segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Transcrição do Podcast Quatro questões que mostram que o Cristianismo Bíblico é verdadeiro [Parte II] A Questão da Verdade

 


Frank Turek do site Cross Examined

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales


A primeira questão é: a verdade existe? Ok, se a verdade não existe como as pessoas dizem, ou se é verdade quando as pessoas afirmam que não existe esse negócio de verdade, ou que cada um tem a sua própria verdade. O que você diria se alguém chegasse para você e dissesse, “olha, não existe esse negócio de verdade.” A resposta é muito mais simples do que a gente imagina, porque você deveria responder a essa pessoa com outra pergunta, dizendo: “isso é verdade? É verdade que não existe esse negócio de verdade?” Porque se é verdade que não existe esse negócio de verdade, então a afirmação de que não existe esse negócio de verdade não pode ser verdade, mas é exatamente isso que ela tá afirmando, a saber, que é verdade que não há nenhuma verdade. Essa afirmação de que não existe esse negócio de verdade é uma afirmação autocontraditória. Essa afirmação não se sustenta porque ela fere a principal lei da lógica e da interpretação, a Lei da Não-Contradição. Isso fere a lei da Não-contradição porque dizer que não existe verdade é afirmar uma verdade. O que se diz com isso é que toda verdade é relativa. Logo, qual a resposta clássica que você deve dar a quem faz uma afirmação deste tipo? Você deve responder com uma pergunta simples e básica: isso é verdade? Ou se alguém disser que toda verdade é relativa, você deve perguntar, essa verdade é relativa? Porque a afirmação de que toda verdade é relativa não pode ser uma afirmação verdadeira, pois ela se propõe a ser uma afirmação absoluta ao dizer que toda verdade é relativa. Isso é como dizer que eu não posso articular uma frase em português. Mas espere aí, você já articulou uma frase em português. Este é o tipo de afirmação que anula a si mesma, uma afirmação auto contraditória que não pode ser verdade por definição. E o que nós podemos fazer para descobrir a verdade? Porque a verdade existe. É simples, é só você aplicar a mesma lógica contida na afirmação e jogar contra ela. Como disse anteriormente, se alguém disser que a verdade não existe, você deve simplesmente voltar a lógica contra a afirmação e perguntar: isso é verdade? Ou se alguém disser que toda verdade é relativa, você segue o mesmo caminho e pergunta: essa verdade é relativa? Afirmações deste tipo são tão falsas por definição que elas se comparam a afirmações do tipo: “eu não consigo articular uma frase em português” falando português, ou “meus pais não tiveram filhos”, ou “meu irmão é filho único do meus pais”. Essas afirmações são falsas por definição, pois elas anulam a si mesmas. 

Contudo, os relativistas de hoje são mais cuidadosos, pois eles não saem propalando por aí que a verdade não existe, porque eles já se viram em maus lençóis dizendo coisas desse tipo, então eles são mais sutis hoje e dizem coisas do tipo: “não existe a verdade, existe a minha verdade”. Então, perceba que a lógica da lei da Não-contradição pode naturalmente ser aplicada também neste tipo de afirmação, porque a lógica aqui dos relativistas é dizer, “olha, você tem a sua verdade e eu tenho a minha verdade”. O relativismo é mantido e a afirmação é semelhante, pois exclui a existência da verdade. O que está por trás desse tipo de afirmação é uma pressão para que o assunto seja encerrado, tipo “você vive a sua verdade e eu vivo a minha verdade” e ponto final. Contudo, há um grande problema com este tipo de afirmação, porque quando eles dizem que não existe esse negócio de verdade, ou eu tenho a minha verdade e vivo de acordo com ela e você tem a sua verdade e vive de acordo com ela, e você pode inverter a argumentação e perguntar, isso é apenas a sua verdade ou é a verdade? Porque afirmar que a verdade não existe e ainda que existe apenas sua verdade, então porque eu devo acreditar nela? Pois o que o oponente está dizendo é que a verdade não existe e que existe apenas a verdade dele e as verdades particulares de outras pessoas, ainda que sejam afirmações contraditórias. Isso não faz sentido algum. Mas está claro que ele nega a existência da verdade. Então essa afirmação anula a si mesma e fica provado que é uma contradição lógica. Então, eu vou dizer uma coisa aqui que pode deixar muita gente chateada no nosso contexto moderno, não existe esse negócio de sua verdade e minha verdade. Isso é um engano. Existe apenas a verdade. 

