segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Objeções ao Cristianismo - Parte 1


Por Douglas Groothuis, PhD

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales


Vamos avaliar agora algumas objeções dos críticos acerca da natureza do cristianismo. O problema é que quando observamos mais de perto as objeções dos críticos, encontramos muitas distorções e espantalhos. Outro problema sério entre os críticos é que eles recebem uma informação distorcida acerca da fé cristã e não se dão ao trabalho de investigar se as coisas são assim de fato. 

As principais objeções e as mais grotescas contra a fé cristã são:


1. O Cristianismo é contra a ciência;

2. O Cristianismo defende o antiintelectualismo;

3. O Cristianismo é racista;

4. O Cristianismo é sexista ou misógino;

5. O Cristianismo é imperialista ou colonialista;

6. O Cristianismo é contra a ecologia;

7. O Cristianismo defende a salvação como a ideia de um céu enfadonho;


As duas últimas objeções parecem piadas de mau gosto, pois Deus colocou sobre o homem a responsabilidade de cuidar da natureza. Nada vai ser mais prazeroso e dar mais alegria do que estarmos no céu, sentido a presença plena de Deus e aprendendo diretamente dele em uma nova dimensão. Portanto essas duas últimas objeções não serão levadas em consideração neste curso. Vamos abordar rapidamente as demais objeções, pois é realmente importante conhecer essas objeções de antemão e ter um esboço mental de como respondê-las. 

Uma das falsificações mais grosseiras, grotescas e mal fundamentadas é a ideia de que o cristianismo odeia os homossexuais e as lésbicas, de forma intrínseca. Logo, as pessoas nessas informações falsas nunca irão investigar mais a fundo as doutrinas basilares da fé cristã como, por exemplo, se a ressurreição de Jesus ocorreu de fato ou não, bem como nunca investigarão a fundo se as escrituras são a verdade. Eles irão rejeitar a Bíblia e o cristianismo a priori. Então, encarar de frente essas falsas representações é muito importante para a defesa da fé cristã. De forma mais técnica, o que o apologista faz nesse caso é criticar os críticos, pois quando alguém afirma que o cristianismo é contra a ciência, o apologista tem (e deve ter o interesse) de desmistificar e derrotar essa objeção, arrancá-la pela raiz. Sendo assim, a tarefa do apologista diante dessas objeções é abordá-las e criticá-las, além de tornar conhecida a falsidade da objeção, o que pode culminar no fato das pessoas reconhecerem o valor da fé cristã, crerem em Jesus, se arrependerem dos seus pecados e serem salvas. 

Vamos começar com o antiintelectualismo. Alguns afirmam que a fé é oposta a razão, e dizem que os que creem na Bíblia, no cristianismo e em Jesus, o fazem porque fizeram uma suspensão da razão e da capacidade de raciocinar. O primeiro problema com essa afirmação é que alguns cristãos afirmam exatamente isso e defendem uma posição antiintelectualista, de forma consciente ou não, pois eles usam argumentos (pretensamente racionais) para negar o valor da razão no que diz respeito a fé. O motivo desse posicionamento equivocado é que alguns cristãos fazem uma leitura distorcida de alguns textos bíblicos, principalmente de 2Co 3.6. Contudo, a resposta básica para esse tipo de posicionamento é avaliar a vida do fundador do cristianismo, Jesus de Nazaré. Certo dia perguntaram a Jesus sobre o maior dos mandamentos. Uma pergunta difícil para testar Jesus, e Jesus respondeu que devemos amar a Deus com todo o nosso coração, forças, alma e mente/entendimento e amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22. 37, 38). Jesus nos recomenda, utilizando o grande mandamento da lei, que devemos amar a Deus com tudo o que temos e somos, incluindo, NÃO EXCLUINDO, a nossa mente! O próprio Jesus já havia respondido, de forma racional, sobre muitas questões importantes e difíceis, a saber, sobre a ressurreição, sobre a relação entre igreja e estado, sobre o sábado, sobre a natureza do Messias, e ele respondeu a todas de forma lógica. A visão de mundo cristã ensina que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, e um dos principais elementos para termos a imagem e semelhança de Deus é sermos racionais. A lógica é simples: se Deus é racional e fomos criados a imagem e semelhança de Deus, logo somos racionais. Temos que conhecer princípios básicos da lógica, como a lei da não contradição e formas básicas de raciocínio e assim por diante. Então, seguindo os indícios apresentados nas respostas de Jesus, também pelo fato de termos sido criados a imagem e semelhança de Deus e pelo fato de existirem imperativos bíblicos para defendermos a fé (I Pe 3:15, 16), o antiintelectualismo não encontra espaço dentro da visão de mundo cristã. 

Perceba, por exemplo o contexto em que a igreja nasceu. A igreja nasceu em um ambiente de controvérsias intelectuais. Tanto os escritores do NT, quanto as escolas de apologistas na Patrística, defenderam o cristianismo como sendo verdadeiro e racional. Eles se engajaram em debates e discussões presenciais e por escrito, contra os descrentes. Eles enfrentaram o Estoicismo, o Gnosticismo, o movimento Judaizante e até mesmo o Islã após o surgimento dele no século sétimo (neste caso, o último nome da patrística, João de Damasco, que faleceu em 750 d.C). então, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Blaise Pascal, Jonathan Edwards, e mais recentemente C.S. Lewis, Francis Schaffer, e hoje William Lane Criag, J. P. Moreland, Alvin Plantinga, Gary Habermas, entre outros, lidam com críticos que utilizam um alto nível de criticismo intelectual. A escritura tem várias afirmações claras que mostram os evangelhos e a Bíblia como um todo, como uma revelação de Deus, não fundamentada na mente humana, ou seja, Deus se revelou de cima, de forma salvífica, aos homens, de maneira especial. A revelação especial de Deus não é algo construído ou desenvolvido de baixo, por meio de nossa razão ou observações empíricas. Isso não significa e não pode ser inferido de nenhuma forma que o cristianismo é irracional ou até mesmo que o cristianismo está acima da lógica. Isso apenas significa que temos uma fonte de conhecimento de uma fonte sobrenatural que se revelou de cima, mas a revelação que ele nos deu é coerente e aplicável a vida. Apesar de alguns cristãos serem antiintelectuais e defenderem o antiintelectualismo, o cristianismo não é antiintelectual. Quando olhamos para a história da humanidade, percebemos que nenhuma outra visão de mundo fez mais para recomendar a vida intelectual e o crescimento no conhecimento científico e filosófico do que o cristianismo. Não foi o Budismo. Não foi o Ateísmo. Não foi o Islã. Essa é a história que precisa ser contada. Já existem muitos livros que apresentam, de forma inequívoca, a herança intelectual deixada pelo cristianismo, e uma das melhores fontes desse tipo de informação é um dos maiores sociólogos que existem, Rodney Stark, que já produziu uma infinidade de livros. Um dos mais recentes se chama “How the West Won: The Neglected Story of the Triumph of Modernity” (lançado em 2014). Nesse livro ele mostra que o principal motivo do triunfo do ocidente tanto na economia, quanto na cultura e na vida intelectual é o cristianismo. (você pode comprar e ler outros livros como “Deus é um monstro Moral?” do Paul Copan ou “E se Jesus não tivesse nascido?” do D. James Kennedy). Logo, está provado que ser cristão não é sinônimo de ser antiintelectual e não pode ser.

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