A. W. Tozer
“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como
ele é puro,” 1Jo 3.3
1. QUANDO, EM NOSSA DETERMINAÇÃO DE NOS TORNARMOS OUSADOS, NOS TORNAMOS
ATREVIDOS. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram
encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam
esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do
sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades,
ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o
seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sarcedote: “Deus há de ferir-te, parede branqueada.” No entanto,
deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito,
desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).
2) QUANDO, EM NOSSO DESEJO DE SERMOS FRANCOS, TORNAMO-NOS RUDES. Candura
sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se
vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo
pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da
boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).
3) QUANDO, EM NOSSOS ESFORÇOS PARA SERMOS VIGILANTES, FICAMOS A
SUSPEITAR DE TODOS. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver
inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a
desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós
em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou
se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.
4) QUANDO TENTAMOS SER SÉRIOS E NOS TORNAMOS SOMBRIOS. Os santos sempre
foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria
ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de
incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito
tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande
terapia da mente. “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fp 4.4).
5) QUANDO TENCIONAMOS SER CONSCIENCIOSOS E NOS TORNAMOS ESCRUPULOSOS EM
DEMASIA. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se
concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado
de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de
atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem
atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa autotortura
é uma prova de piedade.
Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é
comum à toda raça humana), pregando o “meio-termo áureo,” o cristianismo
oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo
com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral
da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma
nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito,
mas em ser conformado à imagem de Cristo.
Revista Fé para Hoje
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