Imagine se você fosse aplicar essa lógica na matemática e dizer “eu tenho a minha própria matemática”, pois é a mesma coisa que dizer que você tem a sua própria verdade. Suponha que você contrate uma pessoa pra trabalhar para você e suponha que você combine com a pessoa para pagar 10 reais por hora trabalhada e a pessoa trabalha 15 horas e na hora de receber, vem e te diz: “você me deve 1.500 reais”. Então você logicamente responderia, “não, eu te devo apenas 150 reais”. E a pessoa que você contratou dissesse, “não, é que você não entendeu, é que eu tenho a minha própria matemática e por isso você me deve 1.500 reais”. O que você diria para essa pessoa? “Você está louco!” É a única resposta válida e viável para o momento. Não existe esse negócio de minha própria matemática, assim como não existe esse negócio de minha própria verdade. Talvez algumas verdades podem se aplicar apenas a você, como por exemplo que você goste apenas de chocolate e seu amigo goste só de morango, mas é a verdade que você gosta só de chocolate e seu amigo goste só de morango. Então essa ideia de que existe apenas a minha verdade e sua verdade é completamente falsa. Porque, repito, é uma afirmação de verdade dizer que não existe esse negócio de verdade ou dizer que a verdade não existe. Sei que isso pode dar uma espécie de constipação intelectual quando você fica pensando sobre isso muito tempo, mas é importante pensar e se preparar para dialogar com essas pessoas, porque você aprende e internaliza a identificar e a responder a essas afirmações autocontraditórias. Também afirmações deste tipo são encontradas hoje em todos os lugares e contextos, pois vivemos em uma sociedade completamente relativista, pluralista e ecumênica. 

Outra forma de abordar essas afirmações estranhas. Digamos que alguém chegue para você e diga: isso é verdade pra mim e pode não ser verdade para você. Então você pergunta, isso é verdade para todos? Esse seu “é verdade para mim” é verdade para todo mundo? Porque se não for verdade para todo mundo, não pode ser verdade. Pois a lógica é a mesma, ela se classifica como uma afirmação autocontraditória. Então quando você inverte a lógica e joga de volta, você mostra a falsidade da afirmação. Uma forma bem fácil de mostrar a verdade dos fatos é por essa analogia: digamos que um relativista maluco desse aí vá numa agência bancária sacar o dinheiro de sua conta. Então ele chega na boca do caixa e diz, “eu quero sacar mil reais da minha conta”. O caixa do banco pega os dados da conta, acessa e diz, “olha, só tem apenas 6 reais e 20 centavos na sua conta”. Seria muito fácil ele usar o relativismo dele e dizer, “olha, isso é verdade para você, mas não é para mim, passa para cá os mil reais.” Você acha que ele vai sair do banco com os mil reais em dinheiro? Claro que não. Porque este fato seria verdade para todas as pessoas, em todos os lugares em todas as épocas. 

A verdade não depende da pessoa que acredita. Jesus não ressuscitou dos mortos porque você acredita que ele ressuscitou. As vezes eu pergunto as pessoas “porque você acha que o Cristianismo é verdadeiro?” E as pessoas respondem, “porque eu tenho fé”. Agora, pense comigo, essa é uma boa resposta? Você acha que a sua fé interfere em alguma coisa? Se Deus existe ou se Jesus ressuscitou dos mortos ou se a Bíblia é verdadeira? A sua crença não interfere em nada. Pense comigo. O fato de Deus existir, ou de Jesus ter ressuscitado dos mortos ou da Bíblia ser verdadeira, a sua fé não interfere em nada. Não é a sua fé que torna esses fatos verdadeiros! A fé não muda essas coisas. Seria lógico pensar que a sua crença nas coisas faça com essas coisas sejam verdadeiras? Você acha que você tem que acreditar que a gravidade existe para estar no chão? Será que as pessoas que negam a existência da gravidade saem por aí voando? O que é verdadeiro ou falso, é verdadeiro ou falso, independentemente do que você acredite sobre essas coisas. 

Agora, pense comigo, acerca do Cristianismo existem dois tipos de fé. A fé no sentido de acreditar em algo, e a fé no sentido de crer e confiar em algo ou alguém. A primeira está mais ligada a mente e a segunda está mais ligada ao coração. Acreditar tem a conotação de saber que Deus existe, de saber que Jesus ressuscitou dos mortos e a conotação de saber que a Bíblia é a verdade. Agora, quando você tem os seus pecados perdoados, então você pula da categoria de acreditar em algo para crer e confiar internamente, no sentido cristão do termo, ou seja, ter fé. Tiago, o meio irmão de Jesus, quando fala dessa questão de acreditar em algo, ele diz que até os demônios acreditam que Deus existe e estremecem (Tg 2:19). Você percebe o que o apóstolo Tiago está dizendo aqui? Ele está dizendo que os demônios acreditam na existência de Deus de uma forma mais intensa do que nós. Mas os demônios não confiam em Jesus, não confiam em Deus porque eles não querem, pois essa fé interna, salvífica significa confiança. Então está clara a diferença de crer, no sentido de acreditar ou de reconhecer um fato, atitude mais voltada unicamente ao intelecto e crer, confiar, o passo a mais que está mais voltado ao coração, que também não despreza o intelecto. Para sair do nível acreditar em algo (reconhecer algo como um fato a nível intelectual) para crer em algo (ter fé e confiança no sentido salvífico) requer uma escolha e uma submissão a autoridade da Palavra e ao convencimento do Espírito Santo. 

