Porque precisamos da Lógica e da Razão na Religião?
Veja o pensamento pluralista, ecumênico e universalista deste Rabino:
"Sou absolutamente contra qualquer religião que
diga que uma fé é superior a outra. Não vejo como isso seja diferente de
racismo espiritual. É uma forma de dizer que estamos mais próximos de Deus do
que os outros, e é isso que leva ao ódio". - Rabino Shmuley Boteach
O grande problema com a afirmação Pluralista acima é
que os sistemas de crenças religiosas fazem afirmações que se contradizem e
essas contradições não podem, necessariamente, serem verdadeiras, ao mesmo
tempo, no mesmo sentido e com a mesma intensidade. Pense, por exemplo, no fato
de que o Cristianismo bíblico afirme que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que o
Islã afirme que Deus não tem filho algum. Apenas uma afirmação pode ser
verdadeira e a outra deve, necessariamente, ser rejeitada como falsa. A questão
gira em torno da luta pela verdade. Então, devemos procurar saber uma coisa
muito importante dentro da investigação religiosa: Por quê as pessoas creem no
que creem? Existem três possibilidade e vertentes:
Impulso sociológico:
cultura, amigos, parentes, sociedade;
Impulso psicológico:
Conforto, esperança, identidade/significado, paz de espírito
Impulso religioso:
Igreja, Guru, Livro Sagrado, Pastor/Líder
Veja
o que disse o famoso Teólogo e Matemático francês: "As pessoas chegam
quase invariavelmente às suas crenças não com base em provas, mas com base no
que acham atraente" - Blaise Pascal. Me parece que o que Pascal está
destacando aqui é que as pessoas creem no que lhes atraem, principalmente no
lado emocional. Parece que ele também está dizendo que as pessoas evitam que
suas crenças sejam questionadas e não estão muito engajadas em conhecer e encarar
esses questionamentos. Ao articular sobre estes fenômenos de forma crítica e
negativa, Sigmund Freud faz uma suposição sobre a razão pela qual as pessoas acreditam
nas ideias religiosas:
-
As pessoas creem porque essas crenças eram aceitas por nossos antepassados
primordiais;
-
As pessoas creem porque possuímos provas transmitidas dos tempos primordiais
[antiguidade da crença];
-
As pessoas creem porque é proibido questionar a autenticação dessas crenças;
Apesar
de ser verdade que muitas pessoas tenham crenças religiosas baseadas nesses (e
em outros) motivos, estes pontos por si só, não desmerecem ou anulam o valor ou
a veracidade de uma crença religiosa. Muito menos colocariam todas as crenças
sob o mesmo patamar de verdade. Mas Freud vai além e tem a intenção mesmo de
desmerecer toda e qualquer crença religiosa com os seguintes termos:
-
"[Crenças religiosas] São ilusões, realização dos desejos mais antigos,
mais fortes, e mais urgentes da humanidade. Chamamos à crença uma ilusão quando
a realização de um desejo é um fator proeminente na sua motivação, e ao fazê-lo
ignoramos a sua relação com a realidade, tal como a própria ilusão não dá
importância à verificação" - Sigmund Freud
Existem alguns problemas nessas definições
preconceituosas de Freud e a primeira é a de que a crença é, supostamente, a
realização de um desejo. O grande problema é que a maioria das pessoas não
creem no que creem para alcançar a realização de um desejo. Muitas pessoas que são
adeptos da fé Cristã, chegaram a este ponto por iluminação do Espírito Santo,
seja por meio de uma pregação da Palavra inspirada de Deus (Isaías 43:9; João
16:8-10), por meio de uma experiência pessoal (Atos 9:1-6; 16: 25-32), ou até
mesmo por meio do convencimento bíblico e racional acerca das coisas de Deus (I
Pedro 3: 15; 2 Coríntios 10: 4, 5). Contudo, outro fato importante é que, ainda
mesmo que uma crença religiosa esteja baseada em um desejo (por exemplo, de ir
morar no céu) ou até mesmo de um medo (ser condenado ao inferno), isso, por si,
não desmerece ou invalida a crença. O que pode realmente invalidar a crença é
uma incoerência ou contradição interna.
