
21 de agosto de 1978 pelo Presbitério Geral das Assembleias de Deus.
Em relação à segurança do crente, as Assembleias de Deus declaram
o seguinte em seus estatutos (Artigo IX, Seção 1):
Tendo em vista o ensino bíblico de que a segurança do crente
depende de uma relação viva com Cristo (João 15.6); em vista ao chamado bíblico
para uma vida de santidade (1 Pedro 1.16 / Hebreus 12.14); em vista ao claro
ensinamento de que um homem pode ter sua parte tirada do livro da vida
(Apocalipse 22.19); e em vista do fato de que uma pessoa que crer por um tempo
pode voltar a cair (Lucas 8.13), o Concílio Geral das Assembleias de Deus
desaprova a posição que abraça a segurança incondicional, a qual sustenta que é
impossível uma pessoa se perder uma vez que tenha sido salva.
Este documento procura explicar porque esta posição foi adotada.
No que diz respeito à segurança do crente, o Conselho Geral das
Assembleias de Deus permanece entre as posições extremas do Calvinismo e
Arminianismo, aceitando elementos bíblicos encontrados em ambos os
ensinamentos.
O calvinista enfatiza, corretamente, a soberania de Deus e a
prerrogativa divina, enquanto o arminiano enfatiza, também corretamente, o
livre-arbítrio e a responsabilidade do homem. As duas posições, portanto, devem
ser analisadas em conjunto para que sejam compreendidas adequadamente. O
Conselho Geral das Assembleias de Deus acredita na soberania e na prerrogativa
de Deus, que não podem ser corrompidas com arbitrariedade ou capricho. Também
crê no livre-arbítrio e na responsabilidade do homem.
Para poder explicar a posição adotada pelas Assembleias de Deus
sobre a questão da segurança do crente, quatro pontos precisam ser enfatizados:
1.
A salvação está disponível a todas as pessoas (2 Pedro 3.9 / João
3.16 / Romanos 10.11-13);
2.
A salvação é recebida e se conserva pela fé (Efésios 2.8 /
Filipenses 3.9 / Hebreus 10.38 / 1 Pedro 1.5 / Romanos 3.28 / Gálatas 2.20,
21);
3.
O pecado contínuo afetará adversamente a fé do crente (Romanos
3.5-8 / 1 Coríntios 3.1-3 / Hebreus 3.12-14; 12.1 / 1 João 1.8; 3.8);
4.
O crente perde a salvação ao rejeitar a Cristo (João 17.12 / 1
Timóteo 4.1; 5.12, 15 / Hebreus 6.4-6; 10.26, 27, 38 / 2 Pedro 2.20 / 1 João
5.16).
I. A salvação está disponível a todas as pessoas
Duas perguntas podem ser feitas: “Alguns são predestinados para a
salvação e outros para a perdição?” e “Quem são os eleitos?” A resposta é clara
quando se reconhece que a mensagem do Evangelho é “para quem quiser”. Ninguém,
ao ler o Novo Testamento, passa desapercebido do impacto desta grande verdade.
Em Romanos 9, no entanto, há alguns versículos que parecem sugerir
que o livre-arbítrio do homem é excluído quando o assunto é a salvação do
crente; e que Deus, em sua escolha dos eleitos, exerce sua soberania divina
completamente à parte do livre-arbítrio do homem. Por exemplo:
Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal
(para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa
das obras, mas por aquele que chama) – Romanos 9:11
Como está escrito: Amei Jacó e aborreci Esaú. – Romanos 9.13
Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei
misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do
que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. – Romanos 9.15,16
Logo, pois, compadece-se de quem quer e endurece a quem quer.
– Romanos
9.18
Porém, quando se considera esta passagem à luz de tudo o que a
Palavra de Deus ensina sobre eleição, fica evidente que a vontade do homem está
implícita em sua eleição. Jacó foi escolhido antes de haver feito alguma coisa
boa ou ruim, mas a escolha de Deus teve como base o que Ele já sabia que Jacó
faria.
