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segunda-feira, 17 de março de 2025

A Ciência Pode Responder a Todas as Questões?

Por Walson Sales

No filme "Contato", a personagem Ellie expressa uma verdade emocional ao afirmar seu amor por seu pai, mas reconhece a impossibilidade de provar essa emoção cientificamente. Essa cena ilustra uma questão fundamental: a ciência, embora poderosa e reveladora, tem limites. Ela não consegue responder a todas as nossas perguntas, especialmente aquelas que envolvem emoções, ética e a realidade subjetiva. Este artigo explorará esses limites da ciência, abordando a distinção entre fatos metafísicos e éticos, e discutindo a natureza do conhecimento e da moralidade.

Fatos Metafísicos

Os fatos metafísicos, por definição, estão além do domínio da ciência. A metafísica lida com questões como a existência de outras mentes, a realidade do mundo externo e a veracidade do passado. A crença em que existem outras mentes além da nossa e que o mundo que percebemos é real são exemplos de crenças fundamentais que aceitamos sem evidências científicas. Quando estamos em uma palestra, por exemplo, presumimos que o professor é uma entidade real e não uma invenção da nossa imaginação. Essa certeza, no entanto, não pode ser provada cientificamente; é uma aceitação que fazemos da realidade.

O reconhecimento de que a ciência não pode confirmar a existência do passado, nem a realidade de outras mentes, desafia a ideia de que só o que pode ser cientificamente comprovado é verdadeiro. Essa limitação evidencia a necessidade de outras formas de conhecimento, além da abordagem científica.

Fatos Éticos

O campo da psicologia evolutiva tem explorado a origem da moralidade, sugerindo que somos mamíferos sociais que desenvolvem comportamentos éticos para interagir de forma harmoniosa em grupos. No entanto, essa compreensão não nos diz como devemos agir. A famosa falácia de David Hume, que distingue o que "é" do que "deve ser", ressalta que observações científicas sobre comportamento não justificam normas morais.

Por exemplo, a ciência pode observar que muitos mamíferos ajudam uns aos outros, mas isso não significa que devemos fazer o mesmo. A premissa de que o "florescimento humano" é bom parte de uma visão de mundo que não pode ser verificada pela ciência. Questões éticas, como a moralidade do estupro, ilustram essa limitação: a ciência pode analisar os efeitos desse ato, mas não pode afirmar que ele é moralmente errado. Essa determinação requer um fundamento ético que vai além da descrição científica.

Conclusão

A ciência é uma ferramenta extraordinária que tem proporcionado avanços significativos na compreensão do mundo e na melhoria da qualidade de vida. No entanto, suas limitações são claras, especialmente quando se trata de questões metafísicas e éticas. Aceitar que há aspectos da experiência humana que não podem ser explorados ou confirmados pela ciência é crucial para uma visão mais completa do conhecimento. Devemos valorizar tanto a ciência quanto outros modos de entendimento que abordam as nuances da experiência humana, incluindo emoções, moralidade e a complexidade das relações interpessoais. Assim, o amor, a ética e a compreensão do passado permanecem domínios que transcendem a capacidade da ciência de responder.

sábado, 15 de março de 2025

A Importância de Expor Erros Lógicos em Visões de Mundo Opostas ao Cristianismo

Por Walson Sales

Em um mundo onde múltiplas visões de mundo oferecem interpretações conflitantes sobre a realidade, torna-se essencial demonstrar as falhas lógicas das cosmovisões que desafiam a fé cristã. Frequentemente, as pessoas deixam de perceber a verdade do Cristianismo, não por falta de evidência, mas por estarem imersas em visões de mundo que distorcem a realidade. Segundo o filósofo Alvin Plantinga, crenças como o naturalismo, que afirma que não há nada além da natureza, são construídas sobre padrões epistêmicos incorretos. Essas visões acabam levando as pessoas a interpretar experiências profundas como ilusões, tornando-as insensíveis ao verdadeiro significado espiritual e ético da vida. Ao expor erros lógicos nessas alternativas ao Cristianismo, é possível abrir espaço para que as pessoas reconsiderem a plausibilidade da fé cristã como uma resposta coerente e unificada para questões existenciais fundamentais.

Crença Básica Segundo Alvin Plantinga

Para Plantinga, uma *crença básica* é aquela que é aceita de forma racional sem a necessidade de provas ou argumentos externos. Em sua visão, acreditar em Deus é uma crença básica porque não depende de evidências empíricas, mas sim de uma experiência interna fundamentada na própria natureza humana. Essa crença básica, contudo, é frequentemente obscurecida por sistemas filosóficos que limitam a realidade apenas ao que é verificável empiricamente. Em contraposição, o Cristianismo oferece uma estrutura lógica e racional que torna a crença em Deus uma resposta natural e válida para dilemas existenciais e teóricos. Esse conceito de fé está alinhado com Hebreus 11:1, que define a fé como a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se veem.

Exposição de Erros Lógicos em Visões de Mundo Opostas

1. Naturalismo e sua Limitação Epistêmica

O naturalismo defende que tudo o que existe pode ser explicado unicamente pela natureza e seus fenômenos. No entanto, essa visão impõe uma limitação epistêmica: a de que apenas o que é empiricamente observável é real. Isso gera uma série de problemas lógicos. Por exemplo, o próprio conceito de moralidade, que é uma experiência universal e significativa, se torna difícil de justificar apenas com base em reações químicas e impulsos biológicos. Ao limitar a realidade ao que é material, o naturalismo nega experiências subjetivas e espirituais como válidas, desconsiderando aspectos importantes da vida humana que exigem explicações transcendentais. O apóstolo Paulo aborda a limitação do naturalismo em Romanos 1:20-21, ao afirmar que as coisas invisíveis de Deus, Seu poder e divindade, são claramente vistas desde a criação, sendo o homem indesculpável por não reconhecê-las.

2. Relativismo Moral e a Negação de Obrigações Éticas Objetivas

O relativismo moral, que afirma que todas as normas éticas são subjetivas e culturalmente determinadas, apresenta um erro lógico significativo. Se não existem obrigações morais objetivas, então é impossível condenar ou defender moralmente qualquer ato, como genocídios ou altruísmo, pois todas as ações são reduzidas a preferências. Essa visão contrasta profundamente com o Cristianismo, que afirma a existência de leis morais objetivas fundamentadas em Deus. A Bíblia confirma a universalidade e objetividade das leis morais em Romanos 2:14-15, onde Paulo declara que mesmo aqueles que não têm a Lei (escrita) mostram ter a obra da Lei escrita em seus corações, com suas consciências e pensamentos ora acusando, ora defendendo suas ações.

3. Ateísmo e o Problema da Existência Contingente

O ateísmo sustenta que não há necessidade de um Criador, mas enfrenta o problema da existência contingente. Se tudo o que existe é contingente, ou seja, depende de algo anterior, a questão permanece: o que originou o universo? Sem uma causa primeira necessária e não contingente, como a proposta teísta de Deus, o ateísmo falha em oferecer uma explicação satisfatória para a existência de tudo. Esse erro lógico é um obstáculo para a visão ateísta, enquanto o Cristianismo oferece uma solução ao apresentar Deus como a causa primeira e necessária para a existência de todas as coisas. Em Gênesis 1:1, vemos essa base de contingência explicada de forma simples e direta: "No princípio, criou Deus os céus e a terra", estabelecendo Deus como a causa primária da criação.

4. Problema da Consciência e da Racionalidade no Materialismo

O materialismo, que afirma que tudo o que existe é puramente físico, esbarra no problema da consciência e da racionalidade. Como processos físicos, determinados por reações químicas e elétricas, poderiam gerar experiências conscientes e racionais? Se nosso pensamento é apenas uma resposta a estímulos físicos, como podemos confiar na veracidade e validade de qualquer conclusão? Este dilema lógico abre espaço para a visão teísta, que entende a consciência e a racionalidade como reflexos da imagem de Deus no ser humano, oferecendo uma explicação mais coerente para essas experiências. O próprio conceito bíblico de "imagem de Deus" em Gênesis 1:27 sugere que o homem possui atributos imateriais, como racionalidade e moralidade, que refletem o caráter divino.

5. Negação da Culpa e do Perdão no Secularismo

O secularismo rejeita a noção de pecado e a necessidade de perdão. No entanto, a experiência humana mostra que sentimentos de culpa e a busca por redenção são universais, indicando uma necessidade por algo além da autossuficiência. O secularismo falha em fornecer uma resposta lógica e satisfatória para esse dilema, enquanto o Cristianismo oferece uma solução através do perdão e da reconciliação com Deus, respondendo diretamente à experiência humana de culpa. Em 1 João 1:9, a Bíblia nos assegura que "se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça", mostrando que a necessidade de perdão é respondida de forma completa no Cristianismo.

A Necessidade de Refutar Alternativas ao Cristianismo

As pessoas necessitam de uma visão de mundo que seja lógica e satisfatória, pois é impossível, na prática, viver em uma constante suspensão de julgamento sobre questões fundamentais. Ao refutar alternativas ao Cristianismo, expomos a necessidade de uma visão unificada e coerente sobre a realidade, a moralidade, a origem e o sentido da vida. Plantinga argumenta que a crença teísta oferece uma resposta plausível e defensável para questões que, de outra forma, seriam intratáveis. Essa abordagem ajuda a expor a verdade do Cristianismo e a evidenciar a solidez lógica da fé cristã como a melhor explicação para os dilemas existenciais humanos. Esse conceito é reforçado em 1 Pedro 3:15, que nos instrui a estarmos sempre preparados para responder a todo aquele que nos pedir razão da esperança que há em nós, evidenciando a importância de uma defesa lógica e fundamentada da fé.

Conclusão

Expôr os erros lógicos das visões de mundo que se opõem ao Cristianismo é uma prática essencial para promover uma análise racional e justa da verdade cristã. Ao identificar as falhas de cosmovisões alternativas, abrimos um caminho para que as pessoas reconsiderem o Cristianismo como uma resposta plausível e lógica para questões fundamentais. A partir do momento em que se desmascaram os padrões epistêmicos equivocados do naturalismo, do materialismo e do relativismo, a fé cristã passa a ser reconhecida não apenas como uma crença religiosa, mas como uma visão de mundo coerente e racional que responde de forma satisfatória às necessidades profundas da experiência humana. Como Paulo exorta em 2 Coríntios 10:5, somos chamados a “destruir argumentos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus”, o que reforça a importância de uma postura crítica e racional na defesa da verdade cristã.

Questionário

1. O que é uma crença básica segundo Alvin Plantinga?

2. Por que o naturalismo falha em explicar a moralidade de forma satisfatória? (Romanos 1:20-21)

3. Qual é o erro lógico central no relativismo moral? (Romanos 2:14-15)

4. Como o problema da existência contingente desafia o ateísmo? (Gênesis 1:1)

5. Por que o materialismo encontra dificuldades para explicar a consciência e a racionalidade? (Gênesis 1:27)

6. Como o secularismo falha em responder ao dilema da culpa e do perdão? (1 João 1:9)

7. Por que é importante refutar alternativas ao Cristianismo na busca pela verdade? (1 Pedro 3:15)

8. De que forma a fé cristã oferece uma explicação coerente para dilemas existenciais como a origem do universo e as obrigações morais?

9. Como o Cristianismo aborda a experiência universal de culpa, diferentemente de visões de mundo seculares?

10. De que maneira o Cristianismo pode ser considerado uma visão de mundo racional e lógica? (2 Coríntios 10:5)

Essas perguntas ajudam a consolidar o entendimento das razões pelas quais o Cristianismo oferece uma explicação coerente para a vida e expõem as falhas de visões opostas, incentivando uma análise crítica e profunda dos argumentos lógicos em jogo.

sexta-feira, 9 de abril de 2021

O DETERMINISMO E A AGENDA OCULTA DE DEUS

 

Por Walson Sales

 

Toda a controvérsia gira em torno da soberania Divina e do Livre-Arbítrio humano. A escola reformada “consistente” defende que Deus “inicia e executa” todas as coisas, não tendo, portanto, o homem iniciado nada, absolutamente, sejam boas ou más ações. Quando se trata das ações malévolas e destrutivas, especificamente, uma escola de pensamento teológico moderno, conhecida como Neopentecostalismo, afirma que tudo de “ruim” que acontece é culpa do Diabo. Em sentido geral, observando estas duas vertentes, pelo menos no que se refere às mazelas e crimes cometidos pelo homem, este não é o responsável: a culpa é “ou de Deus ou do Diabo”! Nunca do homem, que é apenas o meio, pelo menos podemos entender isso interpretando o que afirmam os expositores de ambos os lados, de forma geral.

Já que a minha intenção aqui não é observar o Neopentecostalismo, que por si mesmo, na vida prática se “auto-refuta”, me propus a analisar a primeira escola de pensamento que defende o “Decreto Incondicional” de Deus de “todas as coisas”, comparando com alguns trechos da Escritura. Os defensores do “Decreto Incondicional” de Deus são conhecidos como “Hipercalvinistas Supralapsarianos”. Segundo alguns, eles são hipercalvinistas pelo fato de serem “mais” calvinistas que João Calvino. De acordo com outros, utilizam de forma “demasiada” o pensamento do reformador francês. Conhecidos como “supralapsarianos” por defenderem que Deus decidiu “tudo” na eternidade passada, inclusive antes da queda de Adão. Note, a principio que se esta linha de raciocínio estiver certa, então, Deus decretou a queda, e isso coloca Deus como o autor do pecado, conforme entendia Suzana Wesley, a mãe do grande pregador Metodista John Wesley, em uma carta escrita enquanto este estava em Oxford, ela escreveu: “a doutrina da predestinação, como sustentada pelos rígidos calvinistas, é muito repugnante, e deve ser completamente abominada, porque ela acusa o mais Santo Deus de ser o autor do pecado”[1]. Fatalismo puro! Vamos a algumas citações dos próprios calvinistas:

“Os calvinistas em geral são deterministas” [2];

O decreto compreende “tudo quanto acontece”, Confissão de fé de Westminster [III: 1];

Outro expositor afirma sobre o pardal que “a toda sábia providência (de Deus) anteriormente estabeleceu que galho ele irá escolher, que grãos ele irá pegar, onde ele irá se abrigar, e onde ele irá construir; no que ele irá viver, e quando ele irá morrer”, além do mais Deus guia a movimentação das “moléculas e átomos que vagam para cima e para baixo em um raio de sol” e que “nem uma partícula de pó voa em uma estrada batida a não ser que Deus a levanta, conduza seu movimento incerto, e por seu cuidado, particular, a transporta ao devido lugar que Ele anteriormente designou para ela” [3];

Loraine Boettner declara ainda que “O “todo abrangente decreto,” inclui tudo no curso da natureza e do “curso da história até os seus menores detalhes.” Isto deve incluir todas as decisões humanas, até mesmo as pecaminosas. [4];

Berkhof diz que, “A teologia reformada enfatiza a soberania de Deus em virtude da qual Ele soberanamente determinou desde toda a eternidade tudo o que irá acontecer.”[5];

Arthur W. Pink afirma que “Tudo quanto há de ser... Ele, por Si mesmo, já o determinou desde a eternidade”[6];

Sproul dá sua contribuição asseverando que “o que queremos dizer por vontade soberana ou eficaz de Deus é aquela determinação pela qual Deus soberanamente deseja que algo venha a ocorrer que, por conseguinte, de fato ocorre pela absoluta eficácia, força ou poder dessa vontade” [7];

Um outro defensor declara “a resposta final a pergunta por que uma coisa é e porque ela é como ela é deve sempre permanecer: ‘Deus a quis’, de acordo com a sua soberania absoluta” [8];

Portanto, se o “decreto” é eficaz e determinista, o “livre-arbítrio humano é um mito”[9], pois este decreto deve, necessariamente, incluir as decisões humanas, inclusive as pecaminosas, então, o Deus Santo da Bíblia torna-se o autor do pecado e um ser que diz “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Passarei a mencionar duas experiências narradas por Norman Geisler no livro “Eleitos, mas Livres”, no que se refere à origem do mal. Ele nos conta que conhecia um calvinista extremado, chamado John Gerstner, e que ambos ensinavam na mesma instituição. Gerstner defendia a mesma ideia apresentada por Jonathan Edwards de que a vontade humana é movida pelo desejo mais forte. Convidado a uma das aulas pelo Sr. Geisler, para tratarem sobre o livre-arbítrio, Norman relata que voltou toda a lógica calvinista para o problema do pecado de Lúcifer com uma pergunta: “quem deu a Lúcifer o desejo de rebelar-se contra Deus?”, Gerstner, neste momento, colocou as mãos no rosto e respondeu diante de toda a turma: “mistério, mistério, um grande mistério!”. Isto se deu pelo fato de que se Deus determinou tudo na eternidade passada, conforme os próprios hiper-calvinistas segue-se então que somente Deus poderia ter dado a Lúcifer o desejo de rebelar-se contra Deus, visto que Lúcifer não possuía nenhuma natureza má e nem o livre-arbítrio. Sendo assim, Deus causou a rebelião contra Deus! Ele menciona também o relato de um conferencista (calvinista) muito conhecido alegando a incapacidade de confrontar-se com a trágica morte do próprio filho. Sem ter para onde ir, restou-lhe apoiar-se na forte tradição calvinista, ele chegou à conclusão: “Deus matou o meu filho!”. E pôde informar a todos: “então, e somente então, eu obtive paz sobre esse assunto”. Um Deus soberano matou seu filho, e por essa razão encontrou base para uma grande vitória espiritual, assegurou a todos. Porém, Norman Geisler pensou: “o que ele diria se sua filha fosse estuprada?”. Será que ele afirmaria: “Deus estuprou minha filha?”, só esse pensamento é ofensivo, mas que não pode fugir a essa interpretação fatalista.[10]

Podemos perceber que este pensamento calvinista é, aparentemente, filosoficamente inquestionável, sobre a soberania divina, porém, seria este o Deus da Bíblia? É isso que passarei a questionar e será a partir daqui que serei um pouco repetitivo, penso eu, para tentar mostrar os grandes problemas que esta interpretação ocasiona sendo colocada lado-a-lado com trechos das Sagradas Escrituras, pois, se “tudo” o que acontece, só acontece porque Deus “determinou” que acontecesse, então, repito, isso deve incluir o pecado, o mal moral. Estive recentemente conversando com um muçulmano e por ser fatalista, ele afirmou que só acontece algo se Allah “determinar”, e acrescentou que tudo o que já aconteceu, só aconteceu porque Allah determinou. E eu disse a ele: “Ahmad (nome fictício), você não está percebendo que se ‘tudo o que acontece’ só acontece porque Allah determinou, você está afirmando tacitamente que Allah criou o pecado e que determinou o pecado?”. E para minha surpresa, o muçulmano confirmou naturalmente o que deve ser entendido com naturalidade acerca do “decreto incondicional de todas as coisas”, se de fato ele existe, Ahmad confirmou: “Claro! Allah criou o pecado para testar os homens”. O que a maioria dos calvinistas admite naturalmente, apenas os extremados. Ahmad entendeu as implicações do Decreto Incondicional de “tudo” e simplesmente confirmou o que deveria ser entendido. Portanto, se este Decreto Incondicional de “tudo” quanto acontece existe de fato e que por isso o homem não tem o livre-arbítrio, deve-se ser entendido também que este não poderia ser responsabilizado por nada do que fizesse, nem sequer ser repreendido, pois foi Deus quem o determinou que fizesse tudo isso, de acordo com a lei da lógica conhecida como Antecedente-Consequente. Se o “antecedente” é que “foi Deus quem determinou”, “consequentemente”, o homem não tem culpa e não poderia ser responsabilizado. Vejamos alguns textos que não deveriam estar na Bíblia da maneira como estão.

