Por Walson Sales
O desejo de conhecer e entender a Deus é uma aspiração profunda que moveu grandes pensadores ao longo dos séculos. A Bíblia afirma que Deus é acessível e pode ser conhecido por aqueles que o buscam com sinceridade e humildade, como em Jeremias 29:13: “Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração.” Essa busca pela compreensão de Deus também é expressa por Blaise Pascal, filósofo e matemático, que propôs a famosa “Aposta de Pascal”, argumentando que a fé é uma escolha racional e vantajosa, mesmo que não possamos provar com certeza a existência de Deus.
Em suas "Pensées", Pascal descreve três tipos de pessoas em relação à fé e à busca por Deus: aquelas que encontraram Deus e O servem, aquelas que ainda estão em busca, e aquelas que não se interessam pela busca. Esse pensamento ilustra a realidade espiritual de muitas pessoas e enfatiza a força do argumento cristão de que Deus deseja ser conhecido por aqueles que o buscam de coração sincero.
1. A Natureza de Deus e a Busca Humana
A proposição de que “Se Deus existe, Ele tanto é capaz de ouvir quanto está pronto a se fazer conhecido àqueles que desejam” sugere uma relação pessoal entre Deus e a humanidade. Na visão cristã, Deus não é uma entidade distante e inacessível, mas um ser pessoal e relacional, que deseja interagir com aqueles que o buscam. A fé cristã baseia-se na revelação, onde Deus se comunica de forma objetiva e subjetiva, tanto na história quanto na experiência interior de cada indivíduo.
Argumento da Revelação
A revelação é uma das bases da fé cristã. Se Deus é um ser pessoal e criador, faria sentido que Ele escolhesse se revelar aos seres humanos. O cristianismo afirma que Deus se revelou de maneira especial na figura de Jesus Cristo, cujo impacto é sentido não só na história, mas também nas vidas transformadas de milhões de pessoas. Como Romanos 1:20 expressa, “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas.”
A Aposta de Pascal
Pascal argumentou que, mesmo sem uma prova definitiva da existência de Deus, apostar em Sua existência é racional. Ele escreveu: “Se você ganhar, você ganha tudo; se você perder, você não perde nada” (Pensées, 233). Apostar na fé oferece um ganho eterno – a comunhão com Deus – enquanto a rejeição poderia significar uma perda infinita. Essa reflexão convida o indivíduo a considerar que o custo da descrença pode ser mais alto do que o da fé, levando em conta que a busca por Deus, mesmo que apenas uma possibilidade, pode transformar a realidade pessoal e existencial do ser humano.
2. Os Tipos de Pessoas e o Papel da Razão e da Fé
Em "Pensées", Pascal propôs uma reflexão sobre três tipos de pessoas em relação a Deus: as que o encontraram e o servem, as que buscam mas ainda não o encontraram, e as que não o buscam. Esse conceito ilustra as diferentes maneiras como a humanidade reage à realidade divina.
Os Racionais e Felizes
Aqueles que encontraram a Deus e o servem, conforme Pascal, são pessoas que abraçam a fé com entendimento, sendo felizes e racionais. Sua felicidade vem de uma paz interior que transcende as circunstâncias, um aspecto que C.S. Lewis também enfatiza ao afirmar que, para ele, o cristianismo ilumina a realidade, assim como o sol permite ver todas as coisas. Jesus prometeu essa paz em João 14:27: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou.”
Os Infelizes e Insensatos
A terceira categoria descrita por Pascal representa aqueles que não buscam a Deus. Em sua visão, essas pessoas vivem uma existência infeliz, pois não reconhecem a razão última da existência e carecem de propósito transcendente. Em Provérbios 1:7, lemos que “o temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina,” indicando que a busca pela sabedoria está enraizada em reconhecer e buscar a Deus.
Os Infelizes e Racionais
O segundo grupo, dos que buscam mas ainda não encontraram, é descrito como infeliz, mas racional. A infelicidade, nesse caso, reflete a inquietude do espírito humano em sua busca por algo que dê sentido e direção à vida. A Bíblia sugere que essa busca é uma forma de inquietação divina, como indicado em Atos 17:27, que menciona o desejo humano de “tatear e encontrar” a Deus. Essa busca contínua pela verdade é uma expressão de uma alma que reconhece sua necessidade do Criador.
3. A Força do Argumento Cristão e o Convite à Reflexão
A declaração final, baseada em Bryan Auten, leva-nos à ideia de que se alguém rejeita a explicação cristã sobre Deus, deve então considerar qual é a sua própria explicação para a realidade. Esse ponto toca numa questão essencial: qualquer visão de mundo, seja religiosa ou secular, precisa oferecer respostas convincentes sobre a origem, o propósito e o destino da humanidade.
O Argumento da Consistência e Coerência
A força do cristianismo, segundo pensadores como C.S. Lewis e Blaise Pascal, está em sua capacidade de oferecer respostas coerentes para as questões fundamentais da existência. Lewis afirmava que o cristianismo faz sentido do mundo, assim como a luz do sol ilumina todas as coisas ao redor. A cosmovisão cristã não apenas proporciona respostas sobre a origem da vida, mas também sobre o propósito e o destino final da humanidade.
O Apelo à Experiência e à Razão
O argumento cristão valoriza tanto a experiência subjetiva quanto a análise racional. A experiência de transformação e paz é um testemunho subjetivo, mas a coerência da explicação cristã em termos de lógica e consistência torna a fé cristã uma opção robusta e racional. Em 1 Pedro 3:15, somos incentivados a sempre estarmos preparados para responder a qualquer pessoa que nos pedir a razão da nossa esperança, mas com gentileza e respeito. O cristianismo, portanto, apresenta-se como uma resposta que não foge da análise crítica, mas que a abraça, convidando a uma reflexão profunda.
Conclusão
A reflexão de Blaise Pascal sobre a busca de Deus nos desafia a reconsiderar o papel da fé e da razão em nossa vida. A fé cristã, conforme apresentada tanto por Pascal quanto por C.S. Lewis, não é uma crença cega, mas uma convicção racional que transforma a realidade. A felicidade e a paz, resultantes dessa fé, são vistas como um testemunho de que Deus pode ser conhecido e desejado, e que aqueles que o encontram não apenas abraçam a verdade, mas vivem em consonância com ela. Em última análise, cabe a cada indivíduo, especialmente aos que rejeitam a explicação cristã, refletir sobre qual é sua própria explicação para as questões mais profundas da vida. Como sugere Bryan Auten em *The Wise Man*, se rejeitarmos a explicação cristã, qual explicação alternativa temos para a nossa existência?
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