Por Walson
Sales
O
que é apologética? Para que serve? Devemos realmente investir tempo para estudar
e aplicar a apologética? O que a Bíblia diz sobre a apologética? Quais são as
objeções mais comuns contra a apologética?
Abordaremos
neste curso as questões fundamentais sobre a defesa da fé cristã de forma mais
genérica. Por exemplo, quais são as evidências a favor da existência de Deus? A
Bíblia é confiável tanto histórica quanto cientificamente? Podemos apoiar as
afirmações bíblicas na história sobre as afirmações do NT sobre a vida, morte e
ressurreição de Jesus? As afirmações sobre a divindade de Jesus são dignas de
crédito? As afirmações do cristianismo bíblico estão realmente alicerçadas na
revelação especial de Deus e na pessoa de Jesus Cristo? Estas são questões
básicas que devem permear a mente de um defensor da fé cristã e deve estar
contido em um conteúdo básico de um curso sobre apologética.
O
apologista cristão deve ter uma biblioteca básica sobre o tema, mas o livro de
cabeceira, o livro principal é a Bíblia. O segundo livro que indicaria é uma
Bíblia de Estudo apologética. Indicaria a Bíblia Apologética de Estudo do ICP
ou a Bíblia Defesa da Fé. A primeira foca mais nas questões nacionais, ou seja,
o sectarismo no Brasil e a segunda tem um espectro mais amplo. Mas há um
conjunto de livros que indicaria a um aspirante a apologista.
A Apologética como Ciência ou Disciplina
Muitas
pessoas tem uma definição própria sobre apologética. Uma grande massa é contra
por terem preconceitos sobre o tema ou não terem enxergado o conteúdo na
Bíblia, ainda. Acho ser importante pensar a apologética sob dois ângulos. Uma
dessas perspectivas é ver a apologética como uma ciência, ou seja, como uma
disciplina do pensamento ou algo que se estuda. Sob este ângulo, a apologética
seria o estudo sobre os fundamentos racionais ou justificação da fé cristã. O
que significa dizer isso? Significa dizer que a apologética é uma disciplina que
procura entender responder quais são os fundamentos para se dizer que o
cristianismo é verdadeiro. Como sabemos que o cristianismo é verdadeiro? Como
podemos mostrar as pessoas que o cristianismo é verdadeiro? Quais são as razões
que temos para apoiar nossas afirmações (pregação/ensino) de que Jesus Cristo é
realmente o filho de Deus que ressuscitou dos mortos? Este é o foco da
apologética como disciplina do raciocínio conhecida como apologética. Neste
sentido, muitos dirão que a apologética é um ramo da teologia, ou talvez um
ramo introdutório da teologia. A questão é bem simples: qual a ligação do que
labutamos na teologia com o que conhecemos como verdade? Teologia é o que Deus
revelou na sua palavra ou o estudo do que podemos conhecer sobre Deus e sobre o
relacionamento que o ser humano pode ter com Deus por meio de Jesus Cristo,
como revelado na Bíblia tem, ou deveria ter, algum tipo de justificativa,
racionalidade, fundamento, explicação do porquê legitimar essas informação como
verdade. Então, podemos ver a apologética sob este ângulo, como um ramo da
teologia, como uma introdução a base racional da teologia. Muitas pessoas veem
a apologética dessa forma. Um exemplo clássico de alguém que entendia a
apologética dessa forma era B.B. Warfield, o famoso erudito e teólogo
calvinista do final do século 19 e início do século 20, oriundo da universidade
de Princeton.
A Apologética como Arte ou Habilidade
Prática
Outra
maneira de ver a apologética é identificá-la como uma arte ou habilidade. A
partir desta perspectiva, a apologética é algo prático, algo que se faz e
especificamente é a prática de utilizar argumentos racionais por meio do
discurso como um componente do evangelismo, ou seja, como um aspecto da arte de
apresentar o evangelho para que as pessoas se decidam por seguir a Cristo.
