segunda-feira, 27 de março de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 5 - FINAL

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

Por fim, vemos em Genesis 1 que Deus criou os seres humanos. O incrível é que Deus criou “adam”, ou seja, “a humanidade” a sua imagem e semelhança, macho e fêmea. Ao dizer isso, todos os seres humanos são representados por Adão, o pai. Note que ambos, macho e fêmea, foram criados a imagem e semelhança de Deus. Entre os povos antigos, os homens podiam ser relacionados como imagem de uma divindade, a saber, um governador ou um rei, que eram considerados como a manifestação de uma divindade, como um representante que governava aquela terra. Genesis erradica essa visão de que alguns homens são deuses ou que são os representantes dos deuses. Antes, todos os seres humanos são ontologicamente iguais, pois compartilham a imagem e semelhança de Deus.

Perceba que até agora, você não vê nada sendo dito sobre a idade da terra. Não existe essa implicação clara dentro do contexto das religiões do período, porque Genesis 1 tem muito a dizer sobre os atributos de Deus e muito a revelar sobre os enganos dos povos antigos. Repetindo, só existe um único Deus e Deus Elohim criou todas as coisas. Algumas pessoas criticam e ficam confusas com a forma Elohim por causa da forma plural, mas o hebraico às vezes usa a forma plural como verbo singular para denotar completude para algo ou alguém. Então, quando o AT se refere a Deus como Elohim, não significa uma pluralidade de seres divinos, porque a forma plural Elohim regularmente assume a forma de verbo no singular e isso ocorre em Genesis 1. Em Genesis 2 Elohim é identificado como Jeová, como Deus, não uma pluralidade de deuses, ou seja, um Deus que detém todo o poder e autoridade e que criou e governa sobre todas as coisas. Você só deve encarar e responder a apenas um Deus e isso é bem simples. Só existe um Deus a quem você deve servir e agradar e esse é todo o resumo da ópera. Se também ele criou o céu, logo ele não mora no céu como uma habitação no conceito que temos de habitação, pois ele transcende os céus. Mas ele também é imanente, pois interage dentro da criação. Se Deus fosse apenas imanente, então ele estaria sujeito ao tempo, logo estaria passível a mudança e o panteísmo seria a visão de mundo correta. Se Deus fosse apenas transcendente, o Deísmo estaria correto, pois teria criado o universo e se isolado, virado as costas para a criação. Mas o Deus que criou é transcendente e imanente. Deus é eterno porque criou o tempo, e é onisciente e perfeitamente sábio pois criou o universo de forma ordenada, organizada, e perfeitamente equilibrada.

Sua onipotência é demonstrada pela forma em que ele cria o universo praticamente sem esforço, pelo poder da palavra. Bem como pelo fato de que Deus é pessoal, porque fala na primeira pessoa, avalia o que criou e diz que tudo é bom. Deus é autossuficiente, pois não criou nada para seu próprio benefício e nas culturas pagãs os deuses precisam das ações religiosas dos homens em alguma medida. Então, perceba que Genesis 1 e 2 tem muito a dizer sobre a criação e sobre o Deus da criação e seus atributos, responde a muito da cultura pagã circundante, mas não fala nada sobre a idade da terra, apenas que a terra tem uma idade, mas além disso, Genesis está realmente fixado em revelar e esclarecer outras coisas mais importantes do que a idade da terra. Então, como evangélicos bíblicos, devemos focar nas coisas que realmente são importantes.

Tendo falado tudo isso, temos que reconhecer que Genesis revela que a terra tem uma idade. Agora, não vejo relevância em colocar o assunto sobre a idade da terra acima dos assuntos mais importantes que foram revelados. Para mim é indiferente se alguém acredita na terra jovem ou antiga, isso não tem implicações para a salvação. Agora, é importante destacar que nem todos os criacionistas da terra jovem acreditam que o universo seja jovem. O fato é que existe alguma diversidade sobre a questão.

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