quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Definindo a Apologética e Demonstrando sua Conexão com a Cultura no Evangelismo e no Fortalecimento da Fé

 

Por Walson Sales

 

O que é Apologética? Do Grego ἀπολογία, (Apologia, defesa verbal, discurso em defesa). O termo tem uma conotação jurídica, pois na antiga Roma, o “promotor” da época fazia a “kategoria” (a categorização/tipificação da acusação) e o advogado responderia com uma “apologia” ou defesa (ver Atos 25). Portanto, uma Apologia é um argumento em apoio a fé cristã ou uma defesa contra acusações de imprecisão, irracionalidade, imoralidade, etc. De certa forma é como se a fé cristã estivesse sendo julgada publicamente (e está!) e a nossa missão é defendê-la das acusações falsas e trazer esclarecimentos. Talvez alguém possa achar isso desnecessário ou de menor importância, mas lembre-se que a maioria dos motivos que impedem as pessoas de se converterem a fé cristã são essas falsas categorizações do que é, de fato, o Cristianismo Bíblico e pior, a maioria dos motivos que levam as pessoas a se afastarem da fé são essas mesmas falsas acusações e a incapacidade de respondê-las. Essas dúvidas acumuladas e a incapacidade de respondê-las conduz a um estado de apatia espiritual, desânimo e a uma inclinação ao pecado (falta de comprometimento pessoal) e por fim a apostasia.

Um grande exemplo de Apologética na Bíblia se encontra em Atos 17, onde narra a chegada de Paulo em Atenas e o fato de Paulo pregar para um grupo seleto de pessoas no Areópago. O exemplo do capítulo 17 de Atos é bem interessante porque os atenienses ficavam discutindo diariamente e o dia todo, principalmente os filósofos epicureus[1] e estóicos,[2] sobre as novidades no mundo das ideias e das religiões. Isso mostra a necessidade do treinamento para estar pronto para falar do evangelho e defender a fé, pois aqui ou ali haverá pessoas ávidas por discutir assuntos diversos, inclusive com a principal intenção de criticar a fé cristã. O Areópago era algo similar às universidades, onde todos os tópicos, as ideias mais recentes deveriam ser apresentados e debatidos (se bem que as universidades hoje foram sequestradas pelo pensamento político de esquerda e é praticamente proibido ou desincentivado certos assuntos).

Então em Atenas, Paulo começou a se revoltar contra a idolatria dominante da cidade e começou a pregar sobre Jesus e os filósofos convidaram Paulo para falar sobre o assunto no principal centro de discussões dos doutores da época, o Areópago. Perceba que Paulo lança mão de outra estratégia para falar no Areópago, diferente daquela que ele usava para falar aos Judeus na Sinagoga. Contudo, Paulo utiliza o que ambos tem em comum. Com os Judeus, Paulo usa o Deus do Antigo testamento e as Escrituras Judaicas, algo bem conhecido dos Judeus. Então essa estratégia prendia a atenção dos Judeus, amantes das Escrituras e principal fonte de autoridade para eles na época. Mas quando Paulo discursa no areópago, Paulo não segue o mesmo caminho. Ao contrário, Paulo cita os filósofos Gregos para discursar diante deles (Leia com atenção Atos 17: 16-34 e a alusão ao Deus Desconhecido, a Criação e ao Juízo divino). Paulo resolve não citar as Escrituras diretamente porque aquelas pessoas não tinham a mesma apreciação e respeito pelas Escrituras Judaicas que os Judeus e o próprio Paulo tinha. Este modelo deve ser aplicado por nós hoje em nossa cultura estritamente anticristã. Em muitos momentos, quando estamos a evangelizar, não devemos simplesmente dizer que as pessoas devem fazer isso ou aquilo apenas porque a Bíblia ordena. Isso não funciona com pessoas que não tem nenhum apreço ao texto bíblico, o que funcionaria perfeitamente com alguém que tem respeito e temor ao texto bíblico. O exemplo de Paulo nos ensina a descobrir quem são as pessoas que não aceitam a autoridade da Bíblia e procurar qual será o ponto de contato para o evangelismo. Para os crentes que não tem essa sensibilidade, isso será um ponto de parada na conversa. Para os crentes que têm essa sensibilidade, conhecimento, e tiveram as emoções e o intelecto treinados, essa dificuldade será um ponto de partida na conversa.

