segunda-feira, 24 de abril de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - A Evolução Teísta

 


 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

A evolução teísta difere de muitas formas e de muitas maneiras de forma significativa da evolução não teísta. Muitos cristãos são teístas evolucionistas. Existem duas formas de teístas evolucionistas, o Deísmo, sustenta que Deus criou o mundo, mas não intervém de forma sobrenatural no mundo (antisobrenaturalismo), não que Deus não possa, apenas que Deus não se interessa pela ordem criada (como um relojoeiro que inventou o relógio, deu corda e o deixou a trabalhar sozinho). Para eles, Deus não realiza nem realizou nenhum milagre na ordem criada. Já os evolucionistas teístas acreditam em milagres. Eles acreditam que os sistemas naturais e as ações sobrenaturais de Deus explicam melhor o conjunto de dados oriundos da criação. Afirmam que temos que reconhecer três milagres na ordem criada: a origem do universo é um ato exclusivo de Deus, portanto sobrenatural, pelo qual Deus trouxe a existência a ordem natural. Pois a existência do universo tem que ser explicada por algo ou alguém fora do universo, neste caso, Deus.

A maioria dos teístas evolucionistas defendem que a origem da vida é um milagre e a evolução biológica se encarrega de explicar a origem da diversidade dos demais seres vivos, por um ser vivo unicelular há bilhões de anos, para a multiplicidade de seres vivos hoje. Portanto a origem da vida não pode ser explicada sem uma ação sobrenatural de Deus.

O terceiro milagre que muitos teístas evolucionistas defendem se encontra na origem do ser humano com espírito e alma e que existe um portentoso milagre inserido aqui. Eles afirmam que os seres humanos evoluíram biologicamente a partir de seres vivos inferiores, mas em algum momento, Deus realizou algo além da ordem natural dentro do processo evolucionário, que infundiu dentro desse animal em particular uma alma moral com capacidades cognitivas avançadas e uma consciência. Neste momento esse ser vivo deixa de ser um animal e passa a ser uma pessoa.

Os teístas evolucionistas também acreditam em macroevolução, ou seja, a evolução das espécies chegou a um nível tão avançado que foi capaz de trazer novas espécies a existência por meio de mutações genéticas, espécies de todos os tipos, desde árvores, peixes, mamíferos, tudo por um processo puramente natural. Contudo, esse processo macroevolutivo foi colocado em movimento por Deus. O que terminou originando o Design Inteligente e o propósito dos seres vivos. Contudo, eles não acreditam no casal Adão e Eva como literais, apesar de alguns reconhecerem a necessidade desse primeiro casal. Esses tendem a ver o Genesis como semimítico, a ideia de que existe mito em Genesis, mas também alguma medida de verdade, pelo menos verdades espirituais sobre Deus, sobre a origem do universo e sobre a origem da vida. Então, eles usam Genesis como um livro que revela verdades, mas talvez de forma mítica. Eles tendem a aceitar a teologia e a ciência ocupando cada uma um espaço separado (tipo – cada um no seu quadrado), ou seja, a ciência lida com a realidade física, a teologia lida com a realidade espiritual, a ciência fala acerca da natureza, a teologia fala sobre Deus, a ciência fala sobre o que está acontecendo nos céus, a teologia fala como ir morar no céu (esse trocadilho veio de Galileu Galilei, apesar de que o Teísmo Evolucionista não ser uma opção viva para ele na sua época).

Este é o entendimento típico do evolucionismo teísta. A propósito, Galileu não era um evolucionista teísta, pois ele era um criacionista que não via a evolução como uma opção intelectual válida. Mas ele realmente entendia que a teologia e a ciência ocupavam esferas diferentes. Alguns nomes de pensadores que eram teístas evolucionistas: C. S. Lewis parece ter sido um teísta evolucionista. Ele sempre foi cauteloso ao endossar uma hipótese evolucionista naturalista. Ele rejeitava o naturalismo e a evolução não teísta. Agora, parece-me que ele realmente aceitava a hipótese do evolucionismo teísta. Howard van Till é um exemplo mais recente de teísta evolucionista, um cientista, filósofo e teólogo conservador, e defendia que essa interpretação era aceitável dentro de uma estrutura eminentemente evangélica. John Stott também se enquadra nessa categoria.

 

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