Dentro deste contexto, a apologética se apresenta como uma disciplina prática,
algo que as pessoas aprendem a fazer e não aprendem apenas sobre, como se
estudasse sobre uma abstração, mas como algo que as pessoas fazem. A maioria
das pessoas pensam em apologética dessa forma hoje, principalmente os que se
interessam sobre o tema, se consideram apologistas e fazem apologética. apesar
de existirem conteúdos teoréticos na apologética, a aplicação é prática. A
engenharia é um exemplo direto, pois existe a engenharia como aprendizado e
como desenvolver a prática, ou seja, colocar em prática tudo o que foi
aprendido e começar a construir as coisas. Meu foco é aplicar a apologética
como uma arte, como algo que aprendemos na teoria e depois aprendemos a fazer
na prática, ou seja, aprender a utilizar a razão, argumentos, a fim de sermos
capazes de ajudar as pessoas a reconhecerem a verdade do que o cristianismo
defende. Então vale pensar um pouco sobre o valor da apologética, pois algumas
pessoas realmente duvidam do valor desta arte e questionam realmente se ela dá
resultados reais. Dizem que a apologética ajuda apenas as pessoas que creem,
mas que as pessoas que não creem, realmente não se dão por convencidas acerca
do real valor da fé cristã. O primeiro e grande problema disso é que centenas
de pessoas foram resgatadas das visões de mundo mais absurdas e contraditórias,
por meio da apologética. Então, não há desculpas ao se tentar negar que a
apologética possa, de fato, ajudas as pessoas a crer.
Resultados Práticos e Documentados da
Atividade Apologética
A
apologética realmente faz a diferença, pois ajuda as pessoas a reconhecerem a
verdade dos argumentos apresentados. Contudo, muitas pessoas pensam que a
apologética conduz necessariamente a fé cristã, do tipo, você dialoga e a
pessoa se ajoelha chorando e se entregando a Jesus. Este não é necessariamente o
caso. A apologética tem uma função e um efeito mais humilde do que esse. A
função dela é mover e conduzir a pessoa da descrença a crença de forma
paulatina, retirando as barreiras intelectuais, mas não de forma automática e necessária.
Um exemplo disso ocorreu com o famoso ex ateu Antony Flew, considerado o maior
ateu dos últimos cem anos que, após debater com inúmeros cristãos sobre
assuntos diversos,[1] abandonou o ateísmo aos 81 anos e escreveu um livro
chamado Um Ateu Garante.
Deus Existe. As Provas Incontestáveis De Um Filósofo Que Não Acreditava Em Nada,
onde ele narra sua trajetória relutante
do ateísmo terrivelmente cético, materialista e naturalista ao Deísmo, a saber,
uma afirmação positiva da existência de um Deus criador e planejador do
universo que não se engaja com os seres humanos hoje na forma de realização de
milagres. O que ocasionou essa mudança radical que chocou o mundo dos filósofos
ateus foram os argumentos apologéticos com os quais ele foi confrontado ao
longos desses anos. Veja como esse relato é animador:
No ano de 2004, o filósofo
Anthony Flew, que até aquele momento fora talvez o ateu mais proeminente do
mundo, anunciou que havia mudado de ideia. Embora não tivesse nenhuma intenção
de aderir ao Cristianismo nem a qualquer outra religião monoteísta tradicional,
revelou que havia sido levado, por meio
de argumentos filosóficos, a concluir que, de fato, existe um Deus afinal
de contas — especificamente, uma Causa Primeira do universo, tal como descrita
por Aristóteles. Talvez o raciocínio aristotélico por trás da mudança de Flew
surpreenda tanto quanto a própria conversão. Ao lado de Platão, seu professor,
Aristóteles é quase universalmente considerado o maior filósofo que já existiu.
