segunda-feira, 6 de março de 2023

O Problema dos Cananeus - TEXTO COMPLETO

 

PhilosoPhia Christi

Vol. 11, No. 1 © 2009, pp. 52 – 72

Por Clay Jones

Tradução Walson Sales

 

 

Nós não odiamos o pecado – Por isso não conseguimos entender o que aconteceu com os Cananeus

Um Adendo aos Argumentos do “Genocídio Divino” no Antigo Testamento

 

Por Clay Jones

Christian Apologetics Program

Biola University

La Mirada, California

 

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RESUMO: os céticos desafiam a justiça de Deus ao ordenar a Israel que destruísse os Cananeus, mas um olhar mais atento ao horror da pecaminosidade dos Cananeus, o poder corruptor e sedutor do pecado que praticavam como visto na Canaanização [influência que exerceram] de Israel, e Deus subsequentemente instituindo a própria destruição de Israel por causa do fato de Israel cometer o pecado Cananeu revela que Deus foi justo ao ordenar a destruição dos Cananeus. Mas a aceitação da cultura ocidental do “pecado Cananeu” como um estilo de vida aceitável invalida o juízo de Deus contra a seriedade desse pecado e, assim, torna a justiça de Deus incapaz de responder ao pecado Cananeu de forma apropriada como um ultraje moral grave.

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Os Novos Ateus afirmam que a ordem de Deus para a destruição dos Cananeus é uma evidência do “genocídio divino”. O artigo de Paul Copan, “Yahweh é um monstro moral?” em uma edição recente do Philosophia Christi, juntamente com sua resposta à resposta de Wes Morriston nesta edição, ajuda a trazer à tona algumas considerações importantes nesta discussão.[1]

Mas acho que alguns fatores relacionados, mas subestimados, merecem um olhar mais atento. Por exemplo, compreendemos, de forma genuina, a profundidade dos pecados dos Cananeus? Entendemos o significado de Deus ter quase destruído Israel por cometer os mesmos pecados que os Cananeus cometiam? Será que, porque nossa cultura hoje comete os mesmos pecados que os Cananeus praticavam, somos contagiados contra a gravidade desses pecados e, portanto, pensamos que o julgamento de Deus é injusto? Como pode uma teologia do coração humano e sua condição pecaminosa lançar luz sobre as motivações acerca das reivindicações de “genocídio divino”? Resumindo, a maioria dos nossos problemas em relação à ordem de Deus para a destruição dos Cananeus vem do fato de que Deus odeia o pecado, mas nós não. Em caso afirmativo, as reivindicações de “genocídio divino” são mais uma racionalização da condição humana e não um raciocínio responsável sobre a justiça das ações de Deus para com os Cananeus?

Se for esse o caso, parece que precisamos entender o horror que é o pecado, especialmente o nosso pecado, se quisermos reconciliar o que parece ser o julgamento severo de Deus contra o pecado. “Quando simplesmente dizemos que somos maus”, C. S. Lewis escreveu, “a ‘ira’ de Deus parece uma doutrina bárbara; assim que percebemos nossa maldade, ela parece inevitável, uma mera consequência da bondade de Deus.”[2] Não basta, então, dizermos desapaixonadamente que os Cananeus eram maus ou mesmo perversos; pois o impacto dessas palavras é diminuído em nossa cultura.[3] Mesmo o significado de determinados tipos de pecados, como a bestialidade, é um tanto sem gravidade para nós hoje. Pois muitas vezes há uma certa rejeição do “seja lá o que for” que familiarmente destaque uma resposta aos confrontos modernos do que sejam os “males antigos”, talvez como uma forma de lidar com nossa negação do que realmente é o caso.

O que estou sugerindo não é apenas o uso de uma linguagem vibrante que capte melhor a experiência escancarada do mal. Embora seja interessante notar que, quando a linguagem se dilui moralmente, ela pode ajudar a domar e pacificar nossa indignação contra o mal.[4] Percebi que, por uma questão de atitude ou ponto de vista, precisamos olhar com muito mais franqueza para a maldade humana do que costumamos fazer, especialmente quando estamos engajados em reflexões filosóficas sobre o problema do mal.

Assim, neste artigo, tento oferecer evidências francas que documentam e ilustram a seriedade do pecado Cananeu e, assim, tento ajudar a formar uma razão pela qual Deus raciocinou e agiu da maneira que agiu com os Cananeus e seus pecados. Tento ilustrar as profundezas da depravação Cananéia da maneira mais factual e real possível.[5] No entanto, muito do que se segue é reconhecidamente perturbador. E se já não é perturbador para nós, talvez haja algo mais perturbador em nossa falha em estarmos devidamente perturbados? Além disso, há uma tentação historiográfica na literatura sobre a cultura Cananéia (ou em seu uso) de subestimar, às vezes negar ou mesmo eliminar evidências do mal entre os Cananeus. É por isso que também procuro oferecer esta contribuição com cuidado e prudência.

 

O Pecado dos Cananeus

 

Deus diz a Israel em Deuteronômio 9:5 que não era por causa da “justiça ou integridade” de Israel, mas “por causa da maldade dessas nações” que ele estava expulsando os Cananeus. A Bíblia é inequívoca em relação aos pecados que eles cometeram, incluindo idolatria, incesto, adultério, sacrifício de crianças, homossexualidade e bestialidade.

 

A Prática da Idolatria entre os Cananeus

 

Não há polêmicas aqui, os Cananeus adoravam outros deuses e não adoravam Yahweh. Quando Israel passa a adorar como os Cananeus, Yahweh envia seus porta-vozes proféticos e declara, por exemplo: “Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, ainda que não fossem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor.” (Jr 2:11–12; cf. 2:8).[6] O Senhor zomba desses deuses feitos à mão; deuses que não podem falar e que precisam ser carregados porque não podem andar.[7] O AT freqüentemente os denuncia como nada mais do que paus ou cerâmica feitos por mãos humanas que não podiam “ver, ouvir, comer ou cheirar” (Deuteronômio 4:28). Embora impotentes para dar vida de fato, Yahweh declara que tais ídolos corroem fortemente aqueles que os seguem e os imitam: se você seguir o que é inútil, você se tornará inútil (cf. Jr. 2: 5, 10: 8 e Jn. 2:8).[8]

A idolatria não é um mero passatempo religioso particular e individualista que uma pessoa faz (por exemplo, “ele cometeu um ato de idolatria”). Pelo contrário, a idolatria pode formar toda uma identidade de grupo e um estilo de vida, porque quem comete idolatria o faz por ser idólatra. A idolatria é uma forma de adoração porque envolve atribuir atenção e afeto a algo considerado digno. A adoração, independentemente de seu objeto, é inescapavelmente formadora de toda uma vida.

Além disso, o conceito de idolatria se presta a uma mentalidade e cultura politeístas que tem consequências sociais generalizadas. Em tal contexto, “adorar o único e verdadeiro Deus” é uma ideia moral, cultural e socialmente pouco persuasiva (se não também repulsiva). Dentro do politeísmo, uma pessoa não pode ser idólatra. Se o politeísmo fosse verdadeiro, não faria sentido de que forma alguém ou algum ato poderia ser considerado idólatra. Além disso, um seguidor do politeísmo pode até se envolver alegremente em falsidades (por exemplo, adorar divindades que são contraditórias) ou chamar algo “antinatural” de “natural” (por exemplo, bestialidade), o que é evidenciado pela cultura Cananéia.

Os Cananeus levam a sério o testemunho de Yahweh no AT e sua revelação, pelo menos para transformar intencionalmente a representação bíblica de Yahweh em um fracote castrado. Em sua dissertação na Universidade de Chicago, Ulf Oldenburg resume as consequências formativas do politeísmo Cananeu:

 

Na época do Êxodo hebraico, Ba'al já havia usurpado o poder de El [um dos nomes de Yahweh em Hebraico] em Canaã. Quando El perdeu a força dinâmica expressa em seu nome na religião Cananéia, ele se perdeu. A maioria dos textos Ugaríticos o descreve como um pobre covarde, um covarde que abandona a justiça para se salvar, o desprezo das deusas. Um texto [Cananeu] descreve El como um bêbado sujo com "seus excrementos e urina" após um banquete.[9]

 

Se o politeísmo é uma maneira de ser idólatra, mesmo que dentro do politeísmo ser idólatra pareça estranho e incoerente, seria surpreendente que a idolatria pudesse afetar negativamente a capacidade de uma pessoa avaliar com responsabilidade? Sob tal influência, o “ciúme divino” e o ódio à idolatria podem até parecer o resultado de um complexo de inferioridade divina necessária, mesmo quando esse não é o caso, ou comandos contra a idolatria podem soar como o resultado de um desmancha-prazeres cósmico que é um intrometido empenhado em controlar criaturas livres e seus prazeres, mesmo que essa não seja a intenção do ser divino. A idolatria acaba assaltando as pessoas com um delírio, mesmo diante das evidências disponíveis em contrário.[10]

Acho que Richard Dawkins exemplifica essa confusão quando reclama que “A ira monumental de Deus sempre que seu povo flertava com um deus rival remete ao pior tipo de ciúme sexual. . . .” [11] Mas, alguém acha que se a esposa de Dawkins o deixasse por um boneco de gengibre feito por ela mesma, e então ela começasse a dizer a todos que Dawkins gostava de brincar com seus excrementos, será que Dawkins toleraria a caracterização de seus sentimentos como não mais do que “ciúme sexual da pior espécie”?

