Por Walson Sales
O Cristianismo está fundamentado primariamente nas
profecias bíblicas do Antigo Testamento. Como afirmado anteriormente, as
profecias bíblicas não são algo que passaram em algum recanto ou não estão
disponíveis para as pessoas investigarem. O principal assunto da profecia do AT
é a nação de Israel e a informação de que Deus enviaria o Messias, que viria de
Deus para Israel e de Israel para o mundo inteiro. Werner Gitt afirma que
existem cerca de 6.300 profecias na Bíblia, das quais 3.268 já se cumpriram.
Estudiosos estimam que existam cerca de 90 profecias messiânicas que se
cumpriram em Jesus apenas no primeiro advento. Rene Pache, um teólogo, afirma
que existem cerca de 1.500 profecias que se cumprirão depois da volta do
Messias. Muitas das profecias sobre Jesus estão relacionadas à Nação de Israel.
Por exemplo, em Deuteronômio 4, Deus fala por intermédio de Moisés, dizendo que
estava inserindo o povo numa terra, e que eles iriam morar em casas que não
construíram, iriam comer de pomares que não plantaram e beber de cisternas que
não cavaram. Mas Deus diz que eles iriam apostatar e abandonar as leis e iriam
se desviar. Deus disse que, em resposta à apostasia, iria soltar atrás deles os
4 maus juízos divinos: a fome, a espada, a peste e as bestas da terra, e que
iria espalhá-los por todas as nações. Mas, nos últimos dias, os judeus iriam
clamar por misericórdia, e o Senhor os traria de volta para a sua terra. Isso aconteceu
com Israel e é um fato histórico. Israel, como povo, foi vítima de antissemitismo.
Muitas pessoas passaram a odiar os judeus, a persegui-los e matá-los tão
somente porque eram judeus. Quando eles rejeitaram o seu Messias, disseram: “Que
o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos” (Mt 27.25). Eles não
deveriam ter dito isso! Abraão de Almeida, em uma série de palestras em áudio,
menciona apenas uma pequeníssima amostra do que esse povo sofreu:
Um rastro de sangue:
49 – Cláudio expulsa os judeus de Roma;
70 – a cidade e o templo são destruídos.
1. 700.000 judeus mortos;
115 – expulsos da ilha de Chipre;
640, 721, 873 – são forçados a se
converterem ao Cristianismo no Império Bizantino;
1099 – a comunidade judaica de Jerusalém
é vítima de matança por parte dos cruzados;
1146, 1391 – os judeus espanhóis são
forçados a se converterem ao Cristianismo;
1290 – expulsos da Inglaterra;
1306 – expulsos da França;
1355 – população massacrada e 12.000
judeus mortos em Toledo na Espanha;
1349 – 1360 – expulsos da Hungria;
1420 – aniquilada a comunidade judaica
em Tolosa;
1421 – expulsos da Áustria;
1492 – 180.000 expulsos da Espanha;
1495 – expulsos da lituânia;
1497 – expulsos da Cilícia e Sardenha;
1502 – forçados a se converterem ao
catolicismo em Rhode sob ameaça de escravatura;
1516 – massacre de milhares de judeus em
Lisboa;
1541 – expulsos do reino de Nápoles;
1648, 1656 – 200.000 judeus assassinados
na Polônia;
1727, 1747 – expulsos da Rússia;
1838 – os judeus da pérsia são forçados
a se converterem ao Islã;
1882 – 1890 – 750.000 judeus russos são
obrigados a viverem em uma área limitada dando origem aos guetos;
1939 – 1945 – 6.000.000 de judeus são
mortos pelos nazistas alemães;
1941 – a comunidade israelita de Bagdá é
atacada. 180 judeus perdem a vida;
1948 – até hoje – perseguições nos
países árabes e expulsões em massa.
Essas são evidências tangentes, palpáveis,
inegáveis. Deming aborda essa questão também. Ele menciona que o Cristianismo se
destaca da maior parte das religiões como uma cosmovisão eminentemente
testável. A doutrina cristã faz várias declarações sobre a maneira como o mundo é
na verdade – afirmações que variam de metafísicas a históricas. Se a razão e a
evidência apoiam tais declarações distintas da verdade das principais crenças
cristãs, então o Cristianismo é uma cosmovisão racional. Estas duas proposições
principais são pontos de contato com a realidade: a existência de Deus é uma
questão metafísica e filosófica, e a ressurreição de Jesus é uma questão
histórica. Há outras questões embaraçosas sobre a origem humilde da fé cristã.