O segundo problema com a afirmação Freudiana é
quando ele afirma que uma crença não tem conexão com a realidade. Em certo
sentido ele está certo. Uma crença religiosa baseada no Deus verdadeiro tem que
ter uma conexão clara e forte com a realidade, pois Deus é o criador dessa realidade.
Apesar dessa afirmação de Freud ter um forte apelo contra as religiões
orientais que negam (1) a existência real da dor e do sofrimento, (2) a
existência da realidade (nas religiões orientais, toda a nossa realidade é
apenas uma ilusão de nossa mente, chamada Maya), (3) as religiões orientais
negam que a história seja linear, ou seja, formada de começo (criação), meio
(história) e fim (consumação, juízo). As religiões orientais defendem que a
história é cíclica, formada por um ciclo interminável de reencarnação e
renascimento, doutrina conhecida como Roda da Sansara no Hinduísmo. Nas religiões
orientais as divindades nunca se revelaram verdadeiramente na história. Por exemplo,
os deuses do Hinduísmo não são personagens da história, mas apenas projeções
humanas mitológicas.
Com o Cristianismo é diferente. A fé cristã é a única
religião verdadeiramente alicerçada na Revelação, Razão, História e Experiência.
Se você investigar todas as religiões e comparar com a fé cristão sob estes
aspectos, verá que elas sucumbirão em um destes pontos ou em todos. Outro ponto
importante é que o Cristianismo tem sobrevivido e tem sido escrutinado nos
ambientes mais hostis à fé cristã nos últimos trezentos anos e permanece vivo,
crescente e pujante. Então, afirmar que o Cristianismo se enquadraria no ato de
“não dar importância a verificação” é falso, apesar de ser verdade em outras
religiões.
Sobre a suposta negação da realidade na religião,
isto também não se aplica a fé cristã. O primeiro e principal motivo é que
quando Jesus nasceu, não se tratou apenas do nascimento de uma criança ou de
apenas um personagem importante da história. Não! Os quatro dias mais
importantes da história humana estão relacionados a Jesus e se iniciaram nos
eventos da Belém Efrata (Mq 5:2). O primeiro dia mais importante da história
humana foi o dia do nascimento de Jesus: DEUS SE FEZ HOMEM E ENTROU NO TEMPO; O
segundo dia mais importante da história humana foi o dia da morte de Jesus: O
PECADO FOI EXPIADO – Deus resolveu o maior problema da humanidade, um problema
que apenas Deus poderia resolver; O terceiro dia mais importante da história
humana foi o dia da Ressurreição de Jesus: A MORTE FOI VENCIDA – pela primeira
vez na história, um homem ressuscitou para nunca mais morrer novamente; O
quarto dia mais importante da história humana ainda está adiante de nós ao
futuro, será um dia que vai virar o mundo de cabeça para baixo – será o dia do
arrebatamento da Igreja, o dia que a igreja subirá e estará com Jesus para
sempre.
Toda esta trajetória de libertação de vidas e
milagres se iniciou no evento de Belém, onde Deus tocou e entrou na história. O
nascimento de Jesus também nos diz outras coisas, por exemplo, que Deus é real,
pessoal, amoroso, eterno, sobrenatural e criador da nossa realidade
quadri-dimensional (espaço-tempo-matéria-energia) que se revelou na criação
(revelação geral/Teologia Natural) e de maneira especial em Seu Filho Jesus
Cristo na Bíblia Sagrada (Revelação Especial), que a verdade é objetiva e
absoluta! Não apenas isso, que Deus é o Deus de toda a verdade, em Jesus
Cristo, por trás de tudo, desde as origens do Universo, à Nebulosa Andrômeda, à
vida humana, consciência e a mente, como disse John Lenoxx citando C. S. Lewis.
