segunda-feira, 24 de março de 2025

As Características da Primeira Causa do Universo e o Argumento Cosmológico

Por Walson Sales

A pergunta sobre a origem do universo sempre foi uma questão fundamental para a filosofia, a ciência e a teologia. O apologista Robin Schumacher explora uma resposta para essa questão por meio do Argumento Cosmológico, que propõe que o universo teve um início absoluto e, portanto, deve haver uma causa para esse começo (Fonte: http://www.powerpointapologist.org/series_origins.html). Com base nas implicações filosóficas e descobertas científicas, Schumacher argumenta que a Primeira Causa do universo precisa possuir certas características específicas e, curiosamente, essas características coincidem com a descrição de Deus encontrada na Bíblia. Neste artigo, examinaremos as características atribuídas à Primeira Causa e como elas correspondem à concepção de Deus na tradição cristã, explorando as implicações dessas ideias.

1. A Causa do Universo como Sobrenatural

Para que uma Primeira Causa tenha gerado o universo, Schumacher afirma que ela deve ser sobrenatural em sua essência, pois criou tudo o que é natural. A ciência moderna aponta para um ponto inicial no tempo, sugerido pelo Big Bang, que representa o começo do espaço, tempo, energia e matéria. Essa conclusão científica suporta a necessidade de uma causa que transcenda as limitações naturais. Em termos bíblicos, o conceito de um Deus sobrenatural é confirmado em Gênesis 1:1, que declara: “No princípio, Deus criou os céus e a terra.”

 2. Poder Extraordinário da Primeira Causa

A criação do universo do nada implica um poder imensurável. Nada no universo possui a capacidade de gerar a si próprio, e a Primeira Causa precisaria ser extraordinariamente poderosa para trazer à existência o espaço, o tempo, e a energia. Jeremias 32:17 afirma esse poder quando diz: “Ah, Soberano Senhor! Tu fizeste os céus e a terra com o teu grande poder e com o teu braço estendido. Nada é difícil demais para ti.”

3. Eterna e Autoexistente

Schumacher argumenta que a Primeira Causa deve ser eterna, sem um início ou fim, pois uma série infinita de causas seria logicamente impossível. Somente uma entidade que existe por si mesma, sem depender de nada mais, pode ser a origem de todas as coisas. Isso se alinha com a visão bíblica de Deus como eterno, como declarado em Salmos 90:2: “Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.”

 4. Onipresença da Primeira Causa

Como criador do espaço, a Primeira Causa não pode ser limitada por ele; ela deve ser onipresente. Isso significa que está presente em toda parte, sustentando a criação. O Salmo 139:7 apoia essa ideia, declarando: “Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?”

 5. Atemporalidade e Imutabilidade

Para iniciar o tempo, a Primeira Causa deve ser atemporal e imutável. Sem mudança, pois ela mesma criou o tempo e não é afetada por ele. Malaquias 3:6 reflete essa ideia: “Eu, o Senhor, não mudo; por isso vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos.”

 6. Imaterialidade

Schumacher descreve que, para transcender o espaço e a matéria que ela própria criou, a Primeira Causa deve ser imaterial. João 4:24 afirma essa qualidade de Deus: “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”

 7. Pessoalidade e Intencionalidade

A Primeira Causa deve ser pessoal, o que implica intenção e vontade, características necessárias para a criação deliberada do universo. Uma causa impessoal não poderia agir para criar. Em Gênesis 3:9, vemos Deus chamando por Adão, uma indicação de Sua pessoalidade e relação intencional com a criação.

 8. Necessidade e Auto-suficiência

Schumacher aponta que essa Primeira Causa deve ser necessária, ou seja, todos os outros seres dependem dela para existir. Em Colossenses 1:17, é dito: “Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.”

 9. Infinidade e Singularidade

Para ser a Primeira Causa, a entidade deve ser infinita e singular, pois a existência de dois infinitos é logicamente incoerente. Jeremias 23:24 reflete essa ideia: “Sou eu apenas um Deus de perto, diz o Senhor, e não também um Deus de longe?”

 10. Diversidade e Unidade

A Primeira Causa, embora singular, também deve ser capaz de criar diversidade na unidade. Isso se conecta à doutrina da Trindade, onde Deus é um em três pessoas, como é expresso em Mateus 28:19: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

11. Inteligência Extrema

A Primeira Causa deve possuir inteligência máxima para ser a fonte da racionalidade que observamos no universo. Salmos 147:4-5 expressa essa sabedoria: “Conta o número das estrelas e chama-as a todas pelo nome. Grande é o nosso Senhor e de grande poder; o seu entendimento é infinito.”

 12. Propósito na Criação

Schumacher sugere que a Primeira Causa agiu com propósito, criando tudo de forma intencional. Jeremias 29:11 mostra que Deus tem um propósito ao dizer: “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.”

