Por
Walson Sales
Toda
a controvérsia gira em torno da soberania Divina e do Livre-Arbítrio humano. A
escola reformada “consistente” defende que Deus “inicia e executa” todas as
coisas, não tendo, portanto, o homem iniciado nada, absolutamente, sejam boas
ou más ações. Quando se trata das ações malévolas e destrutivas,
especificamente, uma escola de pensamento teológico moderno, conhecida como
Neopentecostalismo, afirma que tudo de “ruim” que acontece é culpa do Diabo. Em
sentido geral, observando estas duas vertentes, pelo menos no que se refere às
mazelas e crimes cometidos pelo homem, este não é o responsável: a culpa é “ou
de Deus ou do Diabo”! Nunca do homem, que é apenas o meio, pelo menos podemos
entender isso interpretando o que afirmam os expositores de ambos os lados, de
forma geral.
Já
que a minha intenção aqui não é observar o Neopentecostalismo, que por si
mesmo, na vida prática se “auto-refuta”, me propus a analisar a primeira escola
de pensamento que defende o “Decreto Incondicional” de Deus de “todas as coisas”,
comparando com alguns trechos da Escritura. Os defensores do “Decreto
Incondicional” de Deus são conhecidos como “Hipercalvinistas Supralapsarianos”.
Segundo alguns, eles são hipercalvinistas pelo fato de serem “mais” calvinistas
que João Calvino. De acordo com outros, utilizam de forma “demasiada” o
pensamento do reformador francês. Conhecidos como “supralapsarianos” por
defenderem que Deus decidiu “tudo” na eternidade passada, inclusive antes da
queda de Adão. Note, a principio que se esta linha de raciocínio estiver certa,
então, Deus decretou a queda, e isso coloca Deus como o autor do pecado,
conforme entendia Suzana Wesley, a mãe do grande pregador Metodista John
Wesley, em uma carta escrita enquanto este estava em Oxford, ela escreveu: “a
doutrina da predestinação, como sustentada pelos rígidos calvinistas, é muito
repugnante, e deve ser completamente abominada, porque ela acusa o mais Santo
Deus de ser o autor do pecado”[1]. Fatalismo puro! Vamos a algumas citações dos
próprios calvinistas:
“Os
calvinistas em geral são deterministas” [2];
O
decreto compreende “tudo quanto acontece”, Confissão de fé de Westminster [III:
1];
Outro
expositor afirma sobre o pardal que “a toda sábia providência (de Deus)
anteriormente estabeleceu que galho ele irá escolher, que grãos ele irá pegar,
onde ele irá se abrigar, e onde ele irá construir; no que ele irá viver, e
quando ele irá morrer”, além do mais Deus guia a movimentação das “moléculas e
átomos que vagam para cima e para baixo em um raio de sol” e que “nem uma
partícula de pó voa em uma estrada batida a não ser que Deus a levanta, conduza
seu movimento incerto, e por seu cuidado, particular, a transporta ao devido
lugar que Ele anteriormente designou para ela” [3];
Loraine
Boettner declara ainda que “O “todo abrangente decreto,” inclui tudo no curso
da natureza e do “curso da história até os seus menores detalhes.” Isto deve
incluir todas as decisões humanas, até mesmo as pecaminosas. [4];
Berkhof
diz que, “A teologia reformada enfatiza a soberania de Deus em virtude da qual
Ele soberanamente determinou desde toda a eternidade tudo o que irá
acontecer.”[5];
Arthur
W. Pink afirma que “Tudo quanto há de ser... Ele, por Si mesmo, já o determinou
desde a eternidade”[6];
Sproul
dá sua contribuição asseverando que “o que queremos dizer por vontade soberana
ou eficaz de Deus é aquela determinação pela qual Deus soberanamente deseja que
algo venha a ocorrer que, por conseguinte, de fato ocorre pela absoluta
eficácia, força ou poder dessa vontade” [7];
Um
outro defensor declara “a resposta final a pergunta por que uma coisa é e
porque ela é como ela é deve sempre permanecer: ‘Deus a quis’, de acordo com a
sua soberania absoluta” [8];
Portanto,
se o “decreto” é eficaz e determinista, o “livre-arbítrio humano é um mito”[9],
pois este decreto deve, necessariamente, incluir as decisões humanas, inclusive
as pecaminosas, então, o Deus Santo da Bíblia torna-se o autor do pecado e um
ser que diz “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Passarei a
mencionar duas experiências narradas por Norman Geisler no livro “Eleitos, mas
Livres”, no que se refere à origem do mal. Ele nos conta que conhecia um
calvinista extremado, chamado John Gerstner, e que ambos ensinavam na mesma
instituição. Gerstner defendia a mesma ideia apresentada por Jonathan Edwards
de que a vontade humana é movida pelo desejo mais forte. Convidado a uma das
aulas pelo Sr. Geisler, para tratarem sobre o livre-arbítrio, Norman relata que
voltou toda a lógica calvinista para o problema do pecado de Lúcifer com uma
pergunta: “quem deu a Lúcifer o desejo de rebelar-se contra Deus?”, Gerstner,
neste momento, colocou as mãos no rosto e respondeu diante de toda a turma:
“mistério, mistério, um grande mistério!”. Isto se deu pelo fato de que se Deus
determinou tudo na eternidade passada, conforme os próprios hiper-calvinistas
segue-se então que somente Deus poderia ter dado a Lúcifer o desejo de
rebelar-se contra Deus, visto que Lúcifer não possuía nenhuma natureza má e nem
