Craig S. Keener
Everett e Esther Cook eram plantadores de igrejas pentecostais,
aposentados, do oeste dos Estados Unidos. Eu os encontrei quando estavam à
frente do Springfield Victory Mission, em Missouri, utilizando a renda da
aposentadoria da Brother Cook. Everett e Esther Cook mentorearam alguns alunos
do Central Bible College, inclusive eu. Eu ajudava na missão, colocando em
prática o que estava aprendendo com a Bíblia e com o livro de Ronald Sider
intitulado Rich Christians in Age of Hunger (Cristãos Ricos em Tempos de Fome).
O ministério dedicado aos pobres tem sido sempre uma ênfase
pentecostal importante – a começar no Dia de Pentecostes. Depois do primeiro
derramar do Espírito de Deus e da pregação pentecostal de Pedro, os cristãos
passaram a viver sob a outorga de poder pelo Espírito (At 2.41-47). Isso
incluía não somente sinais e maravilhas, oração corporativa e devoção ao ensino
dos apóstolos, mas um estilo de vida radicalmente novo de servir e
compartilhar. Porque aqueles cristãos amavam seus irmãos cristãos mais do que
amavam suas posses, estavam predispostos a dividi-las para atender a
necessidade de outros (At 2.44). Sempre que alguém se encontrava em necessidade,
aqueles que possuíam mais que o suficiente para viver vendiam o que tinham a
mais para atender à necessidade de outros (2.45). Quando lemos a respeito de koinonia
(comunhão) em Atos 2.42, às vezes pensamos somente em bater um papo depois de
um culto (agradável como é), porém, os “irmãos” cristãos iam além do mero
bate-papo para se envolverem profundamente na vida e na necessidade uns dos
outros. O termo grego koinonia aparece em documentos comerciais antigos
para parceiros econômicos e acionistas e, às vezes, carrega este significado no
Novo Testamento também (2Co 8.4; 9.13). Paulo comumente utilizava o verbo com
este significado (Rm 12.13; 15.27; Gl 6.6, Fp 4.15).
Depois de a igreja orar, ao enfrentar perseguição, para que lhes
concedesse coragem através de sinais e maravilhas, Deus derramou Seu Espírito
mais uma vez. Um dos resultados deste derramamento foi os cristãos novamente
cuidarem dos necessitados entre eles (4.31-37). Este padrão de cuidado com os
pobres prosseguiu no Livro de Atos (por exemplo, 9.36-39), finalmente
atravessando fronteiras culturais para servir outros grupos de necessitados
cristãos na mesma cidade (6.1-6) e em fronteiras geográficas para servir
igrejas necessitadas em outras localidades (11.29-30; 24.17). Esse ministério
prosseguiu além da conclusão do Livro de Atos e além da preocupação com os
irmãos cristãos (exemplo: Tg 5.4-5, Am 2.1), embora necessariamente tivesse que
começar lá. Em meados do século II, os pagãos ricos começaram a instigar os
cristãos a não cuidarem somente de seus próprios pobres, mas também os do mundo
pagão. Enquanto os pagãos ricos reclamavam, a Igreja estava convertendo a
maioria empobrecida de seus impérios.
Onde os primeiros cristãos aprenderam a servir uns aos outros
dessa maneira? O Espírito deu-lhes o poder para sacrificar em prol do Reino. O
aspecto mais proeminente de Seu fruto em nossas vidas é o amor (Gl 5.22). Mas o
ensino e o exemplo de Jesus mostravam-lhes como o amor pode ser concretamente
expresso e o Evangelho Segundo Lucas apresenta este ensino com riqueza de
detalhes. Porque Lucas escreveu para que fossem lidos juntos o Evangelho
Segundo Lucas e o Livro de Atos, conseguimos entender melhor o estilo de vida
radical de serviço compassivo da primeira igreja pentecostal, e o que as nossas
igrejas deveriam ser, examinando-se o ensino do Evangelho que a conduzia a
isso.