1. Em Genesis 2.16-17 a Bíblia relata-nos que “e lhe deu esta ordem: de toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Analisando, podemos perceber que Deus “deu uma ordem” para Adão não comer, mas se o decreto incondicional de tudo é verdadeiro, Deus em sua agenda oculta estaria dizendo: “Adão, eu te ordeno que não comas, mas eu já determinei na eternidade passada que você vai comer”. O mais interessante é que em 3.11 do mesmo livro Deus insiste: “comestes da arvore de que te ordenei que não comesses?”. E aplica a justiça ao homem que, segundo a teoria do decreto calvinista, não teve culpa, pois foi Deus quem havia determinado. Ainda no verso 17, ficamos sabendo que “e a Adão disse: visto que atendeste a voz de tua mulher, e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses: maldita é a terra por tua causa...”. Mas, espera um pouco, Deus deveria ter dito: “maldita é a terra por minha causa, já que eu determinei a queda e o pobrezinho do Adão não tem livre-arbítrio”. Na verdade, deveria ser assim. Vamos analisar outro texto.[11]

2. Genesis 4.7 nos informa também que “se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz a porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. O problema maior é que Caim matou Abel. O primeiro homicídio cometido entre irmãos. Por este ato, Caim foi amaldiçoado (v. 11) e foi realmente um castigo (v. 13). Porém, segundo a doutrina do decreto incondicional na eternidade passada, quem ordenou que Caim matasse Abel foi Deus. Apesar de Deus ter dito na Bíblia: “eis que o pecado jaz a porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. Deus, porém deveria ter dito em sua agenda secreta: “Eu ordenei que Caim tivesse que matar Abel e ainda disse que Caim poderia se dominar e evitar cometer esse homicídio, mas coitadinho dele que o livre-arbítrio é um mito, ele teve que cumprir a minha vontade anteriormente estabelecida e eu ainda irei castigá-lo por isso”. É verdadeiramente repugnante pensarmos assim, porém, não existe outra interpretação.

3. Também no livro de Genesis 6.11-13 lemos: “a terra estava corrompida a vista de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra e eis que estava corrompida. Porque todo o ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então disse Deus a Noé: resolvi dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia da violência dos homens: eis que os farei perecer juntamente com a terra”. Aqui, mais uma vez, Deus “resolveu dar cabo de toda a carne”. Por quê? Bem, a terra estava corrompida, cheia de violência e violência dos homens. Porém, se tudo o que acontece foi por causa do desejo decretivo de Deus, sendo verdadeiro que Deus não reage às ações humanas, pelo fato do livre-arbítrio não existir, então foi Deus quem decretou que a terra ficasse cheia de violência e corrompida, para então poder matar todos os homens, que por sua vez, praticaram a violência e se corromperam porque Deus os corrompeu e tudo pelo decreto do próprio criador. Mas, ponto pacifico é que o Deus da Bíblia é Santo e a ninguém tenta (Tg 1.17). Vamos abordar outro texto.[12]

4. Da mesma forma, em Genesis 13.13 nos informa o texto Sacrossanto: “ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor”. Está explícito em consonância com outras passagens Bíblicas que as cidades das campinas eram, basicamente, Sodoma e Gomorra, e que, declara o trecho “eram grandes pecadores contra o Senhor”. Surge então a pergunta: qual o tipo de pecado cometido por aquela gente? Bem, em Genesis 19.5 nos informa que as ações e práticas estavam relacionadas com perversões sexuais. Deus destruiu Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre (19.24) certamente pelo fato dos moradores serem grandes pecadores contra o Senhor, conforme relata a trama bíblica. Porém, mais uma vez, se tudo o que acontece, porque Deus decretou que acontecesse, então foi Deus, o próprio quem determinou na eternidade passada que os moradores de Sodoma e Gomorra cometessem “grandes pecados” contra ele mesmo, Deus. Que por sua vez, os matou por isso. Sem esquecermos o fato de que Deus havia prometido a Abrão que se houvessem dez justos na cidade, ele, por amor a estes dez, não permitiria esta hecatombe (18.32).

5. Vamos a um texto mais abrangente que envolve os mandamentos de Deus que percorreria os séculos. Em Êxodo 20. 3-17 Deus concede a Moisés os Dez Mandamentos com prescrições gerais para todo o povo, que por sinal são ratificados no Novo testamento, com exceção da guarda do sábado, como todos sabem, era exclusivo para Israel. Então, aqui Deus proíbe: ter outros deuses (v. 3), fazer imagens de escultura, adorá-las e prestar culto a elas (v.4), tomar o Nome do senhor em vão (v.7), santificar o sábado (v.9), honrar pai e mãe, para que os dias se prolonguem (v.12), não matar (v.13), não adulterar (v.14), não furtar (v.15), não dizer falso testemunho (v.16), e por fim, não cobiçar nada do próximo, nem casa, mulher, servo, serva, boi, jumento, nem coisa alguma. Mais uma vez o problema teima em não calar, pois se alguém tiver outros deuses, fizer imagens de escultura, adorá-las e lhes prestar culto, tomar o nome do Senhor em vão, desonrar pai e mãe, matar, adulterar, furtar, mentir e cobiçar, ele só terá feito isso porque Deus, em sua agenda oculta e contra o próprio mandamento proferido, determinou que tais pessoas assim agissem, por meio do decreto de “todas as coisas”, na eternidade passada. As pessoas só agiram assim porque Deus quis. As boas e, más ações não poderiam ser destacadas, porque tudo procede de Deus, não do homem. Sendo assim, o mandamento não faz sentido.

6. No livro Sagrado de Levítico, nos capítulos 18 e 20 existem passagens dignas de destaque aqui. No capitulo 18 Deus proíbe o povo a: chegar-se para descobrir a nudez da mulher durante a menstruação (v.19), não deitar-se com a mulher do próximo (v.20), entregar os filhos para dedicar-se a Moloque (v.21), deitar-se com homem como se esse fosse mulher, ainda afirmando que é abominação (v.22), nem o homem ou a mulher deitar-se com um animal (v.23). Deus ainda afirma que os povos da terra estavam exatamente sendo lançados fora por terem-se contaminado com estas praticas abomináveis (v. 24-29). Deus, portanto encerra determinando que os israelitas, por obrigação, não deveriam praticar nenhuma destas abominações (v.30). Em Levítico 20 a relação tende a aumentar. Deus proibiu entregar os filhos a Moloque sob pena de morte (v.1-5), consultar necromantes e feiticeiros (v.6), amaldiçoar pai e mãe (v.9), adulterar (v.10), deitar-se com a mulher do pai (v.11), deitar-se com a nora (v.12), deitar-se com outro homem (v.13), um homem possuir a mulher e sua mãe (v.14), ajuntar-se com animal (v.15,16), tomar a Irmã, filha de seu pai (v.17), visitar a mulher no tempo da menstruação (v.18), descobrir a nudez das tias (v.19,20), tomar a mulher do irmão (v.21), adverte o povo a santidade e a obediência as leis estabelecidas (v.7,8,22), asseverando que toda esta relação de pecados horríveis eram praticados “por costume” pelos povos que haviam habitado a terra de Canaã e que Deus os estaria expulsando exatamente pela prática destes pecados, motivo pelo qual Deus os havia aborrecido. Fica patente a santidade de Deus sendo vindicada pela sua justiça através da lei da semeadura e da colheita. Porém, mais uma vez o dilema e a tensão aparecem. Se Deus decretou “todas as coisas”, isso inclui toda esta relação de pecados cometidos pelos cananeus e posteriormente pelos próprios israelitas. Deus estaria dizendo que estava lançando fora aquelas pessoas, para fora da terra por terem cometido tais abominações, advertindo os israelitas a não seguirem no mesmo exemplo de devassidão, mas a obedecerem às leis e a santificação, porém, Deus estaria dizendo na agenda oculta que se os cananeus pecaram tão gravemente, foi porque Deus determinou que pecassem. O povo santo que posteriormente pecaram, desobedecendo as ordens para obedecerem às leis, também só agiram deste modo porque Deus havia determinado, se este possível “decreto incondicional de todas as coisas” for verdadeiro não poderia existir outra interpretação. Apesar do fato do escritor sacro mencionar os pecados repugnantes para Deus como abominações (do Hb. To`evah) que significa “coisa abominável, detestável, ofensiva”, claramente referindo-se a todas as ações humanas relacionadas acima, bem como a outros tipos de comportamentos (v. Dt 22.5; Lv 18.22), a idolatria (v. Dt 7.25,26), e ao sacrifício infantil (v. Dt 12.31). Essa teoria do decreto, “de todas as coisas” além de detestável (to`evah), torna-se irracional, colocar Deus como autor de ações que ele abomina. Parece-me que o próprio Calvino defendeu tacitamente este ponto de vista, como segue:

 

Seja esta a síntese: uma vez se diz que a vontade de Deus é a causa de todas as coisas, a providência é estatuída como moderatriz em todos os planos e ações dos homens, de sorte que não apenas comprove sua eficiência nos eleitos, que são regidos pelo Espírito Santo, mas ainda obrigue os réprobos à obediência. [Institutas da Religião Cristã, versão clássica, Vol. I, p. 233 – tenho a impressão que a versão traduzida na edição clássica é amenizada. A versão em inglês é mais cruenta - Grifos meus].

