quinta-feira, 13 de abril de 2023

Quatro princípios básicos que guiam a controvérsia entre Ciência e Teologia

 

Por Robert Bowman Jr.

Traduzido, adaptado e ampliado por Walson Sales

 

O primeiro princípio orientador é que a ciência estuda a natureza e o mundo de Deus. A teologia estuda a escritura, a revelação de Deus e essas disciplinas diferem uma da outra porque elas estudam objetos diferentes. A ciência estuda os objetos físicos e a teologia os textos escritos, inspirados por Deus. Talvez hajam similaridades entre a disciplinas, tanto na forma de raciocinar quanto nos processos, pois elas estão engajadas em processos de interpretações dos dados disponíveis. Mas, de fato, elas são diferentes por estudarem objetos diferentes e são tipos diferentes de disciplinas.

O segundo princípio orientador é que Deus não pode mentir ou enganar. Com isso eu quero dizer que a palavra de Deus é verdadeira, é a verdade e é infalível. Não há coisas na Bíblia que são enganosas, falsas ou mistificadoras. Tendo dito isso, reconheço que existem informações superficiais na Bíblia que, por apenas uma leitura rápida, alguém pode afirmar algo que a Bíblia não está dizendo. Por exemplo, Colossenses 1.17 diz que Jesus é o primogênito de toda a criação e em uma primeira leitura superficial do texto você pode entender que Jesus é um ser criado, ou seja, o primeiro ser criado, como dizem as Testemunhas de Jeová, pois interpretam este verso de forma plena, natural, direta concreta e isolada, mas não é isso que Paulo está dizendo no contexto geral. O fenômeno descrito aqui é exatamente o da leitura superficial do texto, quando, depois de uma leitura superficial e isolada, se ”extrai” do texto o que o texto não está dizendo, e que a verdade só poderá ser estabelecida depois de uma leitura mais aprofundada e contextualizada. Apesar da Bíblia ser infalível, isso não impede que uma primeira leitura superficial e isolada do texto nos dê uma interpretação equivocada. Então, temos de ser cuidadosos ao assumirmos uma interpretação do que pretensamente o texto está dizendo. Algumas ações são necessárias para interpretarmos um texto, atos criativos de Deus descritos na ordem natural, não podem ser interpretados como atos de enganos de Deus. Deus não permitiria que registros fósseis fossem colocados nos extratos, indicando que existiram uma infinidade de espécies que agora estão extintas e que existiram antes do homem entrar em cena. Deus não colocaria um registro fóssil com a intenção de nos enganar, como se quisesse dizer que o universo e a terra fossem mais antigos do que realmente são. Deus é digno de confiança, sua palavra é digna de confiança, sua palavra também pode ser estudada com confiança de que o mundo foi criado por Deus e reflete o caráter de Deus em relatar a verdade. Agora, uma coisa é certa, o mundo é relatado como tendo caído, o mundo natural foi corrompido pelo pecado (Rm 8 e Gn 3 apoiam esta conclusão), e, portanto, quando estudamos o mundo natural, precisamos ser cuidadosos e não assumirmos que o que estamos estudando em termos de informações não seja confiável porque o mundo está corrompido. O que precisamos fazer é olhar com cuidado para o texto de Genesis 3, Romanos 8 e outras passagens que geralmente são usadas dentro do tema e perguntar que tipo de corrupção e que tipo de mudanças que essas passagens realmente ensinam como o resultado do fato dos seres humanos terem caído em pecado. Todos os tipos de mudanças que essas passagens falam afetam a nossa interpretação sobre a idade da terra, por exemplo.

O terceiro princípio orientador no debate entre ciência e teologia e que temos que reconhecer é que nem a ciência nem a teologia são infalíveis. Ciência é a interpretação falível do mundo de Deus e da natureza. Teologia é o exercício falível de interpretar a palavra de Deus. Ambas são disciplinas falíveis porque em ambas os seres humanos falíveis estão fazendo a interpretação. Eles estão analisando os dados correlacionados, eles estão fazendo os estudos indutivos, eles estão fazendo exegese, eles estão fazendo os experimentos, eles estão fazendo as interpretações dos dados. Os seres humanos são falíveis ao se engajarem nestas disciplinas ao interpretar os dados. Essa busca pela verdade é falível e passível de erros, pois lida com a interpretação dos fatos naturais. Eles também podem cometer erros ao interpretar os textos das escrituras.

O quarto princípio orientador é que tanto a ciência quanto a teologia lidam com a palavra de Deus, até porque a palavra de Deus menciona o mundo criado. A Bíblia fala sobre a natureza, sobre os céus e a terra, sobre as estrelas, sobre a vida, sobre a origem da vida, sobre a origem dos seres vivos e sobre a origem dos seres humanos. Não é possível coordenar essas duas disciplinas sem permitir que elas estejam em contato. Não é possível que a analogia dos dois navios que se cruzam a noite e não tem consciência da existência um do outro seja verdadeira no que diz respeito a relação entre ciência e teologia. É possível que a ciência lance luz sobre a teologia e é possível que a teologia lance luz sobre a ciência. Porque elas estão relacionadas sobre assuntos que se cruzam, talvez estejam sobrepostas sobre esses assuntos sob perspectivas diferentes. Teologia fala sobre as implicações ou “porquês”. Por que Deus criou? Quem é Deus? Com o que ele se parece? O que ele espera de nós? A ciência talvez esteja em busca de outras respostas, a saber, como os nossos cães e gatos estão relacionados na criação, se é que estejam relacionados de alguma forma, ou como gatos, tigres e leões estão relacionados?

Agora, existem algumas perguntas que os evangélicos fazem sobre ciência e teologia que ambas podem ou parecem responder, como, qual é a idade do universo? Muitas pessoas acham que a resposta a essa pergunta vem da ciência e outras acham que a resposta vem da teologia. Há espaço para as disciplinas se complementarem e espaço para entrarem em conflito.

Já pensou sobre essas questões?

 

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