quinta-feira, 10 de março de 2022

A Importância da Lógica e da Razão no contexto religioso - A Razão e a Religião se misturam?

 

Porque precisamos da Lógica e da Razão na Religião? Veja o pensamento pluralista, ecumênico e universalista deste Rabino:

 

"Sou absolutamente contra qualquer religião que diga que uma fé é superior a outra. Não vejo como isso seja diferente de racismo espiritual. É uma forma de dizer que estamos mais próximos de Deus do que os outros, e é isso que leva ao ódio". - Rabino Shmuley Boteach

 

O grande problema com a afirmação Pluralista acima é que os sistemas de crenças religiosas fazem afirmações que se contradizem e essas contradições não podem, necessariamente, serem verdadeiras, ao mesmo tempo, no mesmo sentido e com a mesma intensidade. Pense, por exemplo, no fato de que o Cristianismo bíblico afirme que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que o Islã afirme que Deus não tem filho algum. Apenas uma afirmação pode ser verdadeira e a outra deve, necessariamente, ser rejeitada como falsa. A questão gira em torno da luta pela verdade. Então, devemos procurar saber uma coisa muito importante dentro da investigação religiosa: Por quê as pessoas creem no que creem? Existem três possibilidade e vertentes:

 

Impulso sociológico: cultura, amigos, parentes, sociedade;

Impulso psicológico: Conforto, esperança, identidade/significado, paz de espírito

Impulso religioso: Igreja, Guru, Livro Sagrado, Pastor/Líder

 

Veja o que disse o famoso Teólogo e Matemático francês: "As pessoas chegam quase invariavelmente às suas crenças não com base em provas, mas com base no que acham atraente" - Blaise Pascal. Me parece que o que Pascal está destacando aqui é que as pessoas creem no que lhes atraem, principalmente no lado emocional. Parece que ele também está dizendo que as pessoas evitam que suas crenças sejam questionadas e não estão muito engajadas em conhecer e encarar esses questionamentos. Ao articular sobre estes fenômenos de forma crítica e negativa, Sigmund Freud faz uma suposição sobre a razão pela qual as pessoas acreditam nas ideias religiosas:

 

- As pessoas creem porque essas crenças eram aceitas por nossos antepassados primordiais;

- As pessoas creem porque possuímos provas transmitidas dos tempos primordiais [antiguidade da crença];

- As pessoas creem porque é proibido questionar a autenticação dessas crenças;

 

Apesar de ser verdade que muitas pessoas tenham crenças religiosas baseadas nesses (e em outros) motivos, estes pontos por si só, não desmerecem ou anulam o valor ou a veracidade de uma crença religiosa. Muito menos colocariam todas as crenças sob o mesmo patamar de verdade. Mas Freud vai além e tem a intenção mesmo de desmerecer toda e qualquer crença religiosa com os seguintes termos:

 

- "[Crenças religiosas] São ilusões, realização dos desejos mais antigos, mais fortes, e mais urgentes da humanidade. Chamamos à crença uma ilusão quando a realização de um desejo é um fator proeminente na sua motivação, e ao fazê-lo ignoramos a sua relação com a realidade, tal como a própria ilusão não dá importância à verificação" - Sigmund Freud

 

Existem alguns problemas nessas definições preconceituosas de Freud e a primeira é a de que a crença é, supostamente, a realização de um desejo. O grande problema é que a maioria das pessoas não creem no que creem para alcançar a realização de um desejo. Muitas pessoas que são adeptos da fé Cristã, chegaram a este ponto por iluminação do Espírito Santo, seja por meio de uma pregação da Palavra inspirada de Deus (Isaías 43:9; João 16:8-10), por meio de uma experiência pessoal (Atos 9:1-6; 16: 25-32), ou até mesmo por meio do convencimento bíblico e racional acerca das coisas de Deus (I Pedro 3: 15; 2 Coríntios 10: 4, 5). Contudo, outro fato importante é que, ainda mesmo que uma crença religiosa esteja baseada em um desejo (por exemplo, de ir morar no céu) ou até mesmo de um medo (ser condenado ao inferno), isso, por si, não desmerece ou invalida a crença. O que pode realmente invalidar a crença é uma incoerência ou contradição interna.

