segunda-feira, 20 de junho de 2022

A História da Ressurreição

  

Por Walson Sales

 

O ex-agnóstico Frank Morison,* quando pretendeu escrever uma monografia tentando provar que a ressurreição de Jesus era uma farsa, também seguiu por esse caminho, analisando a última semana de vida de Jesus. Ele menciona que:

 

1. Este período parecia notavelmente livre do elemento milagroso que em termos científicos achei suspeito.

2. Todos os escritores do Evangelho dedicaram muito espaço para esse período, e, em sua maioria, estavam notavelmente de acordo.

3. O julgamento e execução de Jesus foi um evento histórico que repercutiu e foi atestado indiretamente por milhares de conseqüências políticas e por uma vasta literatura que cresceu fora delas (MORISON, 2009, p. 3, 4).

 

No seu livro, ele relata que achava poder chegar com facilidade à resolução do problema, ou seja, a uma prova de que a ressurreição não aconteceu. Porém, dez anos depois, quando ele teve a oportunidade de estudar a vida de Cristo e toda literatura antiga sobre o assunto e investigar as origens da literatura, ele menciona que ocorreu uma revolução em seu pensamento, conforme as coisas do “velho mundo” iam surgindo, e que ele pensava impossível. Ele menciona que, lentamente, mas de forma definitiva, a convicção cresceu sobre aqueles eventos históricos. Ele viu surgir uma lógica irresistível sobre o significado histórico da ressurreição de Jesus e a veracidade do fato. A maior parte das pessoas provavelmente pensaria que a ressurreição de Jesus é apenas alguma coisa que você deve aceitar pela fé ou então não acreditar. Mas isso não é verdade. A ressurreição de Jesus é um fato objetivo da história que pode ser confirmado com evidências sólidas e inegáveis. Por exemplo, Gross menciona que o Dr. Gary Habermas compilou uma lista de mais de 2.200 fontes em Francês, Alemão e Inglês escritas por especialistas sobre a ressurreição de Jesus de 1975 até o presente. Ele identificou pequenos fatos (12 no total) que são fortemente considerados históricos pela grande maioria dos estudiosos, incluindo alguns céticos. Esse conjunto de fatos baseia-se somente na visão da Bíblia como antiga e uma literatura histórica. A vasta maioria dos estudiosos concorda sobre tais fatos. Os cinco mais evidenciados são:

 

Fato #1 – Jesus foi morto por Crucificação.

Fato #2 – Os discípulos de Jesus acreditavam que Ele se levantou e que apareceu a eles.

Fato #3 – A conversão do perseguidor da Igreja, Paulo.

Fato #4 – A conversão do meio irmão de Jesus, o cético Tiago.

Fato #5 – O túmulo de Jesus estava vazio.

 

A melhor explicação para esses fatos é que Jesus Cristo ressuscitou da morte. O cético que rejeita esta conclusão deve ser capaz de não somente prover uma teoria alternativa para explicar os dados, mas também apresentar evidências do primeiro século para substanciar sua conclusão. É imperativo entender que a experiência de crer deve se correlacionar com a evidência externa disponível pela história, arqueologia e os fatos observáveis (GROSS, 2010). Habermas e Licona notaram que “grosso modo 75 por cento dos estudiosos do assunto aceitam o túmulo vazio como um fato histórico” (2004, p. 70). E Habermas delimita, dizendo: “embora os 12 fatos principais que cercam a morte e a ressurreição de Jesus, possam ser examinados, a brevidade deste ensaio limita nosso exame a três: a crucificação, o túmulo vazio e as aparições após a ressurreição. A melhor explicação para esses fatos é que Jesus se levantou corporalmente do túmulo” (1996, p. 158-167). Quando o Dr Gary Habermas debateu com o ateu Antony Flew sobre a ressurreição de Jesus no programa de John Ankerberg em 2007, ele listou dez pontos historicamente comprovados acerca da ressurreição de Jesus. São eles:

 

·      Virtualmente todos hoje consideram que Jesus morreu devido a crucificação. Eu quero dizer, John Crossan e outros do Seminário Jesus dizem que este é o fato mais amplamente conhecido do mundo antigo.

·      Ele foi sepultado.

·      Claro, este evento inspirou alguns desesperos nos discípulos.

·      Agora, o fato que o tumulo estava vazio é admitido pela maioria dos estudiosos, mas não amplamente admitido como o resto nesta lista.

·      Provavelmente, o mais simples e importante fato é que os discípulos tiveram experiências que eles creram que foram aparições do Cristo ressurreto.

·      Como resultado eles foram transformados.

·      A Ressurreição foi a mensagem central deles.

·      Eles pregaram em Jerusalém.

·      A Igreja nasceu.

·      Temos alguns indivíduos como Tiago e Paulo, dois antigos céticos – um cético na família e um estranho que perseguiu os cristãos – e eles vieram a Cristo por experiências que eles acreditaram que foram aparições de Jesus ressurreto (ANKERBERG, 2007, parte 1).