Falando sério, porém, tentei mostrar que a idolatria Cananéia - conforme evidenciado por seu politeísmo - não era um assunto mesquinho, individualista e privado. Essa mentalidade era teologicamente conducente (se não motivadora) à formação de práticas Cananéias, incluindo as práticas de incesto, adultério, sacrifício de crianças, homossexualidade e bestialidade, de modo que essas práticas não são incoerentes com a idolatria Cananéia.

 

A Prática de Incesto entre os Cananeus

 

Como todos os panteões do Antigo Oriente Próximo (AOP), o panteão Cananeu era incestuoso. O deus El (considerado o pai dos deuses) teve setenta filhos com Aserá. Dessa união nasceu Baal[12] e sua irmã Anat com quem Baal tinha relações sexuais. Depois que Baal relatou a seu pai El que Aserá havia tentado seduzi-lo, El encorajou Baal a fazer sexo com ela para humilhá-la, o que Baal fez.[13] Baal também teve como consorte sua primeira filha, Pidray.[14] Nenhum desses atos incestuosos dos deuses é apresentado de forma pejorativa [nos contos pagãos dos Cananeus].

Embora as primeiras leis Cananéias prescrevessem a morte ou o banimento para a maioria das formas de incesto, após o século XIV a.C., as penas foram reduzidas a não mais do que o pagamento de uma multa.[15] Essa descriminalização do incesto coincidiu com os séculos entre a palavra de Deus a Abraão de que os pecados daqueles que ali viviam “ainda não atingiram sua medida total”[16] e o Êxodo. Ao adiar o julgamento, Deus expressou paciência e demonstrou que Seu julgamento “não é caprichoso nem injustificado”. [17]

Mesmo que o restante do AOP tenha legislado contra o incesto (afinal, resulta sempre em crianças deformadas), isso não significa que as fantasias incestuosas fossem consideradas abomináveis. Por exemplo, considere o livro de sonhos Egípcio escrito para homens que lista muitos tipos de sonhos e os presságios associados a eles. Começa com “Se um homem se vê em um sonho. . .

 

. . . tendo relações sexuais com sua mãe: Bom. Seus companheiros vão ficar com ele.

. . . tendo relações sexuais com sua irmã: Bom. Isso significa que ele herdará algo.

. . . tendo relações sexuais com uma mulher: Ruim. Significa luto.[18]

 

Lembre-se de que Sodoma era uma cidade Cananéia e, depois de ter sido destruída por sua maldade, a próxima coisa que lemos é que as filhas de Ló embebedam Ló e fazem sexo com ele.[19] Ló e suas filhas imitam as práticas sexuais da cultura Cananéia e os Cananeus (e não acidentalmente) imitam suas divindades.

 

A Prática do Adultério entre os Cananeus

 

A religião Cananéia, como a de todas do AOP, era uma religião de fertilidade que envolvia a prática de sexo no templo.[20] Inanna/Ištar, também conhecida como a Rainha dos Céus, “tornou-se a mulher entre os deuses, patrona do erotismo e da sensualidade, do amor conjugal e também do adultério, das noivas e prostitutas, travestis e pederastas.”[21] Jonathan Tubb, curador da Síria-Palestina no Departamento da Ásia Ocidental do Museu Britânico, aponta que “de acordo com textos de Ugarit, a prática do culto envolvia sacerdotes provenientes de famílias sacerdotais e também prostitutas sagradas, tanto homens quanto mulheres”. Tubb diz que Anat era "promíscua" e que "El seduziu duas mulheres que deram à luz Dawn e Dusk".[23]

Os sacerdotes provavelmente participavam de seus rituais nus, e o sexo era certamente uma grande parte das cerimônias.[24] Como escreve o professor Martti Nissinen da Universidade de Helsinque, “o contato sexual com uma pessoa cuja vida inteira foi devotada à deusa era equivalente à união com a própria deusa.”[25]

A história de El praticando sexo com duas mulheres (ou deusas) termina com as seguintes instruções: “que seja repetido cinco vezes pela companhia e pelos cantores da assembléia”.[26] El foi sacramentalmente experimentado pela comunidade nas orgias sexuais do culto da fertilidade que os profetas Hebreus tão veementemente denunciaram.”[27]

Isso não quer dizer que o adultério não fosse contra a lei. Em grande parte, era - para a mulher casada. Para o homem, não era ofensa fazer sexo com uma mulher solteira. “O adultério era então uma ofensa não contra a própria esposa de um homem, mas contra o marido da mulher culpada, e ele poderia tolerar e aceitar uma compensação; mas a mera fornicação não era ofensa para o homem, casado ou solteiro. Havia então liberdade quase absoluta para o marido, mas não para a esposa.”[28]

Lise Manniche, professora de Egiptologia na Universidade de Copenhague, aponta que no Egito o adultério “floresceu nas classes mais baixas”.[29] Gwendolyn Leick, pesquisadora de Assiriologia da University of the Arts de Londres, escreve que, “na Mesopotâmia, onde todo comportamento sexual estava sob os auspícios de Inanna/Ištar, atos sexuais fora do casamento podiam ser tolerados e até certo ponto institucionalizados. A deusa está ligada à prostituição em várias composições.”[30] Claro, não há razão para supor que os Cananeus, situados entre o Egito e a Mesopotâmia, não estivessem fazendo o mesmo.

 

A Prática do Sacrifícios de Crianças entre os Cananeus

 

Levítico 18:21 ordena: “E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor.” Moloque era uma divindade Cananéia do submundo[31] representada como um ídolo ereto com cabeça de touro com corpo humano em cujo ventre um fogo era alimentado e em cujos braços estendidos era colocada uma criança que seria queimada até a morte.[32] Não eram apenas crianças indesejadas que eram sacrificadas. Plutarco relata que durante os sacrifícios Fenícios (Cananeus)[33], “toda a área diante da estátua era preenchida com um barulho alto de flautas e tambores para que os gritos de choro e lamento [das crianças] não chegassem aos ouvidos do povo”.[34] E não eram apenas bebês; crianças de até quatro anos foram sacrificadas.[35]

 

Kleitarchos diz que os Fenícios e especialmente os Cartagineses que honravam Cronos, sempre que desejavam ter sucesso em qualquer grande empreendimento, juravam por um de seus filhos, se alcançassem as coisas que desejavam, sacrificá-lo a um deus. Uma imagem de bronze de Cronos era colocada entre eles, com as mãos estendidas em forma de concha sobre um caldeirão de bronze, que queimaria a criança. À medida que a chama que queimava a criança envolvia o corpo, os membros murchavam e a boca parecia sorrir como se estivesse rindo, até encolher o suficiente para deslizar para dentro do caldeirão.[36]

 

O professor de Oxford, John Day, escreveu: “Na verdade, temos evidências independentes de que o sacrifício de crianças era praticado no mundo Cananeu (Cartaginês e Fenício) a partir de muitas fontes clássicas, inscrições Púnicas e evidências arqueológicas, bem como representações Egípcias do ritual que ocorria na Síria, Palestina, e de uma inscrição Fenícia recentemente descoberta na Turquia. Portanto, não há razão para duvidar do testemunho bíblico do sacrifício de crianças entre os Cananeus.”[37] Shelby Brown, pesquisador da UCLA, conclui: “Nenhum outro povo antigo, no entanto, escolhia regularmente seus próprios filhos como vítimas de sacrifícios ou os equiparava a animais que às vezes podiam ser substituídos pelos filhos. A prática Fenícia indica uma definição de ‘família’ e dos limites pertencentes a ela e a alienação da família que era incompreensível para outros no antigo Mediterrâneo.”[38]