As pessoas hoje não apenas querem conhecer o conteúdo da trama bíblica, muitos não crentes hoje já leram a Bíblia de capa a capa, elas querem saber o porquê elas devem seguir os ensinamentos da Bíblia. Elas querem um motivo válido, plausível para tal. Aqui nos deparamos com a diferença crucial entre saber que o Cristianismo é verdadeiro e demonstrar que o Cristianismo é verdadeiro. Então devemos estar preparados para dar a eles boas razões para demonstrar que o Cristianismo é verdadeiro e que tudo o que se opõem a ele é falso, utilizando a Bíblia, as profecias, a história, a razão, a boa consciência, o testemunho pessoal e as experiências pessoais. Então perceba que nossa cultura está mudando rapidamente de um ambiente amigável a fé cristã (somos um país majoritariamente cristão) para um ambiente extremamente hostil (tendo em vista a acomodação cristã em lutar a guerra cultural, os inimigos da fé cristã se infiltraram e dominaram todos os ambientes da cultura nas artes, na educação e na política). Apesar deles serem minoria gritante, eles estão na vangurda do domínio. A retração cristã a suas discussões intramuros deixou um vácuo na sociedade que foi ocupado única e exclusivamente pelos de opinião hostil à fé cristã de tal forma que criticar o aborto, a pedofilia, a erotização das crianças, a ideologia de gênero, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apenas para citar alguns, é considerado quase que “crime de opinião”. Algo não tipificado nas leis brasileiras, ainda. Caso não entremos nessa luta urgentemente, muito em breve não poderemos mais pregar o conteúdo bíblico nos nossos púlpitos.

Então perceba a importância da apologética clássica, não aquela separada da Bíblia, mas aquela como uma ponte para a Bíblia (pois a Bíblia é inspirada, autoritativa e autossuficiente), algo como um ponto de contato inicial, um ponto em comum entre o pregador e seu interlocutor incrédulo. Então, porque precisamos de Apologética? Por pelo menos três motivos: 1. As demandas da religião estão mudando – é cada vez mais comum mais pessoas abandonarem a fé onde as dúvidas não são respondidas;[3] 2. O entendimento sobre a verdade está mudando – é cada vez mais comum as pessoas seguirem suas crenças baseadas em uma avaliação emocional ao invés de uma avaliação racional; 3. A natureza do ceticismo está mudando – cada vez mais céticos estão se tornando mais hostis as visões tradicionais de fé.[4] Um dos principais motivos dessa ira contra a fé cristã em nossos dias foi o ataque às Torres Gêmeas em 2001. Os muçulmanos destruíram as Torres e os ateus generalizaram tudo, e ao invés de responsabilizarem os Muçulmanos que planejaram os ataques, disseram algo do tipo, “Vocês conseguem ver o que uma pessoa religiosa pode fazer?”, e atacaram a fé cristã. Logo, a medida que o ceticismo cresce e se veste de uma nova roupagem agressiva, não podemos recuar para as nossas discussões intramuros, mas sair ao ataque no debate público. Se nossas igrejas ainda não despertaram para este fenômeno, oremos. Se nossas igrejas ainda não tem apologistas treinados para o debate público, oremos. Se nossas igrejas já despertaram para o debate público, então que se preparem no treinamento de apologistas. Em poucos anos podemos ter uma miríade de irmãos interessados e preparados para o debate público e comprometidos com o treinamentos de jovens e obreiros interessados. Então oremos. E qual o motivo desta preocupação no preparo de obreiros e jovens? Siga as pistas do fenômeno religioso atualmente nos EUA.

