Frank Turek do site Cross Examined
Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales
A próxima pergunta que iremos investigar é: qual é o propósito do mal? Porque se o mal não descarta a existência de Deus, então qual o propósito que Deus tem ao permitir o mal? O Dr. Frank Turek relata que estava dando uma palestra há alguns anos sobre o livro Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, na universidade estadual de Michigan, EUA, e em todas as universidades que ele vai para dar esta palestra, ele abre uma sessão de perguntas e respostas e, via de regra, acontecem alguns debates com ateus presentes. E Frank Turek sabia que havia um ateu militante na plateia porque este ateu estava sempre com a cara fechada, braços cruzados e na defensiva. Até nos momentos de descontração nas palestras, esse cidadão esboçou um sorriso. Assim que a palestra se encerrou e começou a sessão de perguntas e respostas, o ateu foi a frente, levantou a mão e fez uma pergunta e perguntou: se de fato existe um Deus bom, porque ele não cessa todo o mal que existe no mundo? Ao que Frank Turek respondeu: senhor, esta é uma excelente pergunta, agora, porque o mal não deveria começar a ser cessado por nós mesmos? Porque nós não paramos de fazer o mal que sempre fazemos? Porque a verdade é que nós, seres humanos, fazemos o mal todos os dias. Perceba que toda vez que alguém reclama do problema do mal, ele está reclamando do problema de outras pessoas e nunca do próprios problemas que ele próprio causa. A verdade é que sempre as pessoas exigem que Deus cesse o mal que as pessoas fazem e nunca pedem pra Deus cessar o mal que elas próprias cometem. O ser humano peca constantemente por palavras, pensamentos e obras e porque eles não cessam de praticar o mal que sempre praticam? O mal cometido pelos seres humanos é permitido por Deus por causa do livre-arbítrio que Deus nos deu e Deus permite o livre-arbítrio para possibilitar que o amor entre Deus e seus filhos seja genuíno e verdadeiro. Logo, o livre-arbítrio também abre a possibilidade para que nós façamos coisas boas e também coisas más, ações malignas. Deus achou melhor que existisse um mundo moral para que as pessoas utilizassem o livre-arbítrio e um mundo repleto de robôs onde as escolhas morais e livres não seriam permitidas é inviável, onde nem o amor genuíno e livre seria permitido, muito menos o mal, o mau uso do livre-arbítrio. Então, o que é que vamos fazer com este dom maravilhoso que Deus nos dotou, o bem ou o mal? Logo, o mal existe entre os seres humanos e entre as ações humanas, exatamente porque Deus permitiu o livre-arbítrio, mas também possibilitou o bom uso do livre-arbítrio, o mau uso do livre-arbítrio e a própria existência do amor genuíno. Então o Dr. Frank Turek explicou essa questão na universidade de Michigan naquela ocasião para esse ateu. Qual foi a resposta do ateu: o livre-arbítrio não explica todas as ocorrências da existência do mal, ou seja, ele disse que há coisas que acontecem sem a agência do livre-arbítrio humano, como por exemplo a existência de desastres naturais, a morte de bebês prematuros, como doenças terríveis como o câncer. Frank Turek reconheceu que essas são questões boas e legítimas, mas que a fim de descobrirmos se algum evento mal tem um propósito, então nós temos que saber qual é o propósito da vida, porque se a vida não tem nenhum propósito, você não pode achar um propósito para o que ocorre na vida das pessoas. Para sabermos acerca do propósito da vida, precisamos recorrer as Escrituras Sagradas, pois ela responde aos cinco maiores questionamentos da existência humana. Porque estamos aqui? Acho que Jesus já respondeu a esta pergunta nos evangelhos. Jesus revelou quando fez a oração sacerdotal no capítulo 17 de João:
E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. João 17:3
Em outras palavras, o propósito da vida é conhecer a Deus não apenas intelectualmente, mas de forma pessoal, no coração, porque até os demônios sabem, de forma intelectual, que Deus existe. Tiago escreveu sobre isso, os demônios sabem que Deus existe e estremecem (Tg 2:19). Não estamos falando aqui apenas de conhecimento intelectual, não é uma questão de conhecimento intelectual, estamos falando de conhecimento pessoal, a saber: conhecer a Deus de forma pessoal, saber o que ele fez por nós, amá-lo, reverenciá-lo e servi-lo. É sobre este relacionamento a que Jesus se referiu quando disse que esta era a vida eterna, ou seja, conhecer a Deus e este é o propósito da nossa vida aqui. quando Jesus estabeleceu a Grande Comissão, ele a ordenou para que nós saíssemos pelo mundo inteiro fazendo com que as pessoas conhecessem a Deus e a Jesus Cristo por meio do evangelho.
