Por Walson Sales
No filme "Contato", a personagem Ellie expressa uma verdade emocional ao afirmar seu amor por seu pai, mas reconhece a impossibilidade de provar essa emoção cientificamente. Essa cena ilustra uma questão fundamental: a ciência, embora poderosa e reveladora, tem limites. Ela não consegue responder a todas as nossas perguntas, especialmente aquelas que envolvem emoções, ética e a realidade subjetiva. Este artigo explorará esses limites da ciência, abordando a distinção entre fatos metafísicos e éticos, e discutindo a natureza do conhecimento e da moralidade.
Fatos Metafísicos
Os fatos metafísicos, por definição, estão além do domínio da ciência. A metafísica lida com questões como a existência de outras mentes, a realidade do mundo externo e a veracidade do passado. A crença em que existem outras mentes além da nossa e que o mundo que percebemos é real são exemplos de crenças fundamentais que aceitamos sem evidências científicas. Quando estamos em uma palestra, por exemplo, presumimos que o professor é uma entidade real e não uma invenção da nossa imaginação. Essa certeza, no entanto, não pode ser provada cientificamente; é uma aceitação que fazemos da realidade.
O reconhecimento de que a ciência não pode confirmar a existência do passado, nem a realidade de outras mentes, desafia a ideia de que só o que pode ser cientificamente comprovado é verdadeiro. Essa limitação evidencia a necessidade de outras formas de conhecimento, além da abordagem científica.
Fatos Éticos
O campo da psicologia evolutiva tem explorado a origem da moralidade, sugerindo que somos mamíferos sociais que desenvolvem comportamentos éticos para interagir de forma harmoniosa em grupos. No entanto, essa compreensão não nos diz como devemos agir. A famosa falácia de David Hume, que distingue o que "é" do que "deve ser", ressalta que observações científicas sobre comportamento não justificam normas morais.
Por exemplo, a ciência pode observar que muitos mamíferos ajudam uns aos outros, mas isso não significa que devemos fazer o mesmo. A premissa de que o "florescimento humano" é bom parte de uma visão de mundo que não pode ser verificada pela ciência. Questões éticas, como a moralidade do estupro, ilustram essa limitação: a ciência pode analisar os efeitos desse ato, mas não pode afirmar que ele é moralmente errado. Essa determinação requer um fundamento ético que vai além da descrição científica.
Conclusão
A ciência é uma ferramenta extraordinária que tem proporcionado avanços significativos na compreensão do mundo e na melhoria da qualidade de vida. No entanto, suas limitações são claras, especialmente quando se trata de questões metafísicas e éticas. Aceitar que há aspectos da experiência humana que não podem ser explorados ou confirmados pela ciência é crucial para uma visão mais completa do conhecimento. Devemos valorizar tanto a ciência quanto outros modos de entendimento que abordam as nuances da experiência humana, incluindo emoções, moralidade e a complexidade das relações interpessoais. Assim, o amor, a ética e a compreensão do passado permanecem domínios que transcendem a capacidade da ciência de responder.
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