o livre-arbítrio. Sendo assim, Deus causou a rebelião contra Deus! Ele menciona
também o relato de um conferencista (calvinista) muito conhecido alegando a
incapacidade de confrontar-se com a trágica morte do próprio filho. Sem ter
para onde ir, restou-lhe apoiar-se na forte tradição calvinista, ele chegou à
conclusão: “Deus matou o meu filho!”. E pôde informar a todos: “então, e
somente então, eu obtive paz sobre esse assunto”. Um Deus soberano matou seu
filho, e por essa razão encontrou base para uma grande vitória espiritual,
assegurou a todos. Porém, Norman Geisler pensou: “o que ele diria se sua filha
fosse estuprada?”. Será que ele afirmaria: “Deus estuprou minha filha?”, só
esse pensamento é ofensivo, mas que não pode fugir a essa interpretação
fatalista.[10]
Podemos
perceber que este pensamento calvinista é, aparentemente, filosoficamente
inquestionável, sobre a soberania divina, porém, seria este o Deus da Bíblia? É
isso que passarei a questionar e será a partir daqui que serei um pouco
repetitivo, penso eu, para tentar mostrar os grandes problemas que esta
interpretação ocasiona sendo colocada lado-a-lado com trechos das Sagradas
Escrituras, pois, se “tudo” o que acontece, só acontece porque Deus
“determinou” que acontecesse, então, repito, isso deve incluir o pecado, o mal
moral. Estive recentemente conversando com um muçulmano e por ser fatalista,
ele afirmou que só acontece algo se Allah “determinar”, e acrescentou que tudo
o que já aconteceu, só aconteceu porque Allah determinou. E eu disse a ele:
“Ahmad (nome fictício), você não está percebendo que se ‘tudo o que acontece’
só acontece porque Allah determinou, você está afirmando tacitamente que Allah
criou o pecado e que determinou o pecado?”. E para minha surpresa, o muçulmano
confirmou naturalmente o que deve ser entendido com naturalidade acerca do
“decreto incondicional de todas as coisas”, se de fato ele existe, Ahmad
confirmou: “Claro! Allah criou o pecado para testar os homens”. O que a maioria
dos calvinistas admite naturalmente, apenas os extremados. Ahmad entendeu as implicações
do Decreto Incondicional de “tudo” e simplesmente confirmou o que deveria ser
entendido. Portanto, se este Decreto Incondicional de “tudo” quanto acontece
existe de fato e que por isso o homem não tem o livre-arbítrio, deve-se ser
entendido também que este não poderia ser responsabilizado por nada do que
fizesse, nem sequer ser repreendido, pois foi Deus quem o determinou que
fizesse tudo isso, de acordo com a lei da lógica conhecida como
Antecedente-Consequente. Se o “antecedente” é que “foi Deus quem determinou”,
“consequentemente”, o homem não tem culpa e não poderia ser responsabilizado.
Vejamos alguns textos que não deveriam estar na Bíblia da maneira como estão.
1.
Em Genesis 2.16-17 a Bíblia relata-nos que “e lhe deu esta ordem: de toda árvore
do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não
comerás, porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Analisando,
podemos perceber que Deus “deu uma ordem” para Adão não comer, mas se o decreto
incondicional de tudo é verdadeiro, Deus em sua agenda oculta estaria dizendo:
“Adão, eu te ordeno que não comas, mas eu já determinei na eternidade passada
que você vai comer”. O mais interessante é que em 3.11 do mesmo livro Deus
insiste: “comestes da arvore de que te ordenei que não comesses?”. E aplica a
justiça ao homem que, segundo a teoria do decreto calvinista, não teve culpa,
pois foi Deus quem havia determinado. Ainda no verso 17, ficamos sabendo que “e
a Adão disse: visto que atendeste a voz de tua mulher, e comeste da árvore que
eu te ordenara não comesses: maldita é a terra por tua causa...”. Mas, espera
um pouco, Deus deveria ter dito: “maldita é a terra por minha causa, já que eu
determinei a queda e o pobrezinho do Adão não tem livre-arbítrio”. Na verdade,
deveria ser assim. Vamos analisar outro texto.[11]
2.
Genesis 4.7 nos informa também que “se procederes bem, não é certo que serás
aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz a porta, o seu desejo
será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. O problema maior é que Caim matou
Abel. O primeiro homicídio cometido entre irmãos. Por este ato, Caim foi
amaldiçoado (v. 11) e foi realmente um castigo (v. 13). Porém, segundo a
doutrina do decreto incondicional na eternidade passada, quem ordenou que Caim
matasse Abel foi Deus. Apesar de Deus ter dito na Bíblia: “eis que o pecado jaz
a porta, o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. Deus, porém
deveria ter dito em sua agenda secreta: “Eu ordenei que Caim tivesse que matar
Abel e ainda disse que Caim poderia se dominar e evitar cometer esse homicídio,
mas coitadinho dele que o livre-arbítrio é um mito, ele teve que cumprir a
minha vontade anteriormente estabelecida e eu ainda irei castigá-lo por isso”.
É verdadeiramente repugnante pensarmos assim, porém, não existe outra
interpretação.
3.
Também no livro de Genesis 6.11-13 lemos: “a terra estava corrompida a vista de
Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra e eis que estava corrompida.
