Por Walson Sales
O
ex-agnóstico Frank Morison,* quando pretendeu escrever uma monografia tentando
provar que a ressurreição de Jesus era uma farsa, também seguiu por esse
caminho, analisando a última semana de vida de Jesus. Ele menciona que:
1. Este período parecia notavelmente livre do elemento milagroso que em
termos científicos achei suspeito.
2. Todos os escritores do Evangelho dedicaram muito espaço para esse
período, e, em sua maioria, estavam notavelmente de acordo.
3. O julgamento e execução de Jesus foi um evento histórico que
repercutiu e foi atestado indiretamente por milhares de conseqüências políticas
e por uma vasta literatura que cresceu fora delas (MORISON, 2009, p. 3, 4).
No seu
livro, ele relata que achava poder chegar com facilidade à resolução do
problema, ou seja, a uma prova de que a ressurreição não aconteceu. Porém, dez
anos depois, quando ele teve a oportunidade de estudar a vida de Cristo e toda
literatura antiga sobre o assunto e investigar as origens da literatura, ele
menciona que ocorreu uma revolução em seu pensamento, conforme as coisas do
“velho mundo” iam surgindo, e que ele pensava impossível. Ele menciona que,
lentamente, mas de forma definitiva, a convicção cresceu sobre aqueles eventos
históricos. Ele viu surgir uma lógica irresistível sobre o significado histórico
da ressurreição de Jesus e a veracidade do fato. A maior parte das pessoas
provavelmente pensaria que a ressurreição de Jesus é apenas alguma coisa que
você deve aceitar pela fé ou então não acreditar. Mas isso não é verdade. A
ressurreição de Jesus é um fato objetivo da história que pode ser confirmado
com evidências sólidas e inegáveis. Por exemplo, Gross menciona que o Dr. Gary
Habermas compilou uma lista de mais de 2.200 fontes em Francês, Alemão e Inglês
escritas por especialistas sobre a ressurreição de Jesus de 1975 até o
presente. Ele identificou pequenos fatos (12 no total) que são fortemente
considerados históricos pela grande maioria dos estudiosos, incluindo
alguns céticos. Esse conjunto de fatos baseia-se somente na visão da
Bíblia como antiga e uma literatura histórica. A vasta maioria dos estudiosos
concorda sobre tais fatos. Os cinco mais evidenciados são:
Fato #1 –
Jesus foi morto por Crucificação.
Fato #2 –
Os discípulos de Jesus acreditavam que Ele se levantou e que apareceu a eles.
Fato #3 –
A conversão do perseguidor da Igreja, Paulo.
Fato #4 –
A conversão do meio irmão de Jesus, o cético Tiago.
Fato #5 –
O túmulo de Jesus estava vazio.
A melhor explicação para esses fatos é que Jesus
Cristo ressuscitou da morte. O cético que rejeita esta conclusão deve ser capaz
de não somente prover uma teoria alternativa para explicar os dados, mas também
apresentar evidências do primeiro século para substanciar sua conclusão. É
imperativo entender que a experiência de crer deve se correlacionar com a
evidência externa disponível pela história, arqueologia e os fatos observáveis
(GROSS, 2010). Habermas e Licona notaram que “grosso modo 75 por cento dos
estudiosos do assunto aceitam o túmulo vazio como um fato histórico” (2004, p.
70). E Habermas delimita, dizendo: “embora os 12 fatos principais que cercam a
morte e a ressurreição de Jesus, possam ser examinados, a brevidade deste
ensaio limita nosso exame a três: a crucificação, o túmulo vazio e as aparições
após a ressurreição. A melhor explicação para esses fatos é que Jesus se
levantou corporalmente do túmulo” (1996, p. 158-167). Quando o Dr Gary Habermas
debateu com o ateu Antony Flew sobre a ressurreição de Jesus no programa de
John Ankerberg em 2007, ele listou dez pontos historicamente comprovados acerca
da ressurreição de Jesus. São eles:
· Virtualmente todos hoje consideram que Jesus morreu devido a
crucificação. Eu quero dizer, John Crossan e outros do Seminário Jesus dizem
que este é o fato mais amplamente conhecido do mundo antigo.
·
Ele foi sepultado.
· Claro, este evento inspirou alguns desesperos nos discípulos.
· Agora, o fato que o tumulo estava vazio é admitido pela maioria dos
estudiosos, mas não amplamente admitido como o resto nesta lista.
· Provavelmente, o mais simples e importante fato é que os discípulos
tiveram experiências que eles creram que foram aparições do Cristo ressurreto.
· Como resultado eles foram transformados.
· A Ressurreição foi a mensagem central deles.
· Eles pregaram em Jerusalém.
·
A Igreja nasceu.
· Temos alguns indivíduos como Tiago e Paulo, dois antigos céticos – um
cético na família e um estranho que perseguiu os cristãos – e eles vieram a
Cristo por experiências que eles acreditaram que foram aparições de Jesus
ressurreto (ANKERBERG, 2007, parte 1).
