segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Provas inegáveis da Importância dos Estudos Apologéticos

 

Por Walson Sales

 

O que é apologética? Para que serve? Devemos realmente investir tempo para estudar e aplicar a apologética? O que a Bíblia diz sobre a apologética? Quais são as objeções mais comuns contra a apologética?

Abordaremos neste curso as questões fundamentais sobre a defesa da fé cristã de forma mais genérica. Por exemplo, quais são as evidências a favor da existência de Deus? A Bíblia é confiável tanto histórica quanto cientificamente? Podemos apoiar as afirmações bíblicas na história sobre as afirmações do NT sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus? As afirmações sobre a divindade de Jesus são dignas de crédito? As afirmações do cristianismo bíblico estão realmente alicerçadas na revelação especial de Deus e na pessoa de Jesus Cristo? Estas são questões básicas que devem permear a mente de um defensor da fé cristã e deve estar contido em um conteúdo básico de um curso sobre apologética.

O apologista cristão deve ter uma biblioteca básica sobre o tema, mas o livro de cabeceira, o livro principal é a Bíblia. O segundo livro que indicaria é uma Bíblia de Estudo apologética. Indicaria a Bíblia Apologética de Estudo do ICP ou a Bíblia Defesa da Fé. A primeira foca mais nas questões nacionais, ou seja, o sectarismo no Brasil e a segunda tem um espectro mais amplo. Mas há um conjunto de livros que indicaria a um aspirante a apologista.

 

A Apologética como Ciência ou Disciplina

 

Muitas pessoas tem uma definição própria sobre apologética. Uma grande massa é contra por terem preconceitos sobre o tema ou não terem enxergado o conteúdo na Bíblia, ainda. Acho ser importante pensar a apologética sob dois ângulos. Uma dessas perspectivas é ver a apologética como uma ciência, ou seja, como uma disciplina do pensamento ou algo que se estuda. Sob este ângulo, a apologética seria o estudo sobre os fundamentos racionais ou justificação da fé cristã. O que significa dizer isso? Significa dizer que a apologética é uma disciplina que procura entender responder quais são os fundamentos para se dizer que o cristianismo é verdadeiro. Como sabemos que o cristianismo é verdadeiro? Como podemos mostrar as pessoas que o cristianismo é verdadeiro? Quais são as razões que temos para apoiar nossas afirmações (pregação/ensino) de que Jesus Cristo é realmente o filho de Deus que ressuscitou dos mortos? Este é o foco da apologética como disciplina do raciocínio conhecida como apologética. Neste sentido, muitos dirão que a apologética é um ramo da teologia, ou talvez um ramo introdutório da teologia. A questão é bem simples: qual a ligação do que labutamos na teologia com o que conhecemos como verdade? Teologia é o que Deus revelou na sua palavra ou o estudo do que podemos conhecer sobre Deus e sobre o relacionamento que o ser humano pode ter com Deus por meio de Jesus Cristo, como revelado na Bíblia tem, ou deveria ter, algum tipo de justificativa, racionalidade, fundamento, explicação do porquê legitimar essas informação como verdade. Então, podemos ver a apologética sob este ângulo, como um ramo da teologia, como uma introdução a base racional da teologia. Muitas pessoas veem a apologética dessa forma. Um exemplo clássico de alguém que entendia a apologética dessa forma era B.B. Warfield, o famoso erudito e teólogo calvinista do final do século 19 e início do século 20, oriundo da universidade de Princeton.

