quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

JESUS CRISTO --- Amos Binney - Compêndio de Teologia

  

Ainda que as escrituras que discorrem sobre o caráter de Jesus Cristo não tenham a forma de um sistema regular, todavia, quando reunidas, elas nos apresentam três classes particulares, cada uma das quais apoia sua proposição própria e correspondente.

I. A primeira classe sustenta a seguinte proposição, a saber: Jesus Cristo é real e verdadeiramente homem.

Seguem algumas passagens desta classe: O Filho do homem, oitenta vezes; se fez carne, Jo 1.14; nasceu de mulher, Gl 4.4; semelhante aos homens, Fp 2.7, 8; nascido menino, Is 9.6; 7.14; Mt 1.18-25; filho de Davi, Is 11.1, e várias outras; homem de dores, Is 53.3; teve fome, Mt 4.2; jejuou, Mt 4.2; foi tentado, Mt 4.2; suou, Lc 22.4; chorou, Jo 11.35; orou, Lc 22.44; cresceu, Lc 2.52; ignorante, Mc 13.32; morreu, Jo 19.33; foi enterrado, Jo 19.42.

Finalmente, todas as escrituras que falam de seus sofrimentos e morte, ou indicam em algum sentido sua inferioridade, estabelecem e provam sua verdadeira humanidade.

Elas não provam que ele fosse um mero homem, como alguns supõem, nem que ele fosse um anjo, ou um arcanjo, como pensam outros, mas elas provam que ele foi um homem real, possuidor, como os os demais homens, de um corpo e alma humanos.

II. A segunda classe de escrituras sustenta a seguinte proposição, a saber: Jesus Cristo é o próprio Deus incriado. Seguem algumas dessas passagens:

1. As que falam dele como Deus. Is 9.6; 7.14; Mt 1.23; Jo 1.1; Rm 9.5; Cl 2.9; Fp 2.6; 1Tm 3.16; Tt 2.10; Hb 1.8; 3.4; 1Jo 3.16; 5.20.

2. As que falam de seus atributos.

Sua eternidade: Is 9.6; Mq 5.2; Pv 8.23, 32; Jo 1.1; 8.58; Cl 1.17; Hb 7.3; 13.8; Ap 1.8; 22.13.

Onipresença: Mt 18.20; Jo 3.13.

Onisciência: Mt 9.4; Mc 2.8; Jo 2.24; 6.64; 16.30; 21.17; At 1.24.

Onipotência: Is 9.6; Mt 28.18; Jo 3.31; 10.18; Rm 9.5; Ef 1.21; Cl 2.10; Hb 1.3; Ap 1.8.

Sabedoria: Cl 2.3.

Santidade: Mc 1.24.

Justiça: 1Jo 1.9.

Verdade: Jo 14.6.

Bondade: At 10.38.

3. As que falam de seus atos.

Criação: Jo 1.3, 10; Cl 1.16; 1Co 8.6.

Inspiração: 1Pe 1.11.

Salvação: Compare Is 45.21, 22 e 1Tm 4.10 com 1Tm 1.15 e Hb 5.7.

Ressurreição: Jo 5.21.

Julgamento: Mt 24.30; 25.32-33; Rm 14.10; 2Tm 4.1.

4. As que falam de suas honras.

Adoração: Compare Mt 14.33; Hb 1.6; Jo 5.23. A palavra adoração em geral significa reverência suprema; como tal ela é aplicada quinze vezes no Novo Testamento a Jesus Cristo, e em nenhum caso houve censura.

III. A terceira classe de escrituras sustenta a seguinte proposição, a saber: A divindade substancial e a humanidade real são combinadas na pessoa de Jesus Cristo.

1. O próprio nome de Jesus Cristo é uma prova suficiente. “Emanuel”: Mt 1.23. Veja também 1Tm 3.16; Jo 1.14.

2. Novamente: “Dos quais é Cristo segundo a carne [aqui está sua humanidade], o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente, [aqui está a divindade],” Rm 9.5.

3. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim,” Ap 21.6; 22.13.

4. Como Deus, ele é a raiz, fonte, ou origem da família e do reino de Davi. Como homem ele descendeu dos lombos de Davi, Ap 22.16.

5. Como homem, ele chora sobre o túmulo de Lázaro. Como Deus, ele o ressuscita dos mortos, Jo 11.35, 43, 44.

6. Como homem, ele mesmo sofre e morre, Mc 14.34, 35; 15.34, 37. Mas como Deus, ele é capaz de ressuscitar seu próprio corpo da sepultura. Jo 10.18.

Agora, ou as Escrituras não estão de conformidade consigo mesmas, ou Jesus Cristo é tanto Deus quanto homem; mas as Escrituras estão de conformidade consigo mesmas, portanto ele é tanto Deus quanto homem.

As escrituras que dizem que ele é homem são verdadeiras, e as que dizem que ele é Deus também são verdadeiras, já que há ainda outras escrituras que mostram que ele é tanto Deus quanto homem.

Não há mais propriedade em negar a divindade de Cristo pelo fato de haver muitos textos que falam de sua humanidade, do que há em negar sua humanidade pelo fato de haver muitos textos que falam de sua divindade.

Como essas duas naturezas estão unidas nele, obviamente ele fala de si mesmos de duas maneiras. Até isto possui analogia conosco, por exemplo:

Quando dizemos, estou doente, falamos de nosso corpo, e quando dizemos, estou feliz, falamos de nossa alma, etc.

O que pensaria de alguém que tomasse metade de suas palavras e não se importasse com as demais, e assim tentasse provar que você não fosse tanto mortal como imortal? É justamente neste erro que os homens caem a respeito de Jesus Cristo.

 

PERGUNTAS

 

- Como o caráter de Jesus Cristo é apresentado nas Escrituras?

- Que proposição a primeira classe sustenta?

- Quais são os textos?

- O que eles provam?

- O que a segunda classe sustenta?

- Quais textos falam dele como Deus? Sua eternidade? Outros atributos, etc.? De seus atos? Honras?

- Que proposição a terceira classe sustenta?

- Repita a primeira classe de textos. A segunda. Terceira. Quarta. Quinta. Sexta.

- Qual é a conclusão?

- Sua humanidade não pode ser negada com igual propriedade?

- Por que Cristo fala de si mesmo de duas maneiras? Há alguma analogia para isto?

- Qual é o erro no qual caem os homens a respeito de Cristo?

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