Deming também trata sobre isso.
1.) Jesus foi um homem de pouca reputação.
Como um carpinteiro judeu da pequena cidade de
Nazaré, Jesus teve desvantagens de natureza étnica, por causa da ocupação
estrangeira e por causa da localização que danificaria severamente sua
credibilidade.
2.) Jesus morreu uma morte infame.
A crucificação, "a mais miserável das mortes,"
foi o método de execução adotado pelos romanos para envergonhar
intencionalmente a vítima. O açoite público, o levar a cruz pelas ruas e ser
dependurado na cruz sem roupa não foram métodos para simplesmente maximizar a
dor; eles foram planejados para destruir a credibilidade da vítima. Os
primeiros críticos do Cristianismo tomaram vantagem desse fato e insultavam os
cristãos como os adoradores de um "Deus que morreu em delírios… executado
no auge da vida pela pior das mortes".
3.) Jesus pregou uma mensagem impopular.
O conceito de uma ressurreição física era
implausível aos judeus e repugnante aos romanos. Os judeus esperavam que a
ressurreição ocorresse no fim do mundo para todas as pessoas. Os romanos, que tinham
pouco respeito ao corpo físico, preferiam muito a alma etérea, pois acreditavam
que a ressurreição física era uma desgraça. Segundo Celso, os cadáveres "deveriam
ser jogados fora como o pior do esterco" (DEMING, 2010). Está claro que o
Cristianismo estaria fadado ao fracasso desde o início, caso não fosse uma
história real. Contra todas as possibilidades, o Cristianismo surgiu, cresceu e
se espalhou por todo o mundo, chegando até nós hoje.
Outros problemas ainda dificultam esse movimento
humilde no primeiro século. Holding aborda e amplia um pouco isso. Ele explica por
que o Cristianismo é verdadeiro: o mundo social do primeiro século era, por um
grande número de motivos, ideologicamente
oposto ao Cristianismo. Outro fator importante era a herança da pessoa. Povos
do mundo bíblico julgavam os outros baseados no local de onde eles eram. Sobre
isso, Jesus teve três acusações contra ele: ele era judeu (e naquele tempo o
antissemitismo era muito prevalecente); ele era da Galileia (que era o local
associado à rebelião); e ele era de Nazaré (uma cidade muito pequena – e ser de
uma cidade pequena significava que você tinha muito pouca honra pessoal). Por
conta disso, seria impossível convencer alguém que Jesus foi honrado por Deus
sendo ressuscitado, a menos que você tivesse evidência suficiente de que ele havia
ressuscitado. O uso das mulheres como testemunhas do túmulo vazio, como
afirmado anteriormente; o fato de que o Cristianismo era uma “nova” religião; a
intolerância cristã de outras “crenças”, por um lado, e o desdém cristão pelo
sistema de classes na sociedade, por outro; a natureza ofensiva de muitos ensinos
de Jesus – haveria tantas coisas que o antigo povo teria achado ofensivo sobre
o Cristianismo que nada bom sobre ele seria substancialmente aceito por gritos
de protesto dos cristãos (HOLDING, 2010).
Horvath menciona que uma forma de os críticos explicarem
o surgimento do Cristianismo é afirmar que seus seguidores exageraram na
história, e então a lenda cresceu como sendo Jesus quem falou aquelas coisas. Isso
é difícil, porque todos os seus seguidores foram judeus; isto é, eles
pertenciam a Nação que, de todas as outras, era a mais convencida de que
existia apenas um Deus e que não havia possibilidade de outro. É muito estranho
que essa invenção horrível sobre um líder religioso crescesse entre o único
povo em toda a terra menos propenso a cometer tal erro. Muito pelo contrário,
temos a impressão de que nenhum de seus seguidores imediatos ou mesmo os
escritores do Novo Testamento aderiram a essa doutrina tão facilmente. Em caso
afirmativo, vamos considerar um exemplo de Flávio Josefo, o relato de Pôncio
Pilatos e os Estandartes (Guerras Judaicas 2.169-174, Antiguidades Judaicas
18.55-59). Nesse evento, Pilatos, na calada da noite, colocou as efígies de César
em Jerusalém. Os judeus se reuniram em Cesaréia horrorizados por ter qualquer
tipo de imagem presente em sua cidade. Pilatos rejeitou seus apelos e, quando
os judeus não se dispersaram, ele os cercou e "deu um sinal para que os
soldados os cercassem… e ameaçou que a punição deles não seria menos do que a
morte imediata, a menos que eles deixassem de perturbá-lo e fossem para suas
casas. Mas eles se jogaram no chão com os pescoços à mostra e disseram que
tomariam esta honra de muito boa vontade…" Pilatos cedeu diante desse
fanatismo (HORVATH, 2010). Um dos fundamentos do NT é o caráter
testemunhal dos eventos que ocorreram. Malone e Adams mencionam que o
testemunho ocular era considerado essencial para a confiabilidade biográfica Greco-Romana.
