quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

O Contexto Religioso Greco-Romano no Novo Testamento

 

A religião Greco-Romana era em muitos aspectos animista, com os deuses representando as forças naturais (por exemplo, Júpiter, os céus; Juno, as mulheres; Apollo, a música ou a juventude; Diana, os bosques e a caça). Ao mesmo tempo, era principalmente comunitária e corporativa, uma vez que os rituais dos cultos se destinavam a manter a sociedade unida. Ao contrário da religião em grande parte do Ocidente moderno, a ênfase não era na escolha individual, mas a participação em grupo nos ritos sagrados. A participação religiosa reunia a família, a polis, e a identidade nacional. Não havia separação entre Igreja e Estado; a religião permeava e unia todos os aspectos da vida. A religião era também um contrato entre a divindade e a pessoa, com obrigações de ambos os lados. O objetivo era influenciar os deuses a trabalhar em favor do povo. Em tudo procuravam a paz com os deuses, e sempre que os problemas apareciam, pensavam que a harmonia tinha sido de alguma forma quebrada.

O panteão Grego era numeroso e diversificado, com mitologia detalhada para apoiar o panteão dos deuses. Os deuses Romanos não eram tão complexos como as divindades Gregas; eles não tinham casamento ou descendência, nenhum conjunto de relações genealógicas, e nenhuma mitologia desenvolvida. Portanto, quando os Romanos conquistaram os Gregos, eles simplesmente se apoderaram dos deuses Gregos e identificaram os seus deuses diretamente com os deuses Gregos. No topo dos deuses estava um conselho supremo de doze: Júpiter/Zeus, Juno/Hera, Vesta/Hestia, Minerva/Atena, Ceres/Demeter, Diana/Artemis, Vénus/Afrodite, Marte/Ares, Mercúrio/Hermes, Netuno/Poseidon, Vulcano/Hefesto, e Apolo (em ambos). Depois vinham os demais deuses e heróis da terra. Os filósofos tinham há muito duvidado da existência dos deuses, mas ao mesmo tempo o sentido do dever cívico e familiar manteve vivas as lealdades religiosas.

Além disso, tanto as famílias como os ofícios teriam divindades patronas, pelos quais surgiram os cultos Romanos, onde grupos adorariam uma única divindade que depois se tornaria o seu patrono na vida cotidiana. Os Romanos estavam também abertos a novas divindades e novas ideias religiosas - por exemplo, o número dos que se tornaram "tementes a Deus" e abraçaram a religião Judaica. Também influentes eram o número crescente de "religiões de mistérios" (por exemplo, os cultos de Ísis, Demeter, Cibele, Mithra), que começaram nos tempos do Novo Testamento e se tornaram enormes no século III. Para estas religiões de mistério era central a visão de que o ciclo de crescimento na colheita representava o ciclo da vida, da morte e, especialmente, da vida após a morte. Ritos secretos de iniciação (= mistérios) permitiam aos adeptos erguerem-se as regiões celestiais e espirituais, unirem-se à divindade, e alcançar a imortalidade. Alguns estudiosos têm considerado o Cristianismo uma das religiões de mistérios, mas as diferenças são maiores do que as semelhanças.

 

Fonte:

Baker Illustrated Study Bible © 2018 by Baker Publishing Group

 

Tradução Walson Sales

 

A intenção ao traduzir este texto é: (1) Tornar a obra conhecida no Brasil; (2) Tornar o conteúdo conhecido no Brasil; (3) Tornar a temática conhecida no Brasil; (4) Despertar as editoras brasileiras a publicar a obra no país. Bons estudos e boa leitura.

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