Nós celebramos um evento incrível que inspirou
grande literatura, música, poesia e arquitetura. A mensagem de Cristo
transformou inúmeras vidas, gerou hospitais, asilos e universidades. Ele aboliu
a escravidão e trouxe dignidade para a vida humana. Como o primeiro-ministro da
Inglaterra disse recentemente: “O cristianismo teve influência histórica imensa
no desenvolvimento da nossa cultura e das instituições nacionais... somos um
país com uma herança cristã e não devemos ter medo de dizer isso”.
Os cosmólogos nos dizem que há 13,5
bilhões anos atrás o universo era menor do que um grão de areia – um fato que
amplia nosso conhecimento, mas que é insignificante perto da constatação de
que, há 20 séculos atrás, o Deus que criou o universo tornou-se uma pequena
semente no útero de uma jovem humilde. O Verbo se fez carne. O próprio Deus
quem fez o homem à sua imagem tornou-se humano.
A encarnação de Deus desafia a crença
do ateu de que este universo é um sistema fechado de causa e efeito. Somos
informados de que na época de Cristo as pessoas crédulas podiam acreditar em
tais acontecimentos miraculosos, já que elas não sabiam as leis da natureza.
Agora, em nossa iluminada era científica isso é impossível, já que milagres
violam as leis da natureza. Os registros bíblicos dos milagres são apenas “fantasias”,
como o Papai Noel.
Existem três erros aqui! Em primeiro
lugar, a comparação com o Papai Noel é trivialmente falsa. Nunca conheci um
adulto que passou a acreditar em Papai Noel. Por outro lado, tenho conhecido
muitos adultos que passaram a acreditar que Jesus Cristo é o Filho de Deus.
Em segundo lugar, dois desses adultos
são figuras-chave na narrativa de Natal, Maria e José. Eles não eram pessoas
crédulas. Eles sabiam muito bem, assim como nós sabemos, as leis básicas da
natureza a respeito de onde vêm os bebês. Então, quando Maria foi avisada pelo
anjo que ela iria conceber, ela questionou: “Como se fará isto, visto que não
conheço homem algum?” (Lucas 1:34) E nós já sabemos como José, ao descobrir que
Maria estava grávida, havia planejado o divórcio. Ele, um homem piedoso e
justo, não estava preparado para acreditar na explicação de uma concepção
milagrosa. No entanto, os dois acabaram sendo convencidos de que não havia nada
de imoral sobre a concepção de Jesus, por que foram dadas provas convincentes
de que a criança tinha sido sobrenaturalmente concebida pelo Espírito Santo em
uma intervenção direta de Deus.
Em terceiro lugar, David Hume estava
errado quando disse que milagres como a encarnação não podem acontecer, pois
violam as leis da natureza. O que, afinal, são essas leis? Elas são as nossas
descrições do que normalmente acontecem e elas nos possibilitam prever o que
vai acontecer se ninguém intervier. No entanto, Deus não é um prisioneiro das
leis que descrevem as regularidades que ele construiu para o cosmos. Portanto,
não é ato de violação se ele intervém em sua própria criação. Pois tal
intervenção não quebra lei alguma.
Suponha que eu tenha colocado R$ 100 em
minha gaveta no hotel ontem à noite, e coloquei em outra gaveta R$ 100 esta
noite. As leis da aritmética dizem que tenho R$ 200 nas gavetas. Se eu
encontrar apenas R$ 50 lá amanhã, o que posso concluir? Que as leis da
aritmética foram quebradas ou as leis do Brasil? Claramente as leis do Brasil.
Como eu sei disso? Porque eu conheço as leis da aritmética. Elas não foram
quebradas, e isso me diz que um ladrão veio de fora. Da mesma forma, quando um
verdadeiro milagre acontece, são as leis da natureza que nos alertam para o
fato de que é um milagre. Se não conhecêssemos as leis nunca reconheceríamos um
milagre, caso nós víssemos um. A ciência, portanto, não pode descartar o
milagre. O universo não é um sistema fechado. Este mundo não é o único mundo
que existe.
C. S. Lewis escreveu: “Se Deus cria
milagrosamente um espermatozoide no corpo de uma virgem, isso não vai infringir
nenhuma lei. As leis imediatamente se adaptam. A natureza está pronta. A
gravidez continua, de acordo com todas as leis normais, e nove meses depois uma
criança nasce”.