O Prólogo de Lucas deixa claro que ele entrevistou as testemunhas oculares
antes de reunir um relato preciso da vida de Jesus (Lucas 1:1-4). Além
disso, é possível que o Evangelho de Marcos tenha um recursos literário em que
ele começa e termina com Pedro, tradicionalmente entendido ser a principal fonte
de Marcos. Martin Hengel notou que Marcos 1.17 e 16.7 trabalha
para mostrar que Pedro era uma testemunha ocular legítima pelas qualificações
em Lucas 1.2, João 15.27 e Atos 1.22. Se os
Evangelhos são historicamente precisos, então os eventos neles devem ser
alinhados com pessoas e lugares reais. A Arqueologia pode ser imensamente útil
para confirmar os registros históricos. Considere a descoberta do Ossuário de
Caifás (caixa de ossos) fora de Jerusalém em 1990. Esse artefato guarda os
ossos de “Yehosef bar Kayafa," traduzido como "José, filho de Caifás".
Escavações verificaram as piscinas de Betesda (João 5.1-15) e Siloé
(João 9.1-11). Betesda
é especialmente relevante desde que os críticos duvidaram da precisão de João.
Somente mais tarde, encontraram sua descrição correspondendo aos detalhes. Similarmente,
em 1961, uma equipe de arqueólogos italianos, trabalhando em um teatro em
Cesaréia Marítima, encontrou o que agora é conhecido como a “Pedra de Pilatos”.
Ela menciona Tibério e inclui uma inscrição descrevendo Pilatos como o Prefeito
da Judeia. Existem quase vinte pessoas diferentes mencionadas nos Evangelhos, tanto
confirmadas pela arqueologia, quanto citadas por escritores não cristãos. Craig
Blomberg estima quase sessenta detalhes históricos no Evangelho de João. Obviamente,
essas descobertas falam pela veracidade dos evangelhos (MALONE
& ADAMS, 2010).
Ironicamente,[1] como menciona Paul Copan, as
granadas morais dos Novos Ateus arremessadas contra a fé cristã em nome da
moralidade, são, na verdade, historicamente fundadas sobre a mesma fé que eles
criticam. Historiadores têm documentado que os valores dos direitos humanos, como
tolerância, justiça social e reconciliação racial são o legado da fé cristã, e não
alguns ideais iluministas seculares. Apesar de todos os seus defeitos, a Igreja
Cristã desempenhou uma parte importante, trazendo enormes benefícios para a
civilização. Esse impacto, com frequência, tem sido inspirado pela devoção a
Cristo, que transborda o amor ao próximo para a glória de Deus. Essas
conquistas documentadas incluem o seguinte:
ü Erradicando a
escravidão: Como a fé Cristã se espalhou dentro da Europa bárbara após a queda
de Roma, a prática da escravidão diminuiu. A escravidão virtualmente
desapareceu na Europa na idade média, quando a Europa estava bem cristianizada.
Quando a escravidão reapareceu, ela recebeu forte oposição por crentes
dedicados entre os Menonitas e Quakers, tanto quanto por líderes cristãos tais
como o teólogo Richard Baxter, John Wesley e William Wilbeforce.
ü Opondo-se ao
infanticídio e resgatando as crianças da exposição: esta prática, comum entre
os Gregos e Romanos, foi banida no quarto século, sob a influência dos
cristãos.
ü Eliminando os jogos dos
gladiadores: esses jogos brutais geralmente envolviam escravos e criminosos.