As ideias de ambos são conhecidas e estudadas há mais de 2.300 anos. Flew, que
tinha 81 anos na época da conversão, fora considerado, nos 50 anteriores, um
dos filósofos mais respeitados e influentes do mundo. Seria natural pensar que,
sem dúvida, não existia nenhum argumento a favor da existência de Deus que
ainda não conhecesse. Contudo, no fim da carreira e em face do Ateísmo cuja
defesa fizera sua reputação por meio século, Flew viu-se admitindo que o antigo
pensador grego, a quem os medievais se referiam como simplesmente “O Filósofo”,
estivera certo o tempo todo. “Como não era especialista em Aristóteles”,
explicou Flew, “havia partes de sua filosofia que estava lendo pela primeira
vez”[2]
Não
há o que duvidar do testemunho contado em primeira pessoa que o Flew foi
convencido acerca da existência de Deus por meio de argumentos filosóficos e científicos,
pois no livro ele relata como ficou maravilhado com a maquinaria biológica
dentro das células. Então ele ruma de uma condição de descrença total na
existência de Deus à crença na existência de um criador, apesar de não ter
reconhecido a visão cristã de mundo. O que está bem patente aqui é que o uso
prático da apologética tem capacidade de mover as pessoas do lugar de inércia
onde estão, presas em seus castelos fortificados, cheios de ideias errôneas
preconcebidas e isso por meio dos argumentos, contudo não é o crivo final para
a chegada a fé cristã, pois esta envolve um passo a mais de entrega e confiança
e uma abertura ao Espírito Santo. Quem tem a palavra final de convencimento a
fé é o Espírito. Cada pessoa exige uma quantia diferente de revelação, pois os
seres humanos não são robôs, mas são seres conscientes com suas histórias e
experiências próprias e com suas barreiras pessoais ao cristianismo, oriundas
de uma percepção interna e particular, cheia de obstáculos que precisam ser
encarados e removidos. Pois até mesmo quando compartilhamos o evangelho de
forma coerente, em amor e convicção e em bom testemunho, nem todas as pessoas
se entregam a mensagem. Nossa função é dialogar e evangelizar da melhor forma
possível, mas é o Espírito quem atua nos corações. Lembre do que Paulo escreveu
em I Coríntios 3, um prega, outro rega, mas o crescimento vem de Deus. Não
devemos evangelizar esperando ver os resultados imediatos. Não devemos fazer
apologética esperando ver os resultados imediatos também. Nossa missão é única
e simplesmente apresentar o evangelho, responder com mansidão a razão da
esperança que há em nós (I Pe 3.15), além de confrontar, com respeito e
mansidão, os argumentos que são construídos e apresentados contra a fé cristã
(II Coríntios 10: 4, 5).
A Apologética no Evangelismo e nos Debates
Uma
coisa que devo enfatizar e repetir neste material: apesar da muita urgência de
aprendermos e aplicarmos a apologética no evangelismo e na defesa da fé,
devemos estar bem conscientes que a apologética não produz fé salvadora, pois a
fé que salva não é produzida no fato de alguém concordar, de forma intelectual,
racional, com a força de um argumento. A fé salvífica é uma resposta direta da
pessoa a Deus por meio da ação do Espírito Santo. O Espírito Santo pode
utilizar (e usa) os argumentos racionais para tal, mas é Ele quem age e sem a
ação dEle a conversão, conhecida como Regeneração ou Novo Nascimento, não
ocorre. Uma coisa é se dar por convencido intelectualmente sobre a veracidade e
validade de um argumento e outra coisa é responder a voz interna do Espírito
Santo, se arrepender e confiar em Jesus. A apologética pode desarmar a pessoa
de seus preconceitos, de suas ideias preconcebidas contra o cristianismo,
daquelas informações falsas, superficiais, espalhafatosas e mentirosas contra a
fé e preparar a pessoa para receber o evangelho, para conceber a ideia de que a
visão cristã de mundo é válida, verdadeira e atual. Depois de retiradas as
barreiras, as portas estão abertas para a recepção do evangelho e para a
conversão. Caso a pessoa não dê ouvidos a voz do Espírito, ela terá
dificuldades de usar os mesmos argumentos desbancados e mostrados falsos de
forma moral e honesta.