 13. Moralidade e o Legislador Moral

A existência de leis morais implica um legislador moral. A Primeira Causa deve ser moralmente perfeita, sendo a fonte de moralidade. Daniel 9:14 reflete isso: “O Senhor nosso Deus é justo em tudo o que faz; nós, contudo, não lhe obedecemos.”

 14. Zelo e Cuidado

A Primeira Causa deve ser zelosa, cuidando do universo e das leis que Ele estabeleceu. Esse zelo é visto em 1 Pedro 5:6-7, onde se diz: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.”

 Conclusão

O argumento cosmológico apresenta uma visão abrangente das características que a Primeira Causa do universo deve possuir, baseada em raciocínios filosóficos e respaldada por descobertas científicas. Notavelmente, essas características são refletidas na descrição bíblica de Deus: sobrenatural, poderoso, eterno, onipresente, atemporal, imaterial, pessoal, necessário, infinito, diversificado com unidade, inteligente, propositado, moral e zeloso. Esses atributos sugerem um Deus coerente e plausível para o universo. Além disso, o fato de que todas essas características estejam presentes na descrição cristã de Deus oferece uma base sólida para o teísmo e uma razão convincente para a crença em uma causa primeira inteligente e intencional.

O estudo do argumento cosmológico não só fornece uma resposta racional para a origem do universo, mas também abre caminho para uma compreensão mais profunda de Deus, onde a fé e a razão se encontram.

Questionário desafiador projetado para fazer refletir aqueles que negam as características do Deus da tradição judaico-cristã, enfatizando a lógica e a coerência do argumento cosmológico e das características da Primeira Causa.

 Questionário Desafiador sobre a Primeira Causa e as Características de Deus na Tradição Judaico-Cristã

1. Atributo Sobrenatural

Se o universo teve um começo e tudo o que começa a existir tem uma causa, o que justificaria negar que a causa da existência do universo deva estar fora dele, ou seja, que deva ser uma causa sobrenatural? 

Como a ciência natural poderia explicar a origem da natureza sem apelar para algo além dela?

2. Poder Infinito

O que no universo ou na ciência sugere que algo poderia surgir do nada sem uma causa poderosa para trazer esse “algo” à existência? 

Se a energia no universo é finita e limitada, de onde viria uma força capaz de gerar todo o universo a partir do nada?

3. Eternidade e Autoexistência 

Se tudo o que existe foi causado, o que sustentaria que a Primeira Causa não precisa ser eterna e autoexistente? 

Como lidar com o problema lógico de uma regressão infinita de causas, sem apelar para uma Primeira Causa eterna?

4. Onipresença

Dado que a Primeira Causa criou o espaço, como essa causa poderia ser limitada espacialmente, considerando que o espaço é uma de suas “criações”? 

Acredita ser racional afirmar que a Primeira Causa que originou o espaço pode estar contida ou limitada por ele?

5. Imutabilidade e Atemporalidade

Como poderia a Primeira Causa estar sujeita ao tempo se o próprio tempo foi iniciado por ela? 

Existe alguma razão lógica para afirmar que algo capaz de criar o tempo seja, ao mesmo tempo, afetado por ele?

6. Imaterialidade

O que justificaria a crença de que uma causa responsável pela criação da matéria deva ser material? 

Seria racional limitar a Primeira Causa ao material, quando a matéria é uma consequência de sua criação?

7. Personalidade e Intencionalidade 

Se o universo mostra indícios de design e intencionalidade, como pode uma causa impessoal criar de maneira intencional? 

Como explicar a existência de leis racionais e complexidade no universo sem uma mente intencional por trás delas?

8. Necessidade e Contingência

Se a Primeira Causa fosse contingente, o que justificaria sua existência? 

Como explicaria a existência de seres dependentes (contingentes) sem uma Causa Necessária?

9. Infinidade e Singularidade

É possível haver mais de um infinito, sem que haja uma contradição lógica? 

Qual a base lógica para afirmar que pode haver múltiplas causas infinitas, em vez de uma única?

10. Diversidade e Unidade

Como reconciliar a existência de diversidade no universo com a ideia de uma causa unicamente uniforme? 

Não seria mais coerente afirmar que a Causa Original é diversa em capacidade e natureza, embora una em essência?

11. Inteligência e Propósito

Como explicar o ajuste fino do universo e a racionalidade nas leis da física sem apelar para uma causa com inteligência extrema? 

Seria coerente acreditar que um sistema ordenado surgiu sem uma fonte de racionalidade?

12. Moralidade e Zelo

Como justificar a existência de valores morais universais sem um fundamento transcendente, isto é, um legislador moral? 

Acredita ser possível que leis morais obrigatórias surjam sem uma causa intencional e zelosa que as tenha criado?

Reflexão Final

Esse questionário busca estimular uma reflexão mais profunda sobre a coerência lógica e filosófica das características atribuídas a Deus na tradição judaico-cristã, com base nos fundamentos do argumento cosmológico e na lógica das propriedades da Primeira Causa. Cada pergunta é desenhada para provocar uma análise rigorosa e coerente das alternativas ao conceito de um Deus com essas propriedades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário