Por
Walson Sales
Na
Introdução do livro The Blackwell Companion to Natural Theology, os filósofos
analíticos da religião, William Lane Craig e J. P. Moreland, fazem uma breve
retrospectiva do famoso ressurgimento do interesse no Teísmo. Como documentei
no volume sobre o ateísmo, as conversas sobre Deus eram minimizadas,
desincentivadas e até proibidas dentro da academia. Craig e Moreland afirmaram
que esse ressurgimento se deu por causa do colapso do positivismo lógico e seu correspondente
princípio de verificação do significado que foi, sem dúvida, o evento
filosófico mais importante do século XX. Sua morte anunciou um ressurgimento da
metafísica, juntamente com outros problemas tradicionais da filosofia que o
verificacionismo havia suprimido. Acompanhando esse ressurgimento, surgiu algo
novo e totalmente imprevisto: um renascimento na filosofia Cristã (2012, p. ix).
Os
filósofos Paul K. Moser e Paul Copan na introdução do livro The
Rationality of Theism, também documentam essa revolução. Eles afirmam
que alguns escritores teimam em ignorar essa revolução em andamento. Por
exemplo, John Searle alega que a religião perdeu importância entre os
"membros educados da sociedade" porque "o mundo se tornou
desmistificado".[1] Ele sugere que, nas gerações anteriores, "livros
como esse [o dele] tinham que ter um ataque ateísta ou uma defesa teísta da
religião tradicional.”[2] Searle acrescenta: “Hoje em dia ninguém se incomoda,
e até mesmo levantar a questão da existência de Deus é considerado algo
levemente de mau gosto. As questões religiosas são como questões de preferência
sexual: elas não devem ser discutidas em público, e até as questões abstratas
são discutidas apenas por chatos.”[3] (2003, p. 1). Craig e Moreland mostram o
quanto é vergonhoso tentar ignorar essa revolução, pois o resultado foi a
transformação da face da filosofia Anglo-Americana. O Teísmo está em ascensão;
o ateísmo está em declínio. O ateísmo, embora talvez ainda seja o ponto de
vista dominante nas universidades Americanas, é uma filosofia em retraimento.
Em um artigo recente na revista secularista Philo,
Quentin Smith [astrofísico e filósofo ateu] lamenta o que ele chama de "a
dessecularização da academia que evoluiu nos departamentos de filosofia desde o
final dos anos 1960". Ele reclama que:
[n]aturalistas assistiram
passivamente como versões realistas do teísmo. . . começaram a varrer a
comunidade filosófica, até hoje talvez um quarto ou um terço dos professores de
filosofia sejam teístas, sendo a maioria Cristãos ortodoxos. . . . na
filosofia, tornou-se, quase da noite para o dia, 'academicamente respeitável'
argumentar em favor do teísmo, tornando a filosofia um campo de entrada
preferido para os teístas mais inteligentes e talentosos que hoje ingressam na
academia.[4]
Smith
conclui: "Deus não está 'morto' na academia; ele voltou à vida no final
dos anos 1960 e agora está vivo e bem em sua última fortaleza acadêmica, os
departamentos de filosofia.”[5] (2012, p. ix). Paul K. Moser e Paul Copan
mostram a pujança e a força desse movimento teísta, pois o surgimento e
crescimento relativamente recentes da Society
of Christian Philosophers [Sociedade de Filósofos Cristãos] (com seu jornal
Faith and Philosophy) e da Evangelical Philosophical Society [Sociedade
Filosófica Evangélica] (com o seu jornal Philosophia
Christi) atestam uma mudança notável no cenário intelectual. Livros como Philosophers Who Believe [Filósofos que Creem][6]
e God and the Philosophers [Deus e os
Filósofos][7] contam em primeira mão as histórias de alguns filósofos
importantes cujo compromisso com Deus orienta e direciona como eles pensam e
vivem. A mudança de tom da filosofia em relação ao teísmo é evidenciada pela
mudança da hostilidade com respeito ao
teísmo na Encyclopedia of Philosophy
de Paul Edwards[8] (1967) para simpatia pelo teísmo na Routledge Encyclopedia of Philosophy mais recente.[9] Quentin Smith
lamentou a "desecularização" da academia.[10] Começando com o livro
de Alvin Plantinga, God and Other Minds,
em 1967, o "teísmo realista" aumentou recentemente sua influência nas
universidades Americanas. Para a grande consternação de Smith, ficou claro que
“os teístas realistas não foram superados pelos naturalistas em termos de
padrões mais valiosos da filosofia analítica: precisão conceitual, rigor da
argumentação, erudição técnica e uma defesa profunda de uma visão de mundo
original.” Durante todo o tempo, os naturalistas “observaram passivamente” como
a influência da filosofia teísta disparou: “talvez um quarto ou um terço dos
professores de filosofia sejam teístas, sendo a maioria Cristãos ortodoxos”. De
fato, o proeminente filósofo ateu Thomas Nagel, confirma este clima favorável
para o Teísmo neste termos: “Quero que o ateísmo seja verdadeiro e me incomoda
o fato de que algumas das pessoas mais inteligentes e bem informadas que
conheço sejam religiosas. Não é só que eu não acredite em Deus e, naturalmente,
espero estar certo em minha crença. É que espero que Deus não exista! Eu não
quero que haja um Deus; Eu não quero que o universo seja assim.”[11]
Referências e notas:
[1] John Searle, Mind,
Language, and Society: Philosophy in the Real World (New York: Basic Books,
1998), 34.
[2] Ibid.
[3]
Ibid.
[4]
Smith (2001). Um sinal dos tempos: o próprio jornal Philo, incapaz de ter sucesso como órgão secular, tornou-se um
jornal de filosofia da religião em geral. Modernizing the case for God. Time,
april 7, 1980, 65-6.
[5] Smith (2001). The metaphilosophy of naturalism. Philo 4: 2, 3-4.
[6] Kelly Clark (ed.) Philosophers Who Believe (Downers Grove, IL: InterVarsity Press,
1993).
[7] Thomas Morris (ed.) God and the Philosophers: The Reconciliation of Faith and Reason
(New York: Oxford University Press, 1994).
[8] Paul Edwards (ed.) Encyclopedia of Philosophy (New York: Macmillan, 1967). Um
complemento, editado por Donald M. Borchert, foi adicionado em 1996, incluindo
verbetes mais simpáticos ao teísmo.
[9] Edward Craig (ed.) Routledge Encyclopedia of Philosophy (London: Routledge, 1998).
Veja Charles Taliaferro, “A Hundred Years With the Giants and the Gods,” Christian Scholar’s Review 29 (2000),
700, 706.
[10] Retirado de Quentin Smith, “The Metaphilosophy of
Naturalism,” Philo 4, 2 (2001)
(on-line at www.philoonline.org/library/smith_4_2.htm).
Nenhum comentário:
Postar um comentário