 

Não estamos falando de eventos mitológicos, mas de pessoas e lugares reais. Shelby Cade corrobora sobre os fatos terem ocorridos em Jerusalém. Ele diz que outra parte da evidência é o lugar em que a ressurreição ocorreu, Jerusalém. Jerusalém era o eixo do Judaísmo. Os judeus condenaram Jesus fortemente por declarar que Ele era igual a Deus (Mateus 26.63-66, João 19.7). Se o Cristianismo fosse forjado, nós esperaríamos ver este novo grupo iniciar em qualquer outro lugar, menos em Jerusalém. Sabendo o tipo de perseguição que se seguiria ao se dizer que Jesus era o Messias ressuscitado do Judaísmo, é apenas mais um fragmento de evidência que aponta para a veracidade do Cristianismo (CADE, 2010).

Uma das primeiras acusações contra a veracidade da ressurreição é a acusação de que o relato da ressurreição foi “inserido” muito tempo depois dos fatos. Antes de adentrar nas evidências, precisamos saber o quanto o relato da ressurreição é antigo. Shelby Cade fala um pouco sobre isso. Ele afirma que o Cristianismo vive ou morre baseado na ressurreição de Jesus. Paulo reconhece esse fato, pois declara em sua primeira epístola aos Coríntios:

 

E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. 1 Coríntios 15:14-15

 

O que Paulo declara aqui é fantástico pelo fato de advogar que a ressurreição de Jesus é a base principal do Cristianismo. Sem ressurreição, não há Cristianismo. Porém, no início do capítulo, ele traz outros elementos ao seu testemunho. A ressurreição é a base do Evangelho (v. 1). A ressurreição é a base da fé (v. 2). O evento que antecede a ressurreição, ou seja, a morte de Jesus, foi profetizado antecipadamente (v. 3), bem como o sepultamento e a ressurreição foram anunciados antecipadamente (v. 4). Paulo está dizendo que, se Jesus não ressuscitou, não apenas que a pregação era vã nem que tão somente a fé era vã ou que não era só o fato dele ser considerada uma falsa testemunha, mas a própria Escritura estava equivocada. Entretanto, Paulo não apela apenas para a tradição, ele apela para as testemunhas oculares dos fatos. Ele menciona que Jesus apareceu aos 12 apóstolos (v. 5) e que depois apareceu a mais de 500 pessoas de uma só vez (v.5). Se alguém duvidasse, Paulo informou que “a maioria ainda vive”. Como se dissesse: “Vá perguntar a eles pessoalmente”. Essa carta aos Coríntios foi escrita quando as pessoas dos dias de Paulo poderiam facilmente ter oferecido contra explicações, mas nenhuma foi dada. Também digno de nota é que existe uma concordância quase universal entre os estudiosos que 1Coríntios 15, especificamente os 8 primeiros versos, é um credo** da ressurreição que liga diretamente a própria ressurreição. Jack Kent, um cético da ressurreição corporal, afirmou que a passagem de 1Coríntios 15 “poderia ser datada muito próximo da ressurreição”. Em outras palavras, a história da ressurreição não é uma invenção posterior (CADE, 2010).

 

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Referências e notas:

 

* Este livro foi publicado originalmente em 1930 pela Faber and Faber Ltd. Depois foi republicado pela Faber Paperbacks em 1958. Depois foi reimpresso em 1959, 1962, 1963, 1965, 1967, 1969, 1971, 1972, 1975, 1978, 1981, 1983, 1987. Em 1983 foi reimpresso por outra editora, a OM Publishing, com a cortesia da Faber and Faber. Depois reimpresso duas vezes em 1990 e depois em 1993, 1994, 2001. Por último, reimpresso em 2007, 2008 e 2009. Esta é a versão que eu cito aqui. Este livro é um Best Seller americano há mais de 75 anos! O interessante neste livro é o fato que o autor confirma o evento histórico da ressurreição apesar da intenção de fazer o contrário. As evidências da ressurreição o convenceram. Eis o motivo do título do livro: Who moved the Stone? (Quem moveu a pedra?).

 

** Perceba que em I Co 15, especificamente nos 8 primeiros versos, o texto está organizado em estilo diferente do próprio estilo Paulino. Segundo, a passagem é de fácil memorização, pressupondo o credo que era ensinado aos novos convertidos nos primeiros dias do Cristianismo. Este credo é considerado pelos estudiosos como tendo sido elaborado apenas 5 anos após a ressurreição ou ainda mais próximo, com a intenção de discipular e fazer as pessoas memorizarem. Tem um artigo sobre os Credos do NT na Bíblia Apologética de Estudo que apresenta outras passagens que são consideradas credos dos primeiros anos do Cristianismo que provavelmente foram citados por Paulo.

 

ANKERBERG, John. Questions Surronding Jesus’ Ressurrection (2007). Recuperado de http://www.jashow.org/wiki/index.php/Questions_Surrounding_Jesus%27_Resurrection/Part_1, acessado em 15/04/2022

CADE, Shelby. Prophecy and Resurrection. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-prophecy-and-resurrection-by.html, acessado em 15/04/2022

GROSS, Chad. Cumulative Reasons for Christianity. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-cumulative-reasons-for.html, acessado em 11/04/2022

HABERMAS, Gary. The Historical Jesus: Ancient Evidence for the Life of Christ. Joplin: College Press, 1996

HABERMAS, Gary; LICONA, Michael. The Case for the Resurrection. Grand Rapids, MI: Kregal Publications 2004

MORISON, Frank. Who Moved The Stone? Colorado Springs: Authentic Media, 2009

 

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