 

A Apologética como Arte ou Habilidade Prática

 

Outra maneira de ver a apologética é identificá-la como uma arte ou habilidade. A partir desta perspectiva, a apologética é algo prático, algo que se faz e especificamente é a prática de utilizar argumentos racionais por meio do discurso como um componente do evangelismo, ou seja, como um aspecto da arte de apresentar o evangelho para que as pessoas se decidam por seguir a Cristo. Dentro deste contexto, a apologética se apresenta como uma disciplina prática, algo que as pessoas aprendem a fazer e não aprendem apenas sobre, como se estudasse sobre uma abstração, mas como algo que as pessoas fazem. A maioria das pessoas pensam em apologética dessa forma hoje, principalmente os que se interessam sobre o tema, se consideram apologistas e fazem apologética. apesar de existirem conteúdos teoréticos na apologética, a aplicação é prática. A engenharia é um exemplo direto, pois existe a engenharia como aprendizado e como desenvolver a prática, ou seja, colocar em prática tudo o que foi aprendido e começar a construir as coisas. Meu foco é aplicar a apologética como uma arte, como algo que aprendemos na teoria e depois aprendemos a fazer na prática, ou seja, aprender a utilizar a razão, argumentos, a fim de sermos capazes de ajudar as pessoas a reconhecerem a verdade do que o cristianismo defende. Então vale pensar um pouco sobre o valor da apologética, pois algumas pessoas realmente duvidam do valor desta arte e questionam realmente se ela dá resultados reais. Dizem que a apologética ajuda apenas as pessoas que creem, mas que as pessoas que não creem, realmente não se dão por convencidas acerca do real valor da fé cristã. O primeiro e grande problema disso é que centenas de pessoas foram resgatadas das visões de mundo mais absurdas e contraditórias, por meio da apologética. Então, não há desculpas ao se tentar negar que a apologética possa, de fato, ajudas as pessoas a crer.

 

Resultados Práticos e Documentados da Atividade Apologética

 

A apologética realmente faz a diferença, pois ajuda as pessoas a reconhecerem a verdade dos argumentos apresentados. Contudo, muitas pessoas pensam que a apologética conduz necessariamente a fé cristã, do tipo, você dialoga e a pessoa se ajoelha chorando e se entregando a Jesus. Este não é necessariamente o caso. A apologética tem uma função e um efeito mais humilde do que esse. A função dela é mover e conduzir a pessoa da descrença a crença de forma paulatina, retirando as barreiras intelectuais, mas não de forma automática e necessária. Um exemplo disso ocorreu com o famoso ex ateu Antony Flew, considerado o maior ateu dos últimos cem anos que, após debater com inúmeros cristãos sobre assuntos diversos,[1] abandonou o ateísmo aos 81 anos e escreveu um livro chamado Um Ateu Garante. Deus Existe. As Provas Incontestáveis De Um Filósofo Que Não Acreditava Em Nada, onde ele narra sua trajetória relutante do ateísmo terrivelmente cético, materialista e naturalista ao Deísmo, a saber, uma afirmação positiva da existência de um Deus criador e planejador do universo que não se engaja com os seres humanos hoje na forma de realização de milagres. O que ocasionou essa mudança radical que chocou o mundo dos filósofos ateus foram os argumentos apologéticos com os quais ele foi confrontado ao longos desses anos. Veja como esse relato é animador:

 

No ano de 2004, o filósofo Anthony Flew, que até aquele momento fora talvez o ateu mais proeminente do mundo, anunciou que havia mudado de ideia. Embora não tivesse nenhuma intenção de aderir ao Cristianismo nem a qualquer outra religião monoteísta tradicional, revelou que havia sido levado, por meio de argumentos filosóficos, a concluir que, de fato, existe um Deus afinal de contas — especificamente, uma Causa Primeira do universo, tal como descrita por Aristóteles. Talvez o raciocínio aristotélico por trás da mudança de Flew surpreenda tanto quanto a própria conversão. Ao lado de Platão, seu professor, Aristóteles é quase universalmente considerado o maior filósofo que já existiu. As ideias de ambos são conhecidas e estudadas há mais de 2.300 anos. Flew, que tinha 81 anos na época da conversão, fora considerado, nos 50 anteriores, um dos filósofos mais respeitados e influentes do mundo. Seria natural pensar que, sem dúvida, não existia nenhum argumento a favor da existência de Deus que ainda não conhecesse. Contudo, no fim da carreira e em face do Ateísmo cuja defesa fizera sua reputação por meio século, Flew viu-se admitindo que o antigo pensador grego, a quem os medievais se referiam como simplesmente “O Filósofo”, estivera certo o tempo todo. “Como não era especialista em Aristóteles”, explicou Flew, “havia partes de sua filosofia que estava lendo pela primeira vez”[2]

