quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- A Estrebaria

  

Jesus nasceu numa estrebaria. Uma estrebaria, uma verdadeira estrebaria, não é o bonito quadro que alguns artistas cristãos antigos e modernos tem pintado sobre o nascimento do Filho de Davi, quase envergonhados de que o seu Deus tenha nascido em um lugar cercado de miséria e de imundície. Não é também o presépio mimoso e encantador, cheio de cores graciosas, com a manjedoura ornamentada e linda, o jumentinho quieto e o boi de olhar lacrimoso, os anjos no teto com as suas asas esvoaçantes, os fantoches dos reis magos com seus mantos de púrpura, e os pastores com os capuzes, de joelhos, em ambos os lados do berço. Isto pode ser o sonho dos fantasistas, o luxo das beatas, o brinquedo das crianças, mas não é, na verdade, a estrebaria onde Jesus nasceu.

Uma estrebaria, uma verdadeira estrebaria, é a casa dos animais, a prisão dos animais que trabalham para os homens. A antiga, a humilde estrebaria dos países antigos, dos países pobres, do país de Jesus, não tem portas ornamentadas com pilastras e capitéis, nem é aquela choupana elegante que costumamos ver nos cartões de Natal que nos enviam em dezembro. A estrebaria são quatro paredes grosseiras, um piso sujo e um teto de varas e palhas. A verdadeira estrebaria é escura, imunda e fétida. Só tem de limpo a manjedoura, onde o homem encarregado de cuidar dos animais prepara o feno e a alfafa.

Os prados primaveris, frescos nas manhãs serenas, ondeantes ao vento, úmidos, foram decepados. As ervas verdes, as folhas altas e finas, as próprias flores semiabertas foram cortadas com facão. Tudo murchou, secou, adquiriu a cor pálida do feno.

Ora, aquelas ervas e flores, ervas áridas e flores sempre perfumosas, agora jazem na manjedoura para saciar a fome dos escravos do homem. Os animais abocanham-nas devagar, com os grandes lábios pretos, e mais tarde o prado florido se ilumina de novo, renascendo do solo transformado em húmido estrume.

Esta é a verdadeira estrebaria onde Jesus viu a luz. O lugar mais sujo do mundo foi o berço do único homem puro entre os nascido de mulher. O Filho do Homem, que devia ser morto pelos animais que se chamam homens, teve como berço a manjedoura onde os brutos ruminam as flores milagrosas da primavera.

 

Fonte: Giovanni Papini – Quando Jesus viveu entre os homens – Biblioteca de Conhecimentos Cristológicos – Editora Alfalit Brasil - 2000

Compilado por Walson Sales.

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