Esta mensagem é trazida à tona na carta de Pedro “aos eleitos de
Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Província da
Ásia e na Bitínia.” Estes crentes foram reconhecidos como “eleitos segundo o
prévio conhecimento de Deus Pai” (1 Pedro 1.1, 2).
A mesma verdade está escrita em Romanos 8.29, onde Paulo escreveu:
“porque aos que de antemão conheceu, também os predestinou a serem feitos
conforme a imagem de seu Filho”.
Deus determinou de antemão as condições pelas quais mostrará
misericórdia. E segundo seu prévio conhecimento os crentes são eleitos em
Cristo (Efésios 1.4). Deus em sua soberania tem provido o plano da salvação
pelo qual todos podem ser salvos. Dentro deste plano, se considera o
livre-arbítrio do homem. A salvação está disponível a “todo aquele que quer”.
II. A salvação se recebe e se conserva por fé
A Bíblia ensina claramente que somos salvos pela graça mediante a
fé (Efésios 2.8) e que os justos vivem por fé (Habacuque 2.4 / Romanos 1.17 /
Gálatas 3.11 / Hebreus 10.38). A salvação se recebe, não por um ato de justiça,
mas por um ato de fé – da mesma forma a salvação se conserva, não por um ato de
justiça, mas por uma vida de fé!
Ser cristão, portanto, não é uma questão de obras, é uma questão
de fé. Isto tem que ser enfatizado. Em nenhum caso Deus aceita o pecador com
base em algum bem que ele tenha feito. O pecador é salvo totalmente e somente
pela graça mediante a fé. Pela fé aceita o fato de que Cristo morreu em seu
lugar. Pela fé se lança sobre a misericórdia de Deus e o aceita como seu
Salvador. Pela fé se vê revestido com a justiça de Cristo – uma posição que não
ganhou por mérito próprio (Filipenses 3.9). Sabe que é aceito por fé, e este
conhecimento lhe dá paz e gozo.
O estado do crente não pode ser confundido com sua posição. Ele
permanece seguro por causa da fé. Sua posição é o resultado da graça de Deus
que ele aceitou pela fé. Ele permanece justificado, vestido com a justiça de
Cristo!
O estado do crente, ou o trabalhar da justiça de Deus em sua vida,
é uma outra questão que implica em crescimento espiritual – uma santificação
progressiva ao obedecer o Espírito Santo (Romanos 6.12, 13; 8.13 / Colossenses
3.1-5 / 2 Pedro 1.5-7). Durante este processo de amadurecimento, o crente deve
aprender com seus erros e também com suas vitórias. Não obstante, sua segurança
nunca está em perigo porque sua fé em Cristo é firme, porque está sustentado
por fé.
Seu crescimento espiritual pode variar em grau e excelência de
acordo com sua disposição em render-se e prestar atenção ao Espírito que está
operando nele. Enquanto o processo de aperfeiçoamento segue adiante, ele é
creditado com a perfeição dada pela justiça de Cristo mediante a fé. Então,
durante o processo de transformação ele está seguro; sua salvação está
segura. Portanto, agora,
nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. (Romanos
8.1a)
A segurança do crente, portanto, é somente pela fé, tanto para
receber a salvação quanto para mantê-la. Esta segurança é possível pela
misericórdia de Deus ao oferecer a justiça de seu próprio Filho ao crente
falível enquanto este estiver mantendo uma fé viva em Cristo. Àquele que não conheceu pecado, o fez
pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. (2
Coríntios 5.21)
III. O pecado contínuo afetará adversamente a fé do crente
A Bíblia deixa claro que nesta vida os cristãos pecam e que a
solução para o cristão quando peca é o perdão por meio de Cristo (1 João 1.8,
9; 2.1).