Eles foram banidos no fim do quarto século no Oriente e no inicio do quinto século
no Ocidente.
ü Construindo hospitais e
hospícios: diferente dos Gregos e Romanos, os primeiros cristãos estavam
preocupados com a saúde, cuidando dos doentes e moribundos. Uma vez que a fé
cristã se tornou oficial no império, esse ministério se expandiu
consideravelmente. O Concílio de Nicéia (325 AD) comissionou bispos para
estabelecer hospitais em cada cidade onde existia uma igreja construída. O
primeiro hospital foi construído sob São Basílio em Cesaréia (369). Na idade
média, os hospitais existiam em toda a Europa. (Pense também em Florence
Nightingale, a fundadora da Cruz Vermelha e assim por diante).
ü Elevando o status e
direitos das mulheres: embora as feministas afirmam que a fé cristã menospreza
as mulheres e as mantém subjugadas, a história mostra o oposto. Embora as
mulheres terem sido rotineiramente oprimidas na maioria das culturas, nós vemos
algo diferente no tratamento que Jesus deu as mulheres (e.g., a mulher
samaritana em João 4 ou Marta e Maria em Lucas 10.38-42). O evangelho de Lucas
destaca o lugar proeminente da mulher na vida e no ministério de Jesus. Os
primeiros cristãos habitualmente protegeram as mulheres e crianças da
negligência e abuso.
ü Fundando as grandes
universidades na Europa e na América do Norte: Sorbonne, Oxford, Harvard, Yale
e Princeton são algumas da muitas notáveis universidades estabelecidas para a
Glória de Deus. Na Europa, muitas universidades brotaram monastérios medievais;
na América, as mais antigas e mais notáveis universidades iniciaram como
instituições para treinar pastores e missionários.
ü Escrevendo obras
extraordinárias de literatura: a extraordinária literatura dos cristãos
inspirados por sua fé varia da Cidade de
Deus de Agostinho e História
Eclesiástica de Eusébio a Comédia de
Dante e o Paraíso Perdido de John
Milton as obras de J.R.R. Tolkein, C.S. Lewis, Flannery O’connor e Aleksandr
Solzhenitsn.
ü Se envolvendo e
escrevendo sobre filosofia, teologia e a vida da razão: alguns dos principais
representantes incluem Agostinho, Anselmo, Tomas de Aquino, Blaise Pascal,
Soren Kierkegaard e Jonathan Edwards. Hoje, organizações tais como a Society of
Christian Philosophers e a Evangelical Philosofical Society atestam a essa
tradição contínua.
ü Criando lindas peças de
arte, esculturas e arquitetura: pense sobre Michelangelo, Rembrandt van Rijn,
Peter Paul Rubens ou as catedrais Bizantinas e góticas.
ü Estabelecendo a ciência
moderna: a ciência moderna tem as suas raízes na convicção bíblica que o mundo
foi criado por um Deus racional. Por esta razão, por isso o mundo era ordenado
e previsível e poderia ser estudado e entendido pela mente humana. Poderíamos
mencionar Isaac Newton, Galileo Galilei, Nicholas Copernicus, Johannes Kepler,
Michel Faraday, William T. Kelvin, Robert Boyle, Anton Lavoisier e muitos
outros.[2]
ü Compondo músicas
brilhantes: as obras de Johann Sebastian Bach, Georg F. Handel, Felix
Mendelssohn e Franz Joseph Haydn falam por si mesmos.
ü Advogando os direitos
humanos, democracia, liberdade política concernente aos pobres: esses temas são
enraizados nos ideais bíblicos que todos os humanos são feitos a imagem de
Deus, que eles tem dignidade e valor e que eles são iguais perante a lei
(COPAN, 2011, p. 218, 219).
É
difícil exagerar o impacto que Jesus de Nazaré teve sobre a história e as
incontáveis vidas impactadas pela vida e ensino desse homem – certamente o
poder transformador da cruz e da sua ressurreição. O historiador Jeroslav Pelikan
observou que, pela mudança do calendário (para a.C. e d.C. segundo “o ano do
nosso Senhor”) e outras formas, “todos são compelidos a reconhecer que, por
causa de Jesus de Nazaré, a história nunca mais será a mesma”.
