Por Walson Sales
O papel de um ministro do evangelho ou de um apologista cristão é fundamental para a propagação da fé cristã e para a defesa de suas verdades. A complexidade desse ministério exige um conjunto diversificado de habilidades que vai além do simples conhecimento teológico. O renomado pastor metodista John Wesley, em seu "Discurso ao Clero" de 1756, já destacava a importância de certas habilidades para aqueles que se dedicam ao ministério. A reflexão sobre essas competências é mais relevante do que nunca, uma vez que a igreja enfrenta desafios contemporâneos, muitos dos quais se situam no campo do intelecto. Neste artigo, exploraremos as habilidades que um ministro deve desenvolver, conforme sugerido por Wesley, e discutiremos a importância delas na prática ministerial.
1. Conhecimento das Escrituras
A primeira habilidade destacada por Wesley é o profundo conhecimento das Escrituras. Um ministro deve ser capaz de não apenas explicar os textos sagrados, mas também de contextualizá-los. Isso inclui a familiaridade com o Antigo e o Novo Testamento, a compreensão dos contextos literários e históricos, e a capacidade de oferecer respostas às críticas que surgem de diversas correntes de pensamento. Essa base sólida é essencial para que o ministro possa iluminar os caminhos de sua congregação.
2. Compreensão das Línguas Originais
O entendimento das línguas originais da Bíblia — grego e hebraico — é outra habilidade crucial. Wesley enfatiza que um ministro que não se dedica a aprender essas línguas fica vulnerável a interpretações errôneas e críticas infundadas. O domínio das línguas originais permite que o ministro defenda sua fé de maneira mais robusta, ao explicar passagens complexas e responder a questionamentos com segurança.
3. Conhecimento do Próprio Ofício
Refletir sobre o caráter e a responsabilidade de ser um embaixador de Cristo é vital. Wesley alerta para a necessidade de cada ministro considerar profundamente o papel que desempenha e o impacto que sua liderança pode ter sobre a comunidade. Essa autoavaliação é essencial para que o ministro viva de maneira que honre sua vocação.
4. Familiaridade com a História e a Geografia
Conhecer a história profana e os costumes das culturas mencionadas na Bíblia é fundamental para uma interpretação precisa das Escrituras. A capacidade de contextualizar a mensagem cristã no ambiente histórico e geográfico não só enriquece a pregação, mas também fortalece a credibilidade do ministro ao lidar com questões contemporâneas.
5. Tolerância às Ciências e Lógica
A lógica e o conhecimento científico não devem ser ignorados. Wesley enfatiza a importância de se familiarizar com a lógica, a metafísica e as ciências naturais, pois isso ajuda na clareza do pensamento e na argumentação. Um ministro bem preparado deve ser capaz de articular sua fé de maneira racional, respondendo a dúvidas e críticas de forma convincente.
6. Conhecimento dos Pais da Igreja
Um ministro deve, ainda, ter um bom entendimento dos escritos dos pais da Igreja. A sabedoria dos primeiros líderes cristãos proporciona uma base histórica e teológica que é valiosa para a prática ministerial. O estudo dessas obras permite uma conexão mais profunda com a tradição cristã e uma melhor compreensão do desenvolvimento da doutrina.
7. Conhecimento do Mundo e das Relações Humanas
Por fim, Wesley destaca a importância do conhecimento do mundo e das relações humanas. Um ministro deve ser sensível às nuances do comportamento humano e ter a habilidade de se relacionar com as pessoas de maneira afável e cortês. Essa competência interpessoal é vital para construir conexões significativas dentro da comunidade e para ser um exemplo de amor cristão.
Conclusão
A formação de um ministro do evangelho ou de um apologista não deve ser negligenciada. As habilidades discutidas por John Wesley permanecem relevantes e urgentes nos dias de hoje. À medida que a igreja enfrenta novos desafios, a preparação intelectual e espiritual se torna crucial. Como J. Gresham Machen observou, a falta de reflexão crítica está entre os principais obstáculos à fé cristã contemporânea. Portanto, é imperativo que ministros e apologistas busquem continuamente o crescimento em conhecimento e sabedoria, estando prontos para dar uma razão da esperança que há neles, não apenas por meio da fé, mas também pela força do entendimento.
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