Um dado alarmante atualmente nos EUA, que deve ser um alerta para nós, Brasileiros, é o declínio do número de cristãos naquele país, o declínio da qualidade dos cristãos professos que frequentam os templos semanalmente e que leem a Bíblia com certa frequência. Então os crentes estão abandonando a fé, frequentando menos aos cultos e lendo menos a Bíblia. De acordo o Barna Institute, instituto de pesquisa nos Estados Unidos, atualmente, apenas um em cada quatro americanos é cristão praticante. Para ter uma visão ampla do papel do Cristianismo na Igreja Americana, bem como nos de fora dela, eles examinaram a maneira como os americanos se relacionam com o Cristianismo, usando três segmentos: Cristãos praticantes, Cristãos não praticantes e os não cristãos.

 

Cristãos praticantes se identificam como cristãos, concordam fortemente que a fé é muito importante em suas vidas e frequentaram a igreja no último mês.

Cristãos não praticantes são cristãos autoidentificados que não se qualificam como praticantes. Se tornaram cristãos nominais, ou seja, sem um compromisso claro de conversão ou com a doutrina.

Não-cristãos são adultos americanos que não se identificam como cristãos.

 

A primeira e talvez mais significativa mudança que iremos explorar é que os cristãos praticantes são agora um segmento muito menor de toda a população. Em 2000, 45% de todos os participantes da amostra se qualificaram como cristãos praticantes. Essa participação diminuiu consistentemente nos últimos 19 anos. Agora, apenas um em cada quatro americanos (25%) é cristão praticante. Em essência, a parcela de cristãos praticantes caiu quase pela metade desde 2000.

Para onde foram esses cristãos praticantes? Os dados indicam que essa fatia do seguimento foi dividida de forma uniforme. Metade deles se afastou do engajamento de fé consistente, essencialmente se tornando cristãos não praticantes (2000: 35% vs. 2020: 43%), enquanto a outra metade mudou para o segmento não cristão (2000: 20% vs. 2019: 30 %). Essa mudança também contribuiu para o crescimento do segmento ateu / agnóstico / sem religião, que quase dobrou de tamanho durante o mesmo período (2003: 11% vs. 2018: 21%).[5] Detalhe, esta pesquisa é de 2020.

Outro dado preocupante é que em outra pesquisa, as estatísticas do Barna Group sobre os jovens mostram que a porcentagem de adolescentes que são evangélicos - ou seja, aqueles que não apenas nasceram de novo, mas também acreditam na exatidão da Bíblia, tem responsabilidade pessoal de evangelizar, acreditam na salvação somente pela graça, e possuem visões bíblicas ortodoxas sobre Deus, Jesus e Satanás - caíram de 10% em 1995 para apenas 4% hoje (pesquisa de abril de 2002). Essa mudança radical e preocupante pode ser atribuída a um número crescente de adolescentes que aceitam o relativismo moral e a teologia pluralista como seu fundamento de fé. Esse declínio é paralelo a uma queda semelhante entre os adultos: 12% eram evangélicos em 1994, mas apenas 5% se enquadram nos critérios hoje.[6] Sem deixar de mencionar uma parcela significativa de jovens cristãos que abandonarão o Cristianismo após a universidade, alguns não abandonarão, mas nunca mais serão os mesmos depois de tantos ataques sistemáticos contra a fé. Alguns voltarão posteriormente, outros se perderão para sempre. O que devemos ter em mente é que o padrão de comportamento e ensino nas universidades hoje é hostil a fé e que a maioria dos professores universitários não colocam cosmovisões em debate, mas apresentam as visões de mundo contrárias ao Cristianismo e os jovens que estão lá, não foram preparados, em sua maioria, para esse ataque sistemático, contínuo e absurdamente desleal contra os jovens indefesos.

Por exemplo, a visão Darwinista é a única aceita nos círculos acadêmicos e quando os jovens se apresentam com dúvidas, a maioria dos líderes nas igrejas dão respostas superficiais ou simplesmente colocam as questões de lado, ignoram, sem perceber a dor e o tormento que uma dúvida pode fazer na mente de um jovem. Outro problema é que os professores universitários são 5 vezes mais propensos ao secularismo e ao ateísmo por causa do status de academicismo que essas visões de mundo proporcionam, e muitos jovens são jogados nas salas de aulas com esses professores sem ter nenhuma ideia de como se defender e aqui está o motivo da importância da apologética. se você ainda não consegue ver a importância da Apologética na igreja, principalmente com os obreiros e jovens, pense na coisa mais ou menos assim: um jovem convertido e comprometido com a causa, de oração, sempre presente nos cultos e no evangelismo, nas vigílias e na EBD, vai a universidade com toda a sua inocência e lá se depara com o Ateísmo, Gnosticismo, Agnosticismo, Marxismo, Marxismo Cultural, Darwinismo, Budismo, Teoria da Evolução, Crítica pesadas sobre Deus (principalmente o Deus da Bíblia), Evangelhos apócrifos, Cópias dos livros da Bíblia, Religiões Mundiais, Panteísmo, Hinduísmo, Pluralismo Religioso, Relativismo, O Problema do Mal, além do argumento da autoridade do professor, a “carteirada” que diz que tem doutorado na França, Alemanha ou Estados Unidos, e a zombaria dos colegas que se acham iluminados pelos professores e começam a menosprezar a fé desse jovem que chegou ali sem nenhuma defesa. Imaginou? Então você percebeu a importância do treinamento em apologética. Fico com a orientação do ex-ateu e maior apologista cristão do século 20:

 

Ser ignorante e inocente nestes dias - tornando-se incapaz de confrontar os inimigos em seu próprio território - seria como lançar ao chão nossas armas e trair nossos irmãos de pouca formação, que não possuem, abaixo de Deus, nenhuma defesa, exceto nós, contra os ataques intelectuais dos descrentes. A boa filosofia tem de existir, se não houvesse outra razão, porque a má filosofia precisa ser contestada (C. S. Lewis).

 

Então, ao lermos livros de ateus agressivos como Richard Dawkins e Christopher Hitchens, percebo que as igrejas e os pastores devem equipar melhor seus membros, educá-los mais e dar a eles a oportunidade de crescer nesta área. Evangelizar é a missão principal da igreja. Entretanto a demanda de nossos dias não recai apenas em um estilo de vida evangelístico para a igreja, mas um estilo de vida que esteja engajado em evangelizar e levar a sério suas dúvidas sinceras. Precisamos estar prontos para evangelizar e para aproveitar as oportunidades de conversas proveitosas para explicar o evangelho e não apenas isso, mas explicar também o motivo do porquê cremos nele.

Como o Cristianismo Bíblico está alicerçado sobre quatro fundamentos, a saber, Revelação (Geral, por meio das coisas criadas; Especial, por meio das Escrituras Divinamente Inspiradas, por meio da Encarnação do Verbo e por meio da nação de Israel na história), Razão (a mensagem deve ser inteligível), História (a mensagem profética da Bíblia ocorre na história e não em um local etéreo sem nenhuma conexão conosco) e Experiência (todos os que se entregaram a Jesus pela fé no Filho de Deus têm experiências marcantes com Deus para testemunhar). Por isso irei relatar um pequeno testemunho de diálogo com uma cética. Este será apenas o primeiro de outros relatos.[7]

 

Referências e notas:

 