A Apologética Contribuindo para a Criação
de um Clima de Valorização da Vida Intelectual
Outra
coisa importante que a apologética pode fazer é algo que vai além de um
encontro com um cético ou ateu para um diálogo. A apologética pode contribuir para
que seja desenvolvido um clima de valorização da vida intelectual e cultural
onde o cristianismo pode ser visto como uma opção válida intelectualmente. Quando
a apologética é desenvolvida de forma correta por cristãos professos, ao
evangelizar, ao responder questionamentos de forma clara e inteligente, ao
escrever livros e artigos, ao gravar vídeos sobre diversos temas, demonstrando
a força dos diversos argumentos em favor da fé cristã, mostrando que o
argumento contrário não se sustenta, principalmente ao fazermos uso da
inferência da melhor explicação (argumento abdutivo), deixa os críticos cientes
de que o cristianismo não é uma religião obscurantista, ocultista,
antiintelectual, boba ou estúpida, do tipo de pessoas que acreditam em Papai
Noel ou na fada do Dente. A propaganda antiteísta e anticristã é essa, mas a
resposta cristã mostra exatamente o contrário. O cristianismo é uma opção viva,
racional e plausível diante dos fatos e dados que temos das coisas criadas e da
escritura, etc. O cristianismo tem um panteão de intelectuais que fizeram parte
da sua história e não foram personagens obscuros da história, mas pessoas que
deram grandes contribuições intelectuais ao Ocidente e que fazem parte da
cultura intelectual do Ocidente ainda hoje, principalmente nas universidades. Pessoas
que realmente observaram e escrutinaram as evidências e concluíram que o
cristianismo é a única opção viva válida hoje.
A Apologética Consolidando a Fé dos
Crentes
Por
fim, a apologética pode ser muito útil em solidificar a fé dos crentes, das
pessoas já convertidas e regeneradas, crentes bíblicos, contra ataques
intelectuais contra a fé. Não crentes questionam repentinamente os crentes com os
argumentos mais diversos. Os não crentes não estão preocupados em apresentar os
motivos da descrença deles como ônus da prova ou justificativa da descrença,
mas a intenção deles é desmontar, destruir a fé dos crentes. Em alguns casos,
não é a intenção do não crente destruir a fé dos crentes, mas parece ser o
resultado prático da maioria dos cristãos não ter uma resposta para a maioria
dos desafios apresentados por eles. Então a coisa acontece mais ou menos assim,
os descrentes apresentam desafios aos crentes, sem nenhuma responsabilidade de
se engajar em algum tipo de resposta a desafios a sua própria visão de mundo, e
se acostumam com o fato de a maioria dos cristãos se esquivarem com respostas
rasas ou desculpas do tipo “Deus é soberano”, e tal. Então a coisa já se
transforma em um jogo engraçado para eles, de tentar desmerecer o crente e se
passar por inteligente e racional. Isso ocorre até ele se deparar com um crente
que teve as emoções treinadas e que mergulhou nos maiores questionamentos da
vida humana para tentar entendê-los e respondê-los e que aprendeu a desafiar o
interlocutor em sua própria visão de mundo. A partir daqui o não crente ficará
um pouco receoso de lançar esses desafios e assim o debate fica equilibrado.
Então, é muito importante que o cristão saiba defender as razões da sua fé, ou
seja, os motivos que te levaram a crer e os motivos que te levam a permanecer
na crença. Não apenas saber apresentar o conteúdo da sua fé, mas o porquê
cremos. Porque ao termos clareza sobre esse tipo de informação, ao entendermos
a importância de termos consciência desses argumentos, isso pode ser um
excelente ponto de entrada para o evangelismo propriamente dito.
Mais Resultados Práticos da Apologética
Eu
mesmo posso dar testemunho disso. Certo dia estava no trabalho e chegou um
colega crente e disse que em outro setor que ficava em outro prédio a dois
quilômetros de distância, havia um superior hierárquico que havia assumido o
ateísmo publicamente e que, de posse de argumentos retirados da internet,
andava desafiando os crentes sobre a fé cristã, acho que com a intenção abalar
a fé dos cristãos. O colega me disse que ele era bem militante, apesar de
respeitoso, não perdia uma oportunidade para debater e desafiar a fé. Os três
argumentos que ele mais utilizava era “A Teoria do Big Bang”, “O Problema do
Mal” e o pressuposto “Mau Testemunho dos Cristãos”. Fiquei ansioso por uma
oportunidade de dialogar com ele, caso fosse possível. E para tal, há um
versículo na Bíblia que apresenta a oração infalível, ou seja, se você pede a
Deus uma coisa que ele quer, ele atende essa oração: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos
alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5:14). O
colega conversou sobre outras coisas, se despediu e saiu. Dez minutos depois o
colega volta correndo e diz que o ateu, o superior hierárquico, estava no nosso
prédio. Disse e saiu. Cinco minutos depois o ateu adentrou a sala onde trabalhava.
