segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A Segurança do Crente

 A Segurança do Crente

 

Esta declaração oficial sobre a segurança do crente foi adotada em 21 de agosto de 1978 pelo Presbitério Geral das Assembleias de Deus.

 

Em relação à segurança do crente, as Assembleias de Deus declaram o seguinte em seus estatutos (Artigo IX, Seção 1):

 

Tendo em vista o ensino bíblico de que a segurança do crente depende de uma relação viva com Cristo (João 15.6); em vista ao chamado bíblico para uma vida de santidade (1 Pedro 1.16 / Hebreus 12.14); em vista ao claro ensinamento de que um homem pode ter sua parte tirada do livro da vida (Apocalipse 22.19); e em vista do fato de que uma pessoa que crer por um tempo pode voltar a cair (Lucas 8.13), o Concílio Geral das Assembleias de Deus desaprova a posição que abraça a segurança incondicional, a qual sustenta que é impossível uma pessoa se perder uma vez que tenha sido salva.


 Este documento procura explicar porque esta posição foi adotada.

No que diz respeito à segurança do crente, o Conselho Geral das Assembleias de Deus permanece entre as posições extremas do Calvinismo e Arminianismo, aceitando elementos bíblicos encontrados em ambos os ensinamentos.

O calvinista enfatiza, corretamente, a soberania de Deus e a prerrogativa divina, enquanto o arminiano enfatiza, também corretamente, o livre-arbítrio e a responsabilidade do homem. As duas posições, portanto, devem ser analisadas em conjunto para que sejam compreendidas adequadamente. O Conselho Geral das Assembleias de Deus acredita na soberania e na prerrogativa de Deus, que não podem ser corrompidas com arbitrariedade ou capricho. Também crê no livre-arbítrio e na responsabilidade do homem.

Para poder explicar a posição adotada pelas Assembleias de Deus sobre a questão da segurança do crente, quatro pontos precisam ser enfatizados:

1.    A salvação está disponível a todas as pessoas (2 Pedro 3.9 / João 3.16 / Romanos 10.11-13);

2.    A salvação é recebida e se conserva pela fé (Efésios 2.8 / Filipenses 3.9 / Hebreus 10.38 / 1 Pedro 1.5 / Romanos 3.28 / Gálatas 2.20, 21);

3.    O pecado contínuo afetará adversamente a fé do crente (Romanos 3.5-8 / 1 Coríntios 3.1-3 / Hebreus 3.12-14; 12.1 / 1 João 1.8; 3.8);

4.    O crente perde a salvação ao rejeitar a Cristo (João 17.12 / 1 Timóteo 4.1; 5.12, 15 / Hebreus 6.4-6; 10.26, 27, 38 / 2 Pedro 2.20 / 1 João 5.16).

 

I. A salvação está disponível a todas as pessoas

 

Duas perguntas podem ser feitas: “Alguns são predestinados para a salvação e outros para a perdição?” e “Quem são os eleitos?” A resposta é clara quando se reconhece que a mensagem do Evangelho é “para quem quiser”. Ninguém, ao ler o Novo Testamento, passa desapercebido do impacto desta grande verdade.

Em Romanos 9, no entanto, há alguns versículos que parecem sugerir que o livre-arbítrio do homem é excluído quando o assunto é a salvação do crente; e que Deus, em sua escolha dos eleitos, exerce sua soberania divina completamente à parte do livre-arbítrio do homem. Por exemplo:

 

Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama) –  Romanos 9:11

Como está escrito: Amei Jacó e aborreci Esaú. –  Romanos 9.13

Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. –  Romanos 9.15,16

Logo, pois, compadece-se de quem quer e endurece a quem quer. –  Romanos 9.18

 

Porém, quando se considera esta passagem à luz de tudo o que a Palavra de Deus ensina sobre eleição, fica evidente que a vontade do homem está implícita em sua eleição. Jacó foi escolhido antes de haver feito alguma coisa boa ou ruim, mas a escolha de Deus teve como base o que Ele já sabia que Jacó faria.

Esta mensagem é trazida à tona na carta de Pedro “aos eleitos de Deus, peregrinos dispersos no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Província da Ásia e na Bitínia.” Estes crentes foram reconhecidos como “eleitos segundo o prévio conhecimento de Deus Pai” (1 Pedro 1.1, 2).

A mesma verdade está escrita em Romanos 8.29, onde Paulo escreveu: “porque aos que de antemão conheceu, também os predestinou a serem feitos conforme a imagem de seu Filho”.

Deus determinou de antemão as condições pelas quais mostrará misericórdia. E segundo seu prévio conhecimento os crentes são eleitos em Cristo (Efésios 1.4). Deus em sua soberania tem provido o plano da salvação pelo qual todos podem ser salvos. Dentro deste plano, se considera o livre-arbítrio do homem. A salvação está disponível a “todo aquele que quer”.

 

II. A salvação se recebe e se conserva por fé

 

A Bíblia ensina claramente que somos salvos pela graça mediante a fé (Efésios 2.8) e que os justos vivem por fé (Habacuque 2.4 / Romanos 1.17 / Gálatas 3.11 / Hebreus 10.38). A salvação se recebe, não por um ato de justiça, mas por um ato de fé – da mesma forma a salvação se conserva, não por um ato de justiça, mas por uma vida de fé!