Outras religiões podem negar a existência da realidade, mas isso não se
enquadra com a visão cristã de mundo. O Cristianismo bíblico é, na verdade, uma
chave importante para se interpretar a realidade, pois “Eu
acredito no Cristianismo como acredito que o sol nasce todo dia. Não apenas
porque o vejo, mas porque através dele eu vejo tudo ao meu redor.” C.S. Lewis. Algo realmente
inegável. Contudo, não apenas a realidade é importante, mas também a verdade
dos fatos.
Sendo assim, devemos nos debruçar realmente sobre
outro questionamento importante: Como é que as pessoas conhecem
as coisas?
-
Por meio dos Sentidos - ver, sentir, etc.;
-
Por meio da Memória - recordando o que se aceitou como verdade;
-
Por meio da Consciência (moralidade) - bússola instintiva do certo/errado;
-
O Processo do Pensamento Lógico - razão e pensamento racional;
Perceba
que a crença religiosa não pode ser excluída, a priori, a partir dos pontos acima, até porque o conhecimento
ocorre por meio de uma crença
justificada. Aqui e como ponte dos itens acima, nos deparamos com outra
pergunta importante: Como é que se forma uma crença?
-
Uma crença começa por compreender que uma determinada ideia é plausível;
-
Uma estrutura de plausibilidade - "condições favoráveis" - forma-se
na mente para que uma crença possa ser mantida e defendida;
-
Qualquer coisa que não seja vista como plausível será rejeitada;
-
A crença real deve basear-se no conteúdo (não na sinceridade e/ou no fervor do
desejo);
Geralmente
os inimigos da fé cristã afirmam que crer em Deus ou na ressurreição de Jesus é
como acreditar no Papai Noel ou na Fada do Dente. Contudo, a criação do
universo evoca necessariamente a existência do Criador e o túmulo de Jesus está
vazio, testemunhado por testemunhas oculares da ressurreição. A crença infantil
no Papai Noel ou na Fada do Dente, ideias que não têm a mínima plausibilidade,
podem ser comparadas com a Criação do Universo ou com a Ressurreição de Jesus. "As
crenças não devem simplesmente ser equiparadas à verdade ou à realidade; elas devem
antes conformarem-se à verdade" - Paul Copan.
Portanto,
outra pergunta importante deve ser respondida depois que uma crença se forma na
mente e no coração de uma pessoa: Porque deveriam
as pessoas acreditar no que creem? Dentro da Abordagem Filosófica, seria para apurar
fatos ou verdade e as causas das coisas. Logo, só vale a pena crer em algo, se ...
- Essa
crença for Racional
- Essa
crença for apoiada por provas/evidências
- Essa
crença equivale a melhor razão para explicar os dados recolhidos? (Argumento
Abdutivo – inferência da melhor explicação).
Nunca
esqueça que há uma boa e uma má filosofia e que a “Boa filosofia deve existir, se não por outro motivo, porque a má
filosofia precisa ser respondida.” - C. S. Lewis. Outra coisa inegável é que "A
verdadeira religião e a verdadeira filosofia devem chegar ao mesmo
princípio" - S. S. Smith.
“Tende
cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs
sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não
segundo Cristo;” Colossenses 2:8
Depois de se adentrar ou aceitar um sistema de
crenças, tal sistema deve ser sistematicamente testado para se evitar o engano.
Três testes para qualquer sistema de crenças:
• Consistência lógica: As alegações estão sendo
consistentes entre si [consistência interna] ou existem claras contradições?
• Adequação Empírica: Existe evidência para apoiar
as afirmações feitas pelo sistema de crenças?
• Relevância Experiencial: As afirmações se comparam
à realidade e são significativas para minha vida?
A fé cristã não anula ou nega a razão humana, antes
ambas devem andar juntas se completando. Deus, o autor da razão humana, exige
que seus filhos cresçam na graça e no conhecimento e se utilizem poderosamente
das armas que Deus lhes deu (Lc 10:27). “Cristo quer o coração de uma criança,
mas a cabeça de um adulto” – C. S. Lewis.
Fonte: www.confidentchristians.org
Tradução, adaptação e acréscimos Walson Sales.
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