Série de verbetes: Pequenos textos, grandes insights - Corinto.
Corinto. UMA DAS
PRINCIPAIS CIDADES DA ANTIQUIDADE, ocupada em intervalos desde o quinto milênio
a.C., Corinto adquiriu seu nome de habitantes pré-Gregos. Durante a época Micênica,
a área estava sujeita aos poderes de Argólida, mas a cidade conhecida na época
clássica foi efetivamente fundada por Gregos Dóricos por volta do século X a.C.
Suas primeiras figuras históricas reais parecem ser os Bacchíades do século
VIII, sob os quais Corinto estabeleceu colônias em Corcira (Corfu) e Siracusa
na Sicília. O poder marítimo de Corinto era comercial e também militar na
época, e a cerâmica proto-Coríntia é encontrada por todo o Mediterrâneo. Ao
derrotar os Bacchíades em cerca de 660 a.C., Kypselos e seu filho Periandro
(cerca de 625-585 a.C.; um dos Sete Sábios da Antiguidade) estabeleceram uma
sólida prosperidade que floresceu por mais de um século. Os jogos bienais de
Isthmian, fundados em cerca de 580 a.C., trouxe prestígio e receitas adicionais
para a cidade.
Após a Guerra da Pérsia, Corinto se viu cada
vez mais pressionada pela expansão de Atenas e, na maioria das vezes, ao lado
de Esparta em conflitos entre as duas grandes potências. Após a vitória Macedônica
em Chaironea em 338 a.C., o conselho (Synedrion)
de Corinto ratificou o governo de Filipe na Grécia e, mais tarde, o de seu
filho Alexandre. Corinto recuperou sua independência como membro da Liga Aqueia
após 224 a.C., mas foi arrasada pelas legiões Romanas de Lúcio Múmio em 146
a.C., após sua saída da Liga. Múmio massacrou os homens, vendeu as mulheres e
crianças como escravas e deixou a cidade em ruínas, condição em que permaneceu
por um século.
A localização comercial estratégica do local,
no entanto, com seu Acrocorinto virtualmente inexpugnável (altitude de 1.886
pés), implorava por reabilitação, e em 44 a.C. Júlio César estabeleceu uma
colônia de veteranos sob o nome de Colonia
Laus Julia Corinthiensis. Foi esse assentamento que, em 27 a.C. já havia se
tornado a florescente capital da província Romana da Acaia, que entrou para a
história bíblica quase um século depois, com a estada de Paulo na cidade.
Situada no istmo entre o continente Grego ao
norte e o Peloponeso ao sul, Corinto controlava efetivamente o tráfego entre os
dois. O porto de Lechaion no Golfo de Corinto, conectado à cidade por longas
muralhas por volta de 400 a.C., abria-se para o Mar Adriático a oeste;
Cencreia, a apenas 11 quilômetros de distância, no Golfo Sarônico do Egeu, a
leste, também fazia da área uma importante rota de comércio marítimo
leste-oeste. Os diolkos de Periander,
uma rampa pavimentada quase paralela ao canal moderno, permitia que navios de
carga menores fossem transportados através do istmo em veículos com rodas,
evitando assim a perigosa jornada ao redor do Peloponeso; navios maiores teriam
que descarregar sua carga e transportá-la através do istmo via Corinto.
