Jerry Vines, Th.D.
Resumo, tradução e adaptação Walson Sales
No sermão apresentado durante a Conferência John 3:16 de 2013, Jerry Vines levanta a importante questão: Por quais pecados Jesus morreu?. Esta pergunta central no debate teológico impacta diretamente missões, evangelismo e a própria vida cristã. Neste estudo, o autor oferece argumentos sólidos baseados nas Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, desafiando a ideia da expiação limitada e sugerindo que Cristo morreu por toda a humanidade. A seguir, exploramos as principais ideias do texto, com perguntas para aqueles que defendem a expiação limitada.
I. Cristo Morreu Pelos Meus Pecados Individualmente
Vines começa com Gálatas 2:20: "Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim". Aqui, Paulo faz uma afirmação profundamente pessoal sobre a morte de Cristo, levando à pergunta: Cristo morreu pelos pecados de quem?
Ao destacar que Cristo morreu "por mim", Vines levanta as seguintes questões:
Se Cristo morreu por mim, isso exclui o restante da humanidade?
Se Cristo morreu por mim individualmente, Ele não morreu por mais ninguém?
Paulo, ao afirmar que Cristo morreu por ele, não está sugerindo que Jesus morreu exclusivamente por ele. Concluir isso seria uma falácia lógica. Da mesma forma, quando a Bíblia fala sobre Cristo morrer por "pecadores", "ímpios" e "injustos" (Romanos 5:8; Romanos 5:6; 1 Pedro 3:18), ela está incluindo uma gama mais ampla de pessoas, não um grupo restrito.
Aqui, Vines nos convida a refletir:
Se Cristo morreu pelos pecadores, e todos nós somos pecadores, como podemos afirmar que Ele morreu apenas por alguns e não por todos?
II. Cristo Morreu Pelos Pecados da Igreja Especialmente
Efésios 5:25 afirma: "Maridos, amai vossas esposas, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela". Muitas vezes, esse verso é usado para apoiar a ideia de que Cristo morreu apenas pelos eleitos ou pela Igreja. Contudo, Vines argumenta que, embora seja verdade que Cristo tenha morrido pela Igreja, isso não significa que Ele tenha morrido somente pela Igreja.
Aqui surge outra série de perguntas:
Ao afirmar que Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, isso exclui todos os outros seres humanos que não fazem parte da Igreja?
Se Cristo morreu pela Igreja, isso significa que Ele não morreu por aqueles que ainda não fazem parte dela?
Em 1 Timóteo 4:10, Paulo escreve que Deus é "o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem". Isso indica que Cristo é, de fato, o Salvador de todos, mas que a salvação se aplica de maneira especial aos que creem. A ideia de que Cristo morreu apenas pelos eleitos não encontra respaldo nas Escrituras. Vines ressalta que, embora Cristo tenha uma relação especial com a Igreja, Ele não morreu exclusivamente por ela.
III. Cristo Morreu Pelos Pecados do Mundo Universalmente
A passagem de João 3:16 é central na teologia cristã: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". Vines usa essa passagem para defender a visão da expiação universal, questionando aqueles que restringem a expiação apenas aos eleitos:
Se Deus amou o "mundo", isso significa que Ele amou apenas o mundo dos eleitos, ou toda a humanidade?
Como podemos interpretar "mundo" de maneira tão restrita quando o contexto bíblico claramente aponta para a abrangência do amor de Deus por toda a criação?
1 João 2:2 reforça essa ideia: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo". Aqui, o autor é claro ao dizer que a morte de Cristo não se limita aos crentes, mas se estende a todos. Vines também menciona *Hebreus 2:9,* que afirma que Jesus, "pela graça de Deus, provou a morte por todos". Esses versículos levantam uma série de perguntas:
Se Cristo morreu pelos pecados de "todo o mundo", como isso pode ser conciliado com a doutrina da expiação limitada?
Se a Bíblia afirma que Jesus provou a morte por "todos", isso não seria uma contradição direta à ideia de que Ele morreu apenas pelos eleitos?
