F.
B. Meyer
Gozo
abundante é a característica primeira de nossa vida cristã – gozo inefável e
glorioso. Se a sua vida está com falta de gozo, a causa deve ser algum pecado.
Procura, pois, a razão pela qual sua harpa está dependurada no salgueiro e o
gozo desapareceu da sua vida. O Senhor Jesus disse: tenho-vos dito estas
coisas para que o meu gozo permaneça em vós e o vosso gozo seja completo. Jo
15.11. Se o seu gozo não é completo, você não entrou ainda no coração da
mensagem do Senhor sobre a videira e as varas.
Paulo
disse: O fruto do Espírito é gozo. Gl 5.22. Ora, fruto é uma coisa
natural; não há esforço em produzir fruto. Se o galho está devidamente ligado
ao tronco, ele dá fruto; e se você estiver devidamente ligado ao Senhor, gozo
será para você tão natural como o canto das aves canoras.
É a
vida cristã, para você, uma coisa sombria e severa? Não há nela espontaneidade
e largueza? Se assim é, há alguma coisa errada na sua vida interior, que está
sufocando a fonte de gozo.
Há
alguns anos, um amigo meu visitou as ruínas do Fórum Romano. Enquanto ali
estava, presenciou uma limpeza que se fazia no local, e eis que, em dado
momento, quando se removiam entulhos e lixos, saltaram repentinamente as águas
de uma fonte que ali estivera oculta por séculos. Pobre fonte! Anelante por
expressar-se e derramar suas águas à luz do sol, mas obstruída por aquelas
coisas que se haviam acumulado no correr dos anos!
Assim,
se você é de fato nova criatura em Cristo, há no seu coração uma fonte de gozo
que tem estado obstruída e sufocada.
Abre
a sua Bíblia em 2Cr 29.27, e lê: E ao tempo em que começou o holocausto,
começou também o canto do Senhor.
A
palavra começou indica que havia cessado. Se você examinar o capítulo
precedente verá que por dezesseis anos o canto do Senhor estivera ausente dos
lábios dos levitas, e não se fizera ouvir nos átrios do templo. Aqueles
recintos, nos quais, segundo a intenção de Davi, deveriam ressoar os louvores e
adoração a Deus, estavam silenciosos. Neste aspecto, eles fazem lembrar o seu
coração, pois o seu coração foi feito para música, e se esta cessou terá sido
provavelmente pela mesma razão.
A Causa do Silêncio
O
que acontecera durante aqueles dezesseis anos? Voltemo-nos para o capítulo
28.24, 25: E ajuntou Acaz os vasos da casa do Senhor, e fez em pedaços os
vasos da casa de Deus, e fechou as portas da casa do Senhor, e fez para si
altares em todos os cantos de Jerusalém. Também em cada cidade de Judá fez
altos para queimar incenso a outros deuses; assim provocou a ira do Senhor,
Deus de seus pais.
O
rei Acaz se enfadara da adoração a Deus. Apagou então as luzes da casa do
Senhor, fechou-lhe as portas, tomou-lhe as chaves, e dispersou os levitas. Nem
Acaz, nem os sacerdotes, nem os levitas frequentavam o lugar santo.
Então
veio uma mudança. Ezequias tornou-se rei, e no ano primeiro do seu reinado,
no mês primeiro, abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou. E trouxe os
sacerdotes, e os levitas, e os ajuntou na praça oriental, e lhes disse:
Ouvi-me, ó levitas, santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor, Deus de
vossos pais, e tirai do santuário a imundícia. Versículos 3 e 4.
Tirai
a imundícia, é isso que precisa ser feito. Este é
o apelo do apóstolo Paulo: Purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do
espírito. 2Co 7.1.
Os
sacerdotes e levitas reuniram-se ao chamado de Ezequias, e entraram dentro
da casa do Senhor, para purificar, e tiraram para fora toda imundícia que
acharam no templo do Senhor. v. 16.
E o
que se seguiu a isto? Fizeram uma oferta pelo pecado, e assim o pecado foi
purificado.
Apliquemos,
agora, estas verdades em nossas vidas. Estão vocês, regenerados, prontos a
reparar velhas questões? A deixar de lado certas coisas em seus próprios
negócios, que sabem não estarem perfeitamente de acordo com os mandamentos de
Cristo?
Se é
assim, apertem as mãos daquele irmão, escrevam aquela carta, paguem aquela
dívida, acabem com aquela fonte de irritação. Deixem que o amor de Deus seja
derramado em sua alma, e então o gozo virá.
Voltemo-nos
agora para o seu próprio coração. Há algum pecado secreto abrigado ali? Encara
sua verdadeira condição. Muitas vezes somos como alguém que receia estar com os
pulmões doentes, mas teme ser examinado pelo médico, não venha este, porventura,
revelar-lhe sua verdadeira condição. Nós não faremos progresso algum enquanto
não estivermos limpos. Você tem certeza de que nada há no seu coração que não
gostaria que Cristo lhe apontasse? Antes que possa ter o melhor que Deus tem
para você, precisa deixá-lo sondar a sua alma e mostrá-lo qual é a coisa impura
que ali entrou anos atrás e tem sufocado desde então a sua vitalidade
espiritual.
Começou
o canto. Ezequias tinha preparado o altar. De um lado estavam os sacerdotes com
todo o holocausto – que significava a inteira consagração de Cristo a Deus na
sua morte, como também a inteira consagração dos crentes a Cristo em vida. Do
outro lado estavam: o coro dos levitas, em vestiduras brancas, e outros levitas
com címbalos, saltérios e harpas. A um determinado sinal, o holocausto foi
depositado no altar. Eu não sei se Deus enviou fogo do céu, ou se foi trazido
fogo sagrado que de nenhuma maneira tivesse sido conservado a arder por todos
aqueles anos. Mas quando o fogo começou, as vozes dos coristas irromperam em
cântico e novamente fez-se ouvir a música dos instrumentos. Quando começou o
holocausto, o canto começou.
Portanto,
rogo-vos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; e transformai-vos pela renovação do
vosso entendimento, para que saibais qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus.
Quanto
eu lutei contra a vontade de Deus! Achava que ela era dura, inexorável,
terrível; mas quando um homem se entrega a ela, descobre que é boa, agradável e
perfeita. A coisa que você odeia torna-se o seu gozo. E ao olhar para a face de
Cristo e dizer: “Rabboni – Mestre”, brotará na tua alma o gozo da manhã da
ressurreição. O Senhor o ajude a tirar para fora toda a imundícia e a se
entregar a ele. E então, quer você tenha voz para cantar ou não, o canto do
Senhor começará na sua alma!
Fonte:
Revista Reavivamento, maio de 1956
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