 

Resumindo, obrigar os réprobos a obediência significa levá-los a cometer os pecados. Não há outra alternativa. Vamos seguir em frente.

7. Êxodo 32 é mais um exemplo interessante. Moisés estava no monte recebendo a Lei e o povo ficou impaciente exigindo de Arão deuses de fundição. Arão cedeu (v.1-5). Ofereceram holocaustos e ofertas pacificas no dia seguinte, desencadeando uma grande orgia (v.6). Chama-nos a atenção o que Deus diz a Moisés nos versos 7-10, que passarei a mencionar: “Então disse o Senhor a Moises: vai, desce, por que o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu, e depressa se desviou do caminho que lhes havia eu ordenado. Fizeram para si um bezerro fundido, e o adoram, e lhe sacrificam, e dizem: são estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Disse mais o Senhor a Moisés: tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma, e de ti farei uma grande nação”. Do verso 11-13 segue-se a oração intercessória de Moises em prol dos revoltosos obstinados e idólatras. Quando Arão vai tentar explicar o motivo pelo qual tinha feito um bezerro de ouro, ele dá uma resposta esclarecedora. Ele disse: “tu sabes que o povo é propenso para o mal” (v.22). O problema culminou em matança no meio do arraial (v.25-29). Também ficou claramente estabelecido no texto que o povo cometeu grande pecado, tanto mencionado por Moises (v.30), tanto quanto mencionado pelo próprio Deus (v.34-35). O problema, mais uma vez teima em não calar: o decreto incondicional de todas as coisas é verdadeiro? Deus, de fato, determina todas as ações humanas e o livre-arbítrio é um mito como defendem os hipercalvinistas? Se a resposta for positiva, então, Deus é o responsável único por todos os acontecimentos também desta passagem em questão. Foi de Deus a decisão de induzir o povo a: pedir deuses, conceder o bezerro, praticar as orgias e sacrifícios ao bezerro, como também a decisão de matar os desenfreados, pasmem, pelo que eles estavam cometendo pela determinação do próprio Deus. Mas espera um pouco. Deus havia dito que o povo “se corrompeu e se desviou do caminho que Ele (Deus) houvera ordenado” (v.7-10), sabendo que Ele próprio (Deus) havia determinado que os homens devessem cometer tudo aquilo? Ademais o fato de que toda a questão se encerra com o Senhor punindo os israelitas pelo pecado que o próprio Criador houvera determinado que cometessem (v.35, apesar do que ele fala neste verso?). Isso não faz nenhum sentido. Esse Deus dos decretos calvinistas não é o Deus revelado na Escritura.

8. Esta passagem me chama muito a atenção pelo fato de ter culminado no cativeiro Assírio e Babilônico do povo israelita. Em 2 reis 17 o trecho sacrossanto mostra o cativeiro e o que causou de fato tamanha mazela entre os descendentes de Abraão. O real motivo é-nos mostrado a partir do verso sete. Vamos analisar: foram cativos porque, pecaram contra o Senhor e temeram a outros deuses (v. 7); andaram nos estatutos das nações que o Senhor houvera lançado fora e nos costumes dos reis de Israel (v. 8); fizeram contra o Senhor o que não era reto e edificaram altos para si em todas as cidades (v 9); levantaram colunas e postes-ídolos em todos os altos e debaixo de todas as árvores frondosas (v. 10); queimaram incenso nestes lugares e cometeram ações perversas para provocarem o Senhor a ira (v. 11); serviram os ídolos dos quais o Senhor os havia dito: não fareis estas coisas (v. 12); rejeitaram os estatutos e a aliança que Deus fizera com seus pais, rejeitando também as advertências acerca da desobediência e seguiram os ídolos, se tornaram vãos, seguiram as nações que estavam em derredor, das quais o Senhor lhes havia ordenado que não as imitassem (v.15); desprezaram todos os mandamentos do Senhor, fizeram para si imagens de fundição, dois bezerros, fizeram um poste-ídolo e adoraram todo o exército do céu, e serviram a Baal (v. 16); queimaram seus filhos e suas filhas como sacrifício, deram a pratica de adivinhações, criam em agouros e venderam-se, mais um vez diz o texto, para fazerem o que era mal perante o Senhor, para o provocarem a ira (v.17). Então, qual foi o resultado? Muito se indignou o Senhor contra Israel e os afastou de sua presença, só ficando Judá (v. 18). E o que fez Judá? Não guardou os mandamentos do senhor e imitaram a Israel (v. 19); Deus entregou todo o povo nas mãos dos despojadores e os expulsou de sua presença (v.20); apesar de o Senhor ter avisado pelo ministério de todos os seus servos, os profetas (v.23); advertindo a Israel e a Judá que eles voltassem dos seus maus caminhos e começassem a guardar todos os mandamentos e estatutos, segundo toda a Lei que o Senhor houvera prescrito aos pais por intermédio dos profetas (v.13). Mas, o que os israelitas fizeram? Não deram ouvidos, se tornaram obstinados e de dura cerviz e não creram no Senhor (v.14). Novamente a teoria do decreto incondicional de todas as coisas na eternidade passada defendida pelos hipercalvinistas recebe mais um duro golpe da Santa Escritura. Seria o Deus da Bíblia aquele que adverte e aconselha as pessoas a abandonarem seus pecados para não serem punidos, os conclamando a obediência aos santos mandamentos, para depois, em sua agenda secreta os obrigar de forma eficaz a cometerem toda a sorte de pecados gravíssimos e contra o próprio Deus para depois os punir e castigá-los pela desobediência que Deus havia decretado? Isso mais se parece com uma peça de teatro de terror em que o Santo Senhor planeja, executa e pune os pecados dos homens. Essa teoria só pode formar pessoas revoltadas contra o Senhor. Não faz sentido, pois os homens foram punidos por suas atitudes e isso é explicito no texto em destaque.

9. O profeta Isaias com seu ministério de 40 anos começa seu esplendoroso livro com um testemunho devastador. No capítulo 1 e verso 2 ele afirma enfaticamente: “Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o Senhor é quem fala: criei filhos, e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim”. Aqui, mais uma vez, o Senhor dos exércitos está dizendo que “eles estão revoltados contra mim”, contudo, seria até mesmo irracional pensarmos que Deus disse tal coisa e aceitasse-mos que Deus decretou eficazmente que os israelitas se “revoltassem contra ele”. No verso 4 Ele continua dizendo: “ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniqüidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para traz”. E ainda que eles estão em rebeldia (v. 5). Pensar que Deus determinou o que é mencionado nestes textos é contradizer o que o próprio Deus está asseverando de forma clara. Não foi Deus quem os fez estar em rebeldia, blasfemando “do Santo de Israel”, pois ele iria determinar que as pessoas blasfemassem contra ele mesmo? Isto é até ofensivo. O problema não encerra por ai. No verso 10, Deus compara os príncipes do seu povo a “Príncipes de Sodoma”. E o povo a “povo de Gomorra”, e ainda se queixa dos sacrifícios, afirma estar farto dos holocaustos de carneiros, da gordura de animais cevados e que nem se agrada do sangue de novilhos, cordeiros e bodes (v. 11); o incenso é abominação, as luas novas também, os sábados e as convocações das congregações, é aqui que Deus afirma algo muito contundente, quando relata: “não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”. Deus não suporta iniqüidade com o ajuntamento solene? Bem, segundo os calvinistas asseveram que Deus determina todas as ações, isso deve incluir este comportamento “pecaminoso, revoltoso e blasfemo” (v. 2, 4, 11, 13) da nação, apesar do fato de Deus estar lamentando abertamente que “não suporta iniqüidade”. Esse é o mesmo Deus que os determina? Claro que não! Porém, ele exige santidade e purificação (v. 16,17), e convida a todos ao arrependimento e a escolha quando fala: “se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o melhor desta terra. Mas, se recusardes, e fordes rebeldes sereis devorados a espada; porque a boca do Senhor o disse. Sião será redimida pelo direito, e os que se arrependem, pela justiça. Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o Senhor perecerão” (1. 19, 20, 27, 28). Devemos, portanto acreditar que Deus oferece direito de escolha a pessoas que não tem esse direito? Estaria Deus afirmando na Escritura “se quiserdes, se ouvirdes” a pessoas que ele sabe que não poderia “querer, ouvir, aceitar e recusar” as suas palavras? Estaria Deus asseverando: “escolha”, mas em sua agenda oculta sussurrando: “você não pode escolher, você só pode decidir o que eu já havia decidido por você”. Não é isso que a Santa Escritura está mostrando, mas justamente o contrário.