Porque todo o ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. Então disse
Deus a Noé: resolvi dar cabo de toda a carne, porque a terra está cheia da
violência dos homens: eis que os farei perecer juntamente com a terra”. Aqui,
mais uma vez, Deus “resolveu dar cabo de toda a carne”. Por quê? Bem, a terra
estava corrompida, cheia de violência e violência dos homens. Porém, se tudo o
que acontece foi por causa do desejo decretivo de Deus, sendo verdadeiro que
Deus não reage às ações humanas, pelo fato do livre-arbítrio não existir, então
foi Deus quem decretou que a terra ficasse cheia de violência e corrompida,
para então poder matar todos os homens, que por sua vez, praticaram a violência
e se corromperam porque Deus os corrompeu e tudo pelo decreto do próprio
criador. Mas, ponto pacifico é que o Deus da Bíblia é Santo e a ninguém tenta
(Tg 1.17). Vamos abordar outro texto.[12]
4.
Da mesma forma, em Genesis 13.13 nos informa o texto Sacrossanto: “ora, os
homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor”. Está explícito
em consonância com outras passagens Bíblicas que as cidades das campinas eram,
basicamente, Sodoma e Gomorra, e que, declara o trecho “eram grandes pecadores
contra o Senhor”. Surge então a pergunta: qual o tipo de pecado cometido por
aquela gente? Bem, em Genesis 19.5 nos informa que as ações e práticas estavam
relacionadas com perversões sexuais. Deus destruiu Sodoma e Gomorra com fogo e
enxofre (19.24) certamente pelo fato dos moradores serem grandes pecadores
contra o Senhor, conforme relata a trama bíblica. Porém, mais uma vez, se tudo
o que acontece, porque Deus decretou que acontecesse, então foi Deus, o próprio
quem determinou na eternidade passada que os moradores de Sodoma e Gomorra
cometessem “grandes pecados” contra ele mesmo, Deus. Que por sua vez, os matou
por isso. Sem esquecermos o fato de que Deus havia prometido a Abrão que se
houvessem dez justos na cidade, ele, por amor a estes dez, não permitiria esta
hecatombe (18.32).
5.
Vamos a um texto mais abrangente que envolve os mandamentos de Deus que
percorreria os séculos. Em Êxodo 20. 3-17 Deus concede a Moisés os Dez
Mandamentos com prescrições gerais para todo o povo, que por sinal são
ratificados no Novo testamento, com exceção da guarda do sábado, como todos
sabem, era exclusivo para Israel. Então, aqui Deus proíbe: ter outros deuses (v.
3), fazer imagens de escultura, adorá-las e prestar culto a elas (v.4), tomar o
Nome do senhor em vão (v.7), santificar o sábado (v.9), honrar pai e mãe, para
que os dias se prolonguem (v.12), não matar (v.13), não adulterar (v.14), não
furtar (v.15), não dizer falso testemunho (v.16), e por fim, não cobiçar nada
do próximo, nem casa, mulher, servo, serva, boi, jumento, nem coisa alguma.
Mais uma vez o problema teima em não calar, pois se alguém tiver outros deuses,
fizer imagens de escultura, adorá-las e lhes prestar culto, tomar o nome do
Senhor em vão, desonrar pai e mãe, matar, adulterar, furtar, mentir e cobiçar,
ele só terá feito isso porque Deus, em sua agenda oculta e contra o próprio
mandamento proferido, determinou que tais pessoas assim agissem, por meio do
decreto de “todas as coisas”, na eternidade passada. As pessoas só agiram assim
porque Deus quis. As boas e, más ações não poderiam ser destacadas, porque tudo
procede de Deus, não do homem. Sendo assim, o mandamento não faz sentido.
6.
No livro Sagrado de Levítico, nos capítulos 18 e 20 existem passagens dignas de
destaque aqui. No capitulo 18 Deus proíbe o povo a: chegar-se para descobrir a
nudez da mulher durante a menstruação (v.19), não deitar-se com a mulher do
próximo (v.20), entregar os filhos para dedicar-se a Moloque (v.21), deitar-se
com homem como se esse fosse mulher, ainda afirmando que é abominação (v.22),
nem o homem ou a mulher deitar-se com um animal (v.23). Deus ainda afirma que
os povos da terra estavam exatamente sendo lançados fora por terem-se
contaminado com estas praticas abomináveis (v. 24-29). Deus, portanto encerra
determinando que os israelitas, por obrigação, não deveriam praticar nenhuma
destas abominações (v.30). Em Levítico 20 a relação tende a aumentar. Deus
proibiu entregar os filhos a Moloque sob pena de morte (v.1-5), consultar
necromantes e feiticeiros (v.6), amaldiçoar pai e mãe (v.9), adulterar (v.10),
deitar-se com a mulher do pai (v.11), deitar-se com a nora (v.12), deitar-se com
outro homem (v.13), um homem possuir a mulher e sua mãe (v.14), ajuntar-se com
animal (v.15,16), tomar a Irmã, filha de seu pai (v.17), visitar a mulher no
tempo da menstruação (v.18), descobrir a nudez das tias (v.19,20), tomar a
mulher do irmão (v.21), adverte o povo a santidade e a obediência as leis
estabelecidas (v.7,8,22), asseverando que toda esta relação de pecados
horríveis eram praticados “por costume” pelos povos que haviam habitado a terra
de Canaã e que Deus os estaria expulsando exatamente pela prática destes
pecados, motivo pelo qual Deus os havia aborrecido. Fica patente a santidade de
Deus sendo vindicada pela sua justiça através da lei da semeadura e da
colheita. Porém, mais uma vez o dilema e a tensão aparecem. Se Deus decretou
