Por Robert Bowman Jr.
Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales
A
evolução teísta difere de muitas
formas e de muitas maneiras de forma significativa da evolução não teísta.
Muitos cristãos são teístas evolucionistas. Existem duas formas de teístas
evolucionistas, o Deísmo, sustenta que Deus criou o mundo, mas não intervém de
forma sobrenatural no mundo (antisobrenaturalismo), não que Deus não possa,
apenas que Deus não se interessa pela ordem criada (como um relojoeiro que
inventou o relógio, deu corda e o deixou a trabalhar sozinho). Para eles, Deus
não realiza nem realizou nenhum milagre na ordem criada. Já os evolucionistas
teístas acreditam em milagres. Eles acreditam que os sistemas naturais e as
ações sobrenaturais de Deus explicam melhor o conjunto de dados oriundos da
criação. Afirmam que temos que reconhecer três milagres na ordem criada: a
origem do universo é um ato exclusivo de Deus, portanto sobrenatural, pelo qual
Deus trouxe a existência a ordem natural. Pois a existência do universo tem que
ser explicada por algo ou alguém fora do universo, neste caso, Deus.
A maioria dos teístas evolucionistas defendem
que a origem da vida é um milagre e a evolução biológica se encarrega de
explicar a origem da diversidade dos demais seres vivos, por um ser vivo
unicelular há bilhões de anos, para a multiplicidade de seres vivos hoje. Portanto
a origem da vida não pode ser explicada sem uma ação sobrenatural de Deus.
O terceiro milagre que muitos teístas
evolucionistas defendem se encontra na origem do ser humano com espírito e alma
e que existe um portentoso milagre inserido aqui. Eles afirmam que os seres
humanos evoluíram biologicamente a partir de seres vivos inferiores, mas em
algum momento, Deus realizou algo além da ordem natural dentro do processo
evolucionário, que infundiu dentro desse animal em particular uma alma moral
com capacidades cognitivas avançadas e uma consciência. Neste momento esse ser
vivo deixa de ser um animal e passa a ser uma pessoa.
Os teístas evolucionistas também acreditam em
macroevolução, ou seja, a evolução das espécies chegou a um nível tão avançado
que foi capaz de trazer novas espécies a existência por meio de mutações
genéticas, espécies de todos os tipos, desde árvores, peixes, mamíferos, tudo
por um processo puramente natural. Contudo, esse processo macroevolutivo foi
colocado em movimento por Deus. O que terminou originando o Design Inteligente
e o propósito dos seres vivos. Contudo, eles não acreditam no casal Adão e Eva
como literais, apesar de alguns reconhecerem a necessidade desse primeiro
casal. Esses tendem a ver o Genesis como semimítico, a ideia de que existe mito
em Genesis, mas também alguma medida de verdade, pelo menos verdades
espirituais sobre Deus, sobre a origem do universo e sobre a origem da vida.
Então, eles usam Genesis como um livro que revela verdades, mas talvez de forma
mítica. Eles tendem a aceitar a teologia e a ciência ocupando cada uma um
espaço separado (tipo – cada um no seu quadrado), ou seja, a ciência lida com a
realidade física, a teologia lida com a realidade espiritual, a ciência fala
acerca da natureza, a teologia fala sobre Deus, a ciência fala sobre o que está
acontecendo nos céus, a teologia fala como ir morar no céu (esse trocadilho
veio de Galileu Galilei, apesar de que o Teísmo Evolucionista não ser uma opção
viva para ele na sua época).
Este é o entendimento típico do evolucionismo
teísta. A propósito, Galileu não era um evolucionista teísta, pois ele era um
criacionista que não via a evolução como uma opção intelectual válida. Mas ele
realmente entendia que a teologia e a ciência ocupavam esferas diferentes. Alguns
nomes de pensadores que eram teístas evolucionistas: C. S. Lewis parece ter
sido um teísta evolucionista. Ele sempre foi cauteloso ao endossar uma hipótese
evolucionista naturalista. Ele rejeitava o naturalismo e a evolução não teísta.
Agora, parece-me que ele realmente aceitava a hipótese do evolucionismo teísta.
Howard van Till é um exemplo mais recente de teísta evolucionista, um
cientista, filósofo e teólogo conservador, e defendia que essa interpretação
era aceitável dentro de uma estrutura eminentemente evangélica. John Stott
também se enquadra nessa categoria.
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