Então o propósito da vida é conhecer a Deus de forma pessoal e torná-lo conhecido no mundo inteiro e aqui está o problema. Conhecer a Deus e crescer nesse conhecimento, geralmente envolve a dor e o sofrimento. Como C. S. Lewis expressou e isso ficou bem famoso: Deus sussurra nos nossos prazeres, fala em nossas consciências, mas grita em nossa dor e me parece que esse é o megafone de Deus para falar a um mundo surdo que virou as costas para ele, um mundo que não quer ouvir. Para termos uma ideia do que isso significa, muitas pessoas que estão ouvindo, assistindo ou lendo este material, se converteram e passaram a ter um relacionamento pessoal com Deus depois de ter passado por uma evento de sofrimento, aflição que envolve o problema do mal e algumas pessoas cresceram na sua vida espiritual depois de passar por grandes provações e aflições também e ficaram mais íntimas de Deus depois que passaram pela dor e pelo sofrimento. Talvez, 30%, 40% das pessoas convertidas hoje, se converteram por causa da dor e do sofrimento, por causa de experiências desagradáveis em suas vidas e 100% dos crentes que cresceram na graça e no conhecimento, na experiência e na comunhão pessoal com Deus, cresceram por meio da dor e do sofrimento, pois sempre experimentaram a presença e os cuidados de Deus bem de perto nos momentos mais difíceis. A propósito, é exatamente isso que as Escrituras ensinam. O próprio Tiago, o meio irmão de Jesus, no início de sua epístola, diz exatamente isso:
Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações [provações]; Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma. (Tiago 1:2-4).
O apóstolo Paulo diz a mesma coisa também no capítulo 5 de Romanos:
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. (Romanos 5:3-5).
O problema com essa fala de Paulo acima é que ele sabia o que era sofrer:
São hebreus? também eu. São israelitas? também eu. São descendência de Abraão? também eu. São ministros de Cristo? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas. (2 Coríntios 11:22-28; ver também Gl 6:17; At 14:19; 16:23-25).
Então a provação pode produzir duas coisas, esperança ou desespero e as Escrituras nos ensinam a confiarmos em Deus de forma que as provações produzam em nós paciência, perseverança, esperança. O melhor de tudo é termos a convicção de que por trás de toda a provação existe um propósito divino, que muitas vezes não estará ao nosso alcance ainda nesta vida e portanto devemos sempre confiar que Deus tem sempre o melhor pra nós. Isso é importante, porque nós precisamos de um nível de dificuldade, pois nada que viermos a alcançar, chegar muito fácil, não vai ser valorizado. A verdade é que estamos em um mundo caído e se não tivermos dificuldades, nós não vamos crescer, mas na verdade nós vamos regredir na nossa experiência com Deus, como diz certo adágio oriundo de um sábio provérbio oriental nos lembra o que reflete bem as experiências humanas:
Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes.