“todas as coisas”, isso inclui toda esta relação de pecados cometidos pelos
cananeus e posteriormente pelos próprios israelitas. Deus estaria dizendo que
estava lançando fora aquelas pessoas, para fora da terra por terem cometido
tais abominações, advertindo os israelitas a não seguirem no mesmo exemplo de
devassidão, mas a obedecerem às leis e a santificação, porém, Deus estaria
dizendo na agenda oculta que se os cananeus pecaram tão gravemente, foi porque
Deus determinou que pecassem. O povo santo que posteriormente pecaram,
desobedecendo as ordens para obedecerem às leis, também só agiram deste modo
porque Deus havia determinado, se este possível “decreto incondicional de todas
as coisas” for verdadeiro não poderia existir outra interpretação. Apesar do
fato do escritor sacro mencionar os pecados repugnantes para Deus como
abominações (do Hb. To`evah) que
significa “coisa abominável, detestável, ofensiva”, claramente referindo-se a
todas as ações humanas relacionadas acima, bem como a outros tipos de
comportamentos (v. Dt 22.5; Lv 18.22), a idolatria (v. Dt 7.25,26), e ao
sacrifício infantil (v. Dt 12.31). Essa teoria do decreto, “de todas as coisas”
além de detestável (to`evah),
torna-se irracional, colocar Deus como autor de ações que ele abomina. Parece-me
que o próprio Calvino defendeu tacitamente este ponto de vista, como segue:
Seja
esta a síntese: uma vez se diz que a vontade de Deus é a causa de todas as
coisas, a providência é estatuída como moderatriz em todos os planos e ações dos homens, de sorte que não apenas
comprove sua eficiência nos eleitos, que são regidos pelo Espírito Santo, mas
ainda obrigue os réprobos à obediência. [Institutas da Religião Cristã,
versão clássica, Vol. I, p. 233 – tenho a impressão que a versão traduzida na
edição clássica é amenizada. A versão em inglês é mais cruenta - Grifos meus].
Resumindo,
obrigar os réprobos a obediência significa levá-los a cometer os pecados. Não
há outra alternativa. Vamos seguir em frente.
7.
Êxodo 32 é mais um exemplo interessante. Moisés estava no monte recebendo a Lei
e o povo ficou impaciente exigindo de Arão deuses de fundição. Arão cedeu
(v.1-5). Ofereceram holocaustos e ofertas pacificas no dia seguinte,
desencadeando uma grande orgia (v.6). Chama-nos a atenção o que Deus diz a
Moisés nos versos 7-10, que passarei a mencionar: “Então disse o Senhor a
Moises: vai, desce, por que o teu povo, que fizeste sair do Egito, se
corrompeu, e depressa se desviou do caminho que lhes havia eu ordenado. Fizeram
para si um bezerro fundido, e o adoram, e lhe sacrificam, e dizem: são estes, ó
Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Disse mais o Senhor a
Moisés: tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois,
deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma, e de ti
farei uma grande nação”. Do verso 11-13 segue-se a oração intercessória de
Moises em prol dos revoltosos obstinados e idólatras. Quando Arão vai tentar
explicar o motivo pelo qual tinha feito um bezerro de ouro, ele dá uma resposta
esclarecedora. Ele disse: “tu sabes que o povo é propenso para o mal” (v.22). O
problema culminou em matança no meio do arraial (v.25-29). Também ficou
claramente estabelecido no texto que o povo cometeu grande pecado, tanto mencionado
por Moises (v.30), tanto quanto mencionado pelo próprio Deus (v.34-35). O
problema, mais uma vez teima em não calar: o decreto incondicional de todas as
coisas é verdadeiro? Deus, de fato, determina todas as ações humanas e o
livre-arbítrio é um mito como defendem os hipercalvinistas? Se a resposta for
positiva, então, Deus é o responsável único por todos os acontecimentos também
desta passagem em questão. Foi de Deus a decisão de induzir o povo a: pedir
deuses, conceder o bezerro, praticar as orgias e sacrifícios ao bezerro, como
também a decisão de matar os desenfreados, pasmem, pelo que eles estavam
cometendo pela determinação do próprio Deus. Mas espera um pouco. Deus havia
dito que o povo “se corrompeu e se desviou do caminho que Ele (Deus) houvera
ordenado” (v.7-10), sabendo que Ele próprio (Deus) havia determinado que os
homens devessem cometer tudo aquilo? Ademais o fato de que toda a questão se
encerra com o Senhor punindo os israelitas pelo pecado que o próprio Criador
houvera determinado que cometessem (v.35, apesar do que ele fala neste verso?).
Isso não faz nenhum sentido. Esse Deus dos decretos calvinistas não é o Deus
revelado na Escritura.
8.
Esta passagem me chama muito a atenção pelo fato de ter culminado no cativeiro
Assírio e Babilônico do povo israelita. Em 2 reis 17 o trecho sacrossanto
mostra o cativeiro e o que causou de fato tamanha mazela entre os descendentes
de Abraão. O real motivo é-nos mostrado a partir do verso sete. Vamos analisar:
foram cativos porque, pecaram contra o Senhor e temeram a outros deuses (v. 7);
andaram nos estatutos das nações que o Senhor houvera lançado fora e nos
costumes dos reis de Israel (v. 8); fizeram contra o Senhor o que não era reto
e edificaram altos para si em todas as cidades (v 9); levantaram colunas e
postes-ídolos em todos os altos e debaixo de todas as árvores frondosas (v.
10); queimaram incenso nestes lugares e cometeram ações perversas para
provocarem o Senhor a ira (v. 11); serviram os ídolos dos quais o Senhor os
havia dito: não fareis estas coisas (v. 12); rejeitaram os estatutos e a
aliança que Deus fizera com seus pais, rejeitando também as advertências acerca
da desobediência e seguiram os ídolos, se tornaram vãos, seguiram as nações que
estavam em derredor, das quais o Senhor lhes havia ordenado que não as
imitassem (v.15); desprezaram todos os mandamentos do Senhor, fizeram para si
imagens de fundição, dois bezerros, fizeram um poste-ídolo e adoraram todo o
exército do céu, e serviram a Baal (v. 16); queimaram seus filhos e suas filhas
como sacrifício, deram a pratica de adivinhações, criam em agouros e
venderam-se, mais um vez diz o texto, para fazerem o que era mal perante o
Senhor, para o provocarem a ira (v.17). Então, qual foi o resultado? Muito se
indignou o Senhor contra Israel e os afastou de sua presença, só ficando Judá
(v. 18). E o que fez Judá? Não guardou os mandamentos do senhor e imitaram a
Israel (v. 19); Deus entregou todo o povo nas mãos dos despojadores e os
expulsou de sua presença (v.20); apesar de o Senhor ter avisado pelo ministério
de todos os seus servos, os profetas (v.23); advertindo a Israel e a Judá que
eles voltassem dos seus maus caminhos e começassem a guardar todos os
mandamentos e estatutos, segundo toda a Lei que o Senhor houvera prescrito aos
pais por intermédio dos profetas (v.13). Mas, o que os israelitas fizeram? Não
deram ouvidos, se tornaram obstinados e de dura cerviz e não creram no Senhor
(v.14). Novamente a teoria do decreto incondicional de todas as coisas na
eternidade passada defendida pelos hipercalvinistas recebe mais um duro golpe
da Santa Escritura. Seria o Deus da Bíblia aquele que adverte e aconselha as
pessoas a abandonarem seus pecados para não serem punidos, os conclamando a
obediência aos santos mandamentos, para depois, em sua agenda secreta os
obrigar de forma eficaz a cometerem toda a sorte de pecados gravíssimos e
contra o próprio Deus para depois os punir e castigá-los pela desobediência que
Deus havia decretado? Isso mais se parece com uma peça de teatro de terror em
que o Santo Senhor planeja, executa e pune os pecados dos homens. Essa teoria
só pode formar pessoas revoltadas contra o Senhor. Não faz sentido, pois os
homens foram punidos por suas atitudes e isso é explicito no texto em destaque.
9.
O profeta Isaias com seu ministério de 40 anos começa seu esplendoroso livro
com um testemunho devastador. No capítulo 1 e verso 2 ele afirma enfaticamente:
“Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o Senhor é quem fala: criei
filhos, e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim”. Aqui, mais uma
vez, o Senhor dos exércitos está dizendo que “eles estão revoltados contra
mim”, contudo, seria até mesmo irracional pensarmos que Deus disse tal coisa e
aceitasse-mos que Deus decretou eficazmente que os israelitas se “revoltassem
contra ele”. No verso 4 Ele continua dizendo: “ai desta nação pecaminosa, povo
carregado de iniqüidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o
Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para traz”. E ainda que eles
estão em rebeldia (v. 5). Pensar que Deus determinou o que é mencionado nestes
textos é contradizer o que o próprio Deus está asseverando de forma clara. Não
foi Deus quem os fez estar em rebeldia, blasfemando “do Santo de Israel”, pois
ele iria determinar que as pessoas blasfemassem contra ele mesmo? Isto é até
ofensivo. O problema não encerra por ai. No verso 10, Deus compara os príncipes
do seu povo a “Príncipes de Sodoma”. E o povo a “povo de Gomorra”, e ainda se
queixa dos sacrifícios, afirma estar farto dos holocaustos de carneiros, da
gordura de animais cevados e que nem se agrada do sangue de novilhos, cordeiros
e bodes (v. 11); o incenso é abominação, as luas novas também, os sábados e as
convocações das congregações, é aqui que Deus afirma algo muito contundente, quando
relata: “não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”. Deus
não suporta iniqüidade com o ajuntamento solene? Bem, segundo os calvinistas
asseveram que Deus determina todas as ações, isso deve incluir este
comportamento “pecaminoso, revoltoso e blasfemo” (v. 2, 4, 11, 13) da nação,
apesar do fato de Deus estar lamentando abertamente que “não suporta
iniqüidade”. Esse é o mesmo Deus que os determina? Claro que não! Porém, ele
exige santidade e purificação (v. 16,17), e convida a todos ao arrependimento e
a escolha quando fala: “se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o melhor desta
terra. Mas, se recusardes, e fordes rebeldes sereis devorados a espada; porque
a boca do Senhor o disse. Sião será redimida pelo direito, e os que se
arrependem, pela justiça. Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente
destruídos; e os que deixarem o Senhor perecerão” (1. 19, 20, 27, 28). Devemos,
portanto acreditar que Deus oferece direito de escolha a pessoas que não tem
esse direito? Estaria Deus afirmando na Escritura “se quiserdes, se ouvirdes” a
pessoas que ele sabe que não poderia “querer, ouvir, aceitar e recusar” as suas
palavras? Estaria Deus asseverando: “escolha”, mas em sua agenda oculta
sussurrando: “você não pode escolher, você só pode decidir o que eu já havia
decidido por você”. Não é isso que a Santa Escritura está mostrando, mas
justamente o contrário.