IV. A Expiação no Antigo Testamento: O Pessach e a Serpente de Bronze
Vines também faz uma interessante conexão entre o Antigo Testamento e a morte de Cristo, usando o evento da Páscoa como exemplo. No relato do Êxodo 12:6-7, o sangue do cordeiro era derramado e aplicado nos umbrais das portas para que o anjo da morte passasse por cima das casas dos israelitas. Esse ato simbolizava a salvação providenciada por Deus. No entanto, o sangue do cordeiro só se tornava eficaz quando aplicado.
Isso levanta uma pergunta importante:
Se o sacrifício de Cristo é semelhante ao sacrifício do cordeiro na Páscoa, isso significa que Sua morte é suficiente para todos, mas só se torna eficaz quando aplicada pela fé?
Outro exemplo vem de Números 21:6-9, onde Moisés ergue uma serpente de bronze para curar os israelitas mordidos por serpentes venenosas. Jesus faz uma ligação direta entre esse evento e Sua própria morte em João 3:14: "Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado". Todos os que olhavam para a serpente eram curados. Da mesma forma, Jesus foi erguido na cruz, e todos os que olham para Ele em fé podem ser salvos. Isso nos leva a perguntar:
Se a serpente de bronze foi levantada para todos os israelitas, e Cristo usa essa imagem para descrever Sua própria morte, como podemos limitar o alcance de Sua expiação?
V. Perguntas para Aqueles que Defendem a Expiação Limitada
Ao longo do sermão, Vines nos desafia a considerar uma série de perguntas que confrontam a lógica da expiação limitada:
Se Jesus morreu por todos, conforme mencionado em versículos como 1 João 2:2 e Hebreus 2:9, como pode alguém argumentar que Ele morreu apenas pelos eleitos?
Se Deus não amasse toda a humanidade, por que Ele criaria pessoas para as quais Cristo não morreu?
Como podemos pregar honestamente o Evangelho a todas as pessoas, dizendo que Jesus morreu por seus pecados, se acreditamos que Ele morreu apenas pelos eleitos?
A doutrina da expiação limitada não contraria a natureza amorosa e justa de Deus, conforme revelado nas Escrituras?
Conclusão
Vines conclui que a questão de por quem Cristo morreu é de extrema importância, pois está diretamente ligada à natureza de Deus e à mensagem do Evangelho. A visão da expiação universal é amplamente respaldada pelas Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e desafia a lógica da expiação limitada. O amor de Deus é maior do que podemos imaginar, e Cristo morreu por toda a humanidade, oferecendo salvação a todos que colocarem sua fé Nele.
Nota do Tradutor
Os textos bíblicos que afirmam categoricamente que Jesus morreu por todos são claros como o cristal. A negação calvinista de que Jesus tenha morrido por todos não se baseia em falta de confirmação das Escrituras, mas em uma ideologia pré-estabelecida. Os textos que indicam que Jesus morreu por todos são reinterpretados de maneira a não significarem "todos" em razão da teoria da eleição incondicional. Para os calvinistas, esses textos devem ser reinterpretados, pois anulam a eleição incondicional, que estabelece um número definido de pessoas escolhidas por Deus na eternidade. Logo, segundo essa lógica, Jesus não teria morrido por todos.
Essa interpretação, no entanto, compromete o entendimento do amor de Deus por toda a humanidade e distorce o relato geral das Escrituras. Pense comigo: segundo o Calvinismo, Deus não deseja salvar a todos, mas o diabo, sim, deseja que todos sejam condenados. Isso faz algum sentido?
Fica claro que os calvinistas interpretam os textos bíblicos à luz de uma ideologia, o que é chamado de eisegese. Eles interpretam os textos claros da Escritura à luz de textos obscuros, ferindo o princípio fundamental de interpretação bíblica: a Bíblia interpreta a si mesma à luz de seus textos claros e dos contextos paralelos.
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