sábado, 25 de dezembro de 2021

Especial Semana do Natal do Bom dia com Teologia! --- John C. Lennox - Mensagem de Natal

  

Nós celebramos um evento incrível que inspirou grande literatura, música, poesia e arquitetura. A mensagem de Cristo transformou inúmeras vidas, gerou hospitais, asilos e universidades. Ele aboliu a escravidão e trouxe dignidade para a vida humana. Como o primeiro-ministro da Inglaterra disse recentemente: “O cristianismo teve influência histórica imensa no desenvolvimento da nossa cultura e das instituições nacionais... somos um país com uma herança cristã e não devemos ter medo de dizer isso”.

Os cosmólogos nos dizem que há 13,5 bilhões anos atrás o universo era menor do que um grão de areia – um fato que amplia nosso conhecimento, mas que é insignificante perto da constatação de que, há 20 séculos atrás, o Deus que criou o universo tornou-se uma pequena semente no útero de uma jovem humilde. O Verbo se fez carne. O próprio Deus quem fez o homem à sua imagem tornou-se humano.

A encarnação de Deus desafia a crença do ateu de que este universo é um sistema fechado de causa e efeito. Somos informados de que na época de Cristo as pessoas crédulas podiam acreditar em tais acontecimentos miraculosos, já que elas não sabiam as leis da natureza. Agora, em nossa iluminada era científica isso é impossível, já que milagres violam as leis da natureza. Os registros bíblicos dos milagres são apenas “fantasias”, como o Papai Noel.

Existem três erros aqui! Em primeiro lugar, a comparação com o Papai Noel é trivialmente falsa. Nunca conheci um adulto que passou a acreditar em Papai Noel. Por outro lado, tenho conhecido muitos adultos que passaram a acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus.

Em segundo lugar, dois desses adultos são figuras-chave na narrativa de Natal, Maria e José. Eles não eram pessoas crédulas. Eles sabiam muito bem, assim como nós sabemos, as leis básicas da natureza a respeito de onde vêm os bebês. Então, quando Maria foi avisada pelo anjo que ela iria conceber, ela questionou: “Como se fará isto, visto que não conheço homem algum?” (Lucas 1:34) E nós já sabemos como José, ao descobrir que Maria estava grávida, havia planejado o divórcio. Ele, um homem piedoso e justo, não estava preparado para acreditar na explicação de uma concepção milagrosa. No entanto, os dois acabaram sendo convencidos de que não havia nada de imoral sobre a concepção de Jesus, por que foram dadas provas convincentes de que a criança tinha sido sobrenaturalmente concebida pelo Espírito Santo em uma intervenção direta de Deus.

Em terceiro lugar, David Hume estava errado quando disse que milagres como a encarnação não podem acontecer, pois violam as leis da natureza. O que, afinal, são essas leis? Elas são as nossas descrições do que normalmente acontecem e elas nos possibilitam prever o que vai acontecer se ninguém intervier. No entanto, Deus não é um prisioneiro das leis que descrevem as regularidades que ele construiu para o cosmos. Portanto, não é ato de violação se ele intervém em sua própria criação. Pois tal intervenção não quebra lei alguma.

Suponha que eu tenha colocado R$ 100 em minha gaveta no hotel ontem à noite, e coloquei em outra gaveta R$ 100 esta noite. As leis da aritmética dizem que tenho R$ 200 nas gavetas. Se eu encontrar apenas R$ 50 lá amanhã, o que posso concluir? Que as leis da aritmética foram quebradas ou as leis do Brasil? Claramente as leis do Brasil. Como eu sei disso? Porque eu conheço as leis da aritmética. Elas não foram quebradas, e isso me diz que um ladrão veio de fora. Da mesma forma, quando um verdadeiro milagre acontece, são as leis da natureza que nos alertam para o fato de que é um milagre. Se não conhecêssemos as leis nunca reconheceríamos um milagre, caso nós víssemos um. A ciência, portanto, não pode descartar o milagre. O universo não é um sistema fechado. Este mundo não é o único mundo que existe.