Ser cristão, portanto, não é uma questão de obras, é uma questão de fé. Isto tem que ser enfatizado. Em nenhum caso Deus aceita o pecador com base em algum bem que ele tenha feito. O pecador é salvo totalmente e somente pela graça mediante a fé. Pela fé aceita o fato de que Cristo morreu em seu lugar. Pela fé se lança sobre a misericórdia de Deus e o aceita como seu Salvador. Pela fé se vê revestido com a justiça de Cristo – uma posição que não ganhou por mérito próprio (Filipenses 3.9). Sabe que é aceito por fé, e este conhecimento lhe dá paz e gozo.

O estado do crente não pode ser confundido com sua posição. Ele permanece seguro por causa da fé. Sua posição é o resultado da graça de Deus que ele aceitou pela fé. Ele permanece justificado, vestido com a justiça de Cristo!

O estado do crente, ou o trabalhar da justiça de Deus em sua vida, é uma outra questão que implica em crescimento espiritual – uma santificação progressiva ao obedecer o Espírito Santo (Romanos 6.12, 13; 8.13 / Colossenses 3.1-5 / 2 Pedro 1.5-7). Durante este processo de amadurecimento, o crente deve aprender com seus erros e também com suas vitórias. Não obstante, sua segurança nunca está em perigo porque sua fé em Cristo é firme, porque está sustentado por fé.

Seu crescimento espiritual pode variar em grau e excelência de acordo com sua disposição em render-se e prestar atenção ao Espírito que está operando nele. Enquanto o processo de aperfeiçoamento segue adiante, ele é creditado com a perfeição dada pela justiça de Cristo mediante a fé. Então, durante o processo de transformação ele está seguro; sua salvação está segura.  Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.  (Romanos 8.1a)

A segurança do crente, portanto, é somente pela fé, tanto para receber a salvação quanto para mantê-la. Esta segurança é possível pela misericórdia de Deus ao oferecer a justiça de seu próprio Filho ao crente falível enquanto este estiver mantendo uma fé viva em Cristo.  Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. (2 Coríntios 5.21)

 

III. O pecado contínuo afetará adversamente a fé do crente

 

A Bíblia deixa claro que nesta vida os cristãos pecam e que a solução para o cristão quando peca é o perdão por meio de Cristo (1 João 1.8, 9; 2.1).

Por outro lado, não é natural que um cristão viva uma vida de pecado, ou seja, enquanto ele tiver a vida de Cristo nele, não poderá seguir pecando continuamente (leia 1 João 3.8, 9, onde o tempo grego é o presente contínuo). Aquele que pratica o pecado é do diabo. Qualquer que seja nascido de Deus não vive na prática do pecado. Não pode seguir pecando da mesma maneira que o filho do diabo. Ao contrário disso, o cristão deve crescer espiritualmente e deixar o pecado, reconhecendo que o pecado contínuo afetará adversamente a sua fé.

Isto quer dizer que um cristão pode pecar e ainda assim ser salvo? O primeiro impulso de muitos é dizer que não, no entanto, é necessário considerar neste contexto, que a preocupação, o orgulho, a inveja e a amargura são tidos como falhas comuns. Poucos diriam que os crentes que cometem tais pecados estão perdidos.

Ademais, se se insiste que Deus requer dos crentes um estado de perfeição atual, sem pecado, surge uma pergunta: a posição do homem em Cristo está baseada em sua própria justiça ou na justiça de Cristo imputada ao crente pela fé? Se o homem é salvo somente quando tem uma vida sem manchas, então a salvação não é por graça e sim por obras!

Também, se Deus só aceita o homem quando este não tem nenhuma falta, então a vida cristã não está livre de condenação, como Paulo insistiu em Romanos 8.1. Teríamos, portanto, um exercício contínuo de introspecção e penitência, cheio de medo e condenação, desprovido do gozo e da confiança trazidos pelo conhecimento da salvação (veja Romanos 5.9-11, onde está claro que o Deus que nos amou o suficiente para nos prover a salvação, também nos amou suficientemente a ponto de nos garantir o caminho para a glória. Esta garantia nos dá gozo n’Ele).

Outra pergunta similar é: “O que aconteceria a um crente que comete um pecado no momento da volta de Jesus?” Os que defendem a ideia de que os cristãos não podem pecar e ainda serem salvos, ensinariam que tal crente estaria perdido e condenado por toda a eternidade. Que desespero!

O crente não está em uma porta giratória, entrando e saindo da Graça de Deus! Ele está seguro na mão de Deus e nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra coisa criada poderá separá-lo do amor do Pai!

Reafirmamos, no entanto, que não é natural para o cristão que ele peque. Ele não pode continuar cometendo os mesmos pecados que antes. Havendo nascido do Espírito, o crente é uma nova criatura, para quem as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo (2 Coríntios 5.17).

Daí em diante, portanto, não é natural pecar. A velha vida é algo do passado, uma força latente, subjugada e contada como morta pela nova Presença (Romanos 6.11). O que era uma prática costumeira, agora se torna inatural e contrário aos novos impulsos do coração.