[1] Epicureus eram seguidores de Epicuro, um filósofo grego, que foi mestre em Atenas desde o ano 307 a.C. Segundo o seu sistema, o grande fim da vida é uma vida de prazer. Admitia a existência de seres divinos, mas não acreditava que eles tivessem qualquer comunicação com os homens. Estes entes existiam num estado de perfeita pureza, tranquilidade e felicidade. Com respeito à vida do homem, ensinava Epicuro que uma vida tranquila, livre de males e rica de prazeres, é o principal bem da vida humana. Sustentava os seus sectários que o mundo não tinha sido formado por Deus, nem com qualquer desígnio, mas por um concurso fortuito de átomos. Negavam imortalidade da alma. A felicidade que eles procuravam era a obtida pelo gozo da vida. Segundo Epicuro, a vida do homem constava de prazer e dor, portanto era um verdadeiro filósofo aquele que podia encontrar a alegria da vida e diminuir as situações contrárias.

[2] Os estoicos formavam uma seita de filósofos gregos, discípulos de Zenon (229 a.C). As principais doutrinas dos estoicos eram: que Deus não procede de nenhuma causa; é incorruptível e eterno; é possuidor de infinita sabedoria e bondade; é causa e preservador de todas as coisas e qualidades; que a matéria nos seus primitivos elementos é, também, sem precedência e eterna. Acreditavam na existência da alma depois da morte, supunham que ela ia para as regiões celestes dos deuses, onde permaneceria até que todas as almas, tanto dos homens como as dos deuses, fossem absorvidas na divindade. Admitiam uma espécie de purgatório. Ensinavam que um homem sábio e virtuoso podia ser feliz no meio da tortura, e que todas as coisas externas eram para ele indiferentes. Se um homem estava satisfeito consigo mesmo, isso era suficiente.

[3] Eu mesmo testemunhei alguns jovens, colegas do curso de Filosofia, apostatarem da fé cristã e rumarem em direção ao ateísmo e ao agnosticismo. As explicações eram sempre as mesmas: o Cristianismo (supostamente) não responde a todas as questões. Percebi claramente que eles eram oriundos de ambientes em que a crítica e o pensamento racional não era incentivado. São jovens que são criados em um ambiente mais rígido, que admiram pastores, professores de EBD e quando se deparam com dúvidas excruciantes, correm para pedir socorro de tal líder e escutam simplesmente que eles não devem ligar pra isso ou que eles não devem se envolver em debates com os de fora, ou que eles devem apenas crer. São jovens que não tem o seu lado intelectual alimentado e que terminam sucumbindo às dúvidas não respondidas. O grande problema é que o Cristianismo bíblico tem sido escrutinado nos ambientes mais hostis nos últimos 300 anos e permanece de pé como uma visão de mundo pujante e rica intelectualmente. Outra coisa é que os grandes críticos da fé cristã são ateus que foram crentes até os 11, 12 anos de idade, pessoas que nunca se aprofundaram nas doutrinas basilares do Cristianismo e é realmente comum encontrar essas pessoas fazendo distorções grotescas da metafísica cristã, fazendo perguntas do tipo: “se Deus criou todas as coisas, então quem criou Deus?” Por incrível que pareça, são perguntas assim, rebuscadas de enfeites intelectuais, que fazem parte do panteão de questionamentos que fazem estremecer a fé de alguns.

[4] Na Revista Super Interessante, edição 242 de Agosto de 2007, o ateu Richard Dawkins disparou: “Meu grande sonho é a completa destruição de todas as religiões do mundo”. Essa é a evolução do ceticismo.

[5] Christianity in the United States has undergone dramatic change in the last few decades, https://www.barna.com/research/changing-state-of-the-church/

[6] Teens Change Their Tune Regarding Self and Church, https://www.barna.com/research/teens-change-their-tune-regarding-self-and-church/

[7] Algumas informações contidas neste artigo foram catalogadas dos cursos de Apologética ministrados por Robert Bowman, Ronald Nash e Douglas Groothuis.

 

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