Ao ganhar notoriedade e renome na Antiguidade Grega
por sua riqueza e suposta licenciosidade, a Corinto Romana logo floresceu por
conta própria, e na época de Paulo era tão cosmopolita quanto qualquer porto do
Mediterrâneo. A língua oficial era o Latim dos conquistadores, mas a língua
comum era o Grego Koiné tanto da área
circundante como dos mercadores. A cidade foi reconstruída com instituições Romanas
sobre as ruínas Gregas, o centro dominado por fóruns superiores e inferiores
(mercados) e o Templo arcaico de Apolo, agora talvez rededicado à família de
César, a Gens Julia. Foi a relativa
novidade da cidade e de sua classe trabalhadora urbana cosmopolita e imigrante
que lhe deu um dinamismo comercial e uma abertura para novas ideias. O culto
imperial parece ter sido a principal religião dos latinos locais, com o panteão
Greco-Romano em segundo lugar. Como o maior mercado central e capital da Acaia,
o coração intelectual e cultural da Grécia, Corinto teve uma imensa influência
cultural e econômica nos territórios vizinhos e nas províncias de língua Grega
da parte oriental do Império Romano. O estabelecimento do Cristianismo por
Paulo ali ofereceu oportunidades para a difusão do evangelho que nenhuma outra
cidade poderia oferecer.
As comunidades Judaicas estavam bem
estabelecidas no mundo Helenístico e em todo o Império Romano no primeiro
século d.C. e, de acordo com Atos 18: 1-3, Paulo encontrou os Cristãos Áquila e
Priscila (Prisca) em sua primeira visita a Corinto em cerca do ano 50. Paulo
permaneceu ali, pregando na sinagoga, apesar de uma ação movida contra ele por
alguns Judeus perante o procônsul Gálio, provavelmente no outono de 51 ou na
primavera de 52 (At 18:16). Apolo também visitou Corinto (Atos 18: 27-19: 1; 1
Coríntios 1:12; 3: 4-9; 4: 6), possivelmente contribuindo para o partidarismo e
as dificuldades que Paulo aborda em 1 e 2 Coríntios. A Carta de Paulo aos
Romanos foi provavelmente escrita em Corinto (Rm. 15: 25-27; cf. Atos 20: 3).
As escavações que se desenvolveram no século XX
pela Escola Americana de Estudos Clássicos em Atenas revelaram muito sobre a
Corinto do primeiro século. Uma inscrição menciona o nome de Erasto, o edil, um
oficial encarregado das obras públicas (possivelmente o "tesoureiro da
cidade" de Romanos 16:23; cf. 2 Timóteo 4:20). No centro do fórum foi
encontrada uma plataforma (Gk. Bema)
construída em cerca de 44 d.C., possivelmente o "tribunal" de Gálio
no julgamento de Paulo (Atos 18:12, 17). No Lerna
Asclepium e em outros templos da cidade podem ser vistas as ruínas de
refeitórios sagrados que lançam luz sobre 1 Coríntios 8 e 10. Uma inscrição em Latim
do início do século I refere-se a um macellum,
já que Paulo usa o makellon Grego
para falar do "mercado de carnes" (1 Co. 10:25). Uma inscrição Grega
grosseira e ilegível em uma pedra quebrada do lintel parece anunciar a
"Sinagoga dos Hebreus". Novamente, no fórum foram escavadas fileiras
de lojas do tipo que Paulo teria compartilhado com seus companheiros fabricantes
de tendas Áquila e Priscila (Prisca). Uma villa contemporânea dá uma boa
compreensão das limitações do tamanho das "igrejas domésticas",
talvez explicando por que surgiram facções em Corinto (várias igrejas
domésticas) e por que havia discriminação nas refeições comunitárias da
assembleia geral (a sala de jantar só poderia acomodar alguns selecionados, de
acordo com o costume Romano de classificar os hóspedes).
Bibliografia:
ENGELS, Donald. Roman
Corinth: An Alternative Model for the Classical City. Chicago:
University of Chicago Press, 1990.
MEEKS, Wayne A. The
First Urban Christians: The Social World of the Apostle Paul. New
Haven, CT: Yale University Press, 1983.
MURPHY-O'CONNOR, Jerome. St.
Paul's Corinth: Texts and Archaeology. Wilmington, DE: Michael Glazier,
1983.
C.H.M.
Fonte:
ACHTEMEIER, Paul J. (GENERAL
EDITOR) The HarperCollins Bible
Dictionary (Revised Edition). New York, NY: Society of Biblical Literature,
1985
Tradução Walson Sales
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