terça-feira, 1 de abril de 2025

Se o Ateísmo é Verdadeiro, Tudo é Ilusão: Uma Reflexão sobre a Realidade e a Razão

Por Walson Sales

A ideia de que "não tenho fé suficiente para ser ateu" é amplamente desenvolvida no curso ministrado por Frank Turek, baseado no livro homônimo escrito em parceria com Norman Geisler. Uma das implicações centrais discutidas nesse curso é que, se o ateísmo for verdadeiro, tudo o que consideramos como realidade — nossa mente, raciocínio, liberdade e identidade — não passa de uma ilusão. Neste artigo, exploraremos as implicações filosóficas e existenciais dessa visão, abordando o impacto do ateísmo sobre questões fundamentais como a origem, identidade, propósito, moralidade e destino, e demonstrando como ele falha em fornecer uma visão de mundo coerente.

1. A Ilusão da Realidade e da Consciência

O ateísmo, como explicado no curso, assume que tudo no universo é apenas matéria em movimento, sem propósito ou design. Isso significa que nossa percepção de realidade, liberdade de escolha e o "eu" (self) não passam de produtos químicos interagindo em nosso cérebro. Se o ateísmo é verdadeiro, não há base para confiar em nosso raciocínio ou acreditar que nossas percepções correspondem à realidade.  

C. S. Lewis afirmou: “Se a mente humana não é mais do que o subproduto de processos irracionais, não temos motivos para acreditar que seja confiável.” Essa afirmação destaca a autocontradição do naturalismo ateísta: confiar em uma mente que, segundo a própria visão, é apenas matéria sem objetivo é irracional.  

2. A Contradição do Ateísmo: Fé Disfarçada

Phillip E. Johnson observa: "Aquele que afirma ser cético em relação a um conjunto específico de crenças é, na verdade, um verdadeiro crente em outro conjunto de crenças." Os ateus, ao negarem Deus, revelam-se verdadeiros crentes no ateísmo. Isso ocorre porque negar a existência de Deus exige uma fé substancial na visão naturalista, que carece de evidências para justificar suas premissas. Por exemplo:  

Afirmar que a vida surgiu espontaneamente a partir de elementos inorgânicos é uma posição de fé, já que não há comprovação experimental para essa alegação.  

Declarar que Jesus não ressuscitou implica uma interpretação histórica que os ateus muitas vezes negam ser possível conhecer.  

Essa contradição mina a credibilidade do ateísmo e reforça que ele é, em última análise, um sistema de crenças.  

3. As Grandes Questões da Vida e a Falência do Ateísmo

Frank Turek destaca cinco questões fundamentais que toda cosmovisão precisa responder:  

1. Origem: De onde viemos?  

2. Identidade: Quem somos?  

3. Propósito: Por que estamos aqui?  

4. Moralidade: Como devemos viver?  

5. Destino: Para onde vamos? 

Se Deus existe, essas perguntas têm respostas significativas e objetivas. A existência de Deus implica que a vida tem propósito, que há um padrão moral objetivo e que nossas escolhas têm consequências eternas. Sem Deus, como no ateísmo, essas perguntas ficam sem respostas:  

- Origem: Somos apenas acidentes cósmicos sem propósito.  

- Identidade: Não somos mais do que matéria em movimento; nosso "eu" é uma ilusão.  

- Propósito: Não há razão para viver, além de satisfazer impulsos biológicos.  

- Moralidade: Não existe certo ou errado objetivos, apenas preferências pessoais.  

- Destino: Todos voltamos ao pó, e nada importa no final.  

Essa visão não apenas é desoladora, mas também inconsistente com nossa experiência intuitiva de significado, moralidade e liberdade.  

4. A Razão e a Liberdade Sob o Ateísmo

Se o ateísmo é verdadeiro, não temos liberdade genuína. Todas as nossas ações e pensamentos são determinados por processos químicos no cérebro. A liberdade, essencial para o amor, a moralidade e a dignidade humana, torna-se uma ilusão. Isso contradiz a experiência humana universal de escolha e responsabilidade moral.  

Adicionalmente, se o raciocínio é apenas o resultado de reações químicas cegas, como podemos confiar em nossa capacidade de descobrir verdades sobre o universo? Romanos 1:20 declara: *"Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas."* Este versículo aponta para uma base racional para confiar na mente humana como criada por um Deus racional.  

 5. A Superioridade da Cosmovisão Cristã

A cosmovisão cristã oferece uma explicação robusta para a realidade, a razão e a liberdade:  

1. A realidade é real: Deus criou o universo e o ser humano com propósito (Gênesis 1:1, 27).  

2. A razão é confiável: Fomos feitos à imagem de Deus, com a capacidade de raciocinar (Isaías 1:18).  

3. A liberdade é genuína: Deus nos dotou de livre-arbítrio para amar e obedecer a Ele (Deuteronômio 30:19).  

Sem Deus, não há base para confiar na realidade, na razão ou na liberdade. O ateísmo, ao negar Deus, sabota sua própria visão de mundo.  

Conclusão

Se o ateísmo é verdadeiro, tudo se dissolve em ilusão: realidade, raciocínio, liberdade e o próprio "eu". No entanto, a existência de Deus fornece fundamento para a experiência humana de propósito, moralidade e verdade. Como observou Frank Turek, não é necessário mais fé para crer no cristianismo do que no ateísmo — na verdade, o ateísmo exige uma fé cega em um sistema que se autocontradiz.  

A cosmovisão cristã, ao contrário, é coerente, racional e capaz de responder às questões fundamentais da vida. Ela nos convida a confiar em um Deus que é a fonte de toda a verdade, liberdade e significado. Afinal, como Jesus declarou: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

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