Por outro lado, não é natural que um cristão viva uma vida de
pecado, ou seja, enquanto ele tiver a vida de Cristo nele, não poderá seguir
pecando continuamente (leia 1 João 3.8, 9, onde o tempo grego é o presente
contínuo). Aquele que pratica o pecado é do diabo. Qualquer que seja nascido de
Deus não vive na prática do pecado. Não pode seguir pecando da mesma maneira
que o filho do diabo. Ao contrário disso, o cristão deve crescer
espiritualmente e deixar o pecado, reconhecendo que o pecado contínuo afetará
adversamente a sua fé.
Isto quer dizer que um cristão pode pecar e ainda assim ser salvo?
O primeiro impulso de muitos é dizer que não, no entanto, é necessário
considerar neste contexto, que a preocupação, o orgulho, a inveja e a amargura
são tidos como falhas comuns. Poucos diriam que os crentes que cometem tais
pecados estão perdidos.
Ademais, se se insiste que Deus requer dos crentes um estado de
perfeição atual, sem pecado, surge uma pergunta: a posição do homem em Cristo
está baseada em sua própria justiça ou na justiça de Cristo imputada ao crente
pela fé? Se o homem é salvo somente quando tem uma vida sem manchas, então a
salvação não é por graça e sim por obras!
Também, se Deus só aceita o homem quando este não tem nenhuma
falta, então a vida cristã não está livre de condenação, como Paulo insistiu em
Romanos 8.1. Teríamos, portanto, um exercício contínuo de introspecção e
penitência, cheio de medo e condenação, desprovido do gozo e da confiança
trazidos pelo conhecimento da salvação (veja Romanos 5.9-11, onde está claro
que o Deus que nos amou o suficiente para nos prover a salvação, também nos
amou suficientemente a ponto de nos garantir o caminho para a glória. Esta
garantia nos dá gozo n’Ele).
Outra pergunta similar é: “O que aconteceria a um crente que
comete um pecado no momento da volta de Jesus?” Os que defendem a ideia de que
os cristãos não podem pecar e ainda serem salvos, ensinariam que tal crente
estaria perdido e condenado por toda a eternidade. Que desespero!
O crente não está em uma porta giratória, entrando e saindo da
Graça de Deus! Ele está seguro na mão de Deus e nem a morte, nem a vida, nem os
anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente nem o porvir, nem
a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra coisa criada poderá separá-lo
do amor do Pai!
Reafirmamos, no entanto, que não é natural para o cristão que ele
peque. Ele não pode continuar cometendo os mesmos pecados que antes. Havendo
nascido do Espírito, o crente é uma nova criatura, para quem as coisas velhas
se passaram e tudo se fez novo (2 Coríntios 5.17).
Daí em diante, portanto, não é natural pecar. A velha vida é algo
do passado, uma força latente, subjugada e contada como morta pela nova
Presença (Romanos 6.11). O que era uma prática costumeira, agora se torna
inatural e contrário aos novos impulsos do coração.
“O que é nascido de Deus não pode pecar” (ou manter a prática do
pecado) disse João. Isto significa dizer que o pecado é algo estranho para a
nova natureza. A nova natureza, que é nossa por fé, não peca. Quando a velha
natureza temporal e inesperadamente aparece, todo o nosso novo ser se volta
repugnantemente contra esta intrusão inatural. A solução imediata é Cristo.
Quando o crente que pecou se volta para Cristo, ele não o faz com
o desespero de quem está com a alma perdida, mas com o conhecimento seguro de
que, como filho de Deus, tem um advogado com o Pai – que é fiel e justo para
lhe perdoar e limpar de toda maldade. Assim, o crente exerce sua prerrogativa
como filho de Deus, nunca precisando duvidar de sua posição, a qual ele sabe
que está baseada na justiça infalível de Cristo mediante a fé.
Tendo enfatizado a Soberania e a Graça de Deus, também é
imperativo trazer à lume o livre-arbítrio e a liberdade do crente. Deus não
tira do crente o seu poder de escolha. Por seu livre-arbítrio o crente se torna
um filho de Deus, e pelo contínuo uso dessa liberdade continuará sendo filho de
Deus. Continuar crendo é responsabilidade do crente.