A MISSÃO DE JESUS PARA O POBRE
Os escritores antigos, assim como os modernos, normalmente
pautavam logo no início sua tese central e sintetizavam os pontos centrais em
seus trabalhos. Muitos eruditos consideram Lucas 4.18-27 como o sermão
programático do Evangelho Segundo Lucas, da mesma forma que Atos 1.8 e 2.17-21
expõe os temas a serem tratados no Livro de Atos. Os temas desta passagem
(Jesus sendo ungido pelo Espírito, At 4.27; 10.38) são apresentados mais tarde
em Lucas-Atos. A menção a Jesus pelo ministério de profetas anteriores para uma
viúva estrangeira e um leproso prefigura não somente Seu próprio ministério a
viúvas e leprosos no Evangelho (por exemplo, Lc 5.12-13; 7.12), mas também o
ministério da Igreja para gentios no Livro de Atos. Jesus cumpriu a promessa de
Isaías de que Ele pregaria as boas-novas aos pobres (Lc 6.20-25) e, mais tarde,
disse a João que os sinais do Reino incluem os pobres ouvindo as boas novas (Lc
7.22).
Como a missão de Jesus no Evangelho Segundo Lucas nos afeta?
Porque o batismo de Jesus no Espírito e a missão no Evangelho Segundo Lucas
prefiguram a experiência e o ministério da Igreja em Atos, Seu modelo e missão
permanecem válidos para Seus seguidores. Embora o enfoque no segundo volume de
Lucas seja especialmente o evangelismo transcultural com outorga do Espírito
(missões, At 1.8), o ministério aos pobres que sucedeu os derramamentos do
Espírito demonstram que esta ênfase no Evangelho permanece válida para a igreja
de hoje também (At 2.44, 45; 4.32-34). Nós somos chamados primeiramente para
evangelizar o mundo; mas somos chamados também para cuidarmos do mundo que
estamos evangelizando.
Jesus anunciou Sua missão baseado em um texto das Escrituras
extraído de Isaías (Is 61.1-2 em Lc 4.18, 19). Seus ouvintes, conhecedores
também do Livro de Isaías, estariam portanto familiarizados com a ênfase do
profeta em cuidar dos pobres e estabelecer justiça na sociedade. Se Israel
negligenciasse estas questões, seus rituais religiosos não impressionariam a
Deus de forma alguma e Ele não consideraria suas orações (Is 1.11-17; 58.5-7).
Isaías denunciou aqueles que estavam oprimindo o pobre (por exemplo, Is 10.2),
preocupados somente com acumular mais para si (Is 5.8); exortou os líderes da
sociedade, que deveriam ter estabelecido justiça com maior responsabilidade (Is
3.14, 15). Outros profetas também vindicavam justiça, inclusive Amós, um dos
contemporâneos de Isaías (por exemplo, Am 2.6, 7). Tanto quanto Isaías, Amós
arrazoava que os sacrifícios e a religião exterior são vãos, a menos que
trabalhemos para transformar a sociedade moralmente, estabelecendo justiça para
aqueles que estão sendo maltratados (Am 5.21-24). Assim como o primeiro público
de Jesus, nós estamos familiarizados com outras passagens relevantes dos
profetas; por exemplo, defender os direitos dos necessitados é intrínseco ao
nosso relacionamento com Deus (Jr 22.16). Entre os pecados de Sodoma estava o
de ignorar o pobre (Ez 16.49); e mesmo um reino pagão poderia estender sua
longevidade ao demonstrar misericórdia para com os necessitados (Dn 4.27).
O público de Jesus na sinagoga estava também familiarizado com uma
passagem anterior na Lei, à qual o próprio Isaías pode ter feito alusão. A “liberdade
aos cativos” e o “ano do Senhor” de Isaías 61.1, 2 deveria ecoar
como ensino bíblico sobre o Ano do Jubileu (Lv 25). Porque a economia de Israel
antigamente era agrária, baseada na propriedade da terra, somente aqueles que
detinham terra poderiam ter a esperança de gerar seu próprio sustento. Quando
algumas pessoas no mundo antigo provavam-se incapazes de sustentar a si mesmas
ou eram vendidas como escravas para liquidar suas dívidas ou a porção de terra
do qual dependiam era vendida. Enquanto em Israel predominava o mesmo sistema,
Deus lhe reservava um plano especial. Uma vez em cada geração, todas as dívidas
eram baixadas. Significava que cada geração poderia recomeçar e todo mundo
partiria da mesma base para gerar seu sustento. A pobreza não se tornava um
ciclo entre as gerações que mantivesse uma classe inteira de pessoas reféns
permanentes de uma subclasse. Não vivemos de fato em uma sociedade agrária;
para muitas pessoas hoje a educação, o conhecimento de informática e outras
fontes são mais relevantes para se ganhar a vida do que a terra. Porém, os
princípios básicos de buscar justiça para o nosso próximo permanecem os mesmos.
