Definindo e Defendendo a Justificação pela Fé
Parece que os protestantes favoreceram Roma em três pontos. Primeiro, a
justiça imputada é deixada de fora no documento de consenso. Para Roma, os
pecadores são justificados depois de tornados justos.
Todavia, a doutrina protestante é que somos justificados enquanto ainda éramos
pecadores (Rm 5.8).
Segundo, a doutrina da santificação coincide com a doutrina da
justificação, o que resulta em alguma medida de santidade exigida como a base
da justificação. Entretanto, Rm 4.5 ensina que a fé do ímpio é imputada como
justiça.
Terceiro, a declaração deixa de adequadamente afirmar que a justificação
é “somente pela fé.” Todavia, Rm 3.21, 24 e 28 todos indicam que a justificação
é somente pela graça, somente em Cristo, somente pela fé.
James Arminius declarou que “a fé, e somente a fé, é imputada por
justiça. Por esta somente, somos justificados diante de Deus, absolvidos de
nossos pecados, contados, pronunciados e declarados JUSTOS por Deus, que
profere seu julgamento do trono da graça.” John Wesley declarou que a
justificação pela fé era o artigo de doutrina pelo qual a igreja fica de pé ou
cai. Dois anos após sua experiência em Aldersgate, Wesley explicou que ele
tinha perambulado muitos anos no “novo caminho da salvação pela fé e
obras,” mas por volta de dois anos atrás aprouve a
Deus nos mostrar o “antigo caminho da salvação somente pela
fé.”
Arminianos wesleyanos, entretanto, entendem que a fé que salva é uma fé
que sempre deve estar presente. Também cremos que a fé salvadora é uma fé que
produz obediência (Rm 1.5; 16.26). Em Rm 10.16 Paulo também diz que a
obediência equivale à fé. Douglas Moo está correto quando observou, “A
obediência sempre envolve fé, e a fé sempre envolve obediência.”
Fui a Deus como um pecador com nenhuma justiça própria. Todavia, ao
confiar em Cristo fui justificado e a justiça de Cristo foi imputada em minha
conta. Rm 4 ensina que Abraão creu em Deus e isto lhe foi imputado como
justiça. Entretanto, nós não apenas temos paz com Deus através da justificação
pela fé (Rm 5.1), ele também derrama o Espírito Santo nos corações dos
justificados (Rm 5.5). O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo
Espírito Santo que nos foi dado quando fomos justificados. Ambos, a
justificação e o dom do Espírito Santo, ocorrem no mesmo instante – termos
sido justificados e termos recebido o Espírito ocorreram
no momento da fé salvadora.
Por essa razão, Deus não imputa a graça sem transmitir a graça.
Justificar significa tornar justo. A justificação não é um perdão constante
para a prática constante do pecado. Para Deus nos imputar o que ele não nos
transmite equivale a uma suposição legal – a acusação que os teólogos católicos
romanos fazem à teologia reformada. Deus nos declara sem culpa e transmite
sua justiça. Todavia o erro católico é colocar a santificação antes da
justificação, significando que devemos primeiro nos tornar justos antes de Deus
nos declarar justos. Isto nunca pode acontecer visto que nossa natureza
pecaminosa nos torna completamente incapazes de realizar tais obras de justiça.
Por essa razão, aceitamos a doutrina protestante do sola fide,
que significa “pela fé somente,” mas rejeitamos o solafideísmo. John Fletcher
explicou que o “solafideísmo” é uma palavra mais suave para o antinominianismo.
Solafideístas não apenas sustentam que os pecadores são justificados unicamente
pela fé no dia da conversão, mas que, porque a fé é a substância total da
salvação, eles negam a justificação final pelas obras da fé no dia do
julgamento. Entretanto, as Escrituras ensinam uma justificação final pelas
obras. Assim, como Tg 2.17-24 ensinou, a fé salvadora produzirá boas obras.
Tradução: Paulo Cesar Antunes
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