Embora simplesmente não haja espaço aqui para responder completamente à acusação de Morriston “de que os Israelitas não acreditavam que Yahweh desaprovava o sacrifício de crianças”,[39] devo pelo menos mencionar seus comentários sobre Jefté em Juízes 11 porque Morriston erra completamente o ponto. O livro de Juízes narra como Israel foi fortemente influenciado pelos costumes de Canaã! Em Juízes 1:11 aprendemos que os israelitas escolheram não expulsar os Cananeus, mas se casaram com eles (3:6). Yahweh então diz a eles que eles desobedeceram (2:2), que os Cananeus seriam uma “armadilha” para eles (2:3), e então em 2:11 aprendemos que Israel “fez o que era mau perante o Senhor e serviu os Baalins.” A partir daí é uma espiral descendente com cada juiz sendo mais corrupto do que o anterior. A lição de Juízes é que Israel foi corrompido porque não erradicou os Cananeus. O fato de Gideão ter erguido um ídolo, de Jefté ter sacrificado sua filha ou de Sansão ter praticado sexo com mulheres Cananéias é dado como evidência da corrupção do povo, algo dificilmente tolerado.[40]

 

A Prática da Homossexualidade entre os Cananeus

 

Embora tenhamos pouco de Ugarit sobre a prática homossexual, o AT nos diz que os Cananeus a praticaram e nenhum texto do AOP condena a prática. Além disso, alguns textos mostram que havia pessoas nos templos para uso por pessoas do mesmo sexo.[41]

 

Mesmo Uruk, a morada de Anu e Ishtar,

Cidade de prostitutas, cortesãs e garotas de programa,

A quem Ishtar privou de maridos e manteve em

seu (literalmente: seu) poder:

Homens e mulheres Suteanos lançam seus abusos;

Eles despertam Eanna, os garotos festeiros e pessoas festeiras

Que mudaram sua masculinidade em feminilidade para

fazer com que o povo de Ishtar a reverencie.[42]

 

Depois, há o estranho provérbio: "Quando o sacerdote kalûm limpou seu ânus, (ele disse) 'Não devo excitar aquilo que pertence a minha senhora Inanna.'" Edmund Gordon, pesquisador associado da seção do Oriente Próximo, do Museu da Universidade da Pensilvânia, comenta que isso era “provavelmente uma alusão zombeteira ao papel do sacerdote kalûm como catamita sagrado [garoto que servia como sacerdote com propósitos sexuais]. . . a serviço da deusa do amor e da fertilidade, Inanna.”[43]

Do texto mágico Babilônico (pré-século VII a.C.), lemos os seguintes presságios:

 

Se um homem tiver relações sexuais com os quartos traseiros de seu igual [homem], esse homem será o primeiro entre seus irmãos e colegas.

Se um homem anseia por expressar sua masculinidade enquanto está na prisão e assim, como um prostituto cultual, acasalar-se com homens torna-se seu desejo, ele experimentará o mal.

Se um homem tiver relações sexuais com uma prostituta cultual, as preocupações [problemas] o abandonarão.[44]

 

E, novamente, vamos lembrar que com a cidade Cananéia de Sodoma, o problema não era apenas sexo consentidos entre adultos: os homens de Sodoma, jovens e velhos, se uniram para tentar estuprar os visitantes.[45]

 

A Prática da Bestialidade entre os Cananeus

 

Provavelmente a depravação final é o sexo com animais. As Leis Hititas 199 declaram: “Se alguém tiver relações sexuais com um porco ou um cachorro, ele morrerá. Se um homem tiver relações sexuais com um cavalo ou uma mula, não há punição.”[46] E, como no caso do incesto, a pena por ter relações sexuais com animais diminuiu na época do Êxodo.

Não deveria ser surpresa que a bestialidade ocorresse entre os Cananeus, uma vez que o deus que eles adoravam a praticava. Do ciclo épico Cananeu de Baal aprendemos:

 

O Majestoso e Poderoso Baal ouve;

Ele faz amor com uma novilha no interior [sertão],

Uma vaca no campo do Reino da Morte.

Ele se deita com ela setenta vezes sete,

Monta oitenta vezes oito;

[ela concebe] e dá à luz um menino.[47]

 

E não havia absolutamente nenhuma proibição contra a bestialidade no resto do AOP.[48] Pelo contrário, havia encantamentos usados para ajudar um homem que “não era capaz de obter e/ou manter uma ereção devido a algum feitiço”, que incluem um mulher fazendo sexo com animais.[49] “Alguns rituais especificam que um animal de verdade fosse amarrado à cama: 'na minha cabeça está amarrado um cervo. Aos meus pés [um carneiro está amarrado]! O cervo me acaricia! [Carneiro], copule comigo!”[50] Leick explica: “Aqui é a voz de uma mulher que está falando. . . . ela fala com os famosos animais machos excitáveis para despertar seu ardor. . . . [e então] ela os convida a copular com ela.”[51] A forma que o relato continua é tão repugnante que não consigo prosseguir citando.[52]

Acima, citei o livro de sonhos Egípcio para homens sobre presságios relacionados a sonhos incestuosos, mas os sonhos não são em sua maioria sobre sexo com humanos. O livro dos sonhos então lista o que acontece se um homem tiver relações sexuais com uma jerboa fêmea, uma pipa ou um porco. Todos os quais são “ruins”.[53] Manniche então explica:

 

O livro dos sonhos composto para mulheres está escrito no papiro Carlsberg XIII em Copenhague do século II d.C. Como acabamos de ver, a tradição dos livros de sonhos é muito mais antiga. O rolo de papiro está um pouco danificado, mas uma série de combinações eróticas interessantes permanecem junto com o título:

As formas de relação sexual a serem sonhadas quando uma mulher sonha

Se uma mulher sonha que é casada com seu marido, ela será destruída. Se ela o abraçar, sentirá tristeza.”

 

Observe que uma mulher sonhar com o tipo de sexo que a Bíblia tolera é considerado um mau presságio. Também é um mau presságio para uma mulher sonhar com relações sexuais com vários roedores, pássaros, répteis e uma grande variedade de animais. Mas coisas boas aconteceriam se ela sonhasse em ter relações sexuais com um babuíno, lobo, bode e assim por diante.[54] Em suma, suas fantasias sexuais envolviam tudo o que respira.

Se esta evidência for sólida, então verifica-se que a ordem de Yahweh para matar em certas cidades tudo o que respira responde à perversão real encontrada nas práticas do AOP. Assim, discordo do comentário de Paul Copan de que isso era “claramente hiperbólico”(25). Se eles estivessem fazendo sexo com quase todos os seres vivos em que pudessem colocar as mãos, e estavam, então todos teriam que morrer. Dawkins objeta que isso acrescenta “injúria ao insulto” pois “a infeliz besta deveria ser morta também”.[55] Mas, o que Dawkins e outros não entendem é que ninguém gostaria de ter por perto animais acostumados a fazer sexo com humanos.

Em um momento embaraçoso, o psicólogo Robert Yerkes contou sobre uma gorila chamada Congo: “jogando-se de costas, pressionou sua genitália externa contra meus pés e repetidamente e com determinação tentou me puxar para ela. . . . Nessa atividade, ela era acentuada e vigorosamente agressiva, e foi necessária considerável habilidade e força de resistência de minha parte para resistir ao seu ataque.” Yerkes continuou comentando que “sua insistência no contato sexual [era] extremamente embaraçosa. . . e um tanto perigosa por causa de sua enorme força. . . .”[56] Agora, se Congo nunca tivesse feito sexo com um homem (claro, não sabemos) e agido dessa maneira, não consigo imaginar o quão determinada ela estaria se tivesse.

Isso explicaria por que os Hititas precisavam esclarecer que os humanos podem não ter culpa: “Se um boi pular sobre um homem para ter relações sexuais, o boi morrerá, mas o homem não morrerá. . . . Se um porco salta sobre um homem para ter relações sexuais, não há punição.”[57] Esse tipo de comportamento pode explicar por que Deus usou um dilúvio para destruir o que Dawkins chamou de animais “presumivelmente inocentes” nos dias de Noé.[58]

 

O Pecado Israelita

 

Israel foi avisado para não deixar os Cananeus viverem em sua terra, mas para destruí-los completamente (Êxodo 23:33; Deuteronômio 20:16–18) porque, caso contrário, os Cananeus seriam (1) “farpas” aos olhos dos Israelitas (Nm. 33:55), (2) os Israelitas se casariam com os Cananeus, e então (3) os Israelitas conseqüentemente aprenderiam os costumes Cananeus (Êxodo 34:15–16). Yahweh advertiu que se os Israelitas começassem a adorar outros deuses, a terra os “vomitaria” para que eles fossem espalhados e a maioria fosse destruída, assim como vomitou as nações diante deles (Números 33:56; Lv. 18:28; Deut. 4:23–29, 8:19–20).

