quinta-feira, 23 de março de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - O que os três primeiros capítulos de Gênesis realmente ensinam? PARTE 2

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

De acordo com Genesis 1, Deus apenas não criou o universo do nada, mas depois de criar do nada, Deus modelou, arrumou, organizou e criou novas coisas a partir das coisas já criadas do nada. Podemos ver isso em Genesis 1: 20, 24; 2: 7, 19, 22 – a medida que Deus vai ordenando, Deus vai criando, plantando, fazendo as coisas acontecerem no processo. Portanto, a ação de Deus na criação não está limitada a trazer tudo a existência apenas naquele princípio de Genesis 1:1. O caso ali não é o Deísmo, segundo o qual Deus cria, mas não interfere, não age, não organiza e não cria novas coisas e isso é repetidamente contraditado na narrativa do Genesis.

Genesis também ensina o teísmo, especificamente o Teísmo Monoteísta. Deus criou o universo pelo seu próprio poder e autoridade e não criou outras deidades menores, o que exclui o politeísmo.

Também vemos em Genesis que nós, os seres humanos, somos completamente dependentes de Deus. Deus existe e criou a humanidade (Gn 1:26, 27). Fomos criados pela livre vontade de Deus e Deus nos deu a liberdade para fazermos uso livre de tudo o que Deus criou para o nosso deleite. Ele criou o mundo para nós e depois nos criou. Tudo o que temos provém de Deus e ainda Deus nos capacitou com articulação racional ampla, poderosa e profunda, apesar da queda, para podermos dominar a criação, entender a criação, nos beneficiar da criação e explorar a criação. Por isso o homem hoje tanto explora o espaço quanto o mais profundo oceano, a mente e corpo, mesmo com todas as limitações inerentes a queda. O senhorio de Deus ao dizer exatamente como devemos viver nos fala diretamente sob este prisma.

Tudo o que Genesis 1 enfatiza sobre a criação é a bondade de Deus e a característica intrinseca de bondade nas coisas criadas. Vemos repetidamente em Genesis Deus criando as coisas e vendo que aquilo era bom. Nada é intrinsecamente mau. Os aspectos materiais da vida, o corpo que Deus criou por um ato pessoal e direto. Os alimentos, Deus proveu a alimentação para as suas criaturas.

Até o sexo é bom. Deus ordena que os seres humanos se reproduzam e Deus projetou o corpo dotado de características sexuais que dão prazer e alegria. Contudo, tudo deve ser feito dentro dos padrões que Deus estabeleceu, homem e mulher, macho e fêmea. Muitas religiões e, eu diria que a maioria, entende que os aspectos materiais da criação são um grande problema para os seres humanos, pois supostamente prejudicam o relacionamento dos seres humanos coma divindade. O Hinduísmo, o Budismo e o Gnosticismo são exemplos clássicos, pois afirmam que os seres humanos precisam transcender a matéria, como se o corpo material fosse a prisão da alma. Envolvida nesta ideia está a doutrina da reencarnação, pois supostamente o homem ficaria voltando em outro corpo até atingir um número de reencarnações para não precisar mais reencarnar, o que seria um conceito de salvação como espírito puro, independente do corpo. O que eles ensinam para que a pessoa possa chegar mais perto da condição de não precisar mais reencarnar? Eles se privam de comida, se privam de atividade sexual, mesmo se forem casados, a fim de supostamente alcançarem a experiência do divino. Até mesmo na história do cristianismo, podemos identificar pessoas praticando o ascetismo a fim de ganhar uma experiência maior com Deus e entrarem em um caminho de fanatismo (veja a história do monasticismo). A Bíblia não ensina nada disso. A comida e o sexo podem ser abusados para prejuízo pessoal das pessoas, mas são coisas boas que Deus criou.

 

Continua...

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