sábado, 24 de dezembro de 2022

Prefácio ao livro do professor Wellington Galindo

 

"Por que devemos aprender sobre o Islã?" Primeiro, os números. O islamismo é a segunda maior religião na história (após o Cristianismo). Existem cerca de 1,6 bilhões de muçulmanos no mundo. Isso é mais de um quinto da população mundial. Atualmente existem mais de 1.200 mesquitas nos Estados Unidos e mais de 6.000 na Europa. E de acordo com muitas fontes, o Islã é a religião de mais rápido crescimento no mundo. Segundo, os Cristãos não podem comunicar o Evangelho claramente aos muçulmanos sem entender o que os muçulmanos acreditam, porque o Alcorão distorce o significado das reivindicações Cristãs. Em terceiro lugar, o Islã prospera em uma atmosfera de ignorância. Conheço o testemunho de convertidos ao Islã. Mas nunca conheci uma única pessoa que se converteu ao Islã depois de estudar cuidadosamente sua história e doutrina. A razão pela qual tantas pessoas se apaixonam pela propaganda islâmica é que existe uma atmosfera geral de ignorância sobre o Islã entre nós, cristãos, que permite que os pregadores muçulmanos digam praticamente tudo o que eles querem, porque ninguém vai corrigi-los. Em quarto lugar, muitos muçulmanos são tão confiantes de que o Islã é verdadeiro (porque lhes foi dito toda a vida que é indiscutivelmente a verdade) que eles não podem considerar seriamente quaisquer alternativas ao Islamismo. Em quinto lugar, os muçulmanos são treinados a desafiar as principais doutrinas do Cristianismo. Jesus ensinou aos seus seguidores muitas coisas, mas quando pregavam o Evangelho no Livro de Atos, eles pregavam que Jesus é o divino Filho de Deus, que morreu na cruz pelos pecados e ressuscitou da morte - deidade, morte e ressurreição. Estes são os três ensinamentos fundamentais do Evangelho Cristão. O Islã nega todos os três, e assim os muçulmanos são ensinados a desafiar os Cristãos nessas questões.

O Islã ensina o Monoteísmo, enfatiza a necessidade de se adorar a Deus (neste caso específico, Allah), mas qual o ponto principal entre a relação do Islã com o Cristianismo? O Islã fala de forma substancial sobre Jesus (Jesus é citado 93 vezes no Alcorão), com implicações doutrinárias profundas. Por exemplo, o Islã nega a crucificação de Jesus (Alcorão 4: 157), onde é dito que Jesus nem foi morto, nem crucificado. Resumindo, Jesus não morreu na cruz, de acordo com o Islã e, se Jesus não morreu na cruz, ele não poderia ter ressuscitado dos mortos. Logo, por implicação clara e direta, a ressurreição de Jesus é negada pelo islã, doutrina que é o pilar central da fé Cristã. 

No capítulo 5:72, 73 do Alcorão é dito que se você crer que Jesus é Deus ou crer na Trindade, então você será lançado no inferno. No capítulo 5:116 do Alcorão, Jesus nega qualquer afirmação de ser divino (está explícito também neste verso que Maria fazia parte da Trindade). Então, o que temos ainda? No capítulo 3 do Alcorão você pode crer que Jesus curou os leprosos, restaurou a vista aos cegos, curou os surdos e ressuscitou os mortos. Lá também Jesus é o Messias nascido de uma virgem, filho de Maria e aquele que voltará no fim dos tempos. Ora, você pode crer nisso tudo, mas não pode crer que Jesus morreu na cruz, que ele ressuscitou dos mortos ou que Jesus é Deus. Agora, perceba o que afirma Romanos 10:9:


Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Romanos 10:9 – grifos meus).


Perceba que a condição necessária para a salvação no Cristianismo é confessar e crer que Jesus é Deus (primeiro grifo) e que Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos (segundo grifo). Perceba também que são exatamente estas mesmas coisas que o Islã nega doutrinariamente. Isto não é uma coincidência. Constate que a principal polêmica do islã contra o Cristianismo diz respeito a divindade de Jesus na Cristologia, ou seja, a principal pergunta para ambas revelações é “Quem é Jesus?” (Mateus 16: 13, 15). Ele morreu na cruz? Ele afirmou ser Deus? 