 

Não há o que duvidar do testemunho contado em primeira pessoa que o Flew foi convencido acerca da existência de Deus por meio de argumentos filosóficos e científicos, pois no livro ele relata como ficou maravilhado com a maquinaria biológica dentro das células. Então ele ruma de uma condição de descrença total na existência de Deus à crença na existência de um criador, apesar de não ter reconhecido a visão cristã de mundo. O que está bem patente aqui é que o uso prático da apologética tem capacidade de mover as pessoas do lugar de inércia onde estão, presas em seus castelos fortificados, cheios de ideias errôneas preconcebidas e isso por meio dos argumentos, contudo não é o crivo final para a chegada a fé cristã, pois esta envolve um passo a mais de entrega e confiança e uma abertura ao Espírito Santo. Quem tem a palavra final de convencimento a fé é o Espírito. Cada pessoa exige uma quantia diferente de revelação, pois os seres humanos não são robôs, mas são seres conscientes com suas histórias e experiências próprias e com suas barreiras pessoais ao cristianismo, oriundas de uma percepção interna e particular, cheia de obstáculos que precisam ser encarados e removidos. Pois até mesmo quando compartilhamos o evangelho de forma coerente, em amor e convicção e em bom testemunho, nem todas as pessoas se entregam a mensagem. Nossa função é dialogar e evangelizar da melhor forma possível, mas é o Espírito quem atua nos corações. Lembre do que Paulo escreveu em I Coríntios 3, um prega, outro rega, mas o crescimento vem de Deus. Não devemos evangelizar esperando ver os resultados imediatos. Não devemos fazer apologética esperando ver os resultados imediatos também. Nossa missão é única e simplesmente apresentar o evangelho, responder com mansidão a razão da esperança que há em nós (I Pe 3.15), além de confrontar, com respeito e mansidão, os argumentos que são construídos e apresentados contra a fé cristã (II Coríntios 10: 4, 5).

 

A Apologética no Evangelismo e nos Debates

 

Uma coisa que devo enfatizar e repetir neste material: apesar da muita urgência de aprendermos e aplicarmos a apologética no evangelismo e na defesa da fé, devemos estar bem conscientes que a apologética não produz fé salvadora, pois a fé que salva não é produzida no fato de alguém concordar, de forma intelectual, racional, com a força de um argumento. A fé salvífica é uma resposta direta da pessoa a Deus por meio da ação do Espírito Santo. O Espírito Santo pode utilizar (e usa) os argumentos racionais para tal, mas é Ele quem age e sem a ação dEle a conversão, conhecida como Regeneração ou Novo Nascimento, não ocorre. Uma coisa é se dar por convencido intelectualmente sobre a veracidade e validade de um argumento e outra coisa é responder a voz interna do Espírito Santo, se arrepender e confiar em Jesus. A apologética pode desarmar a pessoa de seus preconceitos, de suas ideias preconcebidas contra o cristianismo, daquelas informações falsas, superficiais, espalhafatosas e mentirosas contra a fé e preparar a pessoa para receber o evangelho, para conceber a ideia de que a visão cristã de mundo é válida, verdadeira e atual. Depois de retiradas as barreiras, as portas estão abertas para a recepção do evangelho e para a conversão. Caso a pessoa não dê ouvidos a voz do Espírito, ela terá dificuldades de usar os mesmos argumentos desbancados e mostrados falsos de forma moral e honesta.

