Alguns
dias depois, três magos chegaram da Caldéia e se ajoelharam diante de Jesus.
Vinham talvez de Ecbatana, talvez das margens do Mar Cáspio. Em camelos, com
sacolas cheias, tinham atravessado o rio Tigre e o rio Eufrates, tinham
transposto o grande deserto dos nômades e bordejado o Mar Morto. Uma estrela
nova – que para eles era semelhante ao cometa que reaparece de vez em quando no
céu para anunciar o advento de um profeta ou o nascimento de um rei – os guiara
até a Judéia. Tinham vindo para adorar um rei e encontraram um recém-nascido
agasalhado de maneira muito simples e oculto numa estrebaria.
Os
magos não eram reis, mas na Média e na Pérsia dominavam sobre os reis. Os reis
dirigiam os povos, os magos guiavam os reis. Sacrificadores, intérpretes de sonhos,
profetas e ministros, só eles podiam se comunicar com Ahura Mazda, o Deus bom –
assim acreditava o povo. Só eles conheciam o futuro e o destino. Matavam com as
próprias mãos os animais nocivos e as aves agourentas. Purificavam as almas e
os campos; nenhum sacrifício era aceito por Deus se não fosse oferecido por
eles. Os reis não declaravam guerra sem primeiro ouvir os seus conselhos.
Possuíam os segredos da terra e do céu, e dominavam entre a sua gente em nome
da ciência e da religião. No meio de um povo que vivia para a matéria, eles
representavam o espírito.
Era
justo, portanto, que viessem se ajoelhar diante de Jesus. Depois dos animais,
que são a natureza, e dos pastores, que são o povo, esta terceira potência – o
saber – ajoelhava-se na manjedoura de Belém. A velha casta sacerdotal do
Oriente faz ato de submissão ao novo Senhor que há de enviar os seus pregadores
para o Ocidente. Os sábios ajoelham-se diante daquele que um dia submeterá a
ciência das palavras e dos números à nova sabedoria do amor.
A
presença dos magos em Belém significa as velhas teologias reconhecendo a
revelação definitiva, a ciência humilhando-se diante da inocência, a riqueza
inclinando-se aos pés da pobreza. Eles oferecem a Jesus o ouro que Jesus, mais
tarde, desprezará. O incenso que oferecem não é para eliminar o cheiro da
estrebaria; é porque os seus cultos em breve cederão espaço aos adoradores do
verdadeiro Deus, e eles não terão mais necessidade de fumaças e de perfumes
para os seus altares. Oferecem a mirra, que serve para embalsamar os mortos,
por que esse menino, que agora sorri para sua mãe, morrerá moço.
Fonte:
Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de
Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil – 2000
Compilado
por Walson Sales.
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