Estou,
de fato, sendo muito resumido, mostrando apenas alguns trechos, dentre as
centenas em toda a Bíblia que se chocam frontalmente com esta teoria filosófica
do decreto de todas as coisas. Portanto, antes da conclusão quero deixar o
profeta Ezequiel dar seu testemunho.
10.
Ezequiel fora comissionado como atalaia de Israel (3.16-21; 33.1-9). A atalaia
deveria ouvir da parte do Senhor e avisar os homens (v.17). O texto fala por si
mesmo: “quando eu disser ao perverso: certamente morrerás; e tu não o avisares,
e nada disseres para adverti-lo do seu mau caminho, para lhe salvar a vida,
esse perverso morrerá na sua iniqüidade, mas o teu sangue da tua mão o
requererei. Mas, se avisares o perverso e ele não se converter da sua maldade e
do seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniqüidade, mas tu salvaste a tua
alma” (3.18,19). Em primeiro lugar, se esse decreto de “todas as coisas” é verdadeiro,
então: 1 – Deus decretou que o perverso seria “perverso”; 2 – que o profeta não
avisaria e nem o advertiria do seu mau caminho, para lhe salvar a vida; 3 –
que, esse perverso iria, de fato, morrer na iniqüidade, pelo profeta não tê-lo
avisado; e 4 – o profeta seria requerido por Deus por não tê-lo avisado (v.
18). Ou, 1 – Deus decretou que o profeta o avisaria; 2 – decretou também que o
perverso não iria se converter do seu mau caminho e da sua maldade; 3 – ele
deveria morrer na sua maldade; 4 – Deus decretou que o profeta não seria
requerido por tê-lo avisado (v.19). Mais uma vez o problema urge. Ainda que
Deus esteja afirmando a responsabilidade pessoal de cada individuo, a teoria filosófica
assevera, e assim devemos entender por não ter outra saída, que, tudo é o
desejo de Deus. Porém, essa possibilidade só encontra respaldo na “agenda
secreta” e não na Bíblia. Vamos analisar mais dois versículos: “também quando o
justo se desviar da sua justiça, e fizer maldade, e eu puser diante dele um
tropeço, ele morrerá; visto que não o avisaste, no seu pecado morrerá, e suas
justiças que praticara não serão lembradas, mas o seu sangue da tua mão o
requererei. No entanto, se tu avisares o justo para que não peque, e ele não
pecar, certamente viverá, porque foi avisado; e tu salvaste a tua alma” (v.
20,21). Em segundo lugar e novamente, se esse decreto de todas as coisas for
verdadeiro, então: 1 – Deus havia decretado que alguém seria justo e iria
praticar justiças; 2 – no mesmo decreto estava a verdade de que este justo iria
se desviar e iria fazer maldade e por causa disso, Deus iria colocar diante
dele um tropeço (recompensa ou lei da semeadura e da colheita) e ele morreria;
3 – no decreto estaria incluído também que o profeta não o avisaria e por causa
disso ele, o justo que se desviou, morreria no pecado; 4 – as justiças que Deus
outrora havia determinado que ele praticara seriam esquecidos; 5 – o profeta
seria requerido por não tê-lo avisado, apesar do fato de que se o profeta não o
avisou, e o decreto é de fato “de todas as coisas”, então, Deus havia decretado
que ele não o avisasse, mas, mesmo assim iria requerer do profeta por não ter
avisado (v.20). Isso mais se parece com uma cena de teatro de fantoches. Ou
então, 1 – Deus decretou que o profeta avisaria o justo para que não peque; 2 –
no mesmo decreto deveria estar o fato de que ele não pecaria exatamente porque
foi avisado e viveria; 3 – o profeta não seria requerido (v. 21). Esta teoria
traz mais problemas do que soluções em textos claros como estes. Roger Olson
menciona que quando Calvino afirmou que tanto nas Escrituras quanto na tradição
cristã “se afirma que Deus ordenou desde a eternidade quem iria acolher com
amor e quem seria objeto de sua ira”. Ele identificou um conflito aparente
entre essa doutrina e 1 Timóteo 2.3-4 e 2Pedro 3.9, que sugerem a vontade
universal de Deus para a salvação. A solução de Calvino foi postular a dupla
vontade de Deus, sendo uma delas revelada e outra secreta. A vontade revelada
de Deus oferece misericórdia e perdão a todos que se arrependerem e crerem. A
vontade secreta de Deus predestina alguns à perdição eterna e determina que
eles pecarão e nunca se arrependerão.[13] Algo que fere de forma irreversível o
caráter moral de Deus.
