Por Walson Sales
O debate entre o ateísmo, o agnosticismo e a fé religiosa envolve questões filosóficas, científicas e teológicas que desafiam e moldam o entendimento humano sobre a existência, a moralidade e o propósito. Autores como Richard Dawkins, Francis Collins, Owen Gingerich, Paul Davies e Phillip Johnson oferecem visões que contribuem para o entendimento desses conceitos, embora com perspectivas muito diferentes. Este artigo busca explorar as implicações lógicas, as contradições e os desafios práticos do ateísmo e agnosticismo, contrastando essas visões com o cristianismo e destacando como a ciência e a filosofia podem, paradoxalmente, reforçar a necessidade da fé.
1. Definindo Ateísmo e Agnosticismo
Ateísmo
A definição do ateísmo envolve a rejeição da crença na existência de Deus ou de qualquer divindade, promovendo uma visão materialista e naturalista do universo. Richard Dawkins, em *Deus, Um Delírio*, descreve a fé como uma “confiança cega” desprovida de evidências, e enxerga a religião como uma ilusão que deveria ser superada. No entanto, o ateísmo, ao negar a existência de Deus, assume uma posição de fé no naturalismo e na aleatoriedade como forças suficientes para explicar a complexidade do universo.
Agnosticismo
O agnosticismo sustenta que o conhecimento sobre Deus ou sobre o sobrenatural é inacessível. Segundo Geisler e Turek em Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu, existem dois tipos de agnósticos: o comum, que acredita que nada pode ser conhecido, e o decidido, que crê na impossibilidade de alcançar certezas absolutas. Tal posição, entretanto, é contraditória, pois afirmar “não se pode saber nada” é uma proposição de conhecimento. Como se pode saber que não se sabe nada, se o próprio agnosticismo afirma a impossibilidade de qualquer conhecimento seguro? Essa afirmação se torna autocontraditória, pois, ao declarar que não se pode ter certeza, o agnóstico tenta estabelecer uma certeza sobre a própria impossibilidade do conhecimento.
2. Contradições e Implicações Lógicas do Ateísmo e Agnosticismo
Problemas de Coerência Histórica e Epistemológica
Para negar eventos históricos centrais do cristianismo, como a ressurreição de Jesus, o ateu ou agnóstico deve necessariamente oferecer explicações alternativas e, assim, depender de uma leitura da história que rejeitam como incerta. Como Phillip Johnson aponta em Reason in the Balance, o ceticismo direcionado a um sistema de crenças específico frequentemente revela uma crença oculta em um sistema alternativo. Para negar o cristianismo, portanto, os ateus e agnósticos acabam tendo que acreditar na veracidade de outros postulados históricos ou científicos, uma posição que desafia a própria postura de ceticismo absoluto que eles defendem.
Evidências Científicas e Fé
A ciência moderna frequentemente é usada como argumento contra a fé em Deus, mas, ironicamente, muitos cientistas renomados expressam crenças que apontam para um Criador. Em 2006, com o lançamento de Deus, Um Delírio de Dawkins, três outros livros importantes de cientistas surgiram para contestar a visão naturalista extrema:
Francis Collins, diretor do Projeto Genoma Humano, era um ateu e evolucionista que se converteu à fé cristã após sua experiência com o projeto genoma. Em seu livro A Linguagem de Deus, Collins argumenta que a ordem e a beleza do universo apontam para um Criador. Ele afirma que, embora seja evolucionista, percebe no universo sinais claros de um design intencional, algo que considera mais plausível com a existência de Deus.
Owen Gingerich, astrônomo de Harvard, lançou O Universo de Deus, defendendo que o universo foi criado com intenção e propósito, sendo uma crença que, segundo ele, não interfere na prática científica.
Paul Davies, cosmólogo, em Goldilocks Enigma, explora o conceito de “sintonia fina” do universo, sugerindo que há algo divino, dentro ou fora do cosmos, que torna possível o surgimento da vida. Para Davies, essa harmonia não pode ser explicada apenas por processos naturais e indica uma inteligência organizadora.
Essas contribuições mostram que a ciência não é, necessariamente, incompatível com a fé. Pelo contrário, cientistas que analisam profundamente a complexidade do universo muitas vezes encontram razões para crer em uma ordem transcendente que torna o ateísmo uma posição que exige “fé” nas forças cegas da natureza, o que ironicamente se aproxima da “fé cega” criticada por Dawkins.
3. O Ateísmo e Seus Problemas
Se o ateísmo for verdadeiro, ele impõe mudanças drásticas na forma como vemos questões fundamentais da existência:
I. Origem: De onde viemos? A criação espontânea a partir de nada parece contradizer a lei da causalidade, uma base científica.
II. Identidade: Quem somos? Sem Deus, o ser humano é apenas um conjunto de processos aleatórios, sem dignidade intrínseca.
III. Propósito: Por que estamos aqui? O ateísmo nega um propósito último para a vida, restando apenas os propósitos temporários que criamos para nós mesmos.
IV. Moralidade: Como devemos viver? Sem uma moralidade absoluta, conceitos como certo e errado tornam-se relativos, variando conforme a cultura ou opinião.
V. Destino: Para onde vamos? No ateísmo, o destino final de todos é o pó, negando a ideia de vida ou significado após a morte.
Se Deus existe, no entanto, há um propósito e significado para a vida, uma moralidade absoluta e um destino eterno. Cada escolha feita hoje não apenas afeta a vida presente, mas também reverbera na eternidade.
Conclusão
A análise das posições ateístas e agnósticas mostra que ambas as perspectivas, ao questionarem a fé religiosa, também assumem um conjunto alternativo de crenças. Como observado por Phillip Johnson, a descrença em uma cosmovisão implica fé em outra, e, no caso do ateísmo, essa fé é posta em um universo sem direção e em um sistema de leis naturais que, por si só, não conseguem explicar a ordem e a complexidade evidentes no cosmos.
Acreditar em Deus, portanto, não é uma rejeição da razão, mas uma resposta a perguntas que o ateísmo e o agnosticismo não conseguem responder satisfatoriamente. A existência de um Criador oferece um contexto coerente para a origem, a moralidade, o propósito e o destino da humanidade.
Questionário Reflexivo
Para Ateus e Agnósticos:
1. Se a história não pode ser conhecida com certeza, como você sabe que Jesus não ressuscitou?
2. Se você afirma que “não se pode saber nada”, como sabe que essa afirmação é verdadeira?
3. Como você explica a origem da informação genética complexa sem um ser inteligente?
Para Cristãos:
1. Como você responderia à afirmação de que a fé é uma “confiança cega” sem evidências?
2. Em que medida você acredita que a ciência e a fé podem caminhar juntas para revelar a verdade sobre o universo?
3. Qual é a importância de conhecer e entender as visões ateístas e agnósticas para fortalecer sua fé?
Este questionário promove reflexão, incentivando uma análise crítica das bases da fé e crença, seja ela religiosa ou não.
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