quinta-feira, 27 de abril de 2023

Cosmogonias: Teorias da Criação - O Criacionismo da Terra Antiga

 


 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

O criacionismo da terra antiga, cujo principal representante é o Robert C. Newman, defende que o criacionismo é estritamente bíblico. Newman é um cientista que escreveu sobre Genesis 1 e que afirmou que o texto de Genesis é coerente com a evidência física, defendeu também que o universo tem bilhões de anos e que ainda tal fato não interfere nem anula os dados bíblicos. Hugh Ross é recentemente o criacionista da terra antiga mais proeminente a defender o modelo entre os evangélicos hoje. Ross é presidente do Reasons to Believe, grupo de estudos sobre a interação entre fé e ciência. Gleason Archer Jr. é um erudito no Antigo Testamento e no Hebraico Bíblico que também defende a posição. Como já destacamos, o evolucionista teísta vê alguns milagres na criação, pelo menos três. Contudo, o criacionista da terra antiga vê a criação do universo e de todos os seres vivos como uma série de milagres diretos de Deus, quase na mesma ordem e número de operações milagrosas que o criacionismo da terra jovem defende. Afirmam biblicamente que Deus criou de forma sobrenatural todos os seres vivos e negam a ideia evolucionista não teísta de ancestralidade comum. Defendem que a origem das espécies são os resultados de milhares de atos sobrenaturais de Deus, ou até mesmo milhões de milagres de Deus.

Os criacionistas da terra antiga reconhecem a existência da microevolução, um fenômeno evolucionário que não aumenta ou multiplica o número de espécies e não cria novas ordens de seres vivos, animais e plantas e também negam a macroevolução. Eles não acreditam que a macroevolução possa, por meio de organismos unicelulares, gerar uma infinidade de outros seres vivos, portanto negam, repito, a ideia de ancestralidade comum, ou seja, a doutrina darwiniana de que todos os seres vivos descendem de um ancestral comum. Eles não veem nenhuma evidência a favor da macroevolução. Criacionistas da terra jovem e da terra antiga estão totalmente de acordo sobre a micro e macroevolução. Defendem que o universo e a terra têm bilhões de anos, então, é verdade eles concordam com a escala de tempo dos evolucionistas não teístas e dos teístas evolucionistas. Mas não como um subterfúgio para sustentar alguma doutrina (como os evolucionistas que precisam de uma escala de tempo infinitamente maior para fazer o surgimento aleatório de tudo ter sentido). Os criacionistas da terra antiga aceitam essa escala de tempo mais longa apenas como uma interpretação direta dos dados científicos oriundos da astronomia, cosmologia, geologia e paleontologia e entendem que Genesis 1 e 2 não legislam sobre a idade da terra ou do universo. Para eles não existe incompatibilidade entre Genesis e essa escala de tempo mais longa. Contudo, eles datam a origem do homem bem mais recente do que os evolucionistas.

Os criacionistas da terra antiga tendem a datar a origem do ser humano a milhares de anos e não a milhões de anos ou mais, como os evolucionistas tem argumentado. Algo em torno de 25 a 75 mil anos, talvez um pouco mais. Esta é uma prospecção controversa porque não satisfaz os evolucionistas não teístas, não satisfaz os evolucionistas teístas, muito menos os criacionistas da terra jovem. Os criacionistas da terra antiga também acreditam na existência de Adão e Eva como seres humanos literais que Deus criou de forma especial e miraculosa, e que eles não evoluíram de outros animais inferiores, não descenderam de outros animais inferiores. Eles também tendem a aceitar uma abordagem muito literal do livro de Genesis, como um relato histórico com linguagem simbólica, dependendo de como eles entendem os dias de Genesis 1. Eles tendem a ter um entendimento muito literal daqueles dias, com as mesmas conclusões que os criacionistas da terra jovem chegam. Outros entendem que os dias de Genesis são apresentados com uma linguagem simbólica, mas apesar disso, veem os dias de Genesis como narrativa histórica e não como uma saga ou um mito. Acreditam ainda que tanto a Bíblia quanto a ciência abordam sobre as ciências das origens, ambas falam sobre as mesmas coisas com linguagem diferentes e consideram que ambas são válidas. Eles não consideram que a ciência seja subordinada a teologia, nem que a teologia seja subordinada a ciência, mas que ambas são fontes de verdade, são disciplinas igualmente válidas. Consideram que nem a ciência nem a teologia são infalíveis e que ambas são disciplinas humanas que podem ser objetos de correções e revisões, pois podem e são passivas de erros.

 

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