Saudou a todos, procurou resolver o que precisava e olhou para a minha mesa,
onde haviam alguns livros de teologia, me cumprimentou muito respeitosamente e
perguntou se eu era cristão. Respondi que sim e ele disse que haviam algumas
coisas que o impediam de ser religioso e até mesmo de acreditar na simples
crença da existência de Deus. Então eu disse que estava muito interessado em
saber os motivos dele para tal, pois eu seguia a filosofia do Clube Socrático
mencionado por C.S. Lewis e que eu seguiria as evidências até onde elas me
conduzissem.
Ele
então lançou o primeiro desafio e disse que a existência de Deus é incompatível
com a presença do mal no mundo. Os ateus sempre utilizam o mal para tentar “provar”
que Deus não existe. Ele utilizou o mesmíssimo e conhecido argumento do ateu
Sam Harris contra a existência de Deus: "Se Deus existe, ou Ele não pode
fazer nada para deter o mal e as calamidades ou Ele não se interessa. Portanto,
ou Deus é impotente ou mau”. Como já conhecia o argumento, perguntei
calmamente: esse seria um desafio realmente insuperável contra a existência de
Deus? O senhor acha que esse argumento é realmente forte em favor do seu
ateísmo? Ele disse que para ele era devastador. Então ataquei um ponto no
argumento dele que ele próprio não conseguiu identificar e disse, “mas observe
uma coisa”: se Deus existe, afinal, o Ateísmo é falso. Então, se Deus existe,
mas é tão fraco para deter o mal, o Ateísmo é falso, pois ainda que ele não
tivesse poder para deter o mal, mesmo assim ele existe e o ateísmo é falso. E,
se Deus existe, mas não se interessa em deter o mal, o Ateísmo AINDA é falso,
pois apesar da suposta falta de interesse de Deus em parar o mal, Deus ainda
existe e o ateísmo ainda é falso! E arrematei: A questão é que Deus pode ter (e
tem) boas razões para permitir o mal, mesmo se nós não soubermos quais são
essas razões. Norman Geisler e Frank Turek ensinam sobre a Tática do Papa
Léguas no livro Não tenho Fé Suficiente
para Ser Ateu, e a imagem que me veio a cabeça foi o coiote pairando no ar,
sem chão, antes de cair.
Ele ficou
um pouco desnorteado e pulou para o argumento do Big Bang e disse que essa teoria havia desbancado a necessidade da
Existência de Deus e de uma criação especial. Antes de ouvir seus motivos,
perguntei se poderia dar os meus antes
dele. Ele aceitou. Então eu disse que haviam algumas implicações que estavam
conectadas à Teoria do Big Bang que favoreciam uma criação absoluta do nada,
conforme o relato de Genesis 1:1 e que a história dessa teoria favoreceu muito
a visão cristã de mundo, inclusive com muitos cientistas reconhecendo, em
linhas gerais, os relatos bíblicos da criação especial. Por exemplo, a Teoria
do Big Bang advoga um início absoluto da nossa realidade quadrimensional
formada de Tempo, Espaço, Matéria e Energia e que antes desse evento
impressionante chamado de Big Bang, não existia literalmente nada, nem tempo,
espaço, matéria ou energia. Outras implicações estavam à espreita. Se o
universo teve um início absoluto do nada, teriam que ser possíveis observar pelo
menos três fenômenos, a expansão do universo, o universo teria que estar se
expandindo desde o momento quando o universo surgiu; o brilho avermelhado, o
Red Shift, a luz de quando o universo surgiu teria que ser detectada e
observada no universo; e as estrelas teriam que ser rastreadas desde o ponto
onde o universo surgiu até o ponto onde elas deveriam estar hoje.
