Por Robert Bowman Jr.
Traduzido,
adaptado e ampliado por Walson Sales
E
por fim, o que se pode depreender de Genesis 1 e 2 é que apenas Deus merece e
deve ser adorado. Nenhuma coisa criada é digna de adoração, mas apenas Deus, o
criador. O pensamento judaico-cristão destaca duas coisas bem fortes: 1. Apenas
Deus é o responsável pela criação; 2. E apenas ele é e deve ser o objeto de
devoção religiosa e adoração. Essa também foi uma concepção radical, inovadora
e singular no mundo antigo, pois os povos antigos acreditavam que todas as
forças da natureza eram divinas ou eram manifestações das divindades. O
politeísmo era a visão e entendimento dominante no mundo de então. O ensino
claro do AT é que Deus é o único responsável e deixa claro a intenção de
excluir todas as divindades do mundo antigo, pois não existem. Essa também foi
uma concepção radical para a época, porque todos eram politeístas. Para termos
uma ideia da força dessa revelação, os céus que foram criados em Genesis 1.1
não eram a moradas dos deuses como era defendido pelos pagãos, mas antes os
céus foram criados por Deus. Logo, Deus transcende os céus. Essa era uma
revelação revolucionária e extraordinária logo no primeiro versículo da Bíblia.
No verso 2 aparece as profundezas dos oceanos que não eram divinos e que o
Espírito de Deus era quem dominava por aquelas bandas também. A luz no verso três
não aparece como uma emanação do divino, mas é uma criação de Deus também. Da
mesma forma o sol e a lua foram criados por Deus e naqueles dias os povos
antigos adoravam o sol e a lua e o que é interessante, existem as palavras
hebraicas para sol e lua, mas elas não são usadas em Genesis 1 e nos versos
14-16 temos uma referência genérica a luz maior e a luz menor (luzeiros) e as
estrelas. É negada totalmente e radicalmente a ideia de que essas luzes sejam
divindades, mas que elas são apenas sinais de que o Deus criador as colocou lá.
Elas não são divinas nem sobrenaturais. No verso 21 são apresentados os
monstros marinhos que Deus criou e os colocou lá também. Nos contos antigos
entre os habitantes do oriente próximo médio, esses monstros marinhos eram os
agentes do caos que aterrorizavam as águas e a ordem só era reestabelecida
pelos deuses, e Genesis revela que esses monstros eram apenas grandes peixes
que Deus criou e colocou lá.
Continua...
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