O crente também precisa ter cuidado para não agir com indiferença
em relação ao pecado. Também não deve, jamais, fazer uso da Graça de Deus como
uma licença para pecar.
“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça
seja mais abundante?” – perguntou Paulo (Romanos 6.1). A resposta é um forte e
sonoro “não”. Paulo sabia e ensinava que o pecado contínuo afetaria
adversamente a fé do crente, e a fé é o único elemento que pode tornar possível
uma relação com Deus.
O pecado contínuo chega a ser um ato de presunção, arbitrariedade
e é evidência de rebelião (veja Números 15.30, 31). Rebelião é o oposto da
confiança e da obediência da fé.
Os crentes devem vigiar constantemente, “tendo cuidado de que
ninguém se prive da graça de Deus” (Hebreus 12.15a). A exortação bíblica é:
“Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos” (2
Coríntios 13.5a).
Por que tais precauções e preocupações? Estes repetidos alertas
são significativos somente quando se reconhece que a perda da fé significa a perda
eterna da alma. Assim como é verdade que a salvação do crente não pode ser
obtida por suas virtudes, mas pela fé, ele também não poderá mantê-la por suas
virtudes, mas, somente pela fé. A salvação é recebida pela fé e é perdida pela
falta dela!
O pecado está muito relacionado com a incredulidade. O pecado põe
em perigo a fé e a perda da fé significa perda de posição. Hebreus 3.12-14
trata desse assunto. O escritor alerta os irmãos contra a falta de fé, que leva
a um afastamento do Deus vivo. Ele cita a enganosa sedução do pecado como causa
da incredulidade e lembra que nos tornamos participantes de Cristo, somente se
retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim.
Estar em Cristo é pela fé. Se removermos a fé, já não há
permanência em Cristo. Esta é a razão pela qual a Escritura exorta o crente em
Hebreus 3.12: “Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso
e incrédulo, que se afaste do Deus vivo.”
IV - O crente perde a salvação ao rejeitar a Cristo
Deus não permite que nos afastemos d’Ele facilmente (veja Romanos
10.21, onde Paulo fala de Israel, mas o princípio também se aplica aqui). Ainda
assim, um crente pode se perder caso ignore as contínuas “verificações” do
Espírito Santo, até alcançar o ponto de rejeitar a Cristo como seu Salvador.
É possível crer por um tempo e durante um período de tentação se
desviar (Lucas 8.13). É possível para o irmão fraco, por quem Cristo morreu,
perecer (1 Coríntios 8.11). É possível um nome que tenha sido escrito no livro
da vida, ser removido do mesmo (Apocalipse 22.19).
Nem sempre é possível determinar se uma pessoa rejeitou a Cristo
como Salvador, sendo assim, é melhor deixar o julgamento destas questões nas
mãos do Deus onisciente. De uma coisa podemos estar certos: se Deus não tem o
pródigo como perdido, também não o fará em relação a Igreja de Jesus Cristo.
Muitas vezes nos damos por vencidos em relação a alguém, quando Deus ainda não
se deu por vencido em relação àquela pessoa.
A Bíblia reconhece a possibilidade da perda da salvação, mas nunca
deixa de oferecer esperança a quem queira responder à súplica do Espírito
Santo. O convite de Jesus é oferecido sem pré-requisitos. Ele fala a todos
quando diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos
aliviarei” (Mateus 11.28).
Outra vez a Bíblia fala a todos quando diz: “Porque todo aquele
que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10.13).
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Nota
do tradutor: As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e
Corrigida (ARC), salvo quando há indicação específica.
Fonte: https://medium.com/teo-notas/a-seguran%C3%A7a-do-crente-846b3741f19f
Original em inglês: http://ag.org/top/Beliefs/Position_Papers/pp_downloads/pp_4178_security.pdf
Original em espanhol: http://ag.org/top_spn/Beliefs/Position_Paper_PDFs/La_seguridad.pdf
Tradução: César Lopes
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