O segundo problema com a afirmação Freudiana é quando ele afirma que uma crença não tem conexão com a realidade. Em certo sentido ele está certo. Uma crença religiosa baseada no Deus verdadeiro tem que ter uma conexão clara e forte com a realidade, pois Deus é o criador dessa realidade. Apesar dessa afirmação de Freud ter um forte apelo contra as religiões orientais que negam (1) a existência real da dor e do sofrimento, (2) a existência da realidade (nas religiões orientais, toda a nossa realidade é apenas uma ilusão de nossa mente, chamada Maya), (3) as religiões orientais negam que a história seja linear, ou seja, formada de começo (criação), meio (história) e fim (consumação, juízo). As religiões orientais defendem que a história é cíclica, formada por um ciclo interminável de reencarnação e renascimento, doutrina conhecida como Roda da Sansara no Hinduísmo. Nas religiões orientais as divindades nunca se revelaram verdadeiramente na história. Por exemplo, os deuses do Hinduísmo não são personagens da história, mas apenas projeções humanas mitológicas.

Com o Cristianismo é diferente. A fé cristã é a única religião verdadeiramente alicerçada na Revelação, Razão, História e Experiência. Se você investigar todas as religiões e comparar com a fé cristão sob estes aspectos, verá que elas sucumbirão em um destes pontos ou em todos. Outro ponto importante é que o Cristianismo tem sobrevivido e tem sido escrutinado nos ambientes mais hostis à fé cristã nos últimos trezentos anos e permanece vivo, crescente e pujante. Então, afirmar que o Cristianismo se enquadraria no ato de “não dar importância a verificação” é falso, apesar de ser verdade em outras religiões.

Sobre a suposta negação da realidade na religião, isto também não se aplica a fé cristã. O primeiro e principal motivo é que quando Jesus nasceu, não se tratou apenas do nascimento de uma criança ou de apenas um personagem importante da história. Não! Os quatro dias mais importantes da história humana estão relacionados a Jesus e se iniciaram nos eventos da Belém Efrata (Mq 5:2). O primeiro dia mais importante da história humana foi o dia do nascimento de Jesus: DEUS SE FEZ HOMEM E ENTROU NO TEMPO; O segundo dia mais importante da história humana foi o dia da morte de Jesus: O PECADO FOI EXPIADO – Deus resolveu o maior problema da humanidade, um problema que apenas Deus poderia resolver; O terceiro dia mais importante da história humana foi o dia da Ressurreição de Jesus: A MORTE FOI VENCIDA – pela primeira vez na história, um homem ressuscitou para nunca mais morrer novamente; O quarto dia mais importante da história humana ainda está adiante de nós ao futuro, será um dia que vai virar o mundo de cabeça para baixo – será o dia do arrebatamento da Igreja, o dia que a igreja subirá e estará com Jesus para sempre.

Toda esta trajetória de libertação de vidas e milagres se iniciou no evento de Belém, onde Deus tocou e entrou na história. O nascimento de Jesus também nos diz outras coisas, por exemplo, que Deus é real, pessoal, amoroso, eterno, sobrenatural e criador da nossa realidade quadri-dimensional (espaço-tempo-matéria-energia) que se revelou na criação (revelação geral/Teologia Natural) e de maneira especial em Seu Filho Jesus Cristo na Bíblia Sagrada (Revelação Especial), que a verdade é objetiva e absoluta! Não apenas isso, que Deus é o Deus de toda a verdade, em Jesus Cristo, por trás de tudo, desde as origens do Universo, à Nebulosa Andrômeda, à vida humana, consciência e a mente, como disse John Lenoxx citando C. S. Lewis. Outras religiões podem negar a existência da realidade, mas isso não se enquadra com a visão cristã de mundo. O Cristianismo bíblico é, na verdade, uma chave importante para se interpretar a realidade, pois “Eu acredito no Cristianismo como acredito que o sol nasce todo dia. Não apenas porque o vejo, mas porque através dele eu vejo tudo ao meu redor.” C.S. Lewis. Algo realmente inegável. Contudo, não apenas a realidade é importante, mas também a verdade dos fatos.