 

A Apologética Contribuindo para a Criação de um Clima de Valorização da Vida Intelectual

 

Outra coisa importante que a apologética pode fazer é algo que vai além de um encontro com um cético ou ateu para um diálogo. A apologética pode contribuir para que seja desenvolvido um clima de valorização da vida intelectual e cultural onde o cristianismo pode ser visto como uma opção válida intelectualmente. Quando a apologética é desenvolvida de forma correta por cristãos professos, ao evangelizar, ao responder questionamentos de forma clara e inteligente, ao escrever livros e artigos, ao gravar vídeos sobre diversos temas, demonstrando a força dos diversos argumentos em favor da fé cristã, mostrando que o argumento contrário não se sustenta, principalmente ao fazermos uso da inferência da melhor explicação (argumento abdutivo), deixa os críticos cientes de que o cristianismo não é uma religião obscurantista, ocultista, antiintelectual, boba ou estúpida, do tipo de pessoas que acreditam em Papai Noel ou na fada do Dente. A propaganda antiteísta e anticristã é essa, mas a resposta cristã mostra exatamente o contrário. O cristianismo é uma opção viva, racional e plausível diante dos fatos e dados que temos das coisas criadas e da escritura, etc. O cristianismo tem um panteão de intelectuais que fizeram parte da sua história e não foram personagens obscuros da história, mas pessoas que deram grandes contribuições intelectuais ao Ocidente e que fazem parte da cultura intelectual do Ocidente ainda hoje, principalmente nas universidades. Pessoas que realmente observaram e escrutinaram as evidências e concluíram que o cristianismo é a única opção viva válida hoje.

 

A Apologética Consolidando a Fé dos Crentes

 

Por fim, a apologética pode ser muito útil em solidificar a fé dos crentes, das pessoas já convertidas e regeneradas, crentes bíblicos, contra ataques intelectuais contra a fé. Não crentes questionam repentinamente os crentes com os argumentos mais diversos. Os não crentes não estão preocupados em apresentar os motivos da descrença deles como ônus da prova ou justificativa da descrença, mas a intenção deles é desmontar, destruir a fé dos crentes. Em alguns casos, não é a intenção do não crente destruir a fé dos crentes, mas parece ser o resultado prático da maioria dos cristãos não ter uma resposta para a maioria dos desafios apresentados por eles. Então a coisa acontece mais ou menos assim, os descrentes apresentam desafios aos crentes, sem nenhuma responsabilidade de se engajar em algum tipo de resposta a desafios a sua própria visão de mundo, e se acostumam com o fato de a maioria dos cristãos se esquivarem com respostas rasas ou desculpas do tipo “Deus é soberano”, e tal. Então a coisa já se transforma em um jogo engraçado para eles, de tentar desmerecer o crente e se passar por inteligente e racional. Isso ocorre até ele se deparar com um crente que teve as emoções treinadas e que mergulhou nos maiores questionamentos da vida humana para tentar entendê-los e respondê-los e que aprendeu a desafiar o interlocutor em sua própria visão de mundo. A partir daqui o não crente ficará um pouco receoso de lançar esses desafios e assim o debate fica equilibrado. Então, é muito importante que o cristão saiba defender as razões da sua fé, ou seja, os motivos que te levaram a crer e os motivos que te levam a permanecer na crença. Não apenas saber apresentar o conteúdo da sua fé, mas o porquê cremos. Porque ao termos clareza sobre esse tipo de informação, ao entendermos a importância de termos consciência desses argumentos, isso pode ser um excelente ponto de entrada para o evangelismo propriamente dito.

 

Mais Resultados Práticos da Apologética

 