C. S. Lewis escreveu: “Se Deus cria milagrosamente um espermatozoide no corpo de uma virgem, isso não vai infringir nenhuma lei. As leis imediatamente se adaptam. A natureza está pronta. A gravidez continua, de acordo com todas as leis normais, e nove meses depois uma criança nasce”.

Além do mais, o profeta Isaías escreveu algo que a ciência nunca poderia ter dito a ele. Inspirado por Deus, ele predisse a vinda de Cristo, não nove meses antes, mas seis séculos antes de acontecer: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). Estas palavras, cheias de profundo e poderoso mistério, soam verdadeiras justamente porque são verdadeiras.

“Um filho se nos deu ...” O Natal é um tempo especial de troca de presentes como expressões de amor, carinho e gratidão. É, no entanto, possível que alguém aceite um presente e ainda rejeite o presenteador. Imagine que você tenha convidados para uma ceia de Natal. Seus convidados comem a comida com prazer, conversam entre si animadamente, mas não dizem nada a você. Eles saem sem uma palavra de agradecimento. Uma situação impossível, digamos. Contudo, é exatamente assim que muitos de nós temos tratado Deus neste ano que chega ao fim. Temos recebido seus presentes de saúde, capacidade, trabalho, casa, comida, família e amigos, mas nunca paramos para reconhecer ou agradecer-lhe. Nós aceitamos os presentes, mas rejeitamos o Presenteador.

“Um filho se nos deu...” Aqui, o Presente é o Presenteador. Não podemos aceitar o Presente sem rejeitar o Presenteador. E ele é o Salvador do mundo.

Há muita coisa boa no mundo, mas também há muito mal – a pobreza, o sofrimento, a violência, a guerra, a exploração, a escravidão, o medo, discriminação e abuso. E quem de nós se atreveria a sugerir que não há nada de que nós precisamos ser salvos? A raiva, falta de amor, desejos destrutivos, egocentrismo, avidez, despeito, inveja, desonestidade e hipocrisia, só para citar alguns. Certamente nós concordaríamos com G. K. Chesterton, que, em resposta a uma pergunta no Times: “O que está errado com o mundo?”, escreveu para o editor: “Caro senhor, EU ESTOU. Atenciosamente, G. K. Chesterton.”

Estamos, portanto, condenados a viver em um mundo em que “é sempre inverno e nunca Natal”? Não – porque o Natal certamente veio em nosso mundo! Deus declara uma mensagem cheia de esperança para nosso mundo: “Você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). Como é que isso deve ser feito? Você vai ficar feliz em saber que não é propondo mais uma lista de objetivos irrealistas para o Ano Novo. Os códigos morais são muito importantes, mas eles não podem nos perdoar ou nos capacitar para viver como sabemos que devemos. Cristo pode perdoar porque ele morreu por nós. Como o arcebispo de Canterbury disse na Páscoa: “... a cruz é o grande ponto em que o sofrimento, dor, tortura, julgamento e pecado e as mazelas do mundo acabam nos ombros de Deus por amor a nós.” E Cristo pode nos capacitar a viver porque ele ressuscitou dos mortos.

Alguém poderá dizer: “Não há nenhum sentido moral em um homem dar a si mesmo pelos pecados dos outros”. Essa objeção seria consistente se Jesus fosse apenas um homem. Mas Jesus nunca foi apenas um homem. Ele era Deus encarnado. Por Jesus ser Deus e homem ele pode nos oferecer a salvação como um presente – o perdão, a paz com Deus, vida nova e esperança. Este presente deve ser recebido como todos os demais – neste caso, por um ato livre e consciente de arrependimento e confiança em Cristo, sobre o qual cantamos:

 

“Oh, santo Menino de Belém,

desça até nós, nós oramos;

expulsa o nosso pecado, e entre,

nasça em nós hoje.

Ouvimos os anjos de Natal

com grandes boas novas a dizer.

O vêm até nós, fique conosco,

nosso Senhor Emmanuel.”

 

- O Little Town of Bethlehem, Phillips Brooks, 1865

 

Tradução e adaptação: Leandro L. Andrade

 

Fonte: http://johnlennox.org/jresources/a-christmas-message-from-john-lennox/

 

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