Mas os Israelitas não expulsaram os Cananeus (Juízes 1:28), antes adoraram outros deuses e seguiram suas práticas (Juízes 3:5–6; 2 Reis 17:7). Como resultado, Israel “fez o que era mau” (Juízes 10:6, 1 Reis 14: 22-24) e ergueram “para si, estátuas e imagens do bosque [Aserá], em todos os altos outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes.” (2 Reis 17:10). Havia “prostitutos de santuário” (1 Reis 14: 24), eles cometiam atos de “devassidão”, adultério e incesto (Jeremias 5:7; Oséias 4:13–14; Ezequiel 22:10–11; amós 2:7), e até mesmo Salomão erigiu altares para todas as suas esposas estrangeiras e até mesmo um altar para Moloque (1 Reis 11:5, 7–8). Com o tempo, os Israelitas sacrificaram seus filhos e filhas (2 Reis 1:3, 17: 17; 2 Crônicas 28: 3, 33: 6; Jr. 32: 35; Ezequiel 20: 26, 31). Em vez de se arrependerem quando as coisas correram mal para Judá, eles concluíram que era porque pararam de queimar incenso para “a Rainha do Céu”, Inanna/Ištar (Jr 44:18). Por isso o Senhor disse que Israel “têm-se tornado para mim como Sodoma, e os seus moradores como Gomorra.” (Jr. 23:14).

Posteriormente, os profetas começaram a alertar o reino do norte (geralmente referido como Israel ou Samaria) sobre a destruição iminente e, como eles não se arrependeram, em 722 a.C., o rei da Assíria capturou o reino do norte, deportou a maioria dos habitantes e encheu a terra com povos conquistados de outras nações.[59] Uma vez que as tribos do sul (geralmente referidas como Judá) tiveram alguns reis justos depois de Salomão e que, às vezes, atenderam ao aviso dos profetas, sua corrupção final e destruição não ocorreram até que Nabucodonosor da Babilônia violou as muralhas de Jerusalém em 586 a.C.

Mas não para por aí. Em Lucas 20, Jesus advertiu os Judeus na parábola dos lavradores e da vinha que os servos foram enviados a eles, mas foram maltratados e, portanto, o dono da vinha enviou seu filho, mas os lavradores mataram o filho. Jesus então perguntou: “Que fará então com eles o dono da vinha? Ele virá e matará aqueles lavradores e dará a vinha a outros”. Então, em 70 d.C., quarenta anos após a morte de Jesus, o Imperador Romano Tito destruiu Jerusalém e Josefo conta que os Judeus em Jerusalém

 

foram primeiro chicoteados e depois atormentados com todos os tipos de torturas, antes de morrerem, e depois crucificados diante do muro da cidade. Este procedimento miserável fez com que Tito tivesse muita pena deles, enquanto eles capturavam todos os dias quinhentos Judeus; não, alguns dias eles capturavam mais. . . .então os soldados, por causa da ira e do ódio que carregavam contra os Judeus, pregavam os que capturavam, um após o outro, nas cruzes, por diversão, quando a multidão deles era tão grande, faltava espaço para colocar as cruzes, e faltavam cruzes para os corpos.[60]

 

Tito então renomeou a região para Palestina e por quase 1.900 anos não se conseguia encontrar “Israel” no mapa. Em 135 d.C., os Romanos construíram uma cidade sobre as ruínas de Jerusalém e a chamaram de Aelia Capitolina. Então o Imperador Adriano decretou: “É proibido a todas as pessoas circuncidadas entrar ou permanecer no território de Aelia Capitolina; qualquer pessoa que transgredir esta proibição será condenada à morte”. Eles foram proibidos de ver Jerusalém mesmo “à distância”.[61]

Isso é importante por três razões. Primeiro, mostra que o que Deus ordenou que Israel fizesse aos Cananeus não era genocídio – era uma pena de morte. Deus advertiu Israel que se eles cometessem os mesmos pecados, a terra também os vomitaria. Deus não faz acepção de pessoas. Em segundo lugar, há uma lição cósmica: Deus odeia o pecado porque o pecado leva à rebelião e aos piores tipos de males. Em terceiro lugar, isso também responde ao mal-entendido de que existe alguma descontinuidade entre o Antigo e o Novo Testamento. Em ambos os Testamentos, Deus odeia o pecado e o punirá.

 

Os Nossos Pecados

 

Uma leitura superficial de pelo menos as ideias correntes na cultura Americana geralmente parece uma sequência das práticas Cananeias. Claro, não é como se as pessoas com ascendência Cananéia, que vivem nos Estados Unidos, fossem as culpadas por escrever essa sequência. De fato, a sequência é escrita em todas as gerações, independentemente da cultura, etnia ou grupo de pessoas. É persistentemente escrito porque flui do coração humano e de sua condição. Mas talvez a hipocrisia, com toda a sua potência racionalizadora, não nos ajude a ver com clareza o coração e sua real condição.

Por exemplo, em uma cultura que gravita em torno de “Donas de casa desesperadas”, sites de adultério como o de Ashley Madison, que possui “mais de 3.180.000 membros com ideias semelhantes”,[62] pessoas que vivem sob o lema “a vida é curta, tenha um caso”. Isso, é claro, não incomoda os ateus iluminados. Dawkins escreve que “Nós, seres humanos, damo-nos tanta importância que até elevamos nossos minúsculos "pecadilhos" ao nível de relevância cósmica!”[63] Dawkins pergunta por que os cristãos evangélicos são “obcecados” com “inclinações sexuais privadas, como a homossexualidade, que não interfere na vida de mais ninguém”.[64] E o aparentemente não obcecado Christopher Hitchens considera a “repressão sexual perigosa” tão séria que a chama de uma das “quatro objeções irredutíveis à fé religiosa”.[65] Assim, Judith Levine, em seu livro vencedor do prêmio Los Angeles Times de 2002, Harmful to Minors: The Perils of Protecting Children from Sex [cuja tradução livre é: Prejudicial para menores: os perigos de proteger as crianças do sexo], argumenta que “normal é o que uma determinada cultura ou era histórica chama: a homossexualidade masculina era considerada normal na Grécia clássica; o sexo intergeracional tem sido normal como iniciação sexual em muitas sociedades pré-industriais; até mesmo o estupro tem sido historicamente normal em tempos de guerra.”[66]

Considere o problema do incesto. Embora ninguém que eu conheça defenda ativamente o incesto (pois causa das deformidades de nascimento), algumas pessoas como Levine dizem que alguns tipos de incestos podem não ser prejudiciais,[67] e muitas outras pessoas buscam a diminuição da idade de consentimento, o que permitiria mais incesto.[68] Enfim, se um menino de oito anos pode dar o consentimento para um não membro da família, então ele pode dar o consentimento para um membro da família. Existe até “um fórum para pessoas envolvidas em discussões acadêmicas sobre a compreensão e a emancipação das relações mútuas entre crianças ou adolescentes e adultos”.[69] Muitos filmes populares transformaram o incesto em uma piada ou em algo excitante.[70] Então não é de admirar que em nossa sociedade “pesquisas indiquem que 1 em cada 5 meninas e 1 em cada 10 meninos serão vitimizados sexualmente antes da idade adulta.”[71]

Quando estudei sobre Moloque pela primeira vez, pensei que era impossível que alguém sacrificasse seu filho às chamas, mas depois considerei que nos Estados Unidos quase 50 milhões de bebês tiveram partes de seus corpos aspirados, foram queimados com solução salina e até mesmo tiveram seus cérebros sugados através de aborto parcial. Indiscutivelmente, os “deuses” que merecem o sacrifício são variados: minha carreira, minha escolha ou “eu queria um menino”.