Conheço pessoas que acreditam que o Cristianismo é verdadeiro, pessoas que tem um grande respeito a Palavra de Deus, mas não querem entregar a vida a Jesus. Tem até uma pergunta interessante que geralmente a gente faz a algumas pessoas, até mesmo a ateus, tipo “se você soubesse que o Cristianismo é verdadeiro, você entregaria sua vida a Jesus?” E eles dizem que não. Isso é razoável? Claro que não! O problema não está no intelecto, nem na capacidade de convencimento do Espírito Santo, o problema está no coração e na vontade, eles simplesmente não querem. Eles não querem que o Cristianismo seja verdadeiro, eles não querem que Deus exista, porque eles querem ser os deuses de suas próprias vidas. Então não é uma questão de verdade em si, eles querem algo que os faça felizes aqui nesta terra, eles querem curtir a vida, se divertir, eles não querem ninguém se intrometendo na vida deles. O que podemos fazer com essas pessoas? Amá-las. Sempre que puder, lançar uma semente e deixar o poder da Palavra e o Espírito Santo atuar. Porque é fato que eles não estão interessados. Eles são o tipo de pessoas que mesmo que você apresente evidências convincentes a favor da fé cristã, a força lógica da argumentação, eles vão até dizer que entendem a força do argumento, mas que não se interessam em se converter. O fenômeno que apresento aqui não está muito conectado aos argumentos a favor da existência de Deus, antes o fenômeno é o da resistência a Deus. Eles estão simplesmente resistindo a Deus, eles não querem Deus em suas vidas. Repito: há uma grande diferença em acreditar que algo é verdadeiro e crer, confiar que algo é verdadeiro. Todas as vezes que a Bíblia fala de fé em um sentido positivo, é a este segundo tipo que ela aponta. Porque a partir do momento que você aceita Jesus como seu salvador, você está se entregando de forma incondicional a ele, confiando nele. É por isso que é ridícula a acusação de alguns ateus quando afirmam que a fé é uma crença que vai de encontro as evidências. Isso simplesmente não é verdade. Então porque crer no Cristianismo e não no Islã, ou no Panteísmo, ou no Evolucionismo, ou no Deísmo, ou no Panenteísmo ou em alguma outra coisa? O problema é que a fé não é cega, a fé não é um salto no escuro. Fé é exatamente confiar naquilo que você tem boas evidências para crer. 

Existem ainda outras afirmações que dizem que a verdade só pode ser alcançada pela ciência. É seguindo esse viés que as pessoas perguntam se algumas afirmações são verdades científicas. O problema é que esta afirmação é filosófica, não é uma afirmação científica. Não se pode fazer ciência sem filosofia. E baseado nesse cientificismo, algumas pessoas dizem que se deve duvidar de tudo. Então você deve perguntar a essa pessoa: eu devo duvidar disso que você tá dizendo também? E o cético que se diz cético de tudo, mas não é cético do ceticismo? E os ateus? Eles geralmente afirmam que não têm fé em nada, mas a verdade é que eles tem crenças bem firmadas em uma fé sem comprovação científica. Eles acreditam de forma positiva em coisas impensáveis. Por exemplo, os ateus acreditam que tudo é feito de moléculas, afirmam que a esfera metafísica ou espiritual não existe. Para eles tudo é material. Eles acreditam ainda que nós chegamos a essa condição de mundo hoje apenas por uma flutuação quântica aleatória, randômica e sem a agência de uma inteligência por trás. Essa é uma crença positiva, não é uma falta de crença. Eles acreditam que chegamos até aqui em nossa condição humana por meio de uma evolução cega tríplice, cósmica, biológica e química. Então a afirmação do ateu de que ele não tem fé, não é verdade. Essas são crenças positivas. Eles tentam explicar a realidade como eles a entendem por meio de outros sistemas de crenças, como por exemplo, a ideia de que a alma ou o espírito não existem. Agora, porque devo acreditar que essas coisas são verdadeiras, se eles não me dão boas evidências de que essas afirmações são verdadeiras? 

Continua....

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