Estou, de fato, sendo muito resumido, mostrando apenas alguns trechos, dentre as centenas em toda a Bíblia que se chocam frontalmente com esta teoria filosófica do decreto de todas as coisas. Portanto, antes da conclusão quero deixar o profeta Ezequiel dar seu testemunho.

10. Ezequiel fora comissionado como atalaia de Israel (3.16-21; 33.1-9). A atalaia deveria ouvir da parte do Senhor e avisar os homens (v.17). O texto fala por si mesmo: “quando eu disser ao perverso: certamente morrerás; e tu não o avisares, e nada disseres para adverti-lo do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniqüidade, mas o teu sangue da tua mão o requererei. Mas, se avisares o perverso e ele não se converter da sua maldade e do seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu salvaste a tua alma” (3.18,19). Em primeiro lugar, se esse decreto de “todas as coisas” é verdadeiro, então: 1 – Deus decretou que o perverso seria “perverso”; 2 – que o profeta não avisaria e nem o advertiria do seu mau caminho, para lhe salvar a vida; 3 – que, esse perverso iria, de fato, morrer na iniqüidade, pelo profeta não tê-lo avisado; e 4 – o profeta seria requerido por Deus por não tê-lo avisado (v. 18). Ou, 1 – Deus decretou que o profeta o avisaria; 2 – decretou também que o perverso não iria se converter do seu mau caminho e da sua maldade; 3 – ele deveria morrer na sua maldade; 4 – Deus decretou que o profeta não seria requerido por tê-lo avisado (v.19). Mais uma vez o problema urge. Ainda que Deus esteja afirmando a responsabilidade pessoal de cada individuo, a teoria filosófica assevera, e assim devemos entender por não ter outra saída, que, tudo é o desejo de Deus. Porém, essa possibilidade só encontra respaldo na “agenda secreta” e não na Bíblia. Vamos analisar mais dois versículos: “também quando o justo se desviar da sua justiça, e fizer maldade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá; visto que não o avisaste, no seu pecado morrerá, e suas justiças que praticara não serão lembradas, mas o seu sangue da tua mão o requererei. No entanto, se tu avisares o justo para que não peque, e ele não pecar, certamente viverá, porque foi avisado; e tu salvaste a tua alma” (v. 20,21). Em segundo lugar e novamente, se esse decreto de todas as coisas for verdadeiro, então: 1 – Deus havia decretado que alguém seria justo e iria praticar justiças; 2 – no mesmo decreto estava a verdade de que este justo iria se desviar e iria fazer maldade e por causa disso, Deus iria colocar diante dele um tropeço (recompensa ou lei da semeadura e da colheita) e ele morreria; 3 – no decreto estaria incluído também que o profeta não o avisaria e por causa disso ele, o justo que se desviou, morreria no pecado; 4 – as justiças que Deus outrora havia determinado que ele praticara seriam esquecidos; 5 – o profeta seria requerido por não tê-lo avisado, apesar do fato de que se o profeta não o avisou, e o decreto é de fato “de todas as coisas”, então, Deus havia decretado que ele não o avisasse, mas, mesmo assim iria requerer do profeta por não ter avisado (v.20). Isso mais se parece com uma cena de teatro de fantoches. Ou então, 1 – Deus decretou que o profeta avisaria o justo para que não peque; 2 – no mesmo decreto deveria estar o fato de que ele não pecaria exatamente porque foi avisado e viveria; 3 – o profeta não seria requerido (v. 21). Esta teoria traz mais problemas do que soluções em textos claros como estes. Roger Olson menciona que quando Calvino afirmou que tanto nas Escrituras quanto na tradição cristã “se afirma que Deus ordenou desde a eternidade quem iria acolher com amor e quem seria objeto de sua ira”. Ele identificou um conflito aparente entre essa doutrina e 1 Timóteo 2.3-4 e 2Pedro 3.9, que sugerem a vontade universal de Deus para a salvação. A solução de Calvino foi postular a dupla vontade de Deus, sendo uma delas revelada e outra secreta. A vontade revelada de Deus oferece misericórdia e perdão a todos que se arrependerem e crerem. A vontade secreta de Deus predestina alguns à perdição eterna e determina que eles pecarão e nunca se arrependerão.[13] Algo que fere de forma irreversível o caráter moral de Deus.

Curiosamente, e contra todas as possibilidades desta teoria apresentada, podemos encontrar calvinistas “supralapsarianos” escrevendo como verdadeiros arminianos. Nada mais, nada menos que Arthur W. Pink, no artigo “A Cruz e o Eu”, publicado na revista “Fé para Hoje”, número 26, do ano de 2005, página 27, o qual ele discorre sobre o texto de Mateus 16.24 que diz: “Então disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si se negue, tome a sua cruz e siga-me”. Passarei a mencionar suas próprias palavras. Ele afirma que “necessita fazer algumas considerações sobre os termos”. E prossegue, 1 - “se alguém – o termo utilizado refere-se a todos os que desejam unir-se ao grupo de seguidores de Cristo e alistar-se sob a bandeira dEle”. Note, a principio que ele, Pink, fala de pessoas que ainda não seguem a Cristo, pois estes “desejam unir-se” ao grupo de seguidores. Depois continua 2 - “se alguém quer – o grego é muito enfático, significando não somente a anuência da vontade, mas também o propósito completo do coração, uma resolução determinada”. 3 – “vir após mim – como um sujeito ao seu Senhor, um aluno ao seu mestre, um soldado ao seu capitão”. 4 – “negue – o vocábulo grego significa negue-se completamente. Negue-se a si mesmo - a sua natureza pecaminosa e corrupta”. 5 – “tome – não quer dizer passivamente, e sim assuma voluntariamente, adote ativamente”. Podemos perceber que a “vontade” humana não pode ser disfarçada dentro da Santa Escritura, mas assumida de forma incondicional. Porém, a tensão e a contradição parecem teimar em permanecer, pois, nada deve depender da vontade, mas do decreto de Deus e se isso for verdade, essas palavras de Pink também não têm importância, como os dez textos analisados acima. Se o “decreto incondicional de todas as coisas na eternidade passada” é verdadeiro, o que devemos fazer de textos como esses? Estaria Deus zombando de sua criação? Tudo seria apenas uma grande peça de teatro em que fantoches sem vontade estariam sendo manipulados ou usando uma vontade inverídica? Estaria Deus ordenando que a salvação seja pregada a pessoas que nunca poderiam sequer desejar recebê-la? Estaria Deus urgindo ameaças, conselhos e mandamentos a pessoas que não poderiam evitar cometer o que estão cometendo ou obedecer? O Deus apresentado pelo calvinismo seria o mesmo da Bíblia ou poderia mais se parecer com o apresentado pelo Islamismo ou pelo Panteísmo “mutilado” de Hitler? Deus, por sua vez afirma: “não tenho falado em segredo...falo a justiça, e proclamo o que é reto” (Is 54.19). Erasmo reconhecia e usou isto contra Lutero em seu debate sobre o livre-arbítrio: “Se não está dentro da capacidade de todo homem cumprir o que é comandado, todas as exortações nas Escrituras, e todas as promessas, ameaças, repreensões, censuras, abjurações, bençãos, maldições e os inúmeros preceitos, são necessariamente inúteis.” [14]. Deus exigiria de suas criaturas aquilo que não os capacitassem a realizar! A condenação pressupõe desobediência real.

Concluo esta breve análise usando um pensamento do grande Pastor Metodista John Wesley: “Ele não punirá ninguém por fazer qualquer coisa que não poderia possivelmente evitar, nem por omitir qualquer coisa que não poderia possivelmente fazer. Toda punição supõe que o ofensor poderia ter evitado a ofensa pela qual ele é punido. De outra forma, puni-lo seria claramente injusto, e inconsistente com a característica de Deus nosso Governador” [15]. A suposta “agenda oculta” de Deus é uma verdadeira utopia sendo verdadeiro o que a Bíblia fala, portanto, esse possível decreto calvinista é naturalmente falso, pois sabemos que Deus é, de fato Soberano, mas que também existem coisas que Ele não pode fazer, como mentir, errar, pecar, negar-se a si mesmo, se contradizer, dissimular ou mudar, pois estas ações ferem o caráter moral de Deus.

Verso final para reflexão com trechos em letras garrafais:

Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó. (Jó 42:7,8).

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Notas:

 

[1] – Susanna Wesley, citadoem A. W. Harrison, Arminianism (Londres: Duckworth, 1937), p. 189.”.Citado no livro “O Outro Lado do Calvinismo” de Laurence M. Vance;

[2] - John S. Feinberg, “Deus Decreta Todas as Coisas,” Predestinação e Livre-Arbítrio, ed. David Basinger e Randall Basinger (São Paulo: Mundo Cristão, 2000), 34. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[3] - Augustus Toplady, prefácio, Zanchius, Absolute Predestination, 14. Esta é parte de uma citação do “Sermão sobre a Providência, a partir de Mt 10.29, 30” do bispo Hopkins. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[4] - Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination (Grand Rapids: Eerdmans, 1932), 13. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[5] - Berkhof, Systematic Theology, 100. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[6] – Pink, Deus é Soberano, 84.

