sábado, 24 de dezembro de 2022

Randal Rauser - Por Que Eu Nunca, Jamais, Jamais, Jamais Poderia Ser Calvinista (Penso Eu)

 

Calvinismo. Aquele apoio principal da tradição protestante. Algumas vezes batido, mas muitas vezes empolgante, como nos extensos sistemas intelectuais de um Edwards ou um Turretin. E agora recentemente ressurgente segundo Collin Hansen em seu livro  Young, Restless, Reformed  (Wheaton, IL: Crossway, 2008). A essência do Calvinismo – a eleição incondicional de Deus de algumas pessoas e não outras para a salvação – é encontrado desde Agostinho e, se você acredita nos calvinistas, na própria Bíblia.

Mas, tal como está, eu não consigo me ver sendo calvinista. E a razão é simples. O Calvinismo limita a graça de Deus, e fazendo isso, ele limita o seu amor. No Calvinismo Deus poderia salvar todas as pessoas, mas ele escolhe não salvar. Antes, ele abandona algumas para que elas encarem a condenação. Esta é a limitação de sua graça, que nenhum calvinista pode contestar.

Por que Deus permite que algumas pessoas sejam condenadas? Os calvinistas, desde o próprio João Calvino até John Piper atualmente, vem dando uma razão que eles creem estar expresso em Romanos 9.22-23:

 

“E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; ara que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou...”

 

De acordo com os calvinistas, isto significa que a razão para Deus escolher condenar algumas pessoas é que isso resulta num brilho mais pleno de sua glória, e a glória de Deus é a suprema preocupação de Deus. Escolhendo enviar algumas criaturas às mais assustadoras punições eternas, Deus manifesta sua ira, justiça e seu ódio eterno do pecado. E escolhendo outros para a graça, Deus manifesta sua bondade, misericórdia e amor permanente.

Assim, estes dois resultados bem diferentes fornecem ocasião para Deus demonstrar mais de seus atributos ao mesmo tempo, o que faz com que ele pareça mais glorioso às suas criaturas. Isso ilustra o que os psicólogos chamam de “efeito contraste”, por meio do qual a experiência de uma pessoa de um resultado particular é intensificado pelo contraste com um outro resultado. (Por exemplo, você aprecia a sua casa muito mais depois de ver a casa do seu vizinho ser destruída em um tornado. Você aprecia o seu sanduíche de presunto mais depois de visitar um campo de refugiados famintos.)

Então, de acordo com o calvinista, aqueles que Deus salva têm uma compreensão mais completa de sua graça em virtude da condenação de outros. Não é que a condenação dos outros seja boa em si mesma, mas é um bem de segunda ordem para servir a uma assimilação mais plena da glória de Deus.

Neste cenário, os perdidos são como um peru de Natal. Ninguém, exceto um sádico, acha que matar o peru seja uma coisa boa em si mesma. Mas a sua morte é um bem de segunda ordem a fim de que possamos desfrutar a carne no jantar de Natal. Similarmente, a condenação não é em si mesma uma coisa boa. Mas é um bem de segunda ordem pela satisfação que a condenação dos perdidos proporciona aos escolhidos de Deus.

Por mais que eu tento (e eu tento), não posso pensar em Deus dessa forma. Cheguei a conseguir por um tempo. Na verdade, fui calvinista por cerca de três anos. Então eu me envolvi num tipo de interpretação de papeis. E se eu fui escolhido e minha filha condenada, em parte para que eu pudesse ter um prazer maior na glória de Deus? Nesse mesmo momento o Calvinismo me perdeu. E com todo o devido respeito, eu tenho que dizer “já foi tarde”.

 

Fonte: http://blogs.christianpost.com/tentativeapologist/why-i-could-never-ever-ever-be-a-calvinist-i-think-560/

 

Tradução: Paulo Cesar Antunes

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