Jesus mencionou este texto porque descrevia acuradamente a Sua
missão. Isaías falou sobre o ungido pelo Espírito para Sua missão e Jesus havia
acabado de experimentar esta unção. O Espírito desceu sobre Jesus em Seu
batismo (Lc 3.21, 22), conduziu-O ao deserto (4.1), onde foi provado, e O fez
retornar (4.14). Jesus também ministraria aos grupos apresentados por Isaías:
os pobres, os cativos (Lc 13.15, 16), o cego (7.21, 22; 18.35-43) e o oprimido
(incluindo outros grupos marginalizados). Destes grupos, o Evangelho Segundo
Lucas enfoca especialmente os pobres. A ênfase de Jesus no cuidado para com o
necessitado em Seu exemplo e ensino explica porque os primeiros cristãos depois
do Pentecostes sabiam como levar adiante sua missão.
ENSINOS SOBRE PARTILHAR RECURSOS NO EVANGELHO SEGUNDO LUCAS
João Batista, que preparou o caminho para Jesus, pregou o
arrependimento como o caminho para preparar para a vinda do Reino (Lc 3.3-8),
exatamente como Pedro pregaria no dia do Pentecostes (At 2.38). O que envolvia
este arrependimento, em termos práticos? Quando as multidões fizeram a João
esta mesma pergunta, ele respondeu que a pessoa que tivesse duas túnicas
deveria dar uma a quem não tivesse nenhuma (Lc 3.10, 11). Alguns campesinos que
ouviam João poderiam ter uma túnica somente, mas muitos poderiam ter duas.
Podemos imaginá-los sentindo-se desconfortáveis com este pedido de sacrifício.
Leitores modernos costumam interpretar a passagem como hipérbole
(isto é, uma afirmação retórica exagerada para reforçar um ponto). É, na
verdade, possível ler esta passagem como hipérbole, mas somente se mantivermos
em mente que o propósito da hipérbole seja o de comunicar graficamente um ponto
básico, não permitir que simplesmente releguemos o ponto, dizendo: “Esta
passagem é apenas uma hipérbole!”. O ponto de pregação de João é o que
precisamos para cuidar de outras pessoas mais do que cuidamos de nós mesmos; e,
se tivermos mais que o necessário, devemos estar prontos para compartilhar com
aqueles que têm menos do que precisam.
Em uma cultura onde as pessoas avançavam convidando amigos ou
outras pessoas honoráveis para banquetes, Jesus enfatizou convidar os pobres e
renegar os que não poderiam reembolsar seus anfitriões (Lc 14.13-21). Como
recursos compartilhados com os necessitados que ajuntaram tesouro no céu
(12.33-34), os convites para esta ceia procuravam uma recompensa mais elevada
que aquela disponível nesta terra. Convide aqueles que não podem recompensar
você, disse Jesus, e Deus lhe recompensará no julgamento (14.14). Quando enviou
seguidores para Sua primeira missão evangelística, Jesus instruiu-os a curar os
enfermos e também a viajarem com simplicidade, vivendo com a simplicidade dos
pobres em meio aos quais estariam ministrando (Lc 9.3; 10.4). (Aproximadamente
entre 70 e 90% dos galileus eram camponeses empobrecidos. Pescadores não eram
homens tecnicamente ricos, mas estavam em melhor situação que muitos outros
galileus). Era para focarem no serviço e não no status ou na
remuneração.
Embora mostrasse grande compaixão pelos necessitados e recebesse
de bom grado os pecadores confessos, Jesus era muito mais severo com as pessoas
que se davam por satisfeitas em termos sociais ou religiosos. Quando estou mais
satisfeito, fico com frequência mais complacente e preciso de palavras mais
firmes para dimensionar a minha atenção. Eu desconfio que muitas outras
pessoas, lá atrás e ainda hoje, ficam semelhantemente mais expostas a riscos
quando a vida torna-se confortável. Felizmente, Jesus não poupou palavras que
mexessem com a complacência de seus ouvintes. Ele falou sobre um tolo rico que
acumulava bens em lugar de cuidar da necessidade do próximo; ao invés de
ajuntar tesouro para si mesmo no céu, ele deixou para trás sua riqueza quando
foi para o inferno (Lc 12.16-21). Jesus não nos diz exatamente porque um outro
homem rico foi para o inferno (Lc 16.23), mas se fornece qualquer dica, esta se
trata de que o homem deixou Lázaro literalmente morrer de fome no beiral de sua
porta. Jesus dirigiu a parábola a alguns religiosos não salvos que “amavam o
dinheiro” (16.14). Que alguém muito pobre morra de fome em nossa porta não
necessariamente livra-nos de embaraços. Nossa sociedade é tão sofisticada que
permite os mortalmente pobres perto de nossas portas, porém, se conhecermos
tais necessidades, permanecemos responsáveis.
Os conselhos de Jesus para cuidarmos dos pobres não implicam que
sejamos justificados por obras; a Bíblia é clara ao dizer que somos
justificados pela fé somente. Mas conhecemos muitos crentes nominais, pessoas
que se denominam cristãs ainda que nunca o demonstrem pelo seu modo de viver.
Para todos os escritores do Novo Testamento, a genuína fé salvadora, como a
genuína compaixão cristã, deve ser expressa de maneiras concretas. Tiago alerta
que a fé não acompanhada por ação concreta não é a genuína fé salvadora (Tg
2.14). Ele ilustra esta verdade ao perguntar: “Se um irmão ou uma irmã não
tiver roupa para vestir nem comida para comer e um de vocês disser: ‘Que você
fique bem, que você seja aquecido com roupas e que seja satisfeito com comida’,
mas não fornece nenhuma assistência prática, que ajuda concreta deu? Assim
também a fé sem obras para a demonstrar é morta”. (Tg 2.15-17, paráfrase
minha).
A pregação de Jesus tampouco significa que Ele fosse contrário ao
rico. Não se trata de o quanto de dinheiro se pudesse ter, mas do que fazer com
o que se tinha. Jesus despendia tempo considerável ministrando a coletores de
impostos. Embora social e moralmente marginalizados, esses coletores não eram
em geral marginalizados economicamente.
Eles sempre tomavam uma porção farta do que Roma ou Herodes
Antipas exigia dos pobres e eram, às vezes, brutais na arrecadação de fundos.
Algumas vezes ficaram conhecidos por bater em velhas senhoras para descobrir
onde estavam seus filhos, responsáveis pelo pagamento de impostos, que haviam
fugido. Sua má reputação crescia de tal forma que algumas vilas no Egito,
deixando de pagar os próprios impostos, abandonavam suas casas e começavam
novas vilas em quaisquer outros lugares ao ouvirem que os coletores de impostos
estavam chegando. Os coletores de impostos estavam entre as pessoas ricas que
oprimiam os camponeses galileus a quem Jesus também ministrava, porém Jesus
estendeu o braço para os coletores também.
Jesus disse que uma pessoa rica passar para o Reino era como um
camelo passar pelo buraco de uma agulha. (Apesar de os melhores esforços de
alguns escritores modernos para contornar isto, o buraco de uma agulha
significava a mesma coisa que significa hoje: o proposto portão de Jerusalém “buraco
da agulha” não estava construído até a Idade Média). Jesus provavelmente
estava recorrendo a uma hipérbole, entretanto, porque alguns ricos não O haviam
seguido. Zaqueu, um rico coletor de impostos, deu metade de seus bens aos
pobres e ofereceu-se para restituir quatro vezes mais a quem havia ludibriado
(o que possivelmente diminuiu uma porção considerável da outra metade; Lc
19.8). O rico José de Arimateia foi além do compromisso dos discípulos mais
imediatos de Jesus perguntando diretamente a Pilatos sobre o corpo de Jesus.
Identificar-se publicamente com alguém crucificado acusado de traição (clamando
ser “Rei dos Judeus”) era arriscar a vida, mesmo que pertencesse à
aristocracia.
AS EXIGÊNCIAS DE JESUS PARA TODOS OS DISCÍPULOS
Tampouco deveríamos supor que Jesus faz exigências somente para os
ricos. Normalmente nós temos nossas maneiras de ler as exigências de Jesus lá
atrás sem pensar que tenham qualquer coisa a dizer-nos. Assim como pontuou
Dietrich Bonhoeffer, quando Jesus ordenava a um legislador rico que desse todos
os seus bens aos pobres (Lc 18.22), normalmente despendemos mais tempo
explicando que Jesus estava dirigindo-se somente a aquele legislador do que nos
perguntando que implicações o versículo poderia ter para nós. Bonhoeffer era um
teólogo alemão que morreu por sua campanha contra Hitler. Ele leu a Bíblia com
a mesma coragem que viveu, reclamando que muito frequentemente os teólogos
ajudam a contornar os ensinos de Jesus ao invés de ajudarem a obedecê-los.
Contrário ao que normalmente assumimos, Jesus falou não somente
àquele jovem rico, mas a todos os Seus discípulos, para que vendessem seus bens
e ajuntassem tesouros no céu (Lc 12.33). Jesus não achava, como alguns têm
alegado, que o dinheiro era mau; antes, o dinheiro simplesmente não tinha valor
comparado aos investimentos eternos que podemos fazer na vida de outras pessoas
(Lc 16.9-13). Ele prometeu que Deus suprirá nossas necessidades se buscarmos o
Seu reino (12.22-32) e convidou a nos prepararmos para o Reino investindo
parcialmente nossos recursos naquilo que realmente importa (12.33-40).
Charles Finney, um evangelista do século XIX que levou talvez um
milhão de pessoas a Cristo, pregou sobre Lucas 14.33 em uma rica igreja de
Boston. Nesta passagem, explicando o custo do Reino, Jesus alertou que ninguém
pode ser Seu discípulo aquele que não renunciar às suas posses (14.33). O
pastor, Lymam Beecher, encerrou o sermão de Finney assegurando à congregação
que Deus jamais lhes pediria que desistissem de suas posses; eles simplesmente
precisavam estar “desejosos” de fazê-lo. Finney disse que Deus pode exigir de
nós o que quiser; nós não perdemos todos os nossos bens no momento da
conversão, mas perdemos a propriedade sobre eles. Finney entendia que se Cristo
for verdadeiramente Senhor de nossa vida, Ele é também Senhor de tudo o que
temos.
Assim como pescadores e primeiros discípulos de Jesus (Lc
5.10,11), muitos de nós no ministério deixamos para trás carreiras alternativas
potencialmente lucrativas para atender ao chamado de Deus; temos mostrado que
valorizamos o Reino acima dos tesouros da terra. Além disso, é mais confortável
até mesmo para nós olharmos a outra forma em vez de dolorosamente confrontar o
sofrimento além das esferas imediatas de ministério.
Segundo algumas estatísticas, 35.000 crianças morrem diariamente
de má nutrição e doenças passíveis de prevenção, mas esses números são
insensíveis e abstratos demais para que nos atenhamos emocionalmente. Para
colocar estas questões em uma perspectiva um pouco mais gráfica, nós ficamos
com razão exasperados no assassinato de 3.000 seres humanos nas Torres Gêmeas
na cidade de Nova York. Porém, 35.000 é mais que dez vezes o número de crianças
morrendo todos os dias. A distância não deveria diminuir a compaixão; Paulo
incitava a igreja em uma parte do mundo a cuidar da igreja em outras partes do
mundo (Rm 15.26; 2Co 8.13, 14).
As estatísticas não são tão tenebrosas em nosso próprio país, mas
para centenas de milhares de pessoas sem teto, incluindo adolescentes fugitivos
frequentemente forçados à prostituição, as implicações aqui não são menos
perturbadoras. Por mais úteis que as estatísticas sejam, a Palavra de Deus e
nosso engajamento com a genuína necessidade humana nos moverá mais que qualquer
soma de estatística consegue, porque Deus colocou o Seu amor em nossos
corações. As Escrituras lembram-nos que Cristo deu Sua vida por nós e perguntam
como podemos nos recusar a cuidar de nossos irmãos e irmãs em Cristo
necessitados (1Jo 3.16, 17). Nos anos iniciais na missão em Springfield,
Missouri, e nos anos mais recentes de ministério, vivendo em alojamento de
projetos normalmente pobre e infestado de drogas, deparei-me com rostos que eu
não poderia ignorar com a mesma facilidade que consigo alhear-me das
estatísticas.
Jesus chama para sacrificarmos nossas vidas pelo Seu Reino; parte
do que significa servir ao Seu Reino é encontrar a necessidade humana, porque
as pessoas são o que duram para sempre, se forem pessoas que já são nossos
irmãos e irmãs que Deus deseja que sejam (isto é, todo mundo; 1Tm 2.4; 2Pd
3.9). A partir de ministérios como o Teen Challenge to Calcutta’s Mission of Mercy
(Desafio Jovem para a Missão de Misericórdia de Calcutá), nossas obras de
compaixão também revelam Cristo em formas que chamam a atenção do mundo para o
nosso Mestre. Possa o Espírito outorgar-nos poder hoje, como no primeiro
Pentecostes, para revelar Seu coração ao mundo.
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