sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- A visita dos Magos

  

Alguns dias depois, três magos chegaram da Caldéia e se ajoelharam diante de Jesus. Vinham talvez de Ecbatana, talvez das margens do Mar Cáspio. Em camelos, com sacolas cheias, tinham atravessado o rio Tigre e o rio Eufrates, tinham transposto o grande deserto dos nômades e bordejado o Mar Morto. Uma estrela nova – que para eles era semelhante ao cometa que reaparece de vez em quando no céu para anunciar o advento de um profeta ou o nascimento de um rei – os guiara até a Judéia. Tinham vindo para adorar um rei e encontraram um recém-nascido agasalhado de maneira muito simples e oculto numa estrebaria.

Os magos não eram reis, mas na Média e na Pérsia dominavam sobre os reis. Os reis dirigiam os povos, os magos guiavam os reis. Sacrificadores, intérpretes de sonhos, profetas e ministros, só eles podiam se comunicar com Ahura Mazda, o Deus bom – assim acreditava o povo. Só eles conheciam o futuro e o destino. Matavam com as próprias mãos os animais nocivos e as aves agourentas. Purificavam as almas e os campos; nenhum sacrifício era aceito por Deus se não fosse oferecido por eles. Os reis não declaravam guerra sem primeiro ouvir os seus conselhos. Possuíam os segredos da terra e do céu, e dominavam entre a sua gente em nome da ciência e da religião. No meio de um povo que vivia para a matéria, eles representavam o espírito.

Era justo, portanto, que viessem se ajoelhar diante de Jesus. Depois dos animais, que são a natureza, e dos pastores, que são o povo, esta terceira potência – o saber – ajoelhava-se na manjedoura de Belém. A velha casta sacerdotal do Oriente faz ato de submissão ao novo Senhor que há de enviar os seus pregadores para o Ocidente. Os sábios ajoelham-se diante daquele que um dia submeterá a ciência das palavras e dos números à nova sabedoria do amor.

A presença dos magos em Belém significa as velhas teologias reconhecendo a revelação definitiva, a ciência humilhando-se diante da inocência, a riqueza inclinando-se aos pés da pobreza. Eles oferecem a Jesus o ouro que Jesus, mais tarde, desprezará. O incenso que oferecem não é para eliminar o cheiro da estrebaria; é porque os seus cultos em breve cederão espaço aos adoradores do verdadeiro Deus, e eles não terão mais necessidade de fumaças e de perfumes para os seus altares. Oferecem a mirra, que serve para embalsamar os mortos, por que esse menino, que agora sorri para sua mãe, morrerá moço.

 

Fonte: Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil – 2000

 

Compilado por Walson Sales.

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