Os
pastores vivem quase sempre solitários e distantes. Nada sabem do mundo
afastado e das festas da terra. O menor fato que aconteça perto deles os
comove. Os que visitaram Jesus velavam o rebanho sob uma longa noite de verão,
quando foram despertados pela luz e pelas palavras do anjo.
E
quando viram, sob a fraca claridade que havia na estrebaria, uma mulher jovem e
bela contemplando o filho em silêncio; quando viram o menino com os olhos
abertos a pouco, aquelas carnes róseas e delicadas, aquela boca que ainda não
tinha comido, o coração deles se enterneceu. O nascimento de uma criança, uma
alma que vem sofrer com as outras almas, é sempre um milagre tão doloroso que
emociona até as pessoas simples que não compreendem o mistério da vida. E
aquele recém-nascido não era, para eles que tinham sido avisados, um
desconhecido, um menino como os outros – era Aquele que o seu povo aflito
esperava há muitos anos. Era o Salvador, O Messias!
Os
pastores certamente ofereceram o pouco que possuíam, o pouco que é muito quando
dado com amor. Trouxeram os brancos donativos do pasto: o queijo, alã, e o
cordeiro. Ainda hoje, entre as pessoas simples do campo, onde aos poucos estão
morrendo os últimos vestígios da hospitalidade e da fraternidade, as mulheres e
as filhas dos pastores e agricultores visitam as mães que deram a luz. E
nenhuma trás as mãos vazias. Trazem ovos ainda mornos do calor do ninho, uma
vasilha com leite fresco ordenhado à pouco, um queijo, uma galinha para o caldo
da parturiente. Um novo ser apareceu no mundo e começou seu pranto: os
vizinhos, como que a consolar a mãe, dão-lhe presentes.
Os
pastores antigos eram pobres e não desprezavam os pobres; eram ingênuos como
crianças, e se alegravam com a contemplação das crianças. Eram descendentes de
um povo que havia sido gerado pelo pastor de Ur, e tinha sido resgatado do
Egito pelo pastor de Midiã. Pastores foram os seus primeiros reis, Saul e Davi,
pastores de rebanhos e depois de tribos.
Os
pastores de Belém não eram orgulhosos. Um pobre tinha nascido entre eles, e
eles o fitavam com amor e com amor lhe davam as suas pobres riquezas. Sabiam
que aquele Menino nascido de pobres na pobreza, nascido simples na
simplicidade, nascido de populares entre o povo, seria o resgatador dos
humildes – daqueles homens sobre os quais o anjo invocara a paz.
Fonte:
Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos
Cristológicos – Editora Alfalit Brasil – 2000
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