Por Robert Bowman Jr.
Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales
O
primeiro princípio orientador
é que a ciência estuda a natureza e o mundo de Deus. A teologia estuda a
escritura, a revelação de Deus e essas disciplinas diferem uma da outra porque
elas estudam objetos diferentes. A ciência estuda os objetos físicos e a
teologia os textos escritos, inspirados por Deus. Talvez hajam similaridades
entre a disciplinas, tanto na forma de raciocinar quanto nos processos, pois
elas estão engajadas em processos de interpretações dos dados disponíveis. Mas,
de fato, elas são diferentes por estudarem objetos diferentes e são tipos
diferentes de disciplinas.
O
segundo princípio orientador
é que Deus não pode mentir ou enganar. Com isso eu quero dizer que a palavra de
Deus é verdadeira, é a verdade e é infalível. Não há coisas na Bíblia que são
enganosas, falsas ou mistificadoras. Tendo dito isso, reconheço que existem
informações superficiais na Bíblia que, por apenas uma leitura rápida, alguém
pode afirmar algo que a Bíblia não está dizendo. Por exemplo, Colossenses 1.17
diz que Jesus é o primogênito de toda a criação e em uma primeira leitura
superficial do texto você pode entender que Jesus é um ser criado, ou seja, o
primeiro ser criado, como dizem as Testemunhas de Jeová, pois interpretam este
verso de forma plena, natural, direta concreta e isolada, mas não é isso que
Paulo está dizendo no contexto geral. O fenômeno descrito aqui é exatamente o
da leitura superficial do texto, quando, depois de uma leitura superficial e
isolada, se ”extrai” do texto o que o texto não está dizendo, e que a verdade
só poderá ser estabelecida depois de uma leitura mais aprofundada e
contextualizada. Apesar da Bíblia ser infalível, isso não impede que uma
primeira leitura superficial e isolada do texto nos dê uma interpretação
equivocada. Então, temos de ser cuidadosos ao assumirmos uma interpretação do
que pretensamente o texto está dizendo. Algumas ações são necessárias para
interpretarmos um texto, atos criativos de Deus descritos na ordem natural, não
podem ser interpretados como atos de enganos de Deus. Deus não permitiria que
registros fósseis fossem colocados nos extratos, indicando que existiram uma
infinidade de espécies que agora estão extintas e que existiram antes do homem
entrar em cena. Deus não colocaria um registro fóssil com a intenção de nos
enganar, como se quisesse dizer que o universo e a terra fossem mais antigos do
que realmente são. Deus é digno de confiança, sua palavra é digna de confiança,
sua palavra também pode ser estudada com confiança de que o mundo foi criado
por Deus e reflete o caráter de Deus em relatar a verdade. Agora, uma coisa é
certa, o mundo é relatado como tendo caído, o mundo natural foi corrompido pelo
pecado (Rm 8 e Gn 3 apoiam esta conclusão), e, portanto, quando estudamos o
mundo natural, precisamos ser cuidadosos e não assumirmos que o que estamos
estudando em termos de informações não seja confiável porque o mundo está
corrompido. O que precisamos fazer é olhar com cuidado para o texto de Genesis
3, Romanos 8 e outras passagens que geralmente são usadas dentro do tema e
perguntar que tipo de corrupção e que tipo de mudanças que essas passagens
realmente ensinam como o resultado do fato dos seres humanos terem caído em
pecado. Todos os tipos de mudanças que essas passagens falam afetam a nossa
interpretação sobre a idade da terra, por exemplo.
O
terceiro princípio orientador
no debate entre ciência e teologia e que temos que reconhecer é que nem a
ciência nem a teologia são infalíveis.
Ciência é a interpretação falível do mundo de Deus e da natureza. Teologia é o
exercício falível de interpretar a palavra de Deus. Ambas são disciplinas
falíveis porque em ambas os seres humanos falíveis estão fazendo a
interpretação. Eles estão analisando os dados correlacionados, eles estão
fazendo os estudos indutivos, eles estão fazendo exegese, eles estão fazendo os
experimentos, eles estão fazendo as interpretações dos dados. Os seres humanos
são falíveis ao se engajarem nestas disciplinas ao interpretar os dados. Essa busca
pela verdade é falível e passível de erros, pois lida com a interpretação dos
fatos naturais. Eles também podem cometer erros ao interpretar os textos das
escrituras.
O
quarto princípio orientador é que tanto
a ciência quanto a teologia lidam com a palavra de Deus, até porque a palavra
de Deus menciona o mundo criado. A Bíblia fala sobre a natureza, sobre os céus
e a terra, sobre as estrelas, sobre a vida, sobre a origem da vida, sobre a
origem dos seres vivos e sobre a origem dos seres humanos. Não é possível
coordenar essas duas disciplinas sem permitir que elas estejam em contato. Não
é possível que a analogia dos dois navios que se cruzam a noite e não tem
consciência da existência um do outro seja verdadeira no que diz respeito a
relação entre ciência e teologia. É possível que a ciência lance luz sobre a
teologia e é possível que a teologia lance luz sobre a ciência. Porque elas
estão relacionadas sobre assuntos que se cruzam, talvez estejam sobrepostas
sobre esses assuntos sob perspectivas diferentes. Teologia fala sobre as
implicações ou “porquês”. Por que Deus criou? Quem é Deus? Com o que ele se
parece? O que ele espera de nós? A ciência talvez esteja em busca de outras
respostas, a saber, como os nossos cães e gatos estão relacionados na criação,
se é que estejam relacionados de alguma forma, ou como gatos, tigres e leões
estão relacionados?
Agora, existem algumas perguntas que os
evangélicos fazem sobre ciência e teologia que ambas podem ou parecem
responder, como, qual é a idade do universo? Muitas pessoas acham que a
resposta a essa pergunta vem da ciência e outras acham que a resposta vem da
teologia. Há espaço para as disciplinas se complementarem e espaço para
entrarem em conflito.
Já pensou sobre essas questões?
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