Eu mesmo posso dar testemunho disso. Certo dia estava no trabalho e chegou um colega crente e disse que em outro setor que ficava em outro prédio a dois quilômetros de distância, havia um superior hierárquico que havia assumido o ateísmo publicamente e que, de posse de argumentos retirados da internet, andava desafiando os crentes sobre a fé cristã, acho que com a intenção abalar a fé dos cristãos. O colega me disse que ele era bem militante, apesar de respeitoso, não perdia uma oportunidade para debater e desafiar a fé. Os três argumentos que ele mais utilizava era “A Teoria do Big Bang”, “O Problema do Mal” e o pressuposto “Mau Testemunho dos Cristãos”. Fiquei ansioso por uma oportunidade de dialogar com ele, caso fosse possível. E para tal, há um versículo na Bíblia que apresenta a oração infalível, ou seja, se você pede a Deus uma coisa que ele quer, ele atende essa oração: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5:14). O colega conversou sobre outras coisas, se despediu e saiu. Dez minutos depois o colega volta correndo e diz que o ateu, o superior hierárquico, estava no nosso prédio. Disse e saiu. Cinco minutos depois o ateu adentrou a sala onde trabalhava. Saudou a todos, procurou resolver o que precisava e olhou para a minha mesa, onde haviam alguns livros de teologia, me cumprimentou muito respeitosamente e perguntou se eu era cristão. Respondi que sim e ele disse que haviam algumas coisas que o impediam de ser religioso e até mesmo de acreditar na simples crença da existência de Deus. Então eu disse que estava muito interessado em saber os motivos dele para tal, pois eu seguia a filosofia do Clube Socrático mencionado por C.S. Lewis e que eu seguiria as evidências até onde elas me conduzissem.

Ele então lançou o primeiro desafio e disse que a existência de Deus é incompatível com a presença do mal no mundo. Os ateus sempre utilizam o mal para tentar “provar” que Deus não existe. Ele utilizou o mesmíssimo e conhecido argumento do ateu Sam Harris contra a existência de Deus: "Se Deus existe, ou Ele não pode fazer nada para deter o mal e as calamidades ou Ele não se interessa. Portanto, ou Deus é impotente ou mau”. Como já conhecia o argumento, perguntei calmamente: esse seria um desafio realmente insuperável contra a existência de Deus? O senhor acha que esse argumento é realmente forte em favor do seu ateísmo? Ele disse que para ele era devastador. Então ataquei um ponto no argumento dele que ele próprio não conseguiu identificar e disse, “mas observe uma coisa”: se Deus existe, afinal, o Ateísmo é falso. Então, se Deus existe, mas é tão fraco para deter o mal, o Ateísmo é falso, pois ainda que ele não tivesse poder para deter o mal, mesmo assim ele existe e o ateísmo é falso. E, se Deus existe, mas não se interessa em deter o mal, o Ateísmo AINDA é falso, pois apesar da suposta falta de interesse de Deus em parar o mal, Deus ainda existe e o ateísmo ainda é falso! E arrematei: A questão é que Deus pode ter (e tem) boas razões para permitir o mal, mesmo se nós não soubermos quais são essas razões. Norman Geisler e Frank Turek ensinam sobre a Tática do Papa Léguas no livro Não tenho Fé Suficiente para Ser Ateu, e a imagem que me veio a cabeça foi o coiote pairando no ar, sem chão, antes de cair.

Ele ficou um pouco desnorteado e pulou para o argumento do Big Bang e disse que essa teoria havia desbancado a necessidade da Existência de Deus e de uma criação especial. Antes de ouvir seus motivos, perguntei se poderia dar os meus antes dele. Ele aceitou. Então eu disse que haviam algumas implicações que estavam conectadas à Teoria do Big Bang que favoreciam uma criação absoluta do nada, conforme o relato de Genesis 1:1 e que a história dessa teoria favoreceu muito a visão cristã de mundo, inclusive com muitos cientistas reconhecendo, em linhas gerais, os relatos bíblicos da criação especial. Por exemplo, a Teoria do Big Bang advoga um início absoluto da nossa realidade quadrimensional formada de Tempo, Espaço, Matéria e Energia e que antes desse evento impressionante chamado de Big Bang, não existia literalmente nada, nem tempo, espaço, matéria ou energia. Outras implicações estavam à espreita. Se o universo teve um início absoluto do nada, teriam que ser possíveis observar pelo menos três fenômenos, a expansão do universo, o universo teria que estar se expandindo desde o momento quando o universo surgiu; o brilho avermelhado, o Red Shift, a luz de quando o universo surgiu teria que ser detectada e observada no universo; e as estrelas teriam que ser rastreadas desde o ponto onde o universo surgiu até o ponto onde elas deveriam estar hoje.