 

[7] - R. C. Sproul, “Discerning the Will of God,” Our Sovereign God, ed. James M. Boice (Grand Rapids: Baker, 1977), 105. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[8] - Herman Bavinck, The Doctrine of God, ed. e tr. William Hendriksen (Grand Rapids: Eerdmans, 1951), 371. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[9] - C. Samuel Storms, The Grandeur of God (Grand Rapids: Baker, 1984), 80. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;

 

[10] – Geisler, Norman. Eleitos, mas livres. Ed. Vida, p. 155;

 

[11] Contudo, veja algumas contradições. Calvino afirmou que Adão caiu por sua vontade:

“Ora, está fora de propósito introduzir aqui a questão da predestinação secreta de Deus, uma vez que não está a tratar-se do que aconteceu ou não pôde acontecer, mas, ao contrário, de qual foi a natureza do homem. Portanto, Adão podia manter-se, se o quisesse, visto que não caiu senão de sua própria vontade. Entretanto, já que sua perseverança era flexível, por isso veio tão facilmente a cair. Contudo, a escolha do bem e do mal lhe era livre. Não só isso, mas ainda suma retidão havia em sua mente e em sua vontade, e todas as partes orgânicas estavam adequadamente ajustadas à sua obediência, até que, perdendo-se a si próprio, corrompeu todo o bem que nele havia.” [Institutas da Religião Cristã, Vol I, versão clássica, p. 196].

Mas no Vol III escreveu que:

“Negam que subsista em termos explícitosque por Deus foi decretado que Adão perecessepor sua apostasia. Como se realmente esse mesmo Deus, que a Escritura proclama “fazer tudo quanto quer” [Sl 115.3], haja criado a mais nobre de suas criaturas com um fim ambíguo! Dizem que foi apanágio do livre-arbítrio que ele próprio dispusesse seu destino; Deus, porém, não destinou nada, senão que o tratasse conforme seu mérito. Se tão insípida invenção for aceita, onde estará aquela onipotência de Deus pela qual, segundo seu conselho secreto, o qual de nenhuma outra coisa depende, a tudo governa e regula?” [Institutas da Religião Cristã, Vol III, versão clássica, p. 416].

É uma contradição explícita? Quem poderia se manifestar sobre isso? Adão caiu por sua vontade ou foi decretado por Deus que perecesse por sua apostasia?Como Adão poderia manter-se se o quisesse? [citação 1] se por Deus foi decretado que Adão perecesse por sua própria apostasia? [citação 2].

Mas agora vem outra afirmação de Calvino:

“Por isso mesmo, se existe razão para queixa, ou justa ou ilusória, compete à predestinação. Nem deve parecer absurdo o que digo: Deus não só viu de antemão a queda do primeiro homem e nela a ruína de sua posteridade, mas também as administrou por seu arbítrio. Pois, como pertence à Sua sabedoria ser presciente de todas as coisas que haverão de acontecer, assim cabe ao seu poder com sua mão a tudo reger e regular.” [Institutas da Religião Cristã, Vol III, versão clássica, p. 416].

 

[12] De fato o próprio Calvino defendeu que Deus incita os criminosos aos crimes:

“Consideremos, pois, quão inadequada é sua argumentação: querem que os crimes de seus autores sejam impunes, porquanto não são cometidos senão pela administração de Deus.Eu concedo mais: os ladrões e os homicidas, e os demais malfeitores, são instrumentos da divina providência, dos quais o próprio Senhor se utiliza para executar os juízos que ele mesmo determinou. Nego, no entanto, que daí se deva permitir-lhes qualquer escusa por seus maus feitos.” [Institutas da Religião Cristã, Vol. I - versão clássica, p. 217];

A ideia é que Deus incita os criminosos a cometerem crimes e os culpa e condena por isso. Veja o que Calvino afirma em outra passagem:

“Uma questão mais difícil emerge de outras passagens, onde se diz que Deus, a seu arbítrio, verga ou arrasta todos os réprobos ao próprio Satanás. Pois o entendimento carnal mal pode compreender como, agindo por seu intermédio, Deus não contraia nenhuma mácula de sua depravação; aliás, em uma ação comum, seja ele isento de toda culpa, e inclusive condene, com justiça, a seus serventuários. Daqui se engendrou a distinção entre fazer e permitir, visto que esta dificuldade a muitos pareceu inextricável, ou, seja, que Satanás e todos os ímpios estão de tal modo sob a mão e a autoridade de Deus, que este lhes dirige a malignidade a qualquer fim que lhe apraz e faz uso de seus atos abomináveis para executar seus juízos. E talvez fosse justificável a sobriedade destes a quem alarma a aparência de absurdo, não fora que, sob o patrocínio de uma inverdade, de toda nota sinistra tentam erroneamente defender a justiça de Deus.” [Institutas da Religião Cristã, Vol. I - versão clássica, p. 229].

[13] OLSON, Roger. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradições e reformas. (Tradução Gordon Chown). São Paulo: Editora Vida, 2001, p. 421

 

[14] - Ronald VanOverloop, “Calvinism and Missions: 1. Total Depravity,” Standard Bearer, 15 de setembro de 1992, p. 493. citado no livro “o outro lado do calvinismo”;

 

[15] - John Wesley, citado em Wood, p. 211 e disponível no livro “o outro lado do calvinismo”.

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terça-feira, 10 de novembro de 2020

Algumas heresias dos Adventistas do sétimo dia


A segunda vinda de Cristo segundo os ASD 


A história dos ASD está ligada a William (Guilherme) Miller, que desempenhou papel proeminente no início do Movimento do Advento na América, o qual fixou a data de 23 de março de 1843 para a vinda de Cristo à Terra, estabelecendo a seguinte doutrina: 

a) que Cristo voltaria de maneira pessoal e visível nas nuvens do céu, por volta do ano de 1843; 

b) que os justos ressuscitariam incorruptíveis e os vivos seriam transformados para a imortalidade, sendo levados para reinar com Cristo na "nova terra"; 

c) que a terra seria destruída pelo fogo; 

d) que os ímpios seriam destruídos, e seus espíritos, conservados em prisão até sua ressurreição e condenação; 

e) que o milênio ensinado na Bíblia eram os mil anos que se seguiriam à ressurreição. 

Nada acontecendo no dia marcado, mudou-se a data para 22/10/1844 (Fundadores da Mensagem, p. 39). A segunda data também passou e a volta de Cristo não aconteceu. Ora, é possível imaginar o escárnio generalizado para com os seguidores de Miller diante do escandaloso fracasso profético, mesmo porque não há necessidade de um conhecimento profundo da Bíblia para saber que o dia da volta de Cristo não foi revelado a ninguém (Mt 24.36; Mc13.31; At 1.7). 


O cálculo do dia do arrebatamento


 Como William Miller chegou à data de 23 de março de 1843? 

(Posteriormente Samuel Snow, um seguidor de Miller, mudou a data para 22 de outubro de 1844). Tudo foi baseado em Daniel 8.14, num estudo realizado de forma errônea desde o princípio e que levou à seguinte interpretação: 

a) o santuário era a terra; 

b) a purificação se faz pelo fogo; logo, a terra seria purificada pelo fogo da vinda de Jesus (2 Pe 3.9,10); 

c) as 2.300 tardes e manhãs foram interpretadas como dias (não literais, mas sim dias proféticos) valendo cada dia um ano (com base em Nm 14.34 e Ez 4.6); 

d) o ponto de partida era o ano de 457 a.C. (com base em Dn 9.25 e Ed 7.11-26); 

e)quando não se deu a volta de Jesus em 1843, aumentou-se um ano. considerando que tinham decorrido apenas 2.299 anos de 457 a.C. até 1843, ficando assim 22/10/1844 como a data definitiva. 

 

 A interpretação correta de Daniel 8.14


 A interpretação correta de Daniel 8.14 (―E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs: e o santuário será purificado”) é a seguinte:

 a) o carneiro com duas pontas (v. 3) representava o rei da Média e Pérsia (v. 20);

 b) o bode (v. 5) representava o rei da Grécia (v. 21); 

c) a derrota que o bode (rei da Grécia) infligiu ao carneiro (Média e Pérsia, v. 7,8) representava a vitória da Grécia sobre a Média e Pérsia; 

d) a quebra da ponta notável e o surgimento das outras quatro pontas do bode (v. 8) indicam a morte de Alexandre, o Grande, e a posterior divisão do seu reino entre seus quatro generais (v. 22); 

e) a ponta pequena que saiu de uma das pontas (v. 9 –um rei feroz de cara - v. 23 

f), é Antíoco Epifânio (v. 11, 12); f) Antíoco Epifânio, governador da Síria entre 175 e 164 a.C., profanou o santuário (v. 11) e substituiu os sacrifícios prescritos na Lei por sacrifícios pagãos (para maiores detalhes veja a narração que se faz em 1 Macabeus 1.21-24; cf. Nm 28.1- 3); 

g) o santuário foi purificado depois de 1.150 dias, ou seja, 2.300 tardes e manhãs (1 Macabeus 4.36-58). 

Entretanto, os seguidores de Miller não quiseram aceitar tal interpretação do texto de Daniel 8.14. No dia seguinte ao fracasso profético (o grande desapontamento), surgiu Hiran Edson, dizendo ter tido uma visão: "Vi, distinta e claramente, que nosso Sumo Sacerdote, em vez de sair do lugar santo do santuário celeste para vir à Terra do dia sétimo do sétimo mês ao fim de dois mil e trezentos dias, entrava naquele dia pela primeira vez no segundo compartimento do santuário e tinha uma obra a realizar no lugar santíssimo antes de voltar à Terra" (Administração da Igreja, p. 20). 

Com essa explicação foi contornada a tormenta, e os ASD prosseguem sua caminhada, apesar desta interpretação do Santuário Celestial ter originado duas heresias perniciosas para uma seita que se ufana de ser a Igreja Remanescente.  


