Frank Turek do site Cross Examined
Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales
Seria o mal um argumento forte para negar a existência de Deus? Contudo, o que vou defender a partir de agora é que o mal é um argumento a favor da existência de Deus. O mal objetivo pressupõe a existência do bem objetivo que, por sua vez, é uma prova da existência de Deus. Como essa argumentação pode fazer algum sentido? Siga o raciocínio. O mal não existe por si e de si mesmo. O mal só existe a partir de uma falha ou defeito em uma coisa boa. O mal é semelhante a um câncer, se você retirar o câncer de um corpo, você tem um corpo melhor. Se você retirar o corpo do câncer, você não tem nada. O mal é semelhante a ferrugem no carro. Se você retirar toda a ferrugem do carro, você tem um carro melhor. Se você retirar o carro da ferrugem, você não tem nada. Então, o mal é como um parasita em uma coisa boa. O mal é uma privação em uma coisa boa. Sendo assim, o mal não existe por si e de si mesmo, o mal não é uma substância. Este é o motivo pelo qual Deus, o ser último, não pode ser mal. O mal é ainda um atributo negativo, não é um atributo positivo. Até mesmo satanás é metafisicamente bom, porque ele tem mente, emoção e vontade e essas são coisas boas, ele apenas usa estes atributos para o mal. Logo, a realidade última não pode ser má. Não faz o menor sentido de existir um Deus mau. Logo, apesar do fato de existirem criaturas más, que fazem o mal e existirem pessoas más que operam o mal, até mesmo demônios, a realidade última, ou seja, Deus, tem que ser bom e não apenas isso, Deus tem que ser o próprio padrão de bondade.
O próprio C. S. Lewis percebeu essa questão, até mesmo antes de se converter ao Cristianismo, quando ainda era ateu, quando participou da primeira guerra mundial, onde na época ele não acreditava na existência de Deus exatamente por causa do problema do mal e da injustiça que eram abundantes no mundo. Contudo, um dia ele teve uma epifania, foi quando ele percebeu que o principal argumento que ele utilizava contra a existência de Deus não funcionava, porque o mal requer o bem e o bem requer a existência de Deus. Inclusive esta informação é relatada no livro Cristianismo Puro e Simples. Foi quando ele raciocinou algo do tipo,
“meu argumento contra a existência de Deus era que o universo era tão cruel e injusto, mas de onde eu peguei essa ideia de justiça e injustiça? Eu estava reafirmando o conceito do bem, do bom e da justiça quando eu apelava para o conceito de injustiça. Você não pode dizer que existe o conceito de linha torta a não ser que você conheça o conceito de linha reta. Da mesma forma você não pode dizer que existe injustiça a menos que você reconheça que existe o conceito de justiça. Você não pode dizer que algo é imoral a não ser que você saiba dizer que algo é moral. Você não pode dizer que algo não está certo a menos que você saiba o que é certo. Então vamos dizer isso de outra forma, você pode dizer que as sombras provam que a luz do sol existe. Para que tenhamos sombras, é necessário que exista a luz do sol. Em outras palavras, só podemos ter o mal a menos que possamos ter o bem. Você não pode ter o bem sem o mal e não pode ter as sombras sem a luz. Você não pode ter a luz do sol sem sombras, você não pode ter o mal sem o bem. Então se o mal existe e de fato ele existe, então ele é uma prova de que Deus existe.”
Parece algo contra intuitivo, mas se você analisar friamente, verá que é verdade. Logo, o mal não prova que Deus não existe, talvez o mal prove que existe um demônio lá fora, ou que o diabo existe ou ainda que os homens são caídos e extrapolam o uso do livre-arbítrio. Talvez você se sinta surpreso ao descobrir que o próprio Richard Dawkins defenda que o mal não existe a menos que Deus exista. Veja o que ele escreveu há alguns anos quando especulou sobre a própria existência de Deus:
“Em um universo de forças físicas cegas, replicações genéticas, algumas pessoas serão machucadas, algumas pessoas vão ter sorte, e você não vai encontrar uma razão verdadeira por trás nada disso. Você não encontrar uma questão de justiça e injustiça em nada disso. Não existe nenhum design, propósito, nem mal, nem bem, nada, por trás dessas forças cegas. Apenas indiferença cega. O que ocorre por trás de tudo é que as moléculas estão apenas dançando a música do DNA.”
Em outras palavras, nós somos apenas máquinas moleculares. Somos apenas robôs. Não existe o bem, mal, nada disso segundo o ateísmo, naturalismo, materialismo e evolucionismo. Não existe nenhum propósito por trás de nada disso. Então, se o materialismo é verdadeiro, o materialista não pode se queixar do problema do mal ao dizer que o mal existe. Se somos apenas máquinas moleculares, não deveríamos nem ter consciência de que o mal existe. Na visão materialista de Richard Dawkins, não existe o bem nem o mal, nem justiça ou injustiça. Mas lembre-se que começamos esta investigando mostrando Richard Dawkins dizendo que o Deus do Antigo Testamento é mau e injusto. Ele diz exatamente no meio daquela citação que Deus é injusto. De onde ele retirou esse conceito de injustiça se no materialismo não existe conceito de justiça e injustiça? Então o Frank Turek está certo quando afirma que os ateus estão roubando conceitos de Deus para argumentarem contra Deus. Não deveria haver esse conceito de injustiça a menos que haja o conceito de justiça.
Então, por um lado Richard Dawkins está tentando dizer que não existe o bem ou o mal, justiça ou injustiça e por outro lado ele está dizendo que Deus é injusto. Ele não pode ter as duas coisas ao mesmo tempo, ele terá que escolher uma. Logo, quando ele utiliza o conceito de justiça, ele vai ter que assumir que Deus existe. E por mais incrível que pareça e estranho para o materialista é que a justiça é um dos atributos essenciais de Deus, pois Deus é o maior padrão de justiça. Do contrário é apenas a opinião dos ateus contra a opinião dos crentes. Assim, de acordo com os princípios materialista e ateístas, eles não tem nenhum fundamento para dizer que algo é bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado. O motivo disso é que o materialista não tem nenhum padrão ou fundamento fora de si mesmo, fora de sua própria opinião. Então Dawkins prova isso quando ele diz que não existe o bem o mal, o bom ou o mau, o justo ou injusto, o certo ou o errado. Ele não pode dizer ao mesmo tempo que o Deus do Antigo Testamento é mau e depois que o mal não existe.
Quando o ateu está usando o problema do mal, ele não está provando que Deus não existe, o que ele quer de fato é retirar Deus de sua própria vida, ele não quer que Deus se intrometa na sua vida. Então, o mal não é um argumento contra a existência de Deus, na verdade o mal é um argumento a favor da existência de Deus. Logo, o mal passa a ser um motivo, no fundo, para nós acreditarmos na existência de Deus e a injustiça passa a ser um motivo para cremos e almejarmos a justiça de Deus e cremos que no fim a justiça de Deus irá prevalecer. Então, a resposta para a primeira pergunta: o mal prova que Deus não existe? Claramente esse não é o caso. Deus é o padrão principal da bondade e você não tem como saber a existência da maldade sem reconhecer o padrão de bondade, porque o mal é uma falta, uma deficiência no bem, ou seja, uma privação da bondade.
Continua...
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