Disse a ele que em 1927, William de Sitter, um astrônomo Holandês, observou o universo em expansão, durante um eclipse. Isso deixou Albert Einstein tão impressionado que ele foi pessoalmente ao Observatório do Monte Wilson com Edwin Hubble e observou, ele mesmo, as estrelas se afastando rapidamente umas das outras. Einstein ficou tão impressionado que ele disse a sua famosa frase: “Quero saber como Deus criou o universo”.

Em 1965, dois cientistas dos laboratórios Bell, ganharam o prêmio Nobel de Física por terem encontrado uma luz avermelhada que vinha de todos os lugares no universo. Eles pensaram que era algo provocado pelos dejetos dos pombos nas antenas, então limparam as antenas. Os pombos vieram novamente e sujaram as antenas e Robert Wilson comprou uma espingarda e matou os pombos. Eles tropeçaram na maior descoberta científica do século 20, o Red Shift, o brilho avermelhado de quando o universo surgiu. Perceba que mesmo no relato bíblico de Genesis 1, essa luz é mais antiga que o sol e é independente do sol. Quando eles foram receber o prêmio, o cientista Arno Penzias leu o Salmo 19: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anunciam as obras de suas mãos”.

Em 1989 a Nasa lançou um satélite de 200 milhões de dólares chamado COBE – Cosmic Backhround Explorer – Explorador de Fundo Cósmico, que deveria ser capaz de rastrear as estrelas desde onde elas estão hoje, de volta até o lugar de onde elas surgiram. Em 1992 as investigações do COBE foram anunciadas pelo chefe do projeto, o ateu George Smoot. Ele disse que agora era possível rastrear as estrelas até o lugar de onde o universo surgiu e que se você é religioso, é o mesmo que estar olhando para Deus, pois essas descobertas são marcas mecânicas da criação do universo e impressões digitais do criador.

Então olhei para ele e perguntei: onde é que essa teoria favoreceu o ateísmo? Ele ficou em silêncio me olhando e continuei: está provado que o universo não é eterno, que o universo teve um começo absoluto do nada, então para um ateu defender o ateísmo a partir dessa teoria, ele terá que defender que o universo foi criado do nada, por nada e para nada. Ora, Aristóteles disse, trezentos anos antes de Jesus nascer, que o nada era aquilo com o que as pedras sonham. Todos sabem que do nada, nada vem. E se ele estiver disposto a defender o ateísmo a partir dessa teoria, ele teria que crer (ter fé mesmo) que essa evolução aleatória com toda a sua complexidade irredutível foi tríplice: cósmica, biológica e química, sem um agente inteligente.

Nesse momento ele disse que tinha outras coisas para resolver e que precisava ir. Agradeceu pelo diálogo e foi embora. Alguns meses depois encontrei o colega que havia me insuflado sobre o nosso superior hierárquico e perguntei pelo nosso amigo em comum e o meu colega disse que ele estava mais quieto e menos militante.

Resumindo tudo. Acho que existe muita propaganda e militância contra nós, cristãos, entre os céticos e isso os encoraja a atacar nossa fé, somando-se ao fato de que muitos cristãos não estão interessados em sair da zona de conforto e entrar no diálogo sobre os tema e este é o lado trágico para nós.[3]

 

Referências e Notas:

 

[1] [1] Veja, por exemplo, o debate épico entre Antony Flew e William Lane Craig sobre a Existência de Deus, aqui: https://deusamouomundo.com/apologetica/deus-existe-debate-completo-craig-x-flew/

[1] [2] FESER, Edward. A Última Superstição: uma Refutação do Neoateísmo (Tradução Eduardo Levy). Belo Horizonte, MG: Edições Cristo Rei, 2017, p. 13.

[3] Algumas informações contidas neste artigo foram catalogadas dos cursos de Apologética ministrados por Robert Bowman, Ronald Nash e Douglas Groothuis.

 

 

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