Curiosamente,
e contra todas as possibilidades desta teoria apresentada, podemos encontrar
calvinistas “supralapsarianos” escrevendo como verdadeiros arminianos. Nada
mais, nada menos que Arthur W. Pink, no artigo “A Cruz e o Eu”, publicado na
revista “Fé para Hoje”, número 26, do ano de 2005, página 27, o qual ele
discorre sobre o texto de Mateus 16.24 que diz: “Então disse Jesus a seus
discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si se negue, tome a sua cruz e
siga-me”. Passarei a mencionar suas próprias palavras. Ele afirma que
“necessita fazer algumas considerações sobre os termos”. E prossegue, 1 - “se
alguém – o termo utilizado refere-se a todos os que desejam unir-se ao grupo
de seguidores de Cristo e alistar-se sob a bandeira dEle”. Note, a principio
que ele, Pink, fala de pessoas que ainda não seguem a Cristo, pois estes
“desejam unir-se” ao grupo de seguidores. Depois continua 2 - “se
alguém quer – o grego é muito enfático, significando não somente a
anuência da vontade, mas também o propósito completo do coração, uma resolução
determinada”. 3 – “vir após mim – como um sujeito ao seu Senhor, um aluno ao
seu mestre, um soldado ao seu capitão”. 4 – “negue – o vocábulo grego significa
negue-se completamente. Negue-se a si mesmo - a sua natureza pecaminosa e
corrupta”. 5 – “tome – não quer dizer passivamente, e sim assuma
voluntariamente, adote ativamente”. Podemos perceber que a “vontade” humana não
pode ser disfarçada dentro da Santa Escritura, mas assumida de forma
incondicional. Porém, a tensão e a contradição parecem teimar em permanecer,
pois, nada deve depender da vontade, mas do decreto de Deus e se isso for
verdade, essas palavras de Pink também não têm importância, como os dez textos
analisados acima. Se o “decreto incondicional de todas as coisas na eternidade
passada” é verdadeiro, o que devemos fazer de textos como esses? Estaria Deus
zombando de sua criação? Tudo seria apenas uma grande peça de teatro em que
fantoches sem vontade estariam sendo manipulados ou usando uma vontade
inverídica? Estaria Deus ordenando que a salvação seja pregada a pessoas que
nunca poderiam sequer desejar recebê-la? Estaria Deus urgindo ameaças,
conselhos e mandamentos a pessoas que não poderiam evitar cometer o que estão
cometendo ou obedecer? O Deus apresentado pelo calvinismo seria o mesmo da
Bíblia ou poderia mais se parecer com o apresentado pelo Islamismo ou pelo
Panteísmo “mutilado” de Hitler? Deus, por sua vez afirma: “não tenho falado em
segredo...falo a justiça, e proclamo o que é reto” (Is 54.19). Erasmo
reconhecia e usou isto contra Lutero em seu debate sobre o livre-arbítrio: “Se
não está dentro da capacidade de todo homem cumprir o que é comandado, todas as
exortações nas Escrituras, e todas as promessas, ameaças, repreensões,
censuras, abjurações, bençãos, maldições e os inúmeros preceitos, são
necessariamente inúteis.” [14]. Deus exigiria de suas criaturas aquilo que não
os capacitassem a realizar! A condenação pressupõe desobediência real.
Concluo
esta breve análise usando um pensamento do grande Pastor Metodista John Wesley:
“Ele não punirá ninguém por fazer qualquer coisa que não poderia possivelmente
evitar, nem por omitir qualquer coisa que não poderia possivelmente fazer. Toda
punição supõe que o ofensor poderia ter evitado a ofensa pela qual ele é
punido. De outra forma, puni-lo seria claramente injusto, e inconsistente com a
característica de Deus nosso Governador” [15]. A suposta “agenda oculta” de
Deus é uma verdadeira utopia sendo verdadeiro o que a Bíblia fala, portanto,
esse possível decreto calvinista é naturalmente falso, pois sabemos que Deus é,
de fato Soberano, mas que também existem coisas que Ele não pode fazer, como
mentir, errar, pecar, negar-se a si mesmo, se contradizer, dissimular ou mudar,
pois estas ações ferem o caráter moral de Deus.
Verso
final para reflexão com trechos em letras garrafais:
Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a
Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti,
e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Tomai, pois, sete
bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por
vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a
vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó. (Jó 42:7,8).
_________________________
Notas:
[1] – Susanna Wesley, citadoem A. W. Harrison,
Arminianism (Londres: Duckworth, 1937), p. 189.”.Citado no livro “O Outro Lado do Calvinismo” de Laurence
M. Vance;
[2]
- John S. Feinberg, “Deus Decreta Todas as Coisas,” Predestinação e
Livre-Arbítrio, ed. David Basinger e Randall Basinger (São Paulo: Mundo
Cristão, 2000), 34. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de
Clark H. Pinnock;
[3]
- Augustus Toplady, prefácio, Zanchius, Absolute
Predestination, 14. Esta é parte de uma citação do “Sermão sobre a
Providência, a partir de Mt 10.29, 30” do bispo Hopkins. Citado no Livro “a
graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;
[4] - Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination (Grand Rapids: Eerdmans,
1932), 13. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de
Clark H. Pinnock;
[5]
- Berkhof, Systematic Theology, 100.
Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;
[6] – Pink, Deus é Soberano, 84.
