sábado, 24 de dezembro de 2022

Conversa com uma Cética

 

Por Walson Sales


Em se tratando de pessoas ávidas para dialogar, aqui eu me recordo do encontro que tive com uma cética durante um projeto de evangelismo. Quando estava perto de concluir meu curso de teologia em 2008 pela Esteadeb – Escola de Teologia das Assembleias de Deus no Brasil, realizamos um estágio prático e curricular em evangelismo. O líder da nossa equipe, na época o Diácono Edvaldo Carmelo, elaborou um projeto e resolvemos aplicar no projeto o estudo de evangelismo conhecido como As Quatro Leis Espirituais. 

O projeto consistia no seguinte, escolhemos uma congregação em Peixinhos, Olinda para desenvolver e aos domingos saíamos ao campo para evangelizar. A meta era entrar nos lares e aplicar o estudo para famílias inteiras e ver o resultado. Sempre lográvamos êxito e algumas pessoas começaram a se entregar a Jesus. Porém, em uma tarde percebi que uma irmã, que sempre participava do evangelismo, estava inquieta me olhando. Perguntei se ela tinha alguma sugestão de alguma casa para irmos evangelizar. Ela disse que sim. E relatou que no bairro havia uma senhora muito questionadora que ficava a tarde esperando os irmãos do evangelismo passar para debater. Outra irmã disse que era melhor deixar quieto e evitar, pois outros irmãos evitavam essa mulher. Então eu propus: “vamos fazer o seguinte, vamos direto na casa dessa senhora e se ela estiver lá, dedicaremos a tarde inteira aos questionamentos dela”. Todos de acordo, seguimos direto. Entramos na rua e a senhora estava no muro da residência, esperando. Saudamos com uma boa tarde, ela respondeu gentilmente e disse que seria um prazer nos receber. Pediu para esperarmos enquanto ela preparava o “tribunal de inquisição” no terraço da casa. Depois nos chamou e entramos. Ela havia colocado 6 cadeiras em linha, uma mesa e uma cadeira para ela atrás da mesa. Sentamos. Sentei na frente dela, pois seria o principal interlocutor. No canto do terraço havia uma enorme estante de vidro feito de uma madeira antiga e de boa qualidade, abarrotada de livros de filosofia.

Bem, comecei explicando que se tratava de um projeto de evangelismo e que seria um prazer tratar com ela sobre as 4 leis espirituais. Ela me permitiu começar e dei início. Terminado o estudo, ela disse que teria uma série de perguntas e eu disse que tudo bem, ela poderia perguntar o que desejasse. Então ela perguntou sobre a crença na vida após a morte e no fato de que os crentes choram quando perdem seus entes queridos e que isso era um contrassenso. Respondi que os crentes choravam pela dor da separação, pelo fato da morte ser um intruso na esfera humana, mas que era também um contrassenso um cético chorar por seus entes se tudo se acaba com a morte, em uma perspectiva de vida e morte sem condenação eterna. Expliquei ainda que existia uma diferença abissal entre a morte de um crente e a morte de um cético, pois no primeiro, apesar da dor e do choro, haviam muitos louvores e esperança final e que no sepultamento do cético só havia desespero e desesperança. Percebi que ela não gostou muito.

Ampliei minha resposta e falei sobre os cinco maiores questionamentos da existência humana: Origem, de onde viemos? Identidade, quem somos? Propósito, porque estamos aqui? Moralidade, como devemos viver? Destino, para onde vamos? Isso causou um impacto bem forte nela, mas até aí ela ficou sem muitas chances de contra argumentar, pois sempre se enredilhava em contradições. Então, depois de fugir do desafio dos maiores questionamentos da existência humana, ela fez um desafio de 1 milhão de dólares: “me prove, com uma palavra, que Deus existe.” Deu um estalo na minha mente e respondi: “Essa é fácil”. Ela me olhou assustada e disse que todos fugiam desse desafio. Respondi: “Israel”. Ela disse, “Israel, o país de Israel?” Eu disse, sim e continuei. Disse que o povo de Israel é mencionado na profecia bíblica milhares de anos antes dos eventos. Por exemplo, Deus prometeu a terra a Abraão e quando o povo estava para possuir a terra, Deus os advertiu que eles virariam as costas para Deus (no contexto de Deuteronômio 4 e outros textos) e que se eles se desviassem da lei, o Senhor soltaria atrás deles os quatro maus juízos, a saber, a fome, a peste, a espada e as bestas da terra e os espalharia por todas as nações e eles seriam odiados por causa do nome do Senhor. Mas que nos últimos dias eles se arrependeriam, clamariam a Deus dentre as nações onde estavam sendo perseguidos e mortos e Deus estenderia as mãos poderosas e os faria voltar de todas as nações. Então perguntei a ela: “qual foi a única nação que foi tão perseguida, expulsa da sua terra três vezes (Cativeiro Assírio, Babilônico e expulsão pelo General Romano Tito no ano 70 d.C.), torturados, mortos, mas que mantiveram a identidade étnica e nacional? Qual foi o único povo que voltou a ser nação em um só dia (14 de Maio de 1948)? Isso não aconteceu com os alemães, nem com os portugueses, nem com os americanos, nem com os brasileiros, nem com nenhum outro povo, isso não aconteceu com nenhuma outra nação, mas apenas com Israel. 

Disse ainda que quando o partido nazista se organizava na Alemanha em 1929, o movimento antissemita já mostrava sua força e alguns teólogos Batistas, Assembleianos, bem como o fundador da Obra Missionária Chamada da Meia-Noite, Wim Malgo e a teóloga holandesa Corrie ten Boom dizia que Israel voltaria a ser nação depois de um grande morticínio de Judeus em cumprimento a maravilhosa profecia de Ezequiel 37, o vale de ossos secos. Depois da Segunda Guerra Mundial, 6 milhões de Judeus mortos, nasce o Estado de Israel como um milagre e em um único dia (Isaias 66:8). 

Ela estava sentada com os olhos vermelhos e fiz o convite. Ela disse que ninguém havia falado com ela desta forma e que não aceitaria Jesus ali, mas que estava disposta a frequentar os estudos bíblicos e os cultos para, talvez, se decidir depois. Aquela foi uma tarde gloriosa. As irmãs estavam eufóricas e pulando de alegria. Aqui fica um alerta para nós: apologética não é vencer debates. Apologética não é vingança. Se o amor de Deus, a veracidade das Escrituras e as almas perdidas não forem o nosso foco, o nosso trabalho será em vão. O apologista nunca depende do lado racional apenas, mas sempre depende do poder do Espírito e oferece a razão e o conhecimento para que sejam usados a serviço do Espírito, como o que Lutero chamou de uso ministerial da razão, ou seja, a razão a serviço da fé. Achei que seria legal apresentar essa experiência. Outras virão neste trabalho.

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