Sendo assim, devemos nos debruçar realmente sobre outro questionamento importante: Como é que as pessoas conhecem as coisas?

 

- Por meio dos Sentidos - ver, sentir, etc.;

- Por meio da Memória - recordando o que se aceitou como verdade;

- Por meio da Consciência (moralidade) - bússola instintiva do certo/errado;

- O Processo do Pensamento Lógico - razão e pensamento racional;

 

Perceba que a crença religiosa não pode ser excluída, a priori, a partir dos pontos acima, até porque o conhecimento ocorre por meio de uma crença justificada. Aqui e como ponte dos itens acima, nos deparamos com outra pergunta importante: Como é que se forma uma crença?

 

- Uma crença começa por compreender que uma determinada ideia é plausível;

- Uma estrutura de plausibilidade - "condições favoráveis" - forma-se na mente para que uma crença possa ser mantida e defendida;

- Qualquer coisa que não seja vista como plausível será rejeitada;

- A crença real deve basear-se no conteúdo (não na sinceridade e/ou no fervor do desejo);

 

Geralmente os inimigos da fé cristã afirmam que crer em Deus ou na ressurreição de Jesus é como acreditar no Papai Noel ou na Fada do Dente. Contudo, a criação do universo evoca necessariamente a existência do Criador e o túmulo de Jesus está vazio, testemunhado por testemunhas oculares da ressurreição. A crença infantil no Papai Noel ou na Fada do Dente, ideias que não têm a mínima plausibilidade, podem ser comparadas com a Criação do Universo ou com a Ressurreição de Jesus. "As crenças não devem simplesmente ser equiparadas à verdade ou à realidade; elas devem antes conformarem-se à verdade" - Paul Copan.

Portanto, outra pergunta importante deve ser respondida depois que uma crença se forma na mente e no coração de uma pessoa: Porque deveriam as pessoas acreditar no que creem? Dentro da Abordagem Filosófica, seria para apurar fatos ou verdade e as causas das coisas. Logo, só vale a pena crer em algo, se ...

 

- Essa crença for Racional

- Essa crença for apoiada por provas/evidências

- Essa crença equivale a melhor razão para explicar os dados recolhidos? (Argumento Abdutivo – inferência da melhor explicação).

 

Nunca esqueça que há uma boa e uma má filosofia e que a “Boa filosofia deve existir, se não por outro motivo, porque a má filosofia precisa ser respondida.” - C. S. Lewis. Outra coisa inegável é que "A verdadeira religião e a verdadeira filosofia devem chegar ao mesmo princípio" - S. S. Smith.

 

 “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;Colossenses 2:8

 

Depois de se adentrar ou aceitar um sistema de crenças, tal sistema deve ser sistematicamente testado para se evitar o engano. Três testes para qualquer sistema de crenças:

 

• Consistência lógica: As alegações estão sendo consistentes entre si [consistência interna] ou existem claras contradições?

• Adequação Empírica: Existe evidência para apoiar as afirmações feitas pelo sistema de crenças?

• Relevância Experiencial: As afirmações se comparam à realidade e são significativas para minha vida?

 

A fé cristã não anula ou nega a razão humana, antes ambas devem andar juntas se completando. Deus, o autor da razão humana, exige que seus filhos cresçam na graça e no conhecimento e se utilizem poderosamente das armas que Deus lhes deu (Lc 10:27). “Cristo quer o coração de uma criança, mas a cabeça de um adulto” – C. S. Lewis.

 

Fonte: www.confidentchristians.org

 

Tradução, adaptação e acréscimos Walson Sales.

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