Agora, alguém como Morriston pode objetar que o aborto não justifica o infanticídio, mas o especialista em ética de Princeton, Peter Singer, não objetaria. Ele “admitiu” que “a posição que assumi sobre o aborto também justifica o infanticídio”.[72] Claro, esta é uma das poucas vezes que o movimento pró-vida pensará que Singer falou com total clareza e leva naturalmente à sua conclusão de que “matar uma criança deficiente” “muitas vezes não é nada errado.”[73] Tenho certeza de que os Cananeus que tiveram crianças deformadas como resultado de incesto elogiariam o livro de Singer. Mas, para Singer, a criança nem precisa ser incapacitada porque “o erro intrínseco de matar o feto tardio e o erro intrínseco de matar o recém-nascido não são muito diferentes”. Para Singer isso não justifica “matar bebês aleatoriamente” porque o legítimo “infanticídio só pode ser equiparado ao aborto quando os mais próximos da criança não querem que ela viva”.[74]

Nada mais precisa ser dito sobre a homossexualidade.

Levítico 18 lista a bestialidade por último e, de fato, é a degradação final tolerada quando tudo o mais foi tentado. Assim, a Humane Society relata que muitos sites pornográficos incluem o abuso sexual de animais: “Um site [de bestialidade] forneceu quase 200 links, e apenas este site relata receber aproximadamente 46.000 visitas por dia”.[75] Claro, a maioria percebe que existe pornografia animal, mas a bestialidade não é mais evitada e está recebendo aprovação social.

Até o eticista Peter Singer acha que está tudo bem: “Somos animais. . . . Isso não torna normal ou natural o sexo além da barreira da espécie, seja lá o que essas palavras tão mal utilizadas possam significar, mas implica que deixa de ser uma ofensa ao nosso status e dignidade como seres humanos.”[76]

Considere os comentários do crítico de cinema do Los Angeles Times, Kenneth Turan, sobre o filme “Zoo” de 2007:

 

“Zoo”, estreando diante de uma platéia extasiada na noite de sábado como em um êxtase religioso, consegue ser um filme poético sobre um assunto proibido, um casamento perfeito entre um diretor frio e contemplativo. . . assunto potencialmente incendiário: sexo entre homens e animais. Nada que possa ser censurado, este filme estranho e estranhamente belo combina entrevistas em áudio com recriações visuais melancólicas destinadas a evocar o humor e o espírito das situações.[77]

 

Considere também o filme de 2007 “Sleeping Dogs Lie”, em que uma jovem que um dia fez sexo com seu cachorro decide ser honesta e contar ao noivo – que, após saber, cancela o casamento. Peter Travers, da Rolling Stone, escreveu que o filme “possui um raciocínio rápido e uma ternura cativante para com Amy enquanto a honestidade destrói sua vida. É doce, que se dane.” Observe que, para Travers, não foi o sexo com um cachorro que destruiu a vida de Amy, mas a honestidade dela.[78]

Depois, há músicas como "e daí?" do álbum Garage Inc do Metallica. O álbum de 1998 ganhou disco de platina triplo.[79]

 

e eu transei com uma ovelha,

eu transei com uma cabra

Eu bati meu p *** da forma certa

na garganta

e daí, e daí

e daí, e daí, seu chato

Vá se danar[80]

 

A partir de uma leitura superficial das ideias acima, podemos ver que Morriston está certo sobre uma coisa: “É impressionante que não haja nada exclusivamente ‘Cananeu’ sobre essas coisas. Todas, ou quase todas, essas práticas – desde a relação sexual durante o período menstrual de uma mulher até o comportamento homossexual e a bestialidade – ainda são comuns”.[81] Mas esse é o meu ponto: não apreciamos [não reconhecemos] as profundezas de nossa própria depravação, o horror do pecado e a justiça de Deus. Consequentemente, não é surpresa que quando vemos o julgamento de Deus sobre aqueles que cometeram os pecados que cometemos, aquela reclamação e protesto surge em nossos corações: “Isso é barbárie divina!” ou “Isso é genocídio divino!” Mas estudar essas coisas ao longo dos anos me levou a pensar se os Cananeus não poderiam se levantar no dia do julgamento e condenar esta geração.[82]

 

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Fonte:

 

PhilosoPhia Christi Vol. 11, No. 1 © 2009, pp. 52 – 72

 

Tradução Walson Sales

 

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Notas:

[1] Paul Copan, “Is Yahweh a Moral Monster? The New atheists and Old Testament Ethics,” Philosophia Christi 10 (2008): 7–37; Wes Morriston, “Did God Command Genocide? A Challenge to the Biblical Inerrantist,” Philosophia Christi 11 (2009): 7–26; and Paul Copan, “Yahweh Wars and the Canaanites: Divinely-Mandated Genocide or Corporate Capital Punishment? Responses to Critics,” Philosophia Christi 11 (2009): 73–90.

[2] C. S. Lewis, The Problem of Pain (New York: Macmillan, 1947), 46.

[3] Considere que “my bad” agora é frequentemente usado como brincadeira e “wicked” [ímpio] é aplicado por surfistas a ondas particularmente grandes ou esquiadores a pistas de esqui particularmente desafiadoras.

[4] Além disso, há precedência bíblica para o uso de linguagem que fala francamente sobre o pecado. Por exemplo, em Ez. 23:20–1, o Senhor condena Jerusalém que se prostituiu e “cobiçou seus amantes, cujos órgãos genitais eram como os de jumentos e cujas emissões eram como as dos cavalos”. Em outro lugar, lemos sobre um levita que desmembrou sua concubina depois que os homens de uma cidade a estupraram (Jz 19), sobre os homens de Sodoma (uma cidade Cananéia) é dito que tentaram estuprar anjos (Gn 19), sobre o coitus interruptus de Onã e sua viúva que se passou por prostituta para fazer sexo com o sogro (Gn 38).

[5] Morriston escreveu que “as traduções mais precisas e atualizadas dos textos Ugaríticos” não “fornecem evidências de uma cultura particularmente ‘pervertida’ ou ‘cruel’. . . .” (“Did Command Genocide?” 18). Mas Morriston não prestou atenção suficiente para o que as duas fontes que ele mencionou realmente diziam. Pardee escreveu que “O culto da fertilidade tão querido ao coração das gerações mais antigas de estudiosos dos textos Hebraicos e Ugaríticos não aparece claramente nenhum corpus; a depravação sexual que alguns afirmaram ser característica do culto Cananeu em geral não deixou vestígios em nenhum dos textos Ugaríticos traduzidos acima. . . .” (Ritual and Cult at Ugarit, ed. Theodore J. Lewis [Leiden, Holanda: Brill, 2002], 233, ênfase adicionada). Mas Pardee estava apenas afirmando que a depravação não ocorria nos textos que ele traduziu. De outros textos Ugaríticos, aprendemos sobre incesto e bestialidade entre seus deuses. Quanto ao artigo de Delbert Hillers (“analyzing the abominable: Our Understanding of Canaanite religion,” The Jewish Quarterly Review 75 [1985]: 253–69), Hillers estava apenas argumentando de forma bem ampla sobre como os estudos Ugaríticos deveriam proceder enquanto objetava que o julgamento moral sobre o papel do historiador está deslocado em tais estudos.

[6] Jr. 2:11–12. todas as citações das escrituras da Nova Versão Internacional, salvo indicação em contrário. [isso no texto original. O tradutor do artigo citou a ACF na maioria dos casos].

[7] Jr. 1:16 e 8:2–5.

[8] Com relação à idolatria, Joseph Gorra fez este comentário para mim: “No entanto, como é tragicamente irônico, mas não acidental, que na própria maneira de atribuir valor a coisas sem valor, o que é sem valor confere inutilidade àqueles que atribuem o devido valor. Que vazio cíclico!”

[9] CH. Virolleaud, “Un Conte populaire de ras shamra: Le banquet du Père des dieux,” Comptes rendus du Groupe linquistique d'Études chamitosémitiques 9 (maio de 1962): 51–2, citado em Ulf Oldenburg, The Conflict Between El and Ba'al em Canaanite Religion (Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1969), 172. Oldenburg comenta mais tarde que “El e Yahweh eram originalmente idênticos e não dois deuses originalmente diferentes que foram identificados secundariamente. Além disso, concluímos que Yahweh foi identificado com El em sua glória e onipotência originais, antes que o conhecimento de El fosse corrompido pela apostasia Cananéia” (175). Em uma nota de rodapé nesta mesma página, Oldenburg comenta que “tive que mudar minha opinião a esse respeito” (ver também 183-4). Assim também Marvin Pope: “Na medida em que YHWH foi identificado com El, os Israelitas certamente não reconheceram ou admitiram tal degradação representada nos mitos Ugaríticos. . . . A luta entre o Yahwismo e o Baalismo em Israel foi precedida por vários séculos em Ugarit por um conflito entre El e Baal no qual o Deus mais jovem foi vitorioso.” El foi “banido” para o “mundo inferior” por Baal (Marvin H. Pope, El in the Ugaritic Texts [Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1955], 104).