O próprio fundador de Dubai, Sheikh Rashid, quando foi questionado sobre o futuro de Dubai, ele disse “Meu avô andava de camelo, meu pai andava de camelo, eu ando de Mercedes, meu filho anda de Land Rover, e o meu neto vai andar de Land Rover; mas meu bisneto vai andar de camelo.", confirmando de forma incrível este adágio oriental. Pense direitinho comigo aqui, o que seria de nós se não fossem os desafios e as dificuldades? Imagine se nós tivéssemos tudo o que desejássemos exatamente no momento que desejássemos? O que seria de nós? Nós seríamos pessoas egoístas, auto centradas, completamente mimadas, descompromissadas com as lutas do dia a dia. Então, surgiria um tipo de antropocentrismo cristão, onde nós seríamos o centro das atenções dos nossos desejos. Seria tudo sobre nós, tudo para nós e nada sobre Deus, nada sobre Jesus. Logo, se você não tiver desafios, se você não tiver pessoas contra você, se você não tiver lutas e se você não ouvir as pessoas te dizendo não, você nunca vai crescer. Se vcoê não tiver esses desafios que nos impulsionam, vc vai se transformar numa pessoa auto centrada, egoísta, mesquinha, raquítica, antropocêntrica e na verdade, você não vai progredir, você vai regredir. Pense comigo: o sofrimento desenvolve o caráter e existem algumas virtudes que só podem ser desenvolvidas com os sofrimentos e provações. Por exemplo, você não pode desenvolver a coragem se você não passar e enfrentar os perigos, vencendo os seus medos. Você não pode desenvolver a perseverança, a menos que existam obstáculos. Não tem como você desenvolver a compaixão, a menos que você veja pessoas sofrendo, necessitando de sua compaixão. Você nunca vai desenvolver a paciência sem passar por tribulações. Perceba que todos nós somos, de alguma forma, impacientes e quando você ora a Deus pedindo paciência, não estranhe se Deus mandar algumas tribulações. Se prepare que alguma coisa vai dar muito errado naquele dia para que você desenvolva essa característica. Você não terá como desenvolver seu caráter e sua personalidade de forma bíblica sem haver adversidades. E você não tem como desenvolver a sua fé e a sua confiança em Deus sem as necessidades que você passa. Como você quer desenvolver o caráter do seu filho se você dá tudo o que ele quer na hora que ele quer, sem exigir dele nenhum esforço pessoal e suor? Se você fizer isso, você estará criando um monstro bem mimado, ingrato e infiel. Você está assim, arruinando o caráter deles, pois estará enfatizando a preguiça. Dizem que existe um ditado chamado “sem dor, sem ganho”. Acho que seria mais verdadeiro dizer “mais dor, mais ganho”. Acho que Paulo fala bem isso em 2 Coríntios, capítulo 4, e em Romanos, capítulo 8, pois lá ele fala de um sofrimento momentâneo que vai trazer para nós um ganho espiritual incrivelmente superior:
Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; 2 Coríntios 4:7-9
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 2 Coríntios 4:17
Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Romanos 8:18
Quando passamos por dificuldades, devemos colocar os nossos olhos naquilo que é eterno, naquilo que não é passageiro, e não no que é temporal, material. As dificuldades, os problemas que você está passando hoje, estão lhe preparando, lhe deixando mais perto dos ganhos espirituais que alcançaremos na eternidade. Como o apóstolo Paulo aconselha com muita sabedoria:
Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. 2 Coríntios 4:18
Perceba, por exemplo, um jogador de futebol que entra em campeonato com o seu time, joga todos os jogos, passa por contusões, marca vários gols ou pontos, quando por fim, ele levantar a taça de campeão, uma pessoa que esteve no banco no banco de reservas todos os jogos, que não jogou nenhuma partida, não marcou gols, não suou, não se contundiu, ele vai ser campeão também junto com toda a equipe, mas ele será reconhecido e valorizado como aquele que esteve no centro do furação fazendo os gols, sofrendo as faltas, sofrendo e se desgastando pela equipe? Claro que não. Porque o atacante passou por todos os jogos, dificuldades, sofreu as faltas violentas, sofreu todas as contusões, marcos gols. Então o atacante, o jogador que passou por todas aquelas dificuldades, melhorou nas suas capacidades, e levou a sua equipe a vencer o campeonato. Mas o jogador que esteve no banco todos os jogos, foi campeão, levantou a taça, recebeu a mesma medalha, recebeu o prêmio em dinheiro, mas ele não teve a experiência enriquecedora de estar no centro do furação. Não cresceu em experiência, não teve o seu caráter e personalidade provados, melhorados e treinados em todos os jogos. Na vida real acontece a mesma coisa. Todos aqueles que passam por mais dificuldades, por mais provações, necessidades, serão aqueles que vão crescer mais na graça, no conhecimento, na perseverança, na paciência e em experiências e intimidade com Deus. Paulo diz que isso é uma garantia, lá em Romanos 8:28 de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Ele não está dizendo que todas essas coisas são coisas boas. Ocorrem coisas ruins também que terminam cooperando para o nosso crescimento e amadurecimento.
Continua...
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