Por Walson Sales
Não tenho
a pretensão de fazer aqui uma abordagem minuciosa acerca da pessoa do Jesus
histórico. Isso já é pressuposto. Negar a figura histórica de Jesus é defender
um grande atestado de ignorância histórica, do tipo teoria da conspiração. Até
mesmo ateus e agnósticos reconhecem esta verdade. Craig menciona que a pessoa
histórica de Jesus de Nazaré foi uma personalidade notável. Críticos do Novo
Testamento chegaram a um consenso de que o Jesus histórico surgiu em cena com
um sentido de autoridade divina sem precedentes – a autoridade de estar e falar
no lugar de Deus. Ele clamou que o reino de Deus veio em si mesmo e, com
demonstrações visíveis, ele efetuou um ministério de milagres e exorcismos. Mas
a confirmação suprema de suas declarações foi a sua ressurreição da morte. Se
Jesus se levantou da morte, então pareceria que nós temos um milagre divino em
nossas mãos e, assim, evidência para a existência de Deus (apud WALLACE, 2003).
O Jesus
Histórico
Para se
ter uma ideia acerca do Jesus histórico, e supondo que o Novo Testamento nunca
tivesse sido escrito pelos apóstolos, apenas abordando 10 fontes antigas não
cristãs e algumas até inimigas, saberíamos que Jesus:
1 – Viveu durante o tempo de Tibério César;
2 – Ele viveu uma vida virtuosa;
3 – Realizou Maravilhas;
4 - Teve um irmão chamado Tiago;
5 – Foi aclamado como Messias;
6 – Foi crucificado a mando de Pôncio Pilatos;
7 – Foi crucificado na véspera da Páscoa Judaica;
8 – Trevas e um terremoto aconteceram quando ele morreu;
9 – Seus discípulos acreditaram que ele ressuscitara dos mortos;
10 – Seus discípulos estavam dispostos a morrer por sua crença;
11 – O cristianismo espalhou-se rapidamente, chegando até Roma;
12 – Seus discípulos negavam os deuses romanos e adoravam Jesus como Deus
(GEISLER & TUREK, 2006).*
Portanto, Jesus realmente viveu, foi realmente
crucificado, e sua ressurreição corporal é a melhor explicação dos dados
históricos. Temos mais de 200 citações extra bíblicas de Jesus Cristo. Sabemos
que existiu um homem chamado Jesus de Nazaré, que pregou pela Palestina durante
o primeiro século AD. Ele foi crucificado sob Pôncio Pilatos e, três dias após
sua morte, seu túmulo foi encontrado vazio. Seus seguidores proclamaram que
Jesus estava vivo e que ressuscitou da morte. Esse evento mudou o mundo todo
para sempre. Mesmo os estudiosos mais liberais concordarão com essas verdades
centrais. As objeções reais dos estudiosos à Ressurreição nunca se centralizam
na existência de Jesus, mas se Jesus realizou milagres ou se Ele realmente
ressuscitou (MCELHANEY, 2010). O historiador Paul L. Maier menciona que existe
mais evidências de que Jesus de Nazaré certamente existiu do que para a maioria
das figuras famosas do passado antigo. Ele diz que as evidências são de dois tipos:
interna [bíblica] e externa [cristã, judaica, secular, arqueológica e
histórica]. Em ambos os casos, segundo ele, as evidências são tão
avassaladoras, tão absolutas que somente um raso intelecto ousaria negar a
existência de Jesus. Só para termos uma ideia das evidências internas, ele diz
que, ao lado das muitas predições messiânicas no Antigo Testamento, nenhum dos
quatro evangelhos ou dos outros vintes e três documentos do Novo Testamento
fariam um pingo de sentido se Jesus nunca tivesse existido. Todo o cortejo das
personagens históricas bem conhecidas no primeiro século AD que interagiram com
Jesus trataram com o vazio? Herodes, O Grande, tentou acabar com um fantasma
infantil? Os Sumos Sacerdotes Anás e Caifás entrevistaram um espírito? O
Governador Romano Pôncio Pilatos julgou um fantasma em uma boa sexta feira, e
tantos apóstolos deram suas vidas por um mito? (apud DEMBSKI & LICONA,
2010, p. 143). Essas são informações introdutórias sérias e negá-las é uma
irresponsabilidade.
Como a
figura histórica de Jesus está garantida, pretendo abordar acerca Ressurreição
de Jesus como uma evidência extraordinária da ação sobrenatural de Deus,
ressuscitando a seu filho Jesus Cristo. É importante destacar que a morte e a
ressurreição do Senhor têm uma atenção especial nos evangelhos. A última semana
de vida de Jesus toma um terço do espaço nos evangelhos sinópticos e quase a
metade do espaço no evangelho de João. Nos evangelhos, também é dada pouca
ênfase aos milagres. São mencionados cerca de 35 milagres de Jesus, e os
maiores milagres que Jesus realizou são considerados milagres ocultos ou
coletivos. Por exemplo, é dito que Jesus chegou a uma cidade e trouxeram todos
os enfermos, e a Bíblia diz que Jesus curou a todos. Mas a última semana de
vida de Jesus é fantástica.
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Referências
e notas:
* FONTES:
Josefo; Tácito; Plínio, o jovem; Flegon; Talo; Suetônio; Luciano; Celso; Mara
Bar-Serapião; e o Talmude de Babilônia
DEMBSKI, William A; LICONA, Michael R (Ed.). Evidence for God: 50 Arguments for Faith
from the Bible, History, Philosophy and Science. Grand Rapids, MI: Baker
Books, 2010
GEISLER, Norman L; TUREK, Frank. Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (E.
Justino, trad.). São Paulo: Editora Vida, 2006
MCELHANEY, Marcus. Christianity
is Objectively True. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-christianity-is-objectively-true.html, acessado em 15/04/2022
WALLACE, Stan W (ed.). Does God Exist? The Craig-Flew Debate. Burlington, USA: Ashgate Publishing, 2003
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