[10] Ao contrário das explicações delirantes do ciúme divino, veja Erik Thoennes, Godly Jealousy: A Theology of Intolerant Love (Escócia: Christian Focus Publications, 2005).

[11] Richard Dawkins, The God Delusion (Boston: Houghton Mifflin, 2000), 243. Depois, Dawkins escreve: “É impossível não se assombrar com a visão tão extraordinariamente draconiana que se tem do pecado de flertar com deuses rivais. . . . A farsa tragicômica do ciúme maníaco de Deus contra outros deuses reaparece constantemente em todo o Antigo Testamento.” (246).

[12] Outros textos dizem que ele veio de Dagon.

[13] Para a história de Baal fazendo sexo com Aserá, veja: “El, ashertu and the storm-god”, trad. Albrecht Goetze, ed. James B. Pritchard, em The Ancient Near East: Supplementary Texts and Pictures Relating to the Old Testament (Princeton: Princeton University Press, 1969), 519.

[14] W. F. Albright, Yahweh and the Gods of Canaan: A Historical Analysis of Two Contrasting Faiths (Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1968), 145.

[15] Isso coincide bem com os que dão uma data posterior para o Êxodo. O debate sobre a data do Êxodo foi recentemente retomado no Journal of the Evangelical Theological Society (ver particularmente Rodger C. Young e Bryant G. Wood, “A Critical Analysis of the Evidence from Ralph Hawkins for a Late-Date Exodus - Conquest,” Journal of the Evangelical Theological Society 51 [2008]: 225–44, e Ralph K. Hawkins, “The Date of the Exodus-Conquest Is still an Open Question: a response to Rodger Young and Bryant Wood,” Journal da Evangelical Theological Society 51 [2008]: 245–66). Harry Hoffner escreve que a partir do século XV ou XIV a.C. “várias cidades e vilas dentro da esfera de controle dos Hititas tinham diferentes tradições em relação à punição de hurkel [ofensa sexual relativa a incesto ou bestialidade]. Alguns executavam o(s) ofensor(es), outros baniam. Do século 17 ao 14, nenhum documento Hitita registra qualquer opção para uma cidade além de executar ou banir.” Mas, escreve Hoffner, “é, portanto, muito interessante que recentemente tenham aparecido tabuletas e entradas de catálogos de bibliotecas para tabuinhas contendo rituais para remover a impureza de um homem acerca do pecado de bestialidade e incesto. Pois isso constitui evidência primária para um maior desenvolvimento na atitude legal-religiosa em relação ao incesto e à bestialidade entre os Hititas” (Harry a. Hoffner, Jr., “Incest, sodomy and Bestiality in the Ancient Near East” Orient and Occident: Essays Presented to Cyrus H. Gordon on the Occasion of his Sixty-fifth Birthday, ed. Harry A. Hoffner, Jr. [Alemanha: Neukirchen Vluyn, 1973], 85). Hoffner aponta que, com o tempo, um pássaro era “oferecido não a uma divindade, mas por um aspecto do pecado ou seu efeito: pelo pecado, pela maldição, pela raiva, pelo choro; ou por algum aspecto da esperada reconciliação: pela paz (takšul).” Depois do século XIV, as leis mudaram para que “o ofensor humano pudesse continuar a viver na cidade sem trazer sobre ela a ira dos deuses”(90). “O mesmo padrão de amenizar as penalidades mais antigas e rigorosas e substituí-las por multas simples pode ser visto repetidas vezes nas próprias leis Hititas”(90n). Isso também coincide com o que William F. albright disse que estava acontecendo no Egito na época do Êxodo, onde “reis Egípcios como Akhenaton e Ramsés II se casaram com uma ou mais de suas filhas nos séculos XIV e XIII a.C.” (albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 128).

[16] Gn 15:16.

[17] Kenneth A. Matthews, Genesis 11:27–50:26, The New American Commentary, vol. 1b (Nashville, TN: Broadman e Holman, 2005), 175.

[18] Papyrus Chester Beatty III recto (BM10683) de mais ou menos 1.175 a.C., citado em Lise Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt (London: Routledge, 1987), 100.

[19] Gn. 19:30–8.

[20] Morriston aponta que não ouvimos sobre a prostituição no templo de Ugarit, mas desde que o AT testifica disso e foi algo desenfreado durante o resto do AOP, então o que mais precisamos? Eu chamo isso de sexo no templo, em vez de prostituição no templo, para evitar a controvérsia recente sobre se era prostituição ou apenas sexo. alguns hoje argumentam que nunca foi prostituição, mas acho que seus argumentos fogem da questão. Por exemplo, Stephanie Lynn Budin escreve: “O que é importante lembrar, no entanto, é que a prostituição sagrada não existia” (Budin, The Myth of Sacred Prostitution in Antiquity [Londres: Cambridge University Press, 2008], 3). O que Budin quer dizer é que a prostituição sagrada nunca, jamais, aconteceu em todo o AOP. Nem uma vez. Mas argumentar que a profissão mais antiga do mundo nunca esteve envolvida, onde abundam as práticas sexuais e a ganância, está quase além da compreensão. A única maneira de argumentar que a prostituição sagrada nunca ocorreu é minimizar absolutamente todos os relatos dela e a única maneira de fazer isso é já saber que ela nunca aconteceu e, portanto, argumentar em círculos. Mas Budin faz isso. Ela desconsidera o testemunho cristão primitivo de Paulo a Clemente, de Atanásio e Agostinho como nada mais do que uma polêmica autointeressada apresentando o paganismo “sob a pior luz possível” (261) e, portanto, conclui que “referências à prostituição sagrada” não são “evidências históricas” mas “retórica condenatória” (261). “Duvido que muitos dos autores que contribuíram para o mito da prostituição sagrada acreditassem inteiramente no que escreveram. . . . Mas, no final das contas, o que é mais importante para o surgimento do mito é que seus leitores acreditaram no que escreveram. . .” (286). Ela também descarta o relato de Heródoto simplesmente afirmando que ele o inventou. Ela admite que “extensas escavações arqueológicas . . . mostraram que muitos dos relatos de Heródoto estavam corretos. . . .” Mas ela argumenta que Heródoto deve ter inventado parte disso. Seu exemplo “mais claro” dessa alegada invenção ocorre no livro 3.79-83, “em que Heródoto relata o debate travado por três Persas sobre a melhor forma de governo: democracia, oligarquia ou monarquia. O fato de Heródoto ter acesso a essa “transcrição” parece improvável ao extremo, enquanto os argumentos apresentados parecem muito mais com debates políticos Gregos. . . .” (61).

[21] Gwendolyn Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature (Nova York: Routledge, 1994), 57 (ênfase no original).

[22] Jonathan N. Tubb, The Canaanites (Norman, OK: University of Oklahoma Press, 1998), 76.

[23] Tubb, The Canaanites, 74. Não está claro se eles eram deuses ou mortais. Ver Marvin H. Pope, El in the Ugaritic Texts (Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1955), 35–6.

[24] Walther Hinz, The Cambridge Ancient History: History of the Middle East, 3ª ed., ed. I.E.S. Edwards, C. J. Gadd e N. G. L. Hammond (Londres: Cambridge University Press, 1971), vol. 1, parte 2, 672. “Desde os primeiros dias, inúmeros sacerdotes com os servos estavam ligados aos edifícios do templo na acrópole de Susã. aparentemente, eles realizaram suas cerimônias nus, a julgar pelos selos Elamitas e vários pequenos achados do estrato D de Susã em diante - isso é antes da época do império Acadiano. Uma escultura de betume da época mostra sacerdotes nus com um cordeiro sacrificado, coroados com um par de cobras. Em um selo do governador Eshpum (cerca de 2.300, no reinado de Manishtusu), os sacerdotes são reconhecíveis vestindo nada além de uma coroa de chifres e, em alguns casos, uma cobertura de lombo em forma de cobra.” Ver também H. Ringgren, “Kohen,” no Theological Dictionary of the Old Testament (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1995), 7:63: “No templo de Inanna, havia eunucos e prostitutas para o culto da deusa do amor. As primeiras representações pictóricas mostram que os sacerdotes costumavam ficar nus quando realizavam seus deveres.”

[25] Martti Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World: A Historical Perspective, trad. Kirsi Stjerna (Minneapolis: Fortress, 1998), 33.

[26] John Gray, The Legacy of Canaan (Leiden, Holanda: E. J. Brill, 1965), 101, 102.

[27] Ibid., 101.