[7] - R. C. Sproul, “Discerning the Will of God,” Our Sovereign God, ed. James
M. Boice (Grand Rapids: Baker, 1977), 105. Citado no Livro “a graça de Deus e a
vontade do homem” de Clark H. Pinnock;
[8] - Herman Bavinck, The Doctrine of God, ed. e tr. William Hendriksen (Grand Rapids:
Eerdmans, 1951), 371. Citado no Livro “a graça de Deus e a vontade
do homem” de Clark H. Pinnock;
[9] - C. Samuel Storms, The Grandeur of God (Grand Rapids: Baker, 1984), 80. Citado
no Livro “a graça de Deus e a vontade do homem” de Clark H. Pinnock;
[10]
– Geisler, Norman. Eleitos, mas livres. Ed. Vida, p. 155;
[11]
Contudo, veja algumas contradições. Calvino afirmou que Adão caiu por sua
vontade:
“Ora,
está fora de propósito introduzir aqui a questão da predestinação secreta de
Deus, uma vez que não está a tratar-se do que aconteceu ou não pôde acontecer,
mas, ao contrário, de qual foi a natureza do homem. Portanto, Adão podia
manter-se, se o quisesse, visto que não caiu senão de sua própria vontade.
Entretanto, já que sua perseverança era flexível, por isso veio tão facilmente
a cair. Contudo, a escolha do bem e do mal lhe era livre. Não só isso, mas
ainda suma retidão havia em sua mente e em sua vontade, e todas as partes
orgânicas estavam adequadamente ajustadas à sua obediência, até que,
perdendo-se a si próprio, corrompeu todo o bem que nele havia.” [Institutas da
Religião Cristã, Vol I, versão clássica, p. 196].
Mas
no Vol III escreveu que:
“Negam
que subsista em termos explícitosque por Deus foi decretado que Adão
perecessepor sua apostasia. Como se realmente esse
mesmo Deus, que a Escritura proclama “fazer tudo quanto quer” [Sl 115.3], haja
criado a mais nobre de suas criaturas com um fim ambíguo! Dizem que foi
apanágio do livre-arbítrio que ele próprio dispusesse seu destino; Deus, porém,
não destinou nada, senão que o tratasse conforme seu mérito. Se tão insípida
invenção for aceita, onde estará aquela onipotência de Deus pela qual, segundo
seu conselho secreto, o qual de nenhuma outra coisa depende, a tudo governa e
regula?” [Institutas da Religião Cristã, Vol III, versão clássica, p.
416].
É
uma contradição explícita? Quem poderia se manifestar sobre isso? Adão caiu por
sua vontade ou foi decretado por Deus que perecesse por sua apostasia?Como
Adão poderia manter-se se o quisesse? [citação 1] se por Deus foi
decretado que Adão perecesse por sua própria apostasia? [citação 2].
Mas
agora vem outra afirmação de Calvino:
“Por
isso mesmo, se existe razão para queixa, ou justa ou ilusória, compete à
predestinação. Nem deve parecer absurdo o que digo: Deus não só viu de
antemão a queda do primeiro homem e nela a ruína de sua posteridade, mas também
as administrou por seu arbítrio. Pois, como pertence à Sua sabedoria
ser presciente de todas as coisas que haverão de acontecer, assim cabe
ao seu poder com sua mão a tudo reger e regular.” [Institutas da Religião
Cristã, Vol III, versão clássica, p. 416].
[12]
De fato o próprio Calvino defendeu que Deus incita os criminosos aos crimes:
“Consideremos,
pois, quão inadequada é sua argumentação: querem que os crimes de seus autores
sejam impunes, porquanto não são cometidos senão pela administração de Deus.Eu
concedo mais: os ladrões e os homicidas, e os demais malfeitores, são
instrumentos da divina providência, dos quais o próprio Senhor se utiliza para
executar os juízos que ele mesmo determinou. Nego, no entanto, que daí se
deva permitir-lhes qualquer escusa por seus maus feitos.” [Institutas da
Religião Cristã, Vol. I - versão clássica, p. 217];
A
ideia é que Deus incita os criminosos a cometerem crimes e os culpa e condena
por isso. Veja o que Calvino afirma em outra passagem:
“Uma
questão mais difícil emerge de outras passagens, onde se diz que Deus, a seu
arbítrio, verga ou arrasta todos os réprobos ao próprio Satanás.
Pois o entendimento carnal mal pode compreender como, agindo por seu
intermédio, Deus não contraia nenhuma mácula de sua depravação; aliás,
em uma ação comum, seja ele isento de toda culpa, e inclusive condene, com
justiça, a seus serventuários. Daqui se engendrou a distinção entre fazer e
permitir, visto que esta dificuldade a muitos pareceu inextricável, ou,
seja, que Satanás e todos os ímpios estão de tal modo sob a mão e a autoridade
de Deus, que este lhes dirige a malignidade a qualquer fim que lhe apraz e faz
uso de seus atos abomináveis para executar seus juízos. E talvez fosse
justificável a sobriedade destes a quem alarma a aparência de absurdo, não fora
que, sob o patrocínio de uma inverdade, de toda nota sinistra tentam erroneamente
defender a justiça de Deus.” [Institutas da Religião Cristã, Vol. I - versão
clássica, p. 229].
[13]
OLSON, Roger. História da Teologia
Cristã: 2000 anos de tradições e reformas. (Tradução Gordon Chown). São
Paulo: Editora Vida, 2001, p. 421
[14] - Ronald VanOverloop, “Calvinism and Missions: 1.
Total
Depravity,” Standard Bearer, 15 de
setembro de 1992, p. 493. citado no livro “o outro lado do calvinismo”;
[15]
- John Wesley, citado em Wood, p. 211 e disponível no livro “o outro lado do calvinismo”.
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