Dawkins
está completamente errado ao declarar que a fé cristã – como o Islã – foi espalhada
pela espada. Se ele desse uma olhada honesta na história cristã, ele teria que
reconhecer que o movimento cristão primitivo era desautorizado socialmente e
politicamente. Esse movimento foi primeiro chamado de “o Caminho” (Atos 19.9,
23; 22.4; 24.14,22) em honra de seu Salvador (João 14.6), e, com frequência,
reuniu a si escravos e membros das classes mais baixas. Nos primeiros três
séculos, a Igreja cresceu pelas obras de amor e misericórdia e pela proclamação
das Boas-Novas de Jesus. Guerra santa não teve nenhum espaço nesse movimento
pacífico.
Rodney
Stark – o respeitado gigante entre os sociólogos – mostra em seu livro The Victory of Reason [A Vitória da
Razão] como o “sucesso do ocidente, incluindo a ascensão da ciência,
fundamentado inteiramente sobre fundamentos religiosos, e as pessoas que a
trouxeram eram cristãos devotos”. Mas não tome somente a palavra de um
sociólogo cristão por isso. Jürgen Habermas é um dos mais proeminentes
filósofos da Europa hoje. Outro fato sobre Habermas: ele é um ateu extremado.
Ainda, ele destaca o fato histórico inescapável de que a fé bíblica era a profunda influência modelando a
civilização. Considere cuidadosamente sua apreciação:
O
Cristianismo tem funcionado a favor de um auto entendimento normativo da modernidade
como mais do que um precursor ou um catalisador. O universalismo igualitário
que espalhou as ideias de liberdade e igualdade social de uma conduta autônoma
de vida e emancipação, a moralidade individual de consciência, direitos humanos
e democracia são herdeiros diretos da ética Judaica de justiça e da ética
Cristã do amor. Este legado, substancialmente inalterado, tem sido objeto de
apropriação crítica contínua e reinterpretação. Ainda hoje, não há nenhuma
alternativa a isso. E a luz dos desafios atuais de uma constelação
pós-nacional, nós continuamos a recorrer ao conteúdo dessa herança. Tudo o mais
é somente conversa pós-moderna ociosa.
Nas
palavras do estudioso dos direitos humanos Max Stackhouse, “A honestidade
intelectual exige o reconhecimento do fato que se passa como princípios
‘seculares’ ‘Ocidentais’ dos direitos humanos básicos desenvolvidos em nenhum
outro lugar do que nas vertentes chaves das rotas da religião bíblica”.
Considere
três fatos históricos fundamentais. (1) Fala dos direitos naturais emergidos na
teologia Católica na Idade Média, uma linguagem que em si mesmo foi construída
sobre o entendimento bíblico da imagem de Deus em todos os humanos. (2) Os
principais impulsionadores que estabeleceram A Declaração Universal dos Direitos
Humanos de 1948 (que fala dos seres humanos “dotados de razão e consciência”)
foram primeiramente coalizões de igrejas e líderes cristãos individuais que
trabalharam juntos com alguns rabinos judeus para criar a “nova ordem mundial”
dos direitos humanos. (3) Até mesmo o alegado esclarecimento secular da ênfase
dos direitos humanos universais tem rotas teológicas profundas. Isso é
completamente óbvio em dois principais documentos do século 18: A Declaração de
Independência (que fala do ser humano “dotado por seu Criador com certos
direitos inalienáveis”) e a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do
Cidadão (afirmando os direitos humanos “na presença e sob os auspícios” de
Deus, “O Ser Supremo”). Em resumo, a marca judaico-cristã sobre os direitos
humanos no presente é vital para corrigir muitos ataques seculares à religião.
Até
mesmo os não Ocidentais reconhecem o extraordinário impacto da fé cristã no
Ocidente. O respeitado correspondente da revista Time, David Aikman, relatou um sumário de uma palestra de um
estudioso chinês a um grupo de 18 turistas americanos:
Uma das
coisas que nos foi pedido para olhar foi o responsável pelo sucesso, de fato, a
preeminência do Ocidente sobre o mundo todo”, ele disse. “Nós estudamos tudo o
que podíamos de uma perspectiva histórica, política, econômica e cultural. A
principio nós pensamos que era porque vocês tinham armas mais poderosas do que
nós. Daí nós pensamos que era porque vocês tinham o melhor sistema político.