Além do mais, o profeta Isaías escreveu
algo que a ciência nunca poderia ter dito a ele. Inspirado por Deus, ele
predisse a vinda de Cristo, não nove meses antes, mas seis séculos antes de
acontecer: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado
está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). Estas palavras,
cheias de profundo e poderoso mistério, soam verdadeiras justamente porque são
verdadeiras.
“Um filho se nos deu ...” O Natal é um
tempo especial de troca de presentes como expressões de amor, carinho e
gratidão. É, no entanto, possível que alguém aceite um presente e ainda rejeite
o presenteador. Imagine que você tenha convidados para uma ceia de Natal. Seus
convidados comem a comida com prazer, conversam entre si animadamente, mas não
dizem nada a você. Eles saem sem uma palavra de agradecimento. Uma situação
impossível, digamos. Contudo, é exatamente assim que muitos de nós temos
tratado Deus neste ano que chega ao fim. Temos recebido seus presentes de
saúde, capacidade, trabalho, casa, comida, família e amigos, mas nunca paramos
para reconhecer ou agradecer-lhe. Nós aceitamos os presentes, mas rejeitamos o
Presenteador.
“Um filho se nos deu...” Aqui, o
Presente é o Presenteador. Não podemos aceitar o Presente sem rejeitar o
Presenteador. E ele é o Salvador do mundo.
Há muita coisa boa no mundo, mas também
há muito mal – a pobreza, o sofrimento, a violência, a guerra, a exploração, a
escravidão, o medo, discriminação e abuso. E quem de nós se atreveria a sugerir
que não há nada de que nós precisamos ser salvos? A raiva, falta de amor,
desejos destrutivos, egocentrismo, avidez, despeito, inveja, desonestidade e
hipocrisia, só para citar alguns. Certamente nós concordaríamos com G. K.
Chesterton, que, em resposta a uma pergunta no Times: “O que está errado com o
mundo?”, escreveu para o editor: “Caro senhor, EU ESTOU. Atenciosamente, G. K.
Chesterton.”
Estamos, portanto, condenados a viver
em um mundo em que “é sempre inverno e nunca Natal”? Não – porque o Natal
certamente veio em nosso mundo! Deus declara uma mensagem cheia de esperança
para nosso mundo: “Você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o
seu povo dos seus pecados” (Mateus 1:21). Como é que isso deve ser feito? Você
vai ficar feliz em saber que não é propondo mais uma lista de objetivos
irrealistas para o Ano Novo. Os códigos morais são muito importantes, mas eles
não podem nos perdoar ou nos capacitar para viver como sabemos que devemos.
Cristo pode perdoar porque ele morreu por nós. Como o arcebispo de Canterbury
disse na Páscoa: “... a cruz é o grande ponto em que o sofrimento, dor,
tortura, julgamento e pecado e as mazelas do mundo acabam nos ombros de Deus
por amor a nós.” E Cristo pode nos capacitar a viver porque ele ressuscitou dos
mortos.
Alguém poderá dizer: “Não há nenhum
sentido moral em um homem dar a si mesmo pelos pecados dos outros”. Essa
objeção seria consistente se Jesus fosse apenas um homem. Mas Jesus nunca foi
apenas um homem. Ele era Deus encarnado. Por Jesus ser Deus e homem ele pode
nos oferecer a salvação como um presente – o perdão, a paz com Deus, vida nova
e esperança. Este presente deve ser recebido como todos os demais – neste caso,
por um ato livre e consciente de arrependimento e confiança em Cristo, sobre o
qual cantamos:
“Oh, santo Menino de Belém,
desça até nós, nós oramos;
expulsa o nosso pecado, e entre,
nasça em nós hoje.
Ouvimos os anjos de Natal
com grandes boas novas a dizer.
O vêm até nós, fique conosco,
nosso Senhor Emmanuel.”
- O Little Town of Bethlehem, Phillips Brooks, 1865
Tradução e adaptação: Leandro L.
Andrade
Fonte: http://johnlennox.org/jresources/a-christmas-message-from-john-lennox/
Nenhum comentário:
Postar um comentário