terça-feira, 18 de março de 2025

Teologia Natural, Naturalismo e o Argumento da Consciência: Uma Análise Crítica

Por Walson Sales

O debate entre naturalismo e teísmo sempre foi uma questão central na filosofia, especialmente no que diz respeito à mente e à consciência. Com o avanço de disciplinas pós-metafísicas, como a Filosofia da Mente, autores como Paul M. Churchland têm defendido um reducionismo radical, no qual a mente e a consciência são reduzidas ao material. Entretanto, essa visão enfrenta sérios desafios. Este artigo analisa as incoerências do naturalismo à luz da Teologia Natural, do Argumento da Consciência e da Inferência da Melhor Explicação, defendendo que o teísmo oferece uma visão mais plausível e coerente do que o naturalismo.

1. Teologia Natural como uma Resposta ao Naturalismo

A Teologia Natural é uma tentativa de demonstrar, por meio de razões racionais, a existência de Deus e a realidade metafísica. Como afirmam Paul Copan e Paul K. Moser, "a teologia natural é oferecida de maneira sábia em termos de boas razões, e não de provas matemáticas". Segundo eles, essa abordagem "oferece aos seres humanos que raciocinam, razões plausíveis para crer que Deus é real (assim como a mente e a metafísica)". Nesse contexto, a teologia natural não visa provar de forma incontestável, mas demonstrar que as evidências a favor de Deus são mais razoáveis que suas negações.

Stephen Davis contribui com essa perspectiva ao apresentar diferentes graus de conclusões que os argumentos teístas podem alcançar. Para ele, o objetivo aconselhável desses argumentos é produzir conclusões que sejam "mais razoáveis ou plausíveis que suas negações" ou "conhecidas por serem mais razoáveis ou plausíveis que suas negações". Ou seja, a meta de um argumento teológico natural é oferecer boas razões cognitivas que favoreçam a crença teísta.

2. O Argumento da Consciência: Um Desafio para o Naturalismo

O naturalismo e o materialismo enfrentam sérias dificuldades quando o assunto é a consciência. Segundo J. P. Moreland, a consciência "está entre as características mais mistificadoras do cosmos e é um pesadelo para os Naturalistas e Materialistas", justamente porque eles não possuem "um mecanismo para explicar como a consciência pode surgir da matéria bruta". Isso revela uma profunda lacuna no naturalismo, que busca reduzir tudo à esfera material, mas não consegue explicar adequadamente a experiência subjetiva da mente consciente.

Geoffrey Madell reforça essa crítica ao afirmar que "o surgimento da consciência, então, é um mistério, e para o qual o materialismo fracassa notoriamente em fornecer uma resposta". Colin McGinn vai além, sugerindo que a consciência parece desafiar a própria lógica naturalista: "Como a mera matéria pode originar a consciência? Como a evolução converteu a água do tecido biológico no vinho da consciência?". Essa questão continua sem resposta dentro do paradigma naturalista.

3. Inferência da Melhor Explicação: Teísmo vs. Naturalismo

A inferência da melhor explicação é uma metodologia comum na filosofia, onde, diante de um conjunto de dados, busca-se a explicação mais plausível. Nesse sentido, o teísmo se apresenta como uma alternativa mais robusta para explicar a realidade, especialmente em relação à mente e à consciência. De acordo com a definição filosófica, a inferência abdutiva consiste em inferir, a partir das melhores evidências, a explicação mais provável.

William Lyons argumenta que o fisicalismo está em harmonia com o materialismo científico, no qual "tudo o que existe no universo é matéria, energia e movimento". No entanto, o fato de o naturalismo não conseguir fornecer uma explicação adequada para a mente e a consciência leva a uma reconsideração dessa visão. Jaegwon Kim, em um momento crítico, sugere que os naturalistas deveriam "simplesmente admitir a irrealidade do mental". Isso, porém, levanta a questão: seria racional negar a existência do mental apenas para preservar a coerência do naturalismo?

G. K. Chesterton oferece uma reflexão interessante ao afirmar que "a correlação regular entre diversas entidades no mundo é mágica que requer um Mágico para explicá-la". Se o naturalismo insiste em uma solução "mágica sem um mágico", o teísmo sugere que há uma Inteligência por trás da ordem e complexidade do universo.

Conclusão

A análise do naturalismo revela suas limitações em explicar adequadamente fenômenos como a consciência. A Teologia Natural, ao contrário, oferece razões plausíveis para crer que a realidade vai além do material, abrangendo o imaterial e o metafísico. A inferência da melhor explicação nos leva a concluir que o teísmo é uma visão mais razoável e coerente, fornecendo a melhor resposta para questões sobre a mente, a consciência e a natureza da realidade.

Questionário

1. O que Paul Copan e Paul K. Moser afirmam sobre a Teologia Natural em termos de suas razões para acreditar na existência de Deus?

2. De acordo com Stephen Davis, qual é o objetivo principal dos argumentos teológicos naturais?

3. Por que J. P. Moreland considera a consciência um "pesadelo" para os naturalistas e materialistas?

4. Como Geoffrey Madell descreve o fracasso do materialismo em explicar o surgimento da consciência?

5. O que Colin McGinn sugere sobre a explicação naturalista da consciência, e como isso reflete uma limitação dessa visão?

6. Qual a definição de inferência abdutiva e como ela se aplica ao debate sobre a consciência e o teísmo?

7. O que Jaegwon Kim propõe como solução para o dilema da mente no naturalismo, e por que isso é problemático?

8. Como G. K. Chesterton critica o naturalismo ao discutir a correlação de entidades no mundo?

9. Quais são as principais incoerências do naturalismo ao lidar com questões sobre a mente e a consciência?

10. Em que aspectos o teísmo oferece uma explicação mais plausível e coerente do que o naturalismo sobre a realidade imaterial?

Este artigo fornece uma análise crítica do naturalismo e suas falhas, especialmente ao tentar lidar com fenômenos como a consciência, oferecendo uma defesa robusta da Teologia Natural e do teísmo como a melhor explicação para a realidade observada.

Referências

[1] COPAN, Paul; MOSER, Paul K. (eds). The Rationality of Theism. New York: Routledge, 2003, p. 10.

[2] DAVIS, Stephen. Reason, God and Theistic Proofs, p. 4.

[3] MORELAND, J. P. The Argument from Consciousness. In COPAN, Paul; MOSER, Paul K. (eds). The Rationality of Theism. New York: Routledge, 2003, pp. 204.

[4] MADELL, Geoffrey. Mind and Materialism. Edinburgh: Edinburgh University Press, 1988, p. 141.

[5] MCGINN, Colin. The Mysterious Flame. New York: Basic Books, 1999, pp. 13-14.

[6] LYONS, William. Introduction. In Modern Philosophy of Mind, William Lyons (ed.). London: Everyman, 1995, p. iv.

[7] KIM, Jaegwon. Mind in a Physical World. Cambridge, MA: MIT Press, 1998.

[8] CHESTERTON, G. K. Orthodoxy. John Lane Company, 1908; reprinted, San Francisco: Ignatius Press, 1950, Cap. 5.

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