Depois enfocamos sobre o seu sistema econômico. Mas nos últimos vinte anos que
o coração de sua cultura é sua religião: O Cristianismo. Este é o motivo do
Ocidente ser tão poderoso. O fundamento moral cristão da vida social e cultural
foi o que fez possível a emergência do capitalismo e então a bem sucedida
transição a política democrática. Nós não temos nenhuma dúvida sobre isso.
Esse palestrante não
era nenhum maluco mal informado. Ao contrário, ele representava uma das
principais organizações de pesquisas acadêmicas da China – a Chinese Academy of
Social Sciences (CASS). Nós não encontramos suporte acadêmico a favor de uma
cosmovisão judaico-cristã somente no Ocidente; encontramos no Oriente também! (COPAN,
2011, p. 219, 220). Portanto, conforme Craig, concluindo, nós já temos visto
alguns argumentos que mostram a existência de Deus. Juntos, esses argumentos
constituem um poderoso e cumulativo caso a favor da existência de Deus, e,
portanto, acreditamos que o teísmo é uma cosmovisão mais plausível (apud
WALLACE, 2003).
____________________
Notas:
[1] A partir deste ponto farei
um apanhado geral do capítulo 20 do livro do Paul Copan Is God a Moral Monster?,
salvo indicação em contrário.
[2] Existe ainda hoje entre os
ateus o mito de que há uma batalha entre a fé e a razão, entre a religião e a
ciência, mas se você voltar na história, por exemplo, ao século 11 e 12, você
encontrará colaborações extraordinárias entre ciência e religião. Este período
extraordinário na história da vida européia, quando o grande filósofo Judeu
Maimônides, o grande filósofo Islâmico Averroes e o grande filósofo Cristão
Tomas de Aquino, pensando e aprendendo mutuamente, junto com a cultura, o
espírito da época, criaram um ambiente em que o pensamento científico, as
descobertas matemáticas e um profundo aprendizado humanista puderam surgir.
Quando Scott Stephens moderou o debate entre William Lane Craig e o ateu
Lawrence Krauss, com o tema Has Science
Buried God? (A Ciência Sepultou Deus?) ele disse que somos constantemente lembrados em
nossos dias que nos séculos 17 e 18, os grandes cientistas eram também
teólogos, pensadores políticos, e filósofos. Em outras palavras, esta ideia de
que a ciência e a religião são grandes inimigos históricos é falsa, e ele cita
o grande historiador da ciência Peter Harrison, que disse: “Aqueles que tem
enfatizado as controvérsias recentes sobre a relação entre ciência e religião e
que projetaram esta controvérsia no passado histórico, estão simplesmente
perpetuando um mito histórico. O mito de um conflito perene entre ciência e
religião é um que nenhum historiador da ciência subscreveria”. Craig
afirmou ainda que “o empreendimento científico como um todo está baseado em
certas pressuposições que não podem ser provadas cientificamente, mas que são
parte e parcelas da Cosmovisão Cristã. Por exemplo: as leis da lógica; a
estrutura ordenada do mundo físico; a confiabilidade das nossas faculdades
cognitivas enquanto conhecemos o mundo; a validade do raciocínio indutivo; a
objetividade dos valores morais usados na ciência”. Ele ainda enfatiza que nem
a ciência existiria sem estas pressuposições, nem estas suposições podem ser
provadas cientificamente.
Referências:
COPAN, Paul. Is
God a Moral Monster? Making sense of The Old Testament God. Grand Rapids,
MI: Baker Books, 2011
DEMING, Kyle. Testing Christianity's Core Truth
Claims. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-testing-christianitys-core-truth.html,
acessado em 13/11/2013
HOLDING, James Patrick. The Impossible
Faith. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-impossible-faith-by-james-patrick.html,
acessado em 12/11/2013
HORVATH, Anthony. Christianity Proved by
the Nature of the Jewish Nation. Recuperado de:http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-christianity-proved-by-nature-of.html,
acessado em 12/11/2013
MALONE, Vocab; ADAMS, Paul D. The Gospels
Tell Me So. Recuperado de: http://www.apologetics315.com/2010/04/essay-gospels-tell-me-so-by-vocab.html,
acessado em 12/11/2013
WALLACE, Stan W (ed.). Does God Exist? The Craig-Flew Debate. Burlington, USA: Ashgate Publishing, 2003
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