Não estamos falando de eventos mitológicos, mas de
pessoas e lugares reais. Shelby Cade corrobora sobre os fatos terem ocorridos
em Jerusalém. Ele diz que outra parte da evidência é o lugar em que a
ressurreição ocorreu, Jerusalém. Jerusalém era o eixo do Judaísmo. Os judeus condenaram
Jesus fortemente por declarar que Ele era igual a Deus (Mateus 26.63-66, João 19.7). Se o
Cristianismo fosse forjado, nós esperaríamos ver este novo grupo iniciar em
qualquer outro lugar, menos em Jerusalém. Sabendo o tipo de perseguição que se
seguiria ao se dizer que Jesus era o Messias ressuscitado do Judaísmo, é apenas
mais um fragmento de evidência que aponta para a veracidade do Cristianismo
(CADE, 2010).
Uma das
primeiras acusações contra a veracidade da ressurreição é a acusação de que o
relato da ressurreição foi “inserido” muito tempo depois dos fatos. Antes de
adentrar nas evidências, precisamos saber o quanto o relato da ressurreição é
antigo. Shelby Cade fala um pouco sobre isso. Ele afirma que o Cristianismo
vive ou morre baseado na ressurreição de Jesus. Paulo reconhece esse fato, pois
declara em sua primeira epístola aos Coríntios:
E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã
a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus,
pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não
ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. 1 Coríntios 15:14-15
O que Paulo declara aqui é fantástico pelo fato de
advogar que a ressurreição de Jesus é a base principal do Cristianismo. Sem
ressurreição, não há Cristianismo. Porém, no início do capítulo, ele traz
outros elementos ao seu testemunho. A ressurreição é a base do Evangelho (v.
1). A ressurreição é a base da fé (v. 2). O evento que antecede a ressurreição,
ou seja, a morte de Jesus, foi profetizado antecipadamente (v. 3), bem como o
sepultamento e a ressurreição foram anunciados antecipadamente (v. 4). Paulo
está dizendo que, se Jesus não ressuscitou, não apenas que a pregação era vã
nem que tão somente a fé era vã ou que não era só o fato dele ser considerada
uma falsa testemunha, mas a própria Escritura estava equivocada. Entretanto,
Paulo não apela apenas para a tradição, ele apela para as testemunhas oculares
dos fatos. Ele menciona que Jesus apareceu aos 12 apóstolos (v. 5) e que depois
apareceu a mais de 500 pessoas de uma só vez (v.5). Se alguém duvidasse, Paulo
informou que “a maioria ainda vive”. Como se dissesse: “Vá perguntar a eles
pessoalmente”. Essa carta aos Coríntios foi escrita quando as pessoas dos dias
de Paulo poderiam facilmente ter oferecido contra explicações, mas nenhuma foi
dada. Também digno de nota é que existe uma concordância quase universal entre
os estudiosos que 1Coríntios 15, especificamente os 8 primeiros versos, é um
credo** da ressurreição que liga diretamente a própria ressurreição. Jack Kent,
um cético da ressurreição corporal, afirmou que a passagem de 1Coríntios 15
“poderia ser datada muito próximo da ressurreição”. Em outras palavras, a
história da ressurreição não é uma invenção posterior (CADE, 2010).
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Referências
e notas:
* Este livro foi publicado
originalmente em 1930 pela Faber and Faber Ltd. Depois foi republicado pela
Faber Paperbacks em 1958. Depois foi reimpresso em 1959, 1962, 1963, 1965,
1967, 1969, 1971, 1972, 1975, 1978, 1981, 1983, 1987. Em 1983 foi reimpresso por
outra editora, a OM Publishing, com a cortesia da Faber and Faber. Depois
reimpresso duas vezes em 1990 e depois em 1993, 1994, 2001. Por último,
reimpresso em 2007, 2008 e 2009. Esta é a versão que eu cito aqui. Este livro é
um Best Seller americano há mais de
75 anos! O interessante neste livro é o fato que o autor confirma o evento
histórico da ressurreição apesar da intenção de fazer o contrário. As
evidências da ressurreição o convenceram. Eis o motivo do título do livro: Who moved the Stone? (Quem moveu a
pedra?).
** Perceba que em I Co 15,
especificamente nos 8 primeiros versos, o texto está organizado em estilo
diferente do próprio estilo Paulino. Segundo, a passagem é de fácil
memorização, pressupondo o credo que era ensinado aos novos convertidos nos
primeiros dias do Cristianismo. Este credo é considerado pelos estudiosos como
tendo sido elaborado apenas 5 anos após a ressurreição ou ainda mais próximo,
com a intenção de discipular e fazer as pessoas memorizarem. Tem um artigo
sobre os Credos do NT na Bíblia Apologética de Estudo que apresenta outras
passagens que são consideradas credos dos primeiros anos do Cristianismo que
provavelmente foram citados por Paulo.
ANKERBERG, John. Questions
Surronding Jesus’ Ressurrection (2007). Recuperado de http://www.jashow.org/wiki/index.php/Questions_Surrounding_Jesus%27_Resurrection/Part_1,
acessado em 15/04/2022
CADE, Shelby. Prophecy and Resurrection. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-prophecy-and-resurrection-by.html, acessado em 15/04/2022
GROSS, Chad. Cumulative Reasons for Christianity. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-cumulative-reasons-for.html, acessado em 11/04/2022
HABERMAS, Gary. The Historical Jesus: Ancient Evidence for the Life of Christ. Joplin: College Press, 1996
HABERMAS, Gary; LICONA, Michael. The Case for the Resurrection. Grand Rapids, MI: Kregal Publications 2004
MORISON, Frank. Who Moved The Stone? Colorado Springs: Authentic Media, 2009
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