“O que é nascido de Deus não pode pecar” (ou manter a prática do pecado) disse João. Isto significa dizer que o pecado é algo estranho para a nova natureza. A nova natureza, que é nossa por fé, não peca. Quando a velha natureza temporal e inesperadamente aparece, todo o nosso novo ser se volta repugnantemente contra esta intrusão inatural. A solução imediata é Cristo.

Quando o crente que pecou se volta para Cristo, ele não o faz com o desespero de quem está com a alma perdida, mas com o conhecimento seguro de que, como filho de Deus, tem um advogado com o Pai – que é fiel e justo para lhe perdoar e limpar de toda maldade. Assim, o crente exerce sua prerrogativa como filho de Deus, nunca precisando duvidar de sua posição, a qual ele sabe que está baseada na justiça infalível de Cristo mediante a fé.

Tendo enfatizado a Soberania e a Graça de Deus, também é imperativo trazer à lume o livre-arbítrio e a liberdade do crente. Deus não tira do crente o seu poder de escolha. Por seu livre-arbítrio o crente se torna um filho de Deus, e pelo contínuo uso dessa liberdade continuará sendo filho de Deus. Continuar crendo é responsabilidade do crente.

O crente também precisa ter cuidado para não agir com indiferença em relação ao pecado. Também não deve, jamais, fazer uso da Graça de Deus como uma licença para pecar.

“Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?” – perguntou Paulo (Romanos 6.1). A resposta é um forte e sonoro “não”. Paulo sabia e ensinava que o pecado contínuo afetaria adversamente a fé do crente, e a fé é o único elemento que pode tornar possível uma relação com Deus.

O pecado contínuo chega a ser um ato de presunção, arbitrariedade e é evidência de rebelião (veja Números 15.30, 31). Rebelião é o oposto da confiança e da obediência da fé.

Os crentes devem vigiar constantemente, “tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus” (Hebreus 12.15a). A exortação bíblica é: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos” (2 Coríntios 13.5a).

Por que tais precauções e preocupações? Estes repetidos alertas são significativos somente quando se reconhece que a perda da fé significa a perda eterna da alma. Assim como é verdade que a salvação do crente não pode ser obtida por suas virtudes, mas pela fé, ele também não poderá mantê-la por suas virtudes, mas, somente pela fé. A salvação é recebida pela fé e é perdida pela falta dela!

O pecado está muito relacionado com a incredulidade. O pecado põe em perigo a fé e a perda da fé significa perda de posição. Hebreus 3.12-14 trata desse assunto. O escritor alerta os irmãos contra a falta de fé, que leva a um afastamento do Deus vivo. Ele cita a enganosa sedução do pecado como causa da incredulidade e lembra que nos tornamos participantes de Cristo, somente se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até o fim.

Estar em Cristo é pela fé. Se removermos a fé, já não há permanência em Cristo. Esta é a razão pela qual a Escritura exorta o crente em Hebreus 3.12: “Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo.”

 

IV - O crente perde a salvação ao rejeitar a Cristo

 

Deus não permite que nos afastemos d’Ele facilmente (veja Romanos 10.21, onde Paulo fala de Israel, mas o princípio também se aplica aqui). Ainda assim, um crente pode se perder caso ignore as contínuas “verificações” do Espírito Santo, até alcançar o ponto de rejeitar a Cristo como seu Salvador.

É possível crer por um tempo e durante um período de tentação se desviar (Lucas 8.13). É possível para o irmão fraco, por quem Cristo morreu, perecer (1 Coríntios 8.11). É possível um nome que tenha sido escrito no livro da vida, ser removido do mesmo (Apocalipse 22.19).

Nem sempre é possível determinar se uma pessoa rejeitou a Cristo como Salvador, sendo assim, é melhor deixar o julgamento destas questões nas mãos do Deus onisciente. De uma coisa podemos estar certos: se Deus não tem o pródigo como perdido, também não o fará em relação a Igreja de Jesus Cristo. Muitas vezes nos damos por vencidos em relação a alguém, quando Deus ainda não se deu por vencido em relação àquela pessoa.

A Bíblia reconhece a possibilidade da perda da salvação, mas nunca deixa de oferecer esperança a quem queira responder à súplica do Espírito Santo. O convite de Jesus é oferecido sem pré-requisitos. Ele fala a todos quando diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).

Outra vez a Bíblia fala a todos quando diz: “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10.13).

 

General Council of the Assemblies of God

1445 North Booneville Avenue

Springfield, Missouri

65802-1894 | (417) 862-2781

www.ag.org

 

Nota do tradutor: As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), salvo quando há indicação específica.

 

Fonte:  https://medium.com/teo-notas/a-seguran%C3%A7a-do-crente-846b3741f19f

 

Original em inglês:  http://ag.org/top/Beliefs/Position_Papers/pp_downloads/pp_4178_security.pdf

 

Original em espanhol:  http://ag.org/top_spn/Beliefs/Position_Paper_PDFs/La_seguridad.pdf

 

Tradução: César Lopes

 

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