Por Walson Sales
Cólon também faz uma dura crítica aos ateus que
defendem uma moral evolutiva, podendo assim dizer. Ele questiona porque as
pessoas colocam um jaleco e argumentam que as pessoas são simplesmente animais
evoluídos, e depois dizem que nós não devemos tratar as pessoas como animais?
Se tudo o que existe é a matéria, então significaria que nós não somos nada,
apenas matéria também. Se isso é verdade, então porque nós cremos que os
humanos são dignos de respeito? Em um debate com Paul Manata, Dan Barker afirma
que os seres humanos não são mais importantes do que um brócolis. Acho muito
interessante que um pedaço de brócolis sabe que outros certos pedaços de
brócolis são dignos de amor e respeito, como se eles fossem algo mais do que
somente um brócolis. Todos os dias, cada um de nós tratamos uns aos outros com
respeito e dignidade, e todos sabemos que aqueles que desrespeitam as pessoas
não deveriam fazer isso. Isso é verdade para teístas e ateus.Os seres humanos
realmente são dignos de respeito. Isso é inexplicável em uma cosmovisão
ateísta. Todos os ateus que eu encontrei acreditam que o assassinato e o
estupro são algo mau. Em uma cosmovisão ateísta, não significa que, desde que o
estuprador aumente a sua felicidade estuprando as pessoas, estuprar pessoas não
seria considerado bom para eles? Quem diria que os julgamentos morais do
estuprador são falhos e os nossos não? (CÓLON, 2010).
Quando Craig debateu com o Flew,
seguiu essa mesma linha de raciocínio. Ele afirmou que, como Russell e Ruse, eu
não vejo qualquer razão para achar que, na ausência de Deus, a moralidade
evoluída do grupo _homo sapiens_ seja objetiva. Depois de tudo, se não existe
nenhum Deus, então, o que há de tão especial nos seres humanos? Eles são
somente subprodutos acidentais da natureza, os quais evoluíram relativamente há
pouco tempo a partir de um grão de poeira infinitesimal, perdidos em algum
lugar em um universo hostil e sem sentido, condenados a perecer coletivamente e
individualmente em um futuro relativamente próximo. Na visão ateísta, algumas
ações – por exemplo, estupro – podem não ser socialmente vantajosas e, então,
no curso do desenvolvimento humano, tornaram-se um tabu. Mas isso não prova absolutamente
nada no sentido de que o estupro é realmente errado. Na visão ateísta, não há
nada realmente errado no fato de você estuprar alguém. Assim, sem Deus, não
existe nenhum certo ou errado absoluto que se impõe em nossa consciência. Mas o
problema é que valores morais absolutos existem e, no fundo, todos nós sabemos
disso. Não existe nenhuma razão a mais para negar a realidade objetiva dos
valores morais do que a realidade objetiva do mundo físico. Ações como estupro,
crueldade e abuso de crianças não são somente comportamentos inaceitáveis
socialmente, são abominações morais. Algumas coisas são realmente erradas.
Similarmente, amor, igualdade e autossacrifício são realmente bons (apud
WALLACE, 2003). Como Weitnauer destacou:
Em Uganda, Joseph Kony exige
de suas crianças soldados matarem as crianças soldados que tentam escapar a
mordidas até a morte. Pense sobre isso. Que horror! Existem quaisquer fatos
morais que nos dizem que nós podemos estar certos ou errados ou é apenas
diferença de opinião? O casamento entre pessoas do mesmo sexo é um imperativo
moral ou um acordo completamente arbitrário, nem melhor, nem pior do que
quaisquer outras leis? Como os filósofos Cristãos Stuart Goetz e Charles
Taliafero colocam “não está claro como alguém pode estabelecer valores
normativos sobre a base de processos que são em última análise, por meio de
processos inconscientes, não normativos e contingentes em natureza”. Pergunte a
seu amigo: você tem mais evidência que o ateísmo é verdade ou que estuprar
crianças é errado? Certifique-se de pedir-lhes para defender a sua resposta com
razões claras e convincentes (WEITNAUER, 2013).
Como defender que é objetivamente errado matar
crianças a mordidas ou estuprar crianças se não existem valores morais
objetivos? Craig afirma o seguinte sobre toda essa discussão: “Suponhamos que
valores como misericórdia, justiça, amor, paciência e similares simplesmente
existam. De que maneira isso resulta em qualquer obrigação moral para mim? Por
que eu deveria ser moralmente obrigado a, por exemplo, ser misericordioso? Quem
ou o que impõe essa obrigação sobre mim? Como destaca Richard Taylor, estudioso
da ética, “A obrigação é algo que é devido [...] Mas alguma coisa só pode ser
imposta por uma ou várias pessoas”. Não existe a obrigação isolada”. Deus dá
sentido à obrigação moral porque os seus mandamentos se constituem para nós
obrigações morais. Taylor escreve:
Nossas obrigações morais podem [...] ser entendidas
como imposição divina [...] mas e se esse doador da lei mais elevado que o homem
não for mais levado em consideração? O conceito de uma obrigação moral [...]
ainda faz sentido? [...] o conceito da obrigação [é] ininteligível à parte da
ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o significado se foi.
Sendo não teísta, Taylor, portanto, acha realmente que
não temos obrigações morais, que não existe certo ou errado. O realismo moral
ateísta considera isso horroroso, mas, como Taylor claramente vê, na visão
ateísta, simplesmente não existe fundamento para a obrigação, mesmo que as obrigações
morais existam de alguma maneira. Por último, se o ateísmo é verdadeiro, então
não existe responsabilidade moral por ações pessoais. Mesmo que existissem
valores e obrigações morais objetivas debaixo do naturalismo, elas seriam
irrelevantes, porque não existe responsabilidade moral. Se a vida acaba na
sepultura, então não faz diferença se alguém viver como Stalin ou como um
santo. Como disse o escritor russo Fyodor Dostoyevsk: “Se não há imortalidade,
todas as coisas são permitidas”. Dado o caráter definitivo da morte, realmente
não importa a maneira como vivemos. Isso se mostra como um quadro deveras
apavorante para um cético ateu como Kai Nelson:
Não fomos capazes de mostrar que a razão exige o ponto
de vista moral, nem que todas as pessoas realmente racionais não deveriam ser
individualistas egoístas ou não morais clássicos. A razão não decide aqui. O
quadro que pintei para você não é agradável. A reflexão sobre isso me
deprime...A razão prática pura, mesmo com um bom conhecimento dos fatos, não o
levará à moralidade (apud BECKWITH, CRAIG
& MORELAND, 2005, p. 600-601).
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Referências
e notas:
BECKWITH, Francis J., CRAIG, Willian Lane &
MORELAND, J. P. Ensaios apologéticos
(J. F. Cristófalo, trad.). São Paulo: Hagnos, 2006
CÓLON, Brian. Atheism: A Falsified Hypothesis. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-atheism-falsified-hypothesis-by.html, acessado em 15/04/2022
WALLACE, Stan W (ed.). Does God Exist? The Craig-Flew Debate. Burlington, USA: Ashgate Publishing, 2003
WEITNAUER, Carson. Five Challenges for your Secular Friends. Recuperado de: http://www.reasonsforgod.org/2013/05/five-challenges-for-your-secular-friends/, acessado em 15/04/2022
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