sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

COMPROMISSO FILOSÓFICO COM O MATERIALISMO

 Por Douglas Groothuis

O establishment Darwiniano contemporâneo está filosoficamente comprometido com o naturalismo (ou materialismo) como visão de mundo e modus operandi. Essa conexão não pode ser afirmada com muita força. O mundo natural é tudo o que pode ser estudado e deve, por si só, fornecer todas as respostas às questões científicas. O naturalismo Darwiniano assume duas formas: o naturalismo metafísico e o naturalismo metodológico. O naturalismo metafísico é a afirmação filosófica de que existem apenas estados materiais; não há nada imaterial, espiritual ou sobrenatural. O naturalismo metodológico é o meio de investigação científica dada a pressuposição do naturalismo metafísico. Essa metodologia também pode ser enunciada de forma supostamente agnóstica. Um cientista afirma que não está descartando Deus e o sobrenatural, mas que a ciência enquanto ciência não deveria tentar estudar tais coisas. Portanto, apenas explicações naturais são permitidas; apenas as explicações materialistas são batizadas de “científicas”.

Embora o naturalismo metodológico pareça modesto e agnóstico para os incultos, esse entendimento é um ardil para o materialismo metafísico. O naturalismo metodológico assume que mesmo que Deus ou qualquer ser sobrenatural exista, isso não pode ser evidente no universo, emitindo assim um veto metafísico contra qualquer evidência empírica para o imaterial – como a alma, Deus ou o sobrenatural – independentemente da evidência que possa estar disponível. Esta não é uma estratégia neutra. Se a norma rígida da ciência é seguir a evidência onde quer que ela leve e então selecionar a melhor hipótese para qualquer campo de estudo, o naturalismo metodológico trai a própria ciência.[49] O naturalismo predominante da biologia é evidente neste pronunciamento de Richard Lewontin, um eminente biólogo e defensor do Darwinismo:

Ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de algumas de suas construções, apesar de seu fracasso em cumprir muitas de suas extravagantes promessas de saúde e vida, apesar da tolerância da comunidade científica para histórias sem fundamento, porque temos um compromisso prévio, um compromisso com o materialismo. Não é que os métodos e as instituições da ciência de alguma forma nos obriguem a aceitar uma explicação material do mundo fenomênico, mas, ao contrário, somos forçados por nossa adesão a priori às causas materiais a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam explicações materiais, não importa o quão contra-intuitivo, não importa o quão mistificador seja para os não iniciados. Além disso, esse materialismo é absoluto, pois não podemos permitir que um Pé Divino entre na porta.[50]

Como Phillip Johnson argumentou de forma convincente em seu livro fundamental Darwin no Banco dos Réus, se uma pessoa está comprometida a priori com o naturalismo, algo como o Darwinismo deve ser verdadeiro, uma vez que o naturalismo não permite a existência de qualquer inteligência por trás da origem e desenvolvimento da vida.[51] Antes disso, mas com menos impacto cultural, o crítico cultural Richard Weaver fez a mesma afirmação essencial, argumentando que se o naturalismo é a única visão de mundo permitida, então alternativas ao Darwinismo não podem ser consideradas.[52] Mesmo durante a época de Darwin, George Mitvart, um distinto professor de biologia, afirmou que Darwin pressupunha o naturalismo para explicar quaisquer realidades religiosas.[53]

Quando Lewontin adverte sobre “um pé divino na porta”, ele quer dizer que qualquer coisa, exceto o “materialismo absoluto”, desfará a própria ciência ao permitir intervenções divinas aleatórias na ordem natural que subverteriam as regularidades necessárias para a observação e teorização científicas.

Tradução Walson Sales

Fontes:

[49] Sobre o Naturalismo Metodológico, leia Cornelius Hunter, Darwin’s Proof (Grand Rapids: Brazos, 2003), p. 147; William Dembski, The Design Revolution (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 2004), pp. 171-72; Alvin Plantinga, “Methodological Naturalism,” Origins and Design 18, no. 1 (1996): 18-27 Methodological Naturalism? Part 1. Origins & Design 18:1. Plantinga, Alvin (arn.org); “Methodological Naturalism? Part 2: Philosophical Analysis” Origins & Design 18, no. 2 (1997): 22-34 Methodological Naturalism? Part 2. Origins & Design 18:2. Plantinga, Alvin (arn.org). Voltaremos a um sentido próprio da ciência no capítulo. 14.

[50] Richard Lewontin, “Billions and Billions of Demons,” New York Review of Books, 9 de Janeiro de 1997, p. 31.

[51] Phillip Johnson, Darwin on Trial, 2nd ed. (Downers Grove, Ill.: InterVarsity Press, 1993). Esse ponto é abordado ao longo do livro, que, de várias maneiras, lançou o movimento do design inteligente.

[52] Richard Weaver, Visions of Order: The Cultural Crisis of Our Time (1964; reprint, Bryn Mawr, Penn.: Intercollegiate Studies Institute, 1995), pp. 139-40.

[53] Leia sobre o tema em Wiker, Darwin Myth, pp. 124-30.

Nenhum comentário:

Postar um comentário