Extraido da obra Desmascarando as seitas (Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro, pp 9-12.)


Por 

Edson Moraes

sábado, 3 de agosto de 2019

OS ADVENTISTAS E A DOUTRINA HERÉTICA DO MINISTÉRIO DE CRISTO NO SANTUÁRIO CELESTIAL (JUÍZO INVESTIGATIVO)

POR LEONARDO MELO
INTRODUÇÃO.
Através dos séculos nosso adversário, Satanás sempre se empenhou em desconstruir tudo quanto é ligado á Deus e o seu Reino. Na sua empreitada maligna, o adversário sempre priorizou como alvo, se ele pudesse: tornar Deus semelhante as suas criaturas; desacreditar Jesus Cristo como sendo Deus; isto é, humanizá-lo; igualmente negar o Espírito Santo como sendo Divino ou seja, que é o próprio Deus, e induzir o homem a corromper os ensinamentos contidos na Palavra de Deus através do espírito de engano, cf. Gn. 3.1 [ ..., É ASSIM QUE DEUS DISSE:...]. esta pergunta da serpente usada por Satanás até hoje ecoa nos ouvidos de muitos que se dizem cristãos, mas que a recepcionaram, e consequentemente botaram em prova a veracidade das Sagradas Escrituras. E, assim surgiram, seduzidos por seus orgulhos teológicos e influenciados por satanás, os falsos mestres e falsos pastores, que disseminam suas heresias, apostatando assim da verdadeira doutrina e fé em Jesus Cristo, corrompendo assim e defraudando os ensinamentos das Sagradas Escrituras falsos ensinos, cf. Mt. 24.11,24; II Ts. 2.1; I Tm. 4.1-2; II Pe.2.1; ss.
Não é por acaso que Jesus em sua oração sacerdotal pede ao Pai que seus discípulos guardem o vínculo da Unidade, a Koynonia entre eles, cf. Jo. 17.11, 20-24. Sabia o Mestre que uma das armas que o inimigo iria utilizar contra sua Igreja seria influenciar os membros para provocar desunião, discórdia entre o Corpo de Cristo, a Igreja. Pois, , como o próprio Jesus afirmou que um reino dividido contra sí mesmo não subsiste. É o que está escrito nos Sinóticos, cf. Mt. 12.25-26; Lc. 11.17-18; Mc. 3.24-26, e Hb. 12.28. Se analisarmos de maneira geral como deu-se o surgimento das seitas, perceberemos que as mesmas vieram basicamente de divisões onde seus líderes eram membros ou de uma falsa interpretação da Palavra de Deus. Jesus, portanto, conhecia tanto o preço como a dificuldade em manter a unidade, todavia, haveria divisões, insurgências contra as lideranças, divergências doutrinárias, enfim, heresias, surgiriam os apóstatas.
Não é diferente com os sabatistas, que pregam o engano por trás de um ar de piedade e humildade dos seus líderes, verdadeiros lobos em pele de cordeiro como afirmou Jesus: Mt. 7.15; Jo. 10.12; At. 20.29; ss. Pregam um pseudo-evangelho tendo como foco principal a doutrina acerca do sábado, e não ensinam sobre os demais credos que fazem parte da sua base doutrinária, tais como, juízo investigativo, o sono da alma, a aniquilação do ímpio e Valorizam exacerbadamente os escritos e ensinos da profetisa Ellen Gould White.
O ENGANO DO JUÍZO INVESTIGATIVO PREGADO PELA IGREJA DVENTISTA DO SÉTIMO DIA.
Conforme seu Credo Doutrinário disponibilizado na página oficial na internet: Declaração Oficial de Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do sétimo dia – IASD, https://www.adventistas.org.pt/…/declaracao-oficial-de-cren…, acesso em 01 de agosto de 2019, em relação ao seu escopo doutrinário, eles declaram crer no ministério de Cristo no Santuário Celeste. Na íntegra a declaração de fé professada pelos adventistas:
- O Ministério de Cristo no Santuário Celestial
como nosso Sumo Sacerdote e começou o Seu ministério intercessório Existe um santuário no céu, o verdadeiro santuário que o Senhor fez e não o homem. Nele Cristo ministra em nosso favor, tornando disponível aos crentes, os benefícios do seu sacrifício expiatório oferecido uma vez por todas na cruz. Ele foi investido na altura da sua ascensão. Em 1844, no fim do período profético dos 2300 dias, Ele entrou na segunda e última fase do Seu ministério expiatório. É uma obra de juízo investigativo que faz parte de uma derradeira tendência de todo o pecado, tipificado pelo serviço de purificação do santuário hebraico no Dia da Expiação. Nesse serviço típico, o santuário era limpo com o sangue de sacrifícios animais que, mas o santuário celestial é purificado com o sacrifício perfeito do sangue de Jesus. O juízo investigativo revela aos seres celestiais, quem entre os mortos dormiram em Cristo e, por isso, n’Ele considerados dignos de participar na primeira ressurreição. Também torna claro quem entre os vivos estão em comunhão com Cristo, guardando os mandamentos de Deus e a fé de Jesus e, n’Ele estão preparados para a trasladação para o Seu reino eterno. Este juízo reivindica a justiça de Deus em salvar todos os que crêem em Jesus. Declara também que aqueles que permaneceram fiéis a Deus receberão o reino. O término deste ministério de Cristo vai marcar o fim do tempo de prova do ser humano antes da Segunda Vinda. (Hebreus 8:1-5; 4:14-16; 9:11-28; 10:19-22; 1:3; 2:16, 17; Daniel 7:9-27; 8:13, 14; 9:24-27; Números 14:34; Ezequiel 4:6; Levítico 16; Apocalipse 14:6, 7; 20: 12; 14:12; 22;12). Acessado em 01 de agosto de 2019 no site oficial da Seita.
Essa é uma das posições oficial em relação as crenças fundamentais que defendem os adventistas, especificamente sobre “O Ministério de Cristo no Santuário Celestial”, exposto anteriormente. Este credo é a doutrina incompleta da redenção defendida e aceita pelos primeiros líderes da Seita e que se perpetua até hoje. O americano Hiram “Edson, segundo relatos da história reuniu um grupo em sua casa dizem no dia 22 de outubro de 1844, para aguardar o aparecimento de Cristo em glória. Edson declarou que vários crentes se haviam reunido em seu celeiro na madrugada do dia 23 de outubro de 1844, os quais oravam pedindo que “Deus não os desertasse … nessa hora de aflição …”. Naquela mesma manhã, Edson recebeu a revelação sobre a obra de Cristo no santuário celestial que explicava o desapontamento — Jesus tinha uma obra de purificação a efetuar no lugar santíssimo antes de retornar em poder e glória. Edson foi direcionado a compreender que a experiência dos Mileritas era um cumprimento da profecia de João em Apocalipse 10:9: “certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel.”, em seguida Edson realizou uma conferência sobre o tema do “Santuário” em Port Gibson, EUA, e na ocasião, onde participou irmão Bates, Hellen G. White foi convidada com o marido, porém, não compareceu. Foi nesta conferência que foi definida a guarda do sábado e a doutrina do Santuário”, cf. https://www.adventistas.org/…/pionei…/hiram-edson-1806-1882/,
“Segundo, Hellen G. White, o céu é a réplica do santuário típico sobre a terra, com seus dois compartimentos: o lugar santo e o santo dos santos. No primeiro compartimento do santuário celeste Cristo intercedeu durante dezoito séculos em prol dos pecadores penitentes, entretanto, seus pecados permaneciam ainda no livro de registro. ‘A expiação de Cristo 
permanecera inacabada. Havia uma tarefa a ser realizada ainda, a saber ; a remoção de pecados do santuário no céu”, segundo, (BAALEN. 1989. Pg. 152-153)

REFUTAÇÃO APOLGÉTICA.
Há um erro doutrinário crasso na doutrina adventista sobre o Ministério de Cristo no Santuário Celeste, analisemos: “depois que Miller falhou ao proferir a profecia sobre a volta de Jesus Cristo, tendo como referencial Dn. 8.13-14, então criou-se a doutrina de que Cristo ao invés de vir á terra, entrou no santuário celeste em 1844, para purificação dos pecados. A Sra. Hellen G. White escreve “ a tarefa do juízo investigação e do perdão de pecados há de terminar antes da segunda vinda de Cristo, posto que os mortos hão de ser julgados na base das coisas escritas nos livros. , pois, é impossível que os pecados dos homens sejam riscados ou perdoados, senão depois do juízo, ao final de 2300 dias, em 1844 ( começou o trabalho de investigação e de perdão de pecados)”, (MELO. s/d. pg. 28)
Todavia, está de maneira clara na Palavra de Deus que a obra de Cristo, nesse período da graça é de intercessão e não de purificação, cf. Hb. 7.25, além de que Jesus fez a purificação dos pecados, cf. Hb. 1.3; 9.23-28, e que Jesus já entrou no santuário celeste quarenta dias após sua ressurreição, cf. At. 1.11; 7.55; Ef. 4.10, ss. E a sua obra redentora foi completa
Ainda, conforme, (SOARES. 2014. Pg. 297), “Jesus Cristo entrou no santuário celestial quando subiu ao céu e não em 1844”. O Senhor Jesus assentou-se á destra da Majestade de Deus nas alturas, quando foi assunto ao céu, cf. Hb. 1.3; 6.19-20; 10.19-20, Isto é, “A obra de redenção foi realizada na cruz do Calvário e foi completa, não existe espaço na Bíblia para essa doutrina adventista. Jesus disse: está consumado, cf. Jo. 19.30 e isso fala da obra de redenção, compare, “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles”, Hb. 7.25.
Jesus Cristo é o nosso Sumo-Sacerdote perfeito que realizou um sacríficio eficaz de valor eterno e imutável, cf. Hb. 2.17; 3.1; 4.14-15; 5.5,10; 6.20; 7.26-28; 8.1; I Pe. 5.4; I Co.13.10, ss. Enfim, podemos afirmar que “Cristo já fez completamente a purificação dos pecados, cf. Hb. 1.3; 9.23-28, uma vez morrendo para consumar a obra salvífica dos pecadores para que eles tivessem livre á presença de Deus no santuário. Cristo realizou um sacríficio expiatório aceitável, que inclusive purificou perfeitamente o próprio santuário”, (MARTINS. 2015. Pg. 72), cf. Mt. 1.21; 26.28; Lc.3.3; At. 2.38; Rm. 2.16; I Jo. 2.1; Ap.1.5; ss. Amém.
FONTE.
1. https://www.adventistas.org.pt/…/declaracao-oficial-de-cren…, acesso em 01 de agosto de 2019, site oficial.