Disse a
ele que em 1927, William de Sitter, um astrônomo Holandês, observou o universo
em expansão, durante um eclipse. Isso deixou Albert Einstein tão impressionado
que ele foi pessoalmente ao Observatório do Monte Wilson com Edwin Hubble e
observou, ele mesmo, as estrelas se afastando rapidamente umas das outras.
Einstein ficou tão impressionado que ele disse a sua famosa frase: “Quero saber
como Deus criou o universo”.
Em 1965,
dois cientistas dos laboratórios Bell, ganharam o prêmio Nobel de Física por
terem encontrado uma luz avermelhada que vinha de todos os lugares no universo.
Eles pensaram que era algo provocado pelos dejetos dos pombos nas antenas,
então limparam as antenas. Os pombos vieram novamente e sujaram as antenas e
Robert Wilson comprou uma espingarda e matou os pombos. Eles tropeçaram na
maior descoberta científica do século 20, o Red Shift, o brilho avermelhado de
quando o universo surgiu. Perceba que mesmo no relato bíblico de Genesis 1,
essa luz é mais antiga que o sol e é independente do sol. Quando eles foram
receber o prêmio, o cientista Arno Penzias leu o Salmo 19: “Os céus proclamam a
glória de Deus e o firmamento anunciam as obras de suas mãos”.
Em 1989 a
Nasa lançou um satélite de 200 milhões de dólares chamado COBE – Cosmic
Backhround Explorer – Explorador de Fundo Cósmico, que deveria ser capaz de
rastrear as estrelas desde onde elas estão hoje, de volta até o lugar de onde
elas surgiram. Em 1992 as investigações do COBE foram anunciadas pelo chefe do
projeto, o ateu George Smoot. Ele disse que agora era possível rastrear as
estrelas até o lugar de onde o universo surgiu e que se você é religioso, é o
mesmo que estar olhando para Deus, pois essas descobertas são marcas mecânicas
da criação do universo e impressões digitais do criador.
Então
olhei para ele e perguntei: onde é que essa teoria favoreceu o ateísmo? Ele
ficou em silêncio me olhando e continuei: está provado que o universo não é
eterno, que o universo teve um começo absoluto do nada, então para um ateu
defender o ateísmo a partir dessa teoria, ele terá que defender que o universo
foi criado do nada, por nada e para nada. Ora, Aristóteles disse, trezentos
anos antes de Jesus nascer, que o nada era aquilo com o que as pedras sonham.
Todos sabem que do nada, nada vem. E se ele estiver disposto a defender o
ateísmo a partir dessa teoria, ele teria que crer (ter fé mesmo) que essa
evolução aleatória com toda a sua complexidade irredutível foi tríplice:
cósmica, biológica e química, sem um agente inteligente.
Nesse
momento ele disse que tinha outras coisas para resolver e que precisava ir.
Agradeceu pelo diálogo e foi embora. Alguns meses depois encontrei o colega que
havia me insuflado sobre o nosso superior hierárquico e perguntei pelo nosso
amigo em comum e o meu colega disse que ele estava mais quieto e menos
militante.
Resumindo
tudo. Acho que existe muita propaganda e militância contra nós, cristãos, entre
os céticos e isso os encoraja a atacar nossa fé, somando-se ao fato de que
muitos cristãos não estão interessados em sair da zona de conforto e entrar no
diálogo sobre os tema e este é o lado trágico para nós.[3]
Referências e Notas:
[1] [1] Veja, por exemplo,
o debate épico entre Antony Flew e William Lane Craig sobre a Existência de
Deus, aqui: https://deusamouomundo.com/apologetica/deus-existe-debate-completo-craig-x-flew/
[1] [2] FESER, Edward. A Última Superstição: uma Refutação do
Neoateísmo (Tradução Eduardo Levy). Belo Horizonte, MG: Edições Cristo Rei,
2017, p. 13.
[3] Algumas informações contidas neste artigo foram
catalogadas dos cursos de Apologética ministrados por Robert Bowman, Ronald
Nash e Douglas Groothuis.
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