Outro ponto da narrativa do Islã sobre Jesus são as afirmações que negam fatos históricos amplamente conhecidos sobre a vida de Jesus. O Islã nega pontos históricos cardeais para a fé Cristã, pontos estes que são reconhecidos pelas testemunhas oculares dos fatos do Novo Testamento e pelos próprios inimigos do Cristianismo, as chamadas testemunhas hostis. Temos então dois conjuntos de fatos sobre o Jesus histórico, a saber, os fatos amplamente divulgados na história antes da formação do Islã no século sétimo d. C., fatos nunca negados pelos inimigos da fé cristã e os pretensos “fatos” do Islã em negar uma gama inumerável de fontes que apoiam o Novo Testamento. Para se ter uma ideia, apenas abordando 10 fontes antigas não cristãs e algumas até inimigas, saberíamos que Jesus: 1 – Viveu durante o tempo de Tibério César; 2 – Viveu uma vida virtuosa; 3 – Realizou Maravilhas; 4 - Teve um irmão chamado Tiago; 5 – Foi aclamado como Messias; 6 – Foi crucificado a mando de Pôncio Pilatos; 7 – Foi crucificado na véspera da Páscoa Judaica; 8 – Trevas e um terremoto aconteceram quando ele morreu; 9 – Seus discípulos acreditaram que ele ressuscitara dos mortos; 10 – Seus discípulos estavam dispostos a morrer por sua crença; 11 – O cristianismo espalhou-se rapidamente, chegando até Roma; 12 – Seus discípulos negavam os deuses romanos e adoravam Jesus como Deus. FONTES: Josefo; Tácito; Plínio, o jovem; Flegon; Talo; Suetônio; Luciano; Celso; Mara Bar-Serapião; e o Talmude de Babilônia.

Está claro que os quatro pontos grifados são negados categoricamente no Alcorão exatamente porque no século sétimo, no centro do deserto da Arábia, um homem entra em uma caverna, recebe supostamente a visita de um anjo que lhe diz que Jesus era muçulmano (centenas de anos antes do Islã existir), que Jesus não morreu na cruz e que, por implicação, Jesus não ressuscitou dos mortos. 

Historicamente, ninguém ousou dizer, antes do surgimento do Islã, que Jesus não morreu por crucificação ou que ele sobreviveu a crucificação. O que a apologética muçulmana responde a todas estas testemunhas da história? Baseados nos versos do Alcorão citados acima, eles afirmam que Jesus nem foi morto, nem foi crucificado, é a chamada Teoria da Substituição. Os muçulmanos teorizam que Jesus sequer foi colocado na cruz e o verso diz que pareceu para eles que era Jesus. Eles dizem que Allah fez parecer que era Jesus na cruz. Mas, como Allah fez isso? As mais antigas explicações muçulmanas para esse detalhe é que Allah supostamente colocou o rosto de Jesus em outra pessoa e essa outra pessoa foi crucificada no lugar de Jesus. Mas quem? Judas é um dos que os muçulmanos dizem que foi colocado na cruz no lugar de Jesus e o outro é Simão Cireneu, pois foi a pessoa que conduziu a cruz no lugar de Jesus e, segunda a narrativa da apologética muçulmana, ao chegar no lugar da crucificação, foi confundido com Jesus e crucificado no lugar dele. Estes são os argumentos da substituição que são usados. Mas aqui temos um dilema para o Islã. No capítulo 3:55 do Alcorão é dito que Allah enganou as pessoas que estavam na cena da crucificação, fazendo com que outra pessoa fosse crucificada no lugar de Jesus, contribuindo assim com o próprio surgimento do Cristianismo. Neste caso, sendo verdadeira esta teoria, Allah é o responsável pelo engano que é o Cristianismo. Este é um dos grandes problemas para os apologistas muçulmanos. É aqui que agradeço a oportunidade de prefaciar o livro do professor Wellington Galindo que, dotado de um espírito investigativo, se aventurou nos caminhos do orientalismo e se debruçou para ler, pesquisar e escrever sobre o islã. Espero que Deus levante outros pesquisadores e escritores sobre o tema e que muitos apologistas cristãos e evangelistas aos muçulmanos sejam encorajados a saírem de suas posições de timidez e se arvorem a confrontar as doutrinas equivocadas do islã sobre a fé cristã.


Recife, 24 de julho de 2022.


Walson Sales é Presbítero da IEADPE, Teólogo (UMESP), Filósofo (UFPE), Tradutor e Escritor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário