sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Definindo e Defendendo a Justificação pela Fé

 Definindo e Defendendo a Justificação pela Fé

 Dr. Vic Reasoner

 Em 23 de julho de 2006, a Conferência Metodista Mundial assinou um documento de consenso sobre a justificação com a Federação Mundial Luterana e a Igreja Católica Romana. Entretanto, a posição oficial da Igreja Católica, como afirmada no Concílio de Trento, pronuncia anátema sobre todos que ensinam a justificação pela fé. Roma não pode desfazer o que um concílio ecumênico anterior decidiu, ela pode apenas reinterpretar a verdade recebida. A questão é se eles agora têm um entendimento melhor da justificação ou se a doutrina tem sido comprometida em nome do ecumenismo.

Parece que os protestantes favoreceram Roma em três pontos. Primeiro, a justiça imputada é deixada de fora no documento de consenso. Para Roma, os pecadores são justificados  depois  de tornados justos. Todavia, a doutrina protestante é que somos justificados enquanto ainda éramos pecadores (Rm 5.8).

Segundo, a doutrina da santificação coincide com a doutrina da justificação, o que resulta em alguma medida de santidade exigida como a base da justificação. Entretanto, Rm 4.5 ensina que a fé do ímpio é imputada como justiça.

Terceiro, a declaração deixa de adequadamente afirmar que a justificação é “somente pela fé.” Todavia, Rm 3.21, 24 e 28 todos indicam que a justificação é somente pela graça, somente em Cristo, somente pela fé.

James Arminius declarou que  “a fé, e somente a fé, é imputada por justiça. Por esta somente, somos justificados diante de Deus, absolvidos de nossos pecados, contados, pronunciados e declarados JUSTOS por Deus, que profere seu julgamento do trono da graça.”  John Wesley declarou que a justificação pela fé era o artigo de doutrina pelo qual a igreja fica de pé ou cai. Dois anos após sua experiência em Aldersgate, Wesley explicou que ele tinha perambulado muitos anos no  “novo caminho da salvação pela fé e obras,”  mas por volta de dois anos atrás aprouve a Deus nos mostrar o “antigo caminho da salvação somente pela fé.”

Arminianos wesleyanos, entretanto, entendem que a fé que salva é uma fé que sempre deve estar presente. Também cremos que a fé salvadora é uma fé que produz obediência (Rm 1.5; 16.26). Em Rm 10.16 Paulo também diz que a obediência equivale à fé. Douglas Moo está correto quando observou, “A obediência sempre envolve fé, e a fé sempre envolve obediência.”

Fui a Deus como um pecador com nenhuma justiça própria. Todavia, ao confiar em Cristo fui justificado e a justiça de Cristo foi imputada em minha conta. Rm 4 ensina que Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado como justiça. Entretanto, nós não apenas temos paz com Deus através da justificação pela fé (Rm 5.1), ele também derrama o Espírito Santo nos corações dos justificados (Rm 5.5). O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado quando fomos justificados. Ambos, a justificação e o dom do Espírito Santo, ocorrem no mesmo instante –  termos sido justificados  e  termos recebido o Espírito  ocorreram no momento da fé salvadora.

Por essa razão, Deus não imputa a graça sem transmitir a graça. Justificar significa tornar justo. A justificação não é um perdão constante para a prática constante do pecado. Para Deus nos imputar o que ele não nos transmite equivale a uma suposição legal – a acusação que os teólogos católicos romanos fazem à teologia reformada. Deus nos declara sem culpa  e  transmite sua justiça. Todavia o erro católico é colocar a santificação antes da justificação, significando que devemos primeiro nos tornar justos antes de Deus nos declarar justos. Isto nunca pode acontecer visto que nossa natureza pecaminosa nos torna completamente incapazes de realizar tais obras de justiça.

Por essa razão, aceitamos a doutrina protestante do  sola fide, que significa “pela fé somente,” mas rejeitamos o solafideísmo. John Fletcher explicou que o “solafideísmo” é uma palavra mais suave para o antinominianismo. Solafideístas não apenas sustentam que os pecadores são justificados unicamente pela fé no dia da conversão, mas que, porque a fé é a substância total da salvação, eles negam a justificação final pelas obras da fé no dia do julgamento. Entretanto, as Escrituras ensinam uma justificação final pelas obras. Assim, como Tg 2.17-24 ensinou, a fé salvadora produzirá boas obras.

 

Tradução: Paulo Cesar Antunes

 

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