[28] Godfrey Rolles Driver e John C. Miles, The Assyrian Laws (Alemanha: scientia Verlag Aalen, 1975), 38.

[29] Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt, 60.

[30] Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 151. Em um diálogo entre um homem e Nanâ, ele diz a ela: “Quando (você) se curva, os quadris são doces.” “Quando estou de pé contra a parede – custa um cordeiro, quando me curvo custa um shekel e meio'” (B. Alster, “Two sumerian short Tales and a Love Song Reconsidered,” Zeitschrift für Assyriologie 82 [1993]: 186–201, citado em Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 149). Leick continua escrevendo que “Aqui temos um caso que parece desprovido de sentimento romântico ou paixão, já que o ato sexual se torna uma transação a ser paga” (150). Para saber mais sobre prostituição, consulte Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 162.

[31] John Day, Molech: A God of Human Sacrifice in the Old Testament (Cambridge: Cambridge University Press, 1989), 62.

[32] Alguns argumentam que “molek era um termo sacrificial e não o nome de uma divindade Cananéia” (Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 236). Embora isso importe pouco para nossa discussão, já que ninguém está questionando se o sacrifício de crianças ocorreu, acho que John Day tem o melhor argumento: “Se o Antigo Testamento interpretou mal o termo molek, não o fez apenas uma vez, mas consistentemente, em obras de vários escritores. . . . embora seja concebível que um escritor tenha entendido mal a expressão, seria notável se todos eles tivessem incorrido no mesmo erro, especialmente porque escreveram” quando e onde era praticado. Day considera “certamente mais científico aceitar o testemunho dessas fontes de primeira mão, cujos autores estavam bem posicionados para conhecer os fatos”. Ele afirma que argumentar o contrário é “perverso” (Day, Molech, 13, 14).

[33] “A palavra 'Cananeu' é histórica, geográfica e culturalmente sinônima de 'Fenício', o título imediatamente se torna mais impressionante, pois também trata do papel dos Fenícios na história da civilização” (W. F. albright, The Bible and the Ancient Near East: Essays in Honor of William Foxwell Albright, ed. G. Ernest Wright [Garden City, NY: Anchor, 1965], 438).

[34] Plutarco De Superstitione 13, citado em Day, Molech, 89.

[35] Shelby Brown, Late Carthaginian Child Sacrifice and Sacrificial Monuments in Their Mediterranean Context (Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic: 1991), 14. “A prática Cartaginesa era realmente singular, pois combinava infanticídio e sacrifício humano de uma forma inaceitável para outros. Não era o ato de matar uma criança que era incomum, mas o de matar um parente muitas vezes com idade suficiente (pelos padrões Gregos e Romanos) para ter sido incorporado à família, e de fazê-lo em um contexto religioso na expectativa do favor divino. . .” (Brown, Late Carthaginian Child Sacrifice, 175).

[36] Kleitarchos, scholia on Plato's Republic 337a, citado em Day, Molech, 87. Ver Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 234-44 para uma discussão significativa sobre a natureza e a arqueologia pertencentes ao sacrifício de crianças.

[37] John Day, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan (Sheffield, Inglaterra: Sheffield Academic, 2000), 211–12.

[38] Brown, Late Carthaginian Child Sacrifice, 75. Ver também Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 152. Brown comenta ainda: “Em vez de cessar com o tempo e o contato com outros povos, o rito continuou em Cartago até a destruição da cidade em 146 a.C., e sobreviveu no Norte da África até o século III d.C., mesmo sob o domínio Romano” (13). Brown escreveu depois: “A longevidade do sacrifício de crianças e a tenacidade com que os Cartagineses e outros Fenícios aderiram à prática, apesar de seus contatos frequentes com vizinhos que os abominavam por isso, sugere que o ritual era crucial para a religião Fenícia e para o bem-estar de uma cidade e seus habitantes” (171). Brown cita evidências arqueológicas de que muitos milhares de crianças foram vítimas, mas que “os estudiosos modernos talvez estejam excessivamente ansiosos para inocentar os Fenícios de um ‘crime’ (aos nossos olhos) que, pelos padrões Fenícios, simplesmente não era uma ofensa” (75).

[39] Morriston, “Did God Command Genocide?” 14–15.

[40] Para uma grande exposição sobre a Canaanização de Israel, veja o comentário sobre Juízes de Daniel I. Block, Judges, Ruth, The New American Commentary, vol. 6 (Nashville, TN: Broadman e Holman, 1999).

[41] Davidson: “O papel dos funcionários do culto masculino . . . tem sido debatido: a literatura acadêmica anterior refere-se a eles como 'prostitutas cultuais', mas pesquisas mais recentes sugerem que esses funcionários serviam como músicos, dançarinos e atores teatrais que atuavam como parte dos festivais cultuais, mas não eram prostitutas cultuais. Eles se vestiam como mulheres e usavam maquiagem feminina, geralmente carregavam consigo o símbolo feminino de um carretel e participavam de danças extáticas e autotortura. Independentemente de suas outras responsabilidades, conforme destacado em pesquisas recentes, e se eles regularmente se envolveram em 'sexo de aluguel' ou prostituição, a evidência parece inescapável de que esses indivíduos participaram de relações homossexuais ritualísticas" (Davidson, Flame of Yahweh, 137 ). Wold: “Na verdade, desconheço qualquer referência específica à homossexualidade na lei da Mesopotâmia antes do final do segundo milênio a.C.” (Donald J. Wold, Out of Order: Homosexuality in the Bible and the Ancient Near East [Grand Rapids, MI: Baker, 1998], 44).

[42] Stephanie Dalley, “Erra and Ishum IV,” em Myths from Mesopotamia (Oxford: Oxford University Press, 1989), 305. Dalley comenta que este texto é provavelmente do século VIII a.C. Também, “Transformar um homem em uma mulher e uma mulher em um homem é a tua porção, Inanna” (A. W. Sjöberg, “in-nin šà-gur-a: a Hymn to the Goddess Inanna,” Zeitschrift für Assyriologie 65 [1976]: 161–253, citado em Rivkah Harris, “Inanna-Ishtar as Paradox and a Coincidence of Opposites,” History of Religions 30 (1991): 265.

[43] Edmund L. Gordon, Sumerian Proverbs: Glimpses of Everyday Life in Ancient Mesopotamia (Philadelphia: The University Museum, University of Pennsylvania, 1959), 248. Gordon comenta: “Provavelmente uma alusão zombeteira ao papel do sacerdote kalûm como um sacerdote sagrado catamita . . . a serviço da deusa do amor e da fertilidade, Inanna” (248-9). sobre a palavra “excitar” Gordon comenta: “Literalmente, ‘agitar’. . .” (249). ver também Nissinen, Homoeroticism in the Biblical World, 33, e Gordon, Sumerian Proverbs, 248-9.

[44] A. Kirk Grayson e Donald Redford, Papyrus and Tablet (Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1973), 152.149.

[45] Gn 19:5.

[46] Hoffner, “Incest, sodomy and Bestiality in the ancient Near East”, 82.

[47] Mark S. Smith, trad., em Ugaritic Narrative Poetry, ed. Simon B. Parker (Atlanta: Society of Biblical Literature, 1997), 148. No mesmo volume, veja também “Baal Fathers a Bull,” trad. Simon B. Parker, 181–186, e “A Birth”, trad. Simon B. Parker, 186–187. Albright diz que “à luz de vários relatos Egípcios da deusa, inquestionavelmente traduzidos de um mito Cananeu original”, que Baal estuprou Anath enquanto ela estava na forma de um bezerro (Albright, Yahweh and the Gods of Canaan, 128–9 ).

[48] Hoffner, "Incest, sodomy and Bestiality in the Ancient Near East", 82.

[49] Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 205.

[50] R. D. Biggs, trans., ŠÀ.ZI.GA.: Ancient Mesopotamian Potency Incantations (Locust Valley, NY: J. J. augustin, 1967), 31, citado em Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 206. Após listar as passagens relacionadas ao que acabamos de mencionar, A. Kirk Grayson e Donald Redford concluem o capítulo sobre as atitudes da Mesopotâmia em relação ao sexo assim: “A esta altura, o leitor deve estar impressionado com a ausência de inibições sexuais por parte dos antigos Mesopotâmios. O sexo era apenas parte de uma vida normal e saudável. Certos tipos de comportamentos sexuais eram considerados antissociais, é claro (como o adultério), mas fora essas poucas restrições, tanto os homens quanto Deus gostavam de fazer amor ao máximo” (A. Kirk Grayson e Donald redford, Papyrus and Tablet [Englewood Cliffs, NJ : Prentice-Hall, 1973], 152).

