quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- Os Pastores

  

Os pastores vivem quase sempre solitários e distantes. Nada sabem do mundo afastado e das festas da terra. O menor fato que aconteça perto deles os comove. Os que visitaram Jesus velavam o rebanho sob uma longa noite de verão, quando foram despertados pela luz e pelas palavras do anjo.

E quando viram, sob a fraca claridade que havia na estrebaria, uma mulher jovem e bela contemplando o filho em silêncio; quando viram o menino com os olhos abertos a pouco, aquelas carnes róseas e delicadas, aquela boca que ainda não tinha comido, o coração deles se enterneceu. O nascimento de uma criança, uma alma que vem sofrer com as outras almas, é sempre um milagre tão doloroso que emociona até as pessoas simples que não compreendem o mistério da vida. E aquele recém-nascido não era, para eles que tinham sido avisados, um desconhecido, um menino como os outros – era Aquele que o seu povo aflito esperava há muitos anos. Era o Salvador, O Messias!

Os pastores certamente ofereceram o pouco que possuíam, o pouco que é muito quando dado com amor. Trouxeram os brancos donativos do pasto: o queijo, alã, e o cordeiro. Ainda hoje, entre as pessoas simples do campo, onde aos poucos estão morrendo os últimos vestígios da hospitalidade e da fraternidade, as mulheres e as filhas dos pastores e agricultores visitam as mães que deram a luz. E nenhuma trás as mãos vazias. Trazem ovos ainda mornos do calor do ninho, uma vasilha com leite fresco ordenhado à pouco, um queijo, uma galinha para o caldo da parturiente. Um novo ser apareceu no mundo e começou seu pranto: os vizinhos, como que a consolar a mãe, dão-lhe presentes.

Os pastores antigos eram pobres e não desprezavam os pobres; eram ingênuos como crianças, e se alegravam com a contemplação das crianças. Eram descendentes de um povo que havia sido gerado pelo pastor de Ur, e tinha sido resgatado do Egito pelo pastor de Midiã. Pastores foram os seus primeiros reis, Saul e Davi, pastores de rebanhos e depois de tribos.

Os pastores de Belém não eram orgulhosos. Um pobre tinha nascido entre eles, e eles o fitavam com amor e com amor lhe davam as suas pobres riquezas. Sabiam que aquele Menino nascido de pobres na pobreza, nascido simples na simplicidade, nascido de populares entre o povo, seria o resgatador dos humildes – daqueles homens sobre os quais o anjo invocara a paz.

 

Fonte: Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil – 2000

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