2. https://www.adventistas.org/…/pionei…/hiram-edson-1806-1882/, acesso em 01 de agosto de 2019. Site oficial.
3. BAALEN, Jan Karel Van. O Caos das Seitas. S. Paulo. Imprensa Batista Regular. 1989. 312 pg.
4. MARTINS, Jaziel Guerreiro. Seitas-Heresias do Nosso Tempo. A.D. Santos Editora. PR.-Curitiba. 2015. 176 pg.
5. MELO, Édino. 100 respostas Bíblicas para o Adventismo e Sabatismo. Transcultural editora. S. Paulo. s/d. 39 pg.
6. SOARES, Esequias. Manual de Apologética Cristã. CPAD. R.J. 2014. 380 pg.
7. CRISTIANI, M.. Breve História das Heresias. Livraria e editora Flamboyant. 1962. 130 pg.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

HERESIA: O SANTUÁRIO CELESTIAL

No livro “O CONFLITO DOS SÉCULOS”, da escritora Ellen Gould White, temos a afirmação de que a obra de Cristo para redenção do homem não foi concluída na cruz:


“Durante dezoito séculos este ministério continuou no primeiro compartimento do santuário. O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai; contudo, ainda permaneciam seus pecados nos livros de registro. Como no serviço típico havia uma expiação ao fim do ano, semelhantemente, antes que se complete a obra de Cristo para redenção do homem, há também uma expiação para tirar o pecado do santuário. Este é o serviço iniciado quando terminaram os 2.300 dias. Naquela ocasião, conforme fora predito pelo profeta Daniel, nosso Sumo Sacerdote entrou no lugar santíssimo para efetuar a última parte de Sua solene obra — purificar o santuário” (p. 420).
O que envolve essa conclusão da obra redentora de Cristo?
“E como a purificação típica do santuário terrestre se efetuava mediante a remoção dos pecados pelos quais se poluíra, igualmente a purificação real do santuário celeste deve efetuar-se pela remoção, ou apagamento, dos pecados que ali estão registrados. Mas antes que isto se possa cumprir, deve haver um exame dos livros de registro para determinar quem, pelo arrependimento dos pecados e fé em Cristo, tem direito aos benefícios de Sua expiação. A purificação do santuário, portanto, envolve uma investigação — um julgamento. Isto deve efetuar-se antes da vinda de Cristo para resgatar Seu povo, pois que, quando vier, Sua recompensa estará com Ele para dar a cada um segundo as suas obras. (Apocalipse 22:12). Destarte, os que seguiram a luz da palavra profética viram que, em vez de vir Cristo à Terra, ao terminarem em 1844 os 2.300 dias, entrou Ele então no lugar santíssimo do santuário celeste, a fim de levar a efeito a obra final da expiação preparatória à Sua vinda” (O CONFLITO DOS SÉCULOS, p. 421).
Quando, finalmente, a obra redentora de Cristo estará concluída?
"Como o sacerdote, ao remover do santuário os pecados, confessava-os sobre a cabeça do bode emissário, semelhantemente Cristo porá todos esses pecados sobre Satanás, o originador e instigador do pecado. O bode emissário, levando os pecados de Israel, era enviado 'à terra solitária', de igual modo, Satanás, levando a culpa de todos os pecados que induziu o povo de Deus a cometer, estará durante mil anos circunscrito à Terra, que então se achará desolada, sem moradores, e ele sofrerá finalmente a pena completa do pecado nos fogos que destruirão todos os ímpios. Assim, o grande plano da redenção atingirá seu cumprimento na exumação final do pecado e no livramento de todos os que estiverem dispostos a renunciar ao mal" (ldem, pág 1).
Quando os ASD estarão definitivamente livres de seus pecados, ou melhor dizendo, quando seus pecados serão CANCELADOS? A resposta é dada pela Sra. Ellen G. White no livro O CONFLITO DOS SÉCULOS, p. 487:
“Todos os que verdadeiramente se tenham arrependido do pecado, e que pela fé hajam reclamado o sangue de Cristo, como seu sacrifício expiatório, tiveram o perdão aposto ao seu nome nos livros do Céu, tornando-se eles participantes da justiça de Cristo, e verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a lei de Deus, seus pecados serão riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna. O Senhor declara pelo profeta Isaías: “Eu, eu mesmo sou O que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro". Isaías 43:25”.
Rapidamente, damos a contestação a essa doutrina esdrúxula, da obra da redenção incompleta de Cristo, e de Satanás como aquele que é o protótipo do bode emissário, sobre quem os pecados dos remidos serão finalmente colocados para CANCELAMENTO TOTAL deles.
Os ASD estão realmente errados ao sustentarem tal ensino, não das Escrituras, mas de Ellen Gould White, pois:
1) O lugar onde Jesus entrou depois de sua ascensão aos céus (At. 1:9-11) foi o lugar santíssimo do santuário celestial:
Hb. 6:19-20: “a qual temos por âncora da alma, segura e firme, e que penetra além do véu, aonde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
Hb. 6:19-20: “temos essa esperança como âncora para os nossos corações. Ela é firme e segura e vai até o Santíssimo Lugar, que fica atrás da cortina do céu. Foi lá que Jesus entrou, antes de nós e para o nosso bem. E ele se tornou para sempre o Grande Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque”.
Ex. 26:31-34: “Faça uma cortina de tecido feito de linho fino e de fios de lã azul, púrpura e vermelha e bordada com figuras de querubins. Pendure essa cortina em quatro postes de madeira de acácia revestidos de ouro, que terão prendedores de ouro, e serão fixados em quatro bases de prata. Pendure a cortina debaixo dos prendedores e atrás da cortina ponha a arca do acordo, onde estão as duas placas de pedra. A cortina separará o Santo Lugar do Santíssimo Lugar. Ponha a tampa na arca do acordo, no Santíssimo Lugar. Fora do Santíssimo Lugar ponha a mesa no lado norte da Tenda e coloque o candelabro no lado sul”.
2) A obra da redenção de Cristo, em favor dos pecadores, foi concluída na cruz e, consequentemente, o CANCELAMENTO de nossos pecados quando O recebemos como Salvador único e pessoal:
Hb. 1:3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas”.
O sacrifício de Cristo não se repete, é perfeito e eficaz:
Hb. 9:11—13: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.
3) Além disso, Cristo é conhecido na Bíblia como Sumo Sacerdote e não como sacerdote. O sacerdote entrava no lugar santo, enquanto que o Sumo Sacerdote entrava no santo dos santos ou santíssimo do santuário no Dia da Expiação:
Hb. 7:26-28: “Com efeito nos convinha um SUMO Sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro por seus próprios pecados, depois pelos do povo: porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu, porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre”.
4) O bode emissário não é protótipo de Satanás, pois:
a) Lev. 16:8: “os dois bodes deviam ser sem defeito”. Se um era representante de Satanás, é ele sem defeito?
b) Lev. 16:5,10,20 os dois bodes deviam fazer expiação pelos pecados. Fez Satanás expiação pelos pecados? (Jo. 1:29; 1Pe. 2:24).
c) Se o bode emissário não representa Satanás, quem ele representa? Basta comparar Lev. 16:22 com Is. 53:11. Basta comparar Lev. 16:21 com Is. 53:6-12; At. 8:32-35. Neste último texto Felipe aplicou a Jesus Isaías cap. 53, que assim cumpre as características de Lev. 16. É possível entender que Cristo como sumo sacerdote (Hb.2:17) CONFESSARÁ os pecados para o bode emissário (Satanás) (Lev. 16:21) ??? Os bodes representam as duas fases da obra de Cristo: perdão (morte do 1º) e remoção (2º) dos pecados, resultado da morte.
Logo, o ensino do sono da alma é indiscutivelmente importante para os ASD poderem sustentar esse ensino herético de Ellen G. White, de que a obra da redenção está incompleta (Juízo Investigativo) e que só estará concluída quando Cristo voltar para CANCELAR os pecados e lançá-los sobre Satanás (o bode emissário). Enquanto isso o SONO DA ALMA...
Nota: Extraído do Livro: Imortalidade Condicional ou Sono da Alma – Pr. Natanael Rinaldi.
Por Nivaldo Gomes.