[51] Leick, Sex and Eroticism in Mesopotamian Literature, 206. Biggs comenta: “A bestialidade certamente era praticada na Mesopotâmia, assim como na Palestina. . .” (Biggs, ŠÀ.ZI.GA., 34).

[52] Biggs, ŠÀ.ZI.GA., 14:5–10, 33. Orei com frequência e busquei o conselho de amigos e pastores de confiança sobre o material aqui apresentado sobre o que poderia ser relatado.

[53] Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt, 100-1.

[54] Ibid., 102 (ênfase no original). Para saber mais sobre a bestialidade Egípcia, consulte Manniche, Sexual Life in Ancient Egypt, 28, 43-4. Eu me pergunto sobre uma sociedade onde esse tipo de sonho pode ocorrer. Aposto que a maioria das pessoas nunca sonhou em fazer sexo com um animal em toda a sua vida.

[55] Dawkins, The God Delusion, 248.

[56] Robert M. Yerkes, “The Mind of the Gorilla,” pt. 3, Comparative Psychology Monographs 5, no. 2 (1928): 68–9.

[57] Hittite Laws 199.

[58] Dawkins, The God Delusion, 237–8.

[59] Para uma documentação completa da deportação e do repovoamento, ver Bustenay Oded, Mass Deportations and Deportees in the Neo-Assyrian Empire (Wiesbaden, Alemanha: reichert, 1979).

[60] Flavius Josephus, The Works of Flavius Josephus, trad. William Whiston (Hartford, CT: S. S. Scranton, 1905), 822.

[61] Rendel Harris, “Decreto de Adriano sobre a Expulsão dos Judeus de Jerusalém,” The Harvard Theological Review 19 (1926): 202. Para saber mais sobre a expulsão de Judeus de Jerusalém, veja Paul Schäfer, The History of the Jews in the Greco-Roman World, rev. ed. (Londres: routledge, 1995), 158-60.

[62] AshleyMadison.com. Acessado em 17 de janeiro de 2009. Quando visitei o site pela primeira vez em outubro de 2008, eles tinham apenas 2.400.000 membros.

[63] Dawkins, God Delusion, 238.

[64] Ibidem.

[65] Christopher Hitchens, God Is Not Great: How Religion Poisons Everything (Boston: Twelve Books, 2007), 4.

[66] Judith Levine, Harmful to Minors: The Perils of Protecting Children from Sex (Nova York: Thunder's Mouth, 2003), 66.

[67] “Mesmo o incesto entre irmãos . . . não é ipso facto traumático” (Levine, Harmful to Minors, 57).

[68] Levine: “o sexo não é prejudicial para as crianças. . . . Há muitas maneiras pelas quais até as crianças menores podem participar” (Levine, Harmful to Minors, p. 225).

[69] http://www.ipce.info/ipceweb/index.htm. Considere também as palavras do professor de psicologia da UCLA, Dr. Paul Okami: “Indo direto ao ponto, pelo menos algumas pessoas afirmam que suas experiências sexuais na infância com adultos aumentaram sua autodeterminação sexual, não a sobrecarregaram. Eu entrevistei essas pessoas (Okami, 1991). Então o que fazemos com essas reivindicações? . . . Qual é a verdadeira origem [do ódio à pedofilia]? Suspeito que seja multiplamente determinado, mas a versão Ocidental provavelmente tem origem na herança sexual de São Paulo e Santo Agostinho, que caracterizam o sexo como perigoso, sujo, pecaminoso, feio, destrutivo e assim por diante (Rubin, 1984)” (Paul Okami, “The Dilemma of the Male Pedophile,” Archives of Sexual Behavior 31 [2002]: 473-477, citado em Fred S. Berlin, Wolfgang Berner, Vern L. Bullough, Alan F. Dixson, et al., “Peer Commentaries on Green (2002) and schmidt (2002),” Archives of Sexual Behavior 31 [2002]: 492 –3, 494).

[70] Por exemplo, Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2007), R; National Security (2003) R; South Park: Bigger, Longer & Uncut (1999), R; Analyze This (1999), R; Joe Dirt (2001), PG-13; Freddy Got Fingered (2001), R; Eurotrip (2004), R; Not Another Teen Movie (2001), R; Mission Impossible III (2006), PG-13; The Departed (2006), R; Date Movie (2006), PG-13; Superhero Movie (2008), PG-13.

[71] Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas, “FaQ: Child sexual Exploitation,” http://www.missingkids.com/missingkids/servlet/Pageservlet?LanguageCountry=en_Us&PageId = 2815. É claro que nem toda vitimização vem de familiares, parte vem de estranhos e cuidadores.

[72] Peter Singer, Practical Ethics, 2ª ed. (Cambridge: Cambridge University Press, 1993), 173.

[73] Ibidem, 191.

[74] Ibidem, 173.

[75] The Humane Society dos Estados Unidos, “folheto acerca dos fatos sobre abuso sexual de animais”, http://www.vactf.org/pdfs/bestiality-factsheet.pdf. Por abuso sexual, eles não querem dizer que o animal sofreu danos físicos permanentes.

[76] Peter Singer, “Heavy Petting: review of Midas Dekkers, 'Dearest Pet: On Bestiality' (Londres, 2000),” Nerve.com, 2001, http://www.nerve.com/opinions/singer/heavypetting/ main.asp. O fato de mais humanos em nossa cultura não poderem realmente participar de bestialidade não é o ponto. O ponto principal é que muitos, embora talvez enojados com a ideia de bestialidade, aprovarão o comportamento daqueles que o praticam. Cf. Rm. 1:32: “Embora eles conheçam o decreto de Deus de que aqueles que fazem tais coisas merecem a morte, eles não apenas as fazem, mas aprovam aqueles que as praticam.” Afinal, o que é pior, deixar-se levar pela luxúria do momento ou aprovar desapaixonadamente o comportamento de quem o faz?

[77] Kevin Turan, “'Zoo' Is Not Just 'Eeew'”, Los Angeles Times, 22 de janeiro de 2007.

[78] Há uma série de filmes que tratam a bestialidade como uma piada ou como uma excitação: Clerks II (2006), R; Scary Movie 3 (2003), PG-13; Wild Hogs (2007), PG-13; American Wedding (2003), R; The Animal (2003), R; The 40-Year-Old Virgin (2005), R; Anger Management (2003), PG-13; Walk Hard: The Dewey Cox Story (2007), PG-13; Hostel (2005), R; Pushing Tin (2007), PG-13; Austin Powers in Goldmember (2002), PG-13; South Park: Bigger, Longer & Uncut (1999), R; Grind (1999), R; Nutty Professor II: The Klumps (2000), PG-13; Dodgeball: A True Underdog Story (2005), PG-13; The Dukes of Hazzard (2005), PG-13; Deuce Bigalow, European Gigolo (2005), R; Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2007), R; Freddy Got Fingered (2001) R; Scary Movie 3 (2003), PG-13; Date Movie (2006), PG-13.

[79] Disponível Online, http://www.pluggedinonline.com/music/music/a0000685.cfm.

[80] disponível Online, http://www.asklyrics.com/display/Metallica/so_What_Lyrics/310

411.htm. Outros álbuns que mencionam a bestialidade: Blink-182, Enema of the State, “Anthen” (o melhor entre 10 albuns); Barenaked Ladies, Maroon (rock, chegou ao número 5); Insane Clown Posse, The Amazing Jeckel Brothers (rap, chegou ao número 4).

[81] Morriston, “Did Command Genocide?” 16.

[82]. Isso não nos dá a capacidade de determinar que horrores como o 11 de setembro tenham sido o julgamento de Deus sobre o mundo. Podemos, no entanto, ter certeza de que Seu julgamento virá. Considere Lucas 10:13–15: “Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se fizessem as maravilhas que em vós foram feitas, já há muito, assentadas em saco e cinza, se teriam arrependido. Portanto, para Tiro e Sidom haverá menos rigor, no juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te levantaste até ao céu, até ao inferno serás abatida.” Tiro e Sidon eram cidades Cananéias.

Preciso agradecer a George Giacumakis, professor da Biola University e Presidente de History, Government, and social science, especializado em história do Antigo Oriente Próximo, por sua revisão deste artigo; como sempre, aprecio imensamente as muitas, muitas sugestões úteis feitas por Joseph Gorra; e sou grato a minha esposa, Jean E. Jones, por ela ter lido centenas de páginas de documentos de fontes primárias e secundárias do Antigo Oriente Próximo e suas muitas sugestões.

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