sexta-feira, 14 de março de 2025

O Viés Materialista, Naturalista e Ateísta nas Descobertas Científicas

Por Walson Sales

O debate entre ciência e religião frequentemente envolve questões profundas sobre a natureza da realidade, do conhecimento e da fé. No centro desse debate está o viés materialista e naturalista que permeia a visão de mundo de muitos cientistas e filósofos ateus. Este artigo explora como esse viés pode influenciar a interpretação dos dados científicos e a construção do conhecimento no campo da ciência.

O Compromisso Prévio com o Naturalismo

Richard Dawkins, em seus escritos, sugere que os ateus, enquanto defensores do naturalismo, têm um compromisso prévio que molda suas percepções sobre a realidade. Julian Baggini, em Atheism: A Very Short Introduction, descreve que os ateus acreditam que "só há um tipo de matéria no universo, e é a matéria física". Isso implica que todas as experiências humanas, desde emoções até valores morais, derivam dessa única matéria.

A Fé no Naturalismo

Dawkins afirma que "os ateus não têm fé", mas essa afirmação ignora o fato de que existe um compromisso implícito com o naturalismo. Essa posição sugere que a rejeição do sobrenatural não é apenas uma conclusão científica, mas uma crença que molda a interpretação dos dados. Esse viés pode ser visto como uma forma de fé em uma visão de mundo materialista.

A Confissão de Richard Lewontin

Richard Lewontin, renomado biólogo da Universidade de Harvard, faz uma declaração reveladora sobre o viés presente na comunidade científica. Ele escreve:

“Nossa disposição de aceitar afirmações científicas que são contra o bom senso são a chave para uma compreensão da verdadeira luta entre a ciência e o sobrenatural. Assumimos o lado da ciência, a despeito do patente absurdo de alguns de seus constructos, a despeito de sua falha em cumprir muitas de suas promessas extravagantes de saúde e vida, a despeito da tolerância da comunidade científica pelas histórias do tipo 'é porque é', porque nos comprometemos previamente com o materialismo. Não é que os métodos e as instituições científicas de alguma maneira tenham nos compelido a aceitar uma explicação materialista de um mundo fenomenal, mas, pelo contrário, nós é que somos forçados, por nossa própria aderência a priori às causas materiais, a criar um aparato de investigação e um conjunto de conceitos que produzam as explicações materialistas, independentemente de quão contra-intuitivas e mistificadoras possam ser para o não iniciado. Além do mais, esse materialismo é absoluto, pois não podemos permitir a entrada de nada que seja divino.”

A Construção de Explicações Materialistas

A declaração de Lewontin revela que muitos cientistas aceitam explicações que podem parecer absurdas devido ao seu compromisso prévio com o materialismo. Essa situação sugere que as explicações científicas podem ser elaboradas independentemente da intuição e da experiência direta, levando à criação de um aparato teórico que prioriza o materialismo em detrimento de outras possibilidades, como a intervenção divina.

A Negação do Sobrenatural

A postura ateísta frequentemente implica uma negação deliberada do sobrenatural e da existência de Deus. Essa negação não é um fato estabelecido pela ciência, mas uma atitude que busca afastar qualquer consideração sobre realidades que transcendem a matéria. O professor Michael Poole destaca que mesmo Richard Dawkins reconhece, em seus discursos, que ter fé no método científico é uma forma de fé, semelhante à fé religiosa.

A Dualidade da Fé

O reconhecimento de que tanto religiosos quanto não religiosos utilizam a palavra "fé" indica uma sobreposição nas crenças humanas. A confiança no método científico e nas premissas materialistas pode ser vista como uma fé em uma perspectiva específica do mundo, assim como a crença em uma divindade.

Conclusão

O viés materialista, naturalista e ateísta nas descobertas científicas revela uma dinâmica complexa entre ciência e crença. Embora muitos defendam a objetividade da ciência, é evidente que um comprometimento prévio com o naturalismo pode influenciar a forma como os dados são interpretados e como as teorias são construídas. Essa dinâmica sugere que tanto a ciência quanto a religião são campos onde a fé desempenha um papel, levantando questões sobre a verdadeira natureza da verdade e da compreensão humana. Assim, um diálogo mais aberto e honesto entre esses dois mundos pode enriquecer nossa busca pelo conhecimento e pela verdade.

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