Ainda que as escrituras que discorrem
sobre o caráter de Jesus Cristo não tenham a forma de um sistema regular,
todavia, quando reunidas, elas nos apresentam três classes particulares, cada
uma das quais apoia sua proposição própria e correspondente.
I. A primeira classe sustenta a seguinte
proposição, a saber: Jesus Cristo é real e verdadeiramente homem.
Seguem algumas passagens desta classe:
O Filho do homem, oitenta vezes; se fez carne, Jo 1.14; nasceu de mulher, Gl
4.4; semelhante aos homens, Fp 2.7, 8; nascido menino, Is 9.6; 7.14; Mt
1.18-25; filho de Davi, Is 11.1, e várias outras; homem de dores, Is 53.3; teve
fome, Mt 4.2; jejuou, Mt 4.2; foi tentado, Mt 4.2; suou, Lc 22.4; chorou, Jo
11.35; orou, Lc 22.44; cresceu, Lc 2.52; ignorante, Mc 13.32; morreu, Jo 19.33;
foi enterrado, Jo 19.42.
Finalmente, todas as escrituras que
falam de seus sofrimentos e morte, ou indicam em algum sentido sua
inferioridade, estabelecem e provam sua verdadeira humanidade.
Elas não provam que ele fosse um mero
homem, como alguns supõem, nem que ele fosse um anjo, ou um arcanjo,
como pensam outros, mas elas provam que ele foi um homem real,
possuidor, como os os demais homens, de um corpo e alma humanos.
II. A segunda classe de escrituras
sustenta a seguinte proposição, a saber: Jesus Cristo é o próprio Deus
incriado. Seguem algumas dessas passagens:
1. As que falam dele como Deus. Is 9.6; 7.14; Mt 1.23; Jo 1.1; Rm 9.5; Cl 2.9; Fp
2.6; 1Tm 3.16; Tt 2.10; Hb 1.8; 3.4; 1Jo 3.16; 5.20.
2. As que falam de seus atributos.
Sua eternidade: Is 9.6; Mq 5.2;
Pv 8.23, 32; Jo 1.1; 8.58; Cl 1.17; Hb 7.3; 13.8; Ap 1.8; 22.13.
Onipresença: Mt 18.20; Jo 3.13.
Onisciência: Mt 9.4; Mc 2.8; Jo 2.24; 6.64; 16.30; 21.17; At 1.24.
Onipotência: Is 9.6; Mt 28.18; Jo 3.31; 10.18; Rm 9.5; Ef 1.21; Cl 2.10; Hb 1.3; Ap
1.8.
Sabedoria: Cl 2.3.
Santidade: Mc 1.24.
Justiça: 1Jo 1.9.
Verdade: Jo 14.6.
Bondade: At 10.38.
3. As que falam de seus atos.
Criação: Jo 1.3, 10; Cl 1.16; 1Co 8.6.
Inspiração: 1Pe 1.11.
Salvação: Compare Is 45.21, 22 e 1Tm 4.10 com 1Tm 1.15 e Hb 5.7.
Ressurreição: Jo 5.21.
Julgamento: Mt 24.30; 25.32-33; Rm 14.10; 2Tm 4.1.
4. As que falam de suas honras.
Adoração: Compare Mt 14.33; Hb 1.6; Jo 5.23. A palavra adoração em geral
significa reverência suprema; como tal ela é aplicada quinze vezes no
Novo Testamento a Jesus Cristo, e em nenhum caso houve censura.
III. A terceira classe de escrituras
sustenta a seguinte proposição, a saber: A divindade substancial e a
humanidade real são combinadas na pessoa de Jesus Cristo.
1. O próprio nome de Jesus
Cristo é uma prova suficiente. “Emanuel”: Mt 1.23. Veja também 1Tm 3.16; Jo
1.14.
2. Novamente: “Dos quais é Cristo segundo a carne [aqui está sua humanidade], o qual é
sobre todos, Deus bendito eternamente, [aqui está a divindade],” Rm 9.5.
3. “Eu sou o Alfa e o Ômega,
o princípio e o fim,” Ap 21.6; 22.13.
4. Como Deus, ele é a raiz,
fonte, ou origem da família e do reino de Davi. Como homem ele descendeu dos
lombos de Davi, Ap 22.16.
5. Como homem, ele chora sobre o túmulo
de Lázaro. Como Deus, ele o ressuscita dos mortos, Jo 11.35, 43, 44.
6. Como homem, ele mesmo sofre e morre,
Mc 14.34, 35; 15.34, 37. Mas como Deus, ele é capaz de ressuscitar seu próprio
corpo da sepultura. Jo 10.18.
Agora, ou as Escrituras não estão de
conformidade consigo mesmas, ou Jesus Cristo é tanto Deus quanto homem; mas as
Escrituras estão de conformidade consigo mesmas, portanto ele é tanto Deus
quanto homem.
As escrituras que dizem que ele é homem
são verdadeiras, e as que dizem que ele é Deus também são verdadeiras, já que
há ainda outras escrituras que mostram que ele é tanto Deus quanto homem.
Não há mais propriedade em negar a
divindade de Cristo pelo fato de haver muitos textos que falam de sua
humanidade, do que há em negar sua humanidade pelo fato de haver muitos textos
que falam de sua divindade.
Como essas duas naturezas estão unidas
nele, obviamente ele fala de si mesmos de duas maneiras. Até isto possui
analogia conosco, por exemplo:
Quando dizemos, estou doente, falamos
de nosso corpo, e quando dizemos, estou feliz, falamos de nossa alma, etc.
O que pensaria de alguém que tomasse
metade de suas palavras e não se importasse com as demais, e assim tentasse
provar que você não fosse tanto mortal como imortal? É justamente neste erro
que os homens caem a respeito de Jesus Cristo.
PERGUNTAS
- Como o caráter de Jesus Cristo é
apresentado nas Escrituras?
- Que proposição a primeira classe
sustenta?
- Quais são os textos?
- O que eles provam?
- O que a segunda classe sustenta?
- Quais textos falam dele como Deus?
Sua eternidade? Outros atributos, etc.? De seus atos? Honras?
- Que proposição a terceira classe
sustenta?
- Repita a primeira classe de textos. A
segunda. Terceira. Quarta. Quinta. Sexta.
- Qual é a conclusão?
- Sua humanidade não pode ser negada
com igual propriedade?
- Por que